quinta-feira, 31 de março de 2011

CPT lança documentário “A bota velha é nossa” nesta sexta-feira


O documentário visa sensibilizar as autoridades e a sociedade sobre a luta das 102 famílias camponesas, que vivem há nove anos no Acampamento Bota Velha e estão ameaçadas de despejo



Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL

Nesta sexta-feira (01.04) às 19h30, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançará o curta-metragem “A Bota Velha é Nossa” durante a programação cultural da Feira da Esperança e da Solidariedade, em frente à Igreja São Gonçalo no bairro do Farol, em Maceió. O documentário foi produzido em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL) e o programa “Eu quero Ver” da TV COM.

Com 15 minutos de duração, o documentário aborda a luta e resistência no Acampamento Bota Velha localizado no município de Murici, zona da mata alagoana, que é acompanhado pela CPT desde 2002. O vídeo terá legendas traduzidas para outros idiomas como inglês, francês e italiano – inclusive, será divulgado na internet e repassado para instituições amigas da reforma agrária que estão no Exterior.

As 102 famílias se fixaram em dois núcleos (Bota Velha e Santa Cruz) nas terras improdutivas da antiga Fazenda Bota Velha arrendada pela Usina Santa Clotilde e possuem uma boa produção agroecológica. Os acampados estão vivendo e trabalhando em 50 hectares do imóvel rural e produzem cerca de 40 hectares com: hortaliças, macaxeira, inhame, abóbora, melancia, feijão, etc; além de uma pequena criação de animais (galinhas, ovelhas, patos) e ainda possui um açude com peixes diversos.

No local existe energia elétrica, as casas são de taipa, com telhas e algumas de alvenaria. Foi instalada uma casa de farinha, com recursos dos próprios camponeses, e juntos conseguem produzir cerca de 500kg de farinha por semana que é comercializado nas feiras livres dos municípios vizinhos. E para renovar o desejo de continuar lutando por vida digna no campo e ter a fé fortalecida, os camponeses construíram duas capelas.

Uma escola itinerante com ensino multiseriado foi implantada e tem professoras monitoras remuneradas pela Secretaria Estadual de Educação e Esporte, por meio de um convênio específico com a CPT, destinado as melhorias na Educação do Campo. Crianças entre seis aos 12 anos aprendem o conteúdo comum às escolas convencionais, e ainda, recebem noções de cidadania, cuidados com o meio ambiente, além da preservação dos costumes campesinos. Os jovens e adultos também estão sendo alfabetizados e descobrindo um mundo novo por meio da leitura e do conhecimento.

A Arquidiocese de Maceió, professores universitários, pesquisadores e lideranças dos movimentos sociais já manifestaram apoio às famílias camponesas que se encontram amedrontadas com as ameaças de reintegração de posse realizadas pela Vara Agrária. Essas famílias vivem em comunidade em uma área que já poderia ter sido transformada em assentamento pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e sem perspectiva de resolução.



FICHA TÉCNICA

Direção: Carlos Lima e Daniel Felipe Quaresma Santos
Roteiro: Carlos Lima, Daniel Felipe Quaresma Santos, Gildeon Santos (Zazo), Helciane Angélica.
Edição: Gildeon Santos (Zazo)
Imagens: Daniel Felipe Quaresma Santos
Assistente Técnico: Genivaldo Henrique da Silva
Música de Abertura: “A Marcha” - Stanley Carvalho
Texto: Carlos Lima
Narração (Poesia e Música Final): Gustavo Gomes

Bandeira da CPT cobriu caixão do Pe. José Comblin

Por: Pe. Hermínio Canova - CPT/Paraíba - Santa Fé, 30 de Março de 2011.



Várias centenas de pessoas participaram ontem da Missa “de corpo presente” e do sepultamento do Padre José Comblin, que faleceu domingo passado, aos 88 anos. Aconteceu no Santuário de Padre Ibiapina, em Santa Fé, município de Arara (PB). Estavam presentes representantes das comunidades de base, trabalhadores e trabalhadoras rurais, missionários e missionárias do Nordeste, religiosas das comunidades inseridas no meio popular, agentes pastorais, padres e bispos da região.

No meio de muita oração, emoção e gratidão, foi lembrada a trajetória da vida do padre e sua grande fidelidade à missão e aos pobres. Veio da Bélgica para ensinar na diocese de Campinas (SP), viveu muitos anos em Recife e em João Pessoa nos tempos de dom Helder Câmara e dom José Maria Pires. Deixou uma vasta obra de escritos de teologia, de espiritualidade e de análise sócio-política; é proclamado pelo povo cristão grande mestre, verdadeiro Doutor e Padre da Igreja de Jesus.

Viveu e atuou neste último ano de sua vida nos longínquos sertões da Bahia, diocese de Barra, imitando assim o Padre-Mestre Ibiapina que na época deixou Recife para embrenhar-se pelos lugares mais remotos dos sertões nordestinos para evangelizar e prestar assistência aos mais pobres. Inspirou e realizou muitos cursos de formação missionária para animadores e animadoras das comunidades do campo e das periferias populares que incluíam análise da realidade vivida na região, espiritualidade do evangelho, formação humana e teológica.

Comblin tinha o dom de fazer a gente pensar. Como grande místico nos introduzia na radicalidade evangélica e na opção pelos pobres e se opunha com firmeza às ditaduras (do Brasil e do Chile, onde viveu alguns anos). Tecia críticas fortes à Igreja pela sua mediocridade e aliança com os poderosos. Pessoalmente tive o privilégio de conviver e conversar muito com ele; todo ano me convidava a colaborar nos cursos de formação aqui na Paraíba.

Durante a celebração foram apresentados vários depoimentos de pessoas que viveram e conheceram o padre Comblin; foram lidas as preciosas mensagens de dom José Maria Pires, de dom Pedro Casaldáliga e de muitos outros. O corpo dele foi enterrado perto do túmulo do Padre Ibiapina e das Beatas do Nordeste. O caixão estava coberto com a bandeira-símbolo da CPT, sinal do amor que Comblin tinha para o povo do campo (a CPT foi destacada várias vezes durante a grande celebração).

Neste último tempo, sentindo que chegava a hora de entrar definitivamente no Reino, despojou-se de tudo, doou tudo o que tinha. A vasta biblioteca que tinha foi entregue à Universidade Católica de Recife.

Cristão, sacerdote, teólogo, missionário, doutor da Igreja Povo de Deus, mestre e padre espiritual de todos nós que o conhecemos tão de perto, padre Zé descanse em Paz!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Feira da Esperança e da Solidariedade vai comercializar produtos da reforma agrária


A atividade é uma realização da Arquidiocese de Maceió em parceria com a CPT, MST, MLST e MTL


Camponeses oriundos de acampamentos e assentamentos de várias partes de Alagoas participarão da Feira da Esperança e da Solidariedade nos dias 1° e 2 de abril, em frente à Igreja São Gonçalo no bairro do Farol em Maceió. É uma realização da Arquidiocese de Maceió, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL).

A Feira da Esperança e da Solidariedade existe desde fevereiro de 2010, acontece sempre no primeiro sábado de cada mês, tem contribuído na integração das pastorais sociais e a sociedade civil, além de arrecadar recursos financeiros para os projetos executados pela Igreja Católica.

Essa feira é uma forma de devolvermos à sociedade o apoio que recebemos na luta pela reforma agrária. Nosso compromisso é com o planeta, produzimos de forma harmônica com o meio ambiente alimentos saudáveis. As tentativas de desmoralizar a reforma agrária ficam pequenas diante da produção camponesa e da necessidade de se avançar ainda mais, conquistando terra e levando alimentos para a mesa dos mais pobres”, declarou Carlos Lima, Coordenador da CPT-AL.

Ao todo serão 50 barracas, e os visitantes poderão a partir das 6h comprar uma variedade de alimentos oriundos de acampamentos e assentamentos: frutas, verduras, ovos de capoeira, mel do sertão e farinha. Por volta das 8h30, terá a leitura da nota assinada por personalidades acadêmicas e depoimentos em apoio à luta pela reforma agrária em Alagoas. No sábado, a partir das 6h terá uma missa celebrada pelo Arcebispo Dom Antonio Muniz seguido do café comunitário. Na ocasião, o Arcebispo se pronunciará oficialmente em apoio às centenas de famílias que sonham em trabalhar e viver dignamente no campo. A feira será encerrada às 14h.



DOCUMENTÁRIO

A partir das 19h30, da sexta-feira (01.04) acontecerá a programação cultural com a exibição de documentários. Na ocasião, será lançado o curta-metragem “A Bota Velha é Nossa” com 15 minutos de duração, é uma realização da CPT-AL em parceria com o programa “Eu quero ver” da TV COM e a Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL). Aborda a luta e resistência das 102 famílias que vivem há nove anos no Acampamento Bota Velha em Murici e estão ameaçadas de despejo. No local, existe casa de farinha, escola, açude, casas de taipa, energia elétrica e produção agrícola diversificada.



SERVIÇO
Feira da Esperança e da Solidariedade
Dias: 1° e 2 de abril de 2011
Local: Em frente à Igreja São Gonçalo, Farol, Maceió-AL
Realização: Arquidiocese de Maceió, CPT, MST, MLST e MTL.
Apoio: Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL)
Assessoria de Comunicação: (82) 8831-3231 (Helciane Angélica - CPT) / 9916-8547 (Rafael Soriano – MST)


terça-feira, 29 de março de 2011

Incra deve ter gestão nos moldes privados, diz novo presidente

O agrônomo Celso Lacerda tomou posse hoje como presidente do Incra (Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária) defendendo uma gestão do órgão "nos padrões da iniciativa privada".

"Temos que qualificar a gestão do Incra no sentido de ter uma gestão nos padrões da iniciativa privada, ou seja, que a gente possa gastar cada vez menos e produzir cada vez mais", afirmou o petista, que foi superintendente do órgão no Paraná entre 2003 e 2008.

"Vivemos uma era em que tudo é informatizado. Precisamos aprimorar os sistemas do Incra, para termos um controle mais eficiente, mais rápido, rigoroso dos recursos que a gente aplica."

Lacerda também disse que os assentamentos devem ter mais suporte técnico e se tornarem produtores de alimentos livres de agrotóxicos.

"Nós queremos mudar o modelo tecnológico dos assentamentos para que ele seja viável do ponto de vista econômico, social e ambiental", afirmou.

"Quer dizer que a gente cada vez mais vai investir em difusão de tecnologia para eliminar o uso de agrotóxicos. A sociedade clama cada vez mais por alimentos saudáveis."

Lacerda negou que haverá uma "revolução" na administração do Incra, mas disse que as superintendências estaduais terão de "entrar num planejamento muito rigoroso".

Uma minuta de decreto deste ano prevê um maior controle do Incra nos Estados e a concentração de poder e dinheiro em Brasília, por meio da criação de uma "diretoria-geral" e uma "corregedoria-geral".

"Precisamos desenvolver novas ferramentas de controle para que a gente possa monitorar e cobrar mais das superintendências", afirmou.

Ele afirmou que o foco agora será a atuação nas áreas que concentram a pobreza extrema no país, para contribuir com o plano do governo federal de erradicar a miséria.

"A reforma agrária é, eu acredito, a principal política para o combate da pobreza extrema no campo."


Fonte: Folha.com

Arquidiocese de Maceió realiza feira conjunta com movimentos do campo

A tradicional Feira da Esperança e da Solidariedade acontece no primeiro sábado de cada mês, sempre teve a presença da Pastoral da Terra, e nesta edição, contará com a participação do MST, MLST e MTL



Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL

A Arquidiocese de Maceió realiza nos dias 1° e 2 de abril, mais uma edição da Feira da Esperança e da Solidariedade em Maceió. Desta vez, além da parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) terá a participação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e recebe o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL).

A proposta de ter uma feira conjunta entre os movimentos do campo é antiga, principalmente, após os constantes atos de tentativa de desmoralização da reforma agrária. A Arquidiocese de Maceió abraçou a luta, abriu espaço, e reafirma diante da sociedade o apoio às centenas de famílias que sonham em trabalhar e viver dignamente no campo.

Em Alagoas, cerca de 75% dos alimentos consumidos pela população são trazidos de outros estados, enquanto isso, várias propriedades rurais encontram-se ociosas e mais de 12 mil famílias camponesas foram esquecidas pelas autoridades, moram em barracas de lona há anos, se arriscam na beira das BRs ou estão sofrendo nas periferias das cidades.

Nesta edição da feira da Esperança e da Solidariedade, terá 50 barracas, onde será comercializada uma grande diversidade de alimentos oriundos de acampamentos e assentamentos da reforma agrária e toda a renda arrecadada será destinada às famílias camponesas.

A atividade inicia na sexta-feira às 6h e segue até às 21h, durante a programação cultural terá forró pé de serra e a exibição de documentários, inclusive, o lançamento do documentário “A Bota Velha é Nossa” referente à luta das 102 famílias que vivem há nove anos no Acampamento Bota Velha em Murici e estão ameaçadas de despejo. No sábado, terá às 6h uma missa celebrada pelo Arcebispo e a feira prossegue até às 14h. Aberto ao público!



CONTEXTO

A Feira da Esperança e da Solidariedade existe desde fevereiro de 2010, é uma iniciativa do Arcebispo Dom Antônio Muniz, e sempre acontece no primeiro sábado de cada mês. Tem como objetivo aproximar ainda mais as pastorais sociais e arrecadar recursos financeiros para os projetos executados pela Igreja Católica, a exemplo da Fazenda Esperança que auxilia na recuperação de dependentes químicos.

COLETIVA DE IMPRENSA: Camponeses Sem Terra criminalizados em 2006 terão retratação publicada em outdoors, em PE

“Reforma Agrária: Esperança para o campo, comida na sua mesa”. A mensagem encontra-se em outdoors espalhados por todo o estado e é fruto de um TAC, assinado em decorrência da veiculação massiva de propagandas difamatórias contra Sem Terras, promovida pela antiga AOSS, em 2006.




Acontece nesta terça-feira (29), às 10h no Ministério Público de Pernambuco, entrevista coletiva sobre o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que visa garantir a retratação aos trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terra de Pernambuco, a partir da veiculação de 21 outdoors com mensagens de promoção e defesa dos direitos humanos e da Reforma Agrária.

O Termo foi assinado pela Associação dos Militares Estaduais de Pernambuco (AME, antiga AOSS) e a empresa de outdoors Stampa. Ainda de acordo com o TAC, a Associação também terá que publicar retratações públicas aos trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terra no jornal de circulação interno(a) aos membros da associação - e que chega também aos quadros da Policia Militar e do Corpo de Bombeiros-, além de publicar também na página eletrônica da Associação.

A decisão em defesa dos Trabalhadores rurais sem terra, considerada histórica, é fruto de mediação promovida pelo Ministério Público de Pernambuco e se deu em decorrência da veiculação massiva de propagandas de cunho difamatório e preconceituoso contra Sem Terras, promovida pela antiga AOSS, em 2006 no estado. A partir de hoje, a mensagem “Reforma Agrária: Esperança para o campo, comida na sua mesa” toma as ruas e estradas do Estado. Além de garantir a retratação aos trabalhadores sem terra, a medida terá também o objetivo de dialogar com a população sobre a importância da luta pela efetivação dos direitos humanos e pelo acesso à terra no Estado, considerado um dos que mais concentra terras e promove violência no campo no Brasil, segundo dados do IBGE e da Comissão Pastoral da Terra.

Participarão da entrevista Coletiva representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, da Comissão Pastoral da Terra, Terra de Direitos, Movimento Nacional de Direitos Humanos, Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), e Ministério Público de PE. Na ocasião, também serão discutidas questões relacionadas ao contexto atual da Reforma Agrária no estado e à situação dos defensores de direitos humanos na luta pelo direito à terra.


SERVIÇO:

O que: Coletiva de Imprensa sobre o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que visa garantir a retratação aos trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terra de Pernambuco, difamados em 2006, pela antiga AOSS.
Quando: Terça-feira, dia 29, às 10h
Onde: Ministério Público de Pernambuco - Av. Visconde de Suassuna, 99, Boa Vista, Recife-PE.
Sala de Reunião do 1. andar - Anexo B.


Outras informações:
Comissão Pastoral da Terra – Regional NE II
Renata Albuquerque: (81) 9663.2716

Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) / Sinos Comunicação
Tiago Morais: (81) 8631. 9707


segunda-feira, 28 de março de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

MA: Deputado pede CPI sobre grilagem de terras no Baixo Parnaíba

" está ocorrendo uma grande onda de grilagem. Estas pessoas [grileiros], como se não bastasse o fato de estarem invadindo terras alheias, ainda ameaçam a população pobre destes municípios”

O deputado Marcos Caldas (PRB) vai apresentar, ainda esta semana na Assembleia Legislativa, requerimento propondo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a ocupação de terras localizadas em municípios da região do Baixo Parnaíba.

O anúncio do pedido da CPI foi feito pelo próprio parlamentar na sessão desta segunda-feira (21). Demonstrando indignação, Marcos Caldas explicou que em cidades como Brejo, Anapurus, Santa Quitéria, Chapadinha e São Bernardo é comum constatar que pessoas, muitas delas de outros Estados, adquiriram, em um curto espaço de tempo e de forma duvidosa, grandes lotes de terra.

O deputado explicou que ele próprio iniciou uma investigação e descobriu que um homem, natural do Estado do Rio Grande do Sul, adquiriu 20 mil hectares que seriam pertencentes ao Estado. “Este gaúcho, que chegou na região sem nenhum tipo de recurso, ocupou estas terras e anda falando para todos que as mesmas são devolutas do Estado. Até onde sei, esta terra tem dono. Este é apenas um exemplo para mostrar que na região do Baixo Parnaíba está ocorrendo uma grande onda de grilagem. Estas pessoas [grileiros], como se não bastasse o fato de estarem invadindo terras alheias, ainda ameaçam a população pobre destes municípios”, disse.

Marcos Caldas afirmou que pretende ser o presidente da referida Comissão e garantiu que não irá medir esforços para desbaratar o esquema fraudulento de ocupação de terras no Baixo Parnaíba. “Estas pessoas, estes grileiros, estão impondo o medo ao povo pobre. Mas eu, como filho de Brejo e representante do povo maranhense, não tenho medo deles. E peço o apoio dos colegas deputados para que, juntos, possamos investigar este absurdo”.

A proposta de Caldas recebeu o aval positivo de vários deputados que participaram da sessão. “Como militante dos movimentos sociais, tenho conhecimento de várias irregularidades no que diz respeito a ocupação de terras. Gostaria de adiantar que serei um dos primeiros a subscrever favoravelmente à criação desta CPI”, informou Bira do Pindaré (PT).

O líder da oposição na Assembleia, deputado Marcelo Tavares (PSB), também se mostrou favorável à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito e sugeriu que o trabalho da mesma transcorra de forma mais ampla. “Esta Comissão tem que investigar os casos não apenas do Baixo Parnaíba, mas também de todas as outras regiões do Maranhão onde a grilagem ainda impera”.

A deputada Eliziane Gama (PPS) e o deputado Tatá Milhomem (DEM) também se manifestaram favoráveis à criação da CPI proposta por Marcos Caldas.


Fonte: Glaucio Ericeira - Agência Assembleia / www.al.ma.gov.br

terça-feira, 22 de março de 2011

Mais da metade dos municípios pode enfrentar falta de água, diz agência

ANA calcula que 55% podem ter desabastecimento até 2015 no país. Para garantir suprimento, seria necessário investir R$ 70 bilhões até 2025.


Um atlas a ser lançado nesta terça-feira (22) pelo governo federal aponta que mais da metade dos municípios brasileiros pode ter problemas de abastecimento de água até 2015.

De acordo com a obra, produzida pela Agência Nacional de Águas, subordinada ao Ministério do Meio Ambiente, 55% dos 5.565 municípios do país podem sofrer desabastecimento nos próximos quatro anos. O número equivale a 73% da demanda de água no país.

Ainda de acordo com a publicação, “a maior parte dos problemas de abastecimento urbano no país está relacionada com a capacidade dos sistemas de produção” - 84% das sedes urbanas necessitam investimentos para adequação de seus sistemas produtores de água e 16% apresentam déficits decorrentes dos mananciais utilizados.

O atlas usa uma projeção de que o país terá um incremento demográfico de aproximadamente 45 milhões de habitantes entre 2005 e 2025. Isso implica num considerável aumento da demanda de abastecimento urbano, exigindo aportes adicionais de 137 mil litros por segundo de água nesses 20 anos, conclui a ANA.

Para contornar essa dificuldade, seriam necessários investimentos de R$ 22,2 bilhões até 2025 na ampliação e adequação de sistemas produtores ou no aproveitamento de novos mananciais, calcula a agência.

"A maioria dos municípios brasileiros apresenta algum grau de comprometimento da qualidade das águas dos mananciais, exigindo aportes de investimentos na proteção das captações. Desse modo, foram recomendados no atlas R$ 47,8 bilhões de investimentos em coleta e tratamento de esgotos nos municípios localizados à montante (rio acima) das captações com indicativosde poluição hídrica", diz o livro.

O total de investimentos propostos em ampliação e melhoria dos sistemas de água e esgotos é de R$ 70,0 bilhões.


Estado atual

 
A capacidade total dos sistemas produtores de água em operação no país é de aproximadamente 587 mil litros por segundo, bastante próxima às demandas máximas atuais, que gira em torno de 543 mil litros por segundo. Isso implica que grande parte das unidades está no limite de sua capacidade operacional. A região Sudeste apresenta 51% da capacidade instalada de produção de água, seguida das regiões Nordeste (21%), Sul (15%), Norte (7%) e Centro-Oeste (6%);

As Regiões Norte e Nordeste são as que possuem, proporcionalmente, as maiores necessidades de investimentos em sistemas produtores de água - mais de 59% das sedes urbanas. Entre os problemas dessas regiões destacam-se a precariedade dos pequenos sistemas de abastecimento de água do Norte, a escassez da porção semiárida e a baixa disponibilidade de água das bacias hidrográficas litorâneas do Nordeste.

Na Região Sudeste, muitos problemas de abastecimento decorrem da elevada concentração urbana. A agência vai colocar o atlas à disposição do público no endereço www.ana.gov.br/atlas.


Fonte: Globo Natureza, em São Paulo

segunda-feira, 21 de março de 2011

Juízes Ayrton e Ferdinando reconduzidos à Vara Agrária


Portarias do presidente Sebastião Costa confirmam atuação de magistrados por mais dois anos


O presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), desembargador Sebastião Costa Filho, confirmou o juiz Ayrton de Luna Tenório, titular da 2ª Vara da Comarca de Rio Largo, por mais dois anos como juiz titular da 29ª Vara Cível da Capital (Conflitos Agrários).

Na mesma portaria, publicada na edição desta segunda-feira do Diário da Justiça Eletrônico (DJE) desta segunda-feira (21), o presidente do TJ também ratificou o magistrado Ferdinando Scremin Neto, da Comarca de Boca da Mata, como juiz-substituto da Vara de Conflitos Agrários.

As reconduções foram aprovadas pelo Plenário da Corte de Justiça, em sessão administrativa realizada no dia 15 deste mês. A Vara de Conflitos Agrários foi criada em 10 de dezembro de 2007 por força da lei nº 6.895, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo Governo do Estado.

De acordo com o artigo 5º da lei responsável pela criação da Conflitos Agrários, que tem jurisdição estadual, o juiz titular e o juiz substituto serão indicados e designados pelo presidente do Tribunal de Justiça, após aprovação do Pleno para desempenho de funções durante mandato de dois anos, renovado por igual período.


domingo, 20 de março de 2011

22 de março - Dia Mundial da Água

Para garantir a nossa sobrevivência, temos que proteger ainda mais os recursos naturais. A mãe terra precisa de respeito e amor!
 
 

quarta-feira, 16 de março de 2011

CPT realiza 1º Encontro das Mulheres Camponesas na Mata Norte


A atividade acontecerá nos dias 17 e 18 de março, no assentamento Flor do Bosque em Messias


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Nesta quinta-feira (17.03) a partir das 8h, a Comissão Pastoral da Terra de Alagoas realiza pela primeira vez o Encontro das Mulheres Camponesas da Mata Norte, no Assentamento Flor do Bosque, localizado próximo a BR 101 em Messias. A atividade tem como tema central “A mulher e a agroecologia”, reverenciando o Dia Internacional da Mulher e em consonância com a Campanha da Fraternidade 2011 intitulada “Fraternidade e a vida no planeta – A criação geme em dores de parto" (Rm 8,22).

Cerca de 70 lideranças oriundas de 14 áreas – acampamentos e assentamentos da reforma agrária na região – com idade a partir dos 18 anos, estarão presentes para conferir a explanação da assentada e técnica agrícola, Maria Cavalcante, que também faz parte do Movimento de Mulheres Camponesas. Também serão realizados debates e trabalhos em grupos, além da exibição de filmes sobre agroecologia e a trajetória da missionária Irmã Dorothy Stang assassinada em 2005.

Ao todo, serão três públicos que se aprofundarão na temática: mulheres, crianças e jovens camponeses – e a proposta é realizar outras etapas nas demais áreas que a CPT acompanha. “São as mulheres que cuidam das árvores, das sementes que tem uma maior dedicação com a limpeza do ambiente e desde o início da agricultura no mundo elas realizam essa função. A partir daí escolhemos trabalhar esse tema para estimular ainda mais a organicidade das mulheres e a cooperação com o planeta”, destacou Maria Cavalcante.

E na sexta-feira, a programação será voltada para a discussão sobre a história e a importância do Dia Internacional da Mulher, contexto sócio-político e uma análise de conjuntura. E no encaminhamento final, serão definidas as estratégias de ação a serem adotadas pelas camponesas neste ano tendo como base as deliberações da 22ª Assembleia Estadual realizada no início do mês.



DIA DA MULHER

O Dia Internacional da Mulher é comemorado no dia 08 de março, em memória à greve das operárias da indústria do vestuário de Nova York em 1857 que protestaram por equiparação salarial, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário) e tratamento digno no ambiente profissional. A manifestação foi reprimida com muita violência, as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada e cerca de 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data é especial, destinada para muitas homenagens, assim como para ampliar as reflexões sócio-políticas, realizar as manifestações e fortalecer a luta por respeito, igualdade entre os sexos e melhores condições de vida e trabalho.

terça-feira, 15 de março de 2011

Agricultura vive numa ''bolha de veneno'', denunciam fumicultores

Agricultores do centro-sul do Paraná e Planalto Norte Catarinense remeteram carta a autoridades estaduais e federais pedindo a intervenção e fiscalização na venda e aplicação de agrotóxicos na lavoura de fumo. “Estamos vivendo numa ‘bolha de veneno’ que contamina o ar, o solo, nascentes, lençol freático e alimentos”, alegam.

Famílias de agricultores da região denunciam a violação ao direito de livre escolha do sistema de produção. Eles apontam o uso indiscriminado do veneno Gamit na cultura de fumo, fabricado pela FMC Corporation.

“Afirmamos que os técnicos das empresas fumageiras presentes na região, por meio de receituário agronômico, receitam tais venenos aos fumicultores, que são obrigados a utilizá-lo em decorrência de obrigações estipuladas nos contratos com aquelas empresas”, alegam os agricultores.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento recomenda o uso do Gamit a uma distância mínima de 800 metros de outras culturas, quando, nas lavouras de fumo, essa distância é de 50 metros das culturas de girassol, milho, pomares, hortas, viveiros, jardins, arvoredos na região.

Das 140 famílias de agricultores que vivem e produzem no município de São João do Triunfo, no Paraná, apenas quatro não plantam fumo. Agricultores da região constatam a morte de pássaros, peixes, plantas nativas, árvores frutíferas que “abortam” frutos, e até mesmo samambaias cultivadas dentro de casa não resistem aos efeitos do Gamit.

No início do mês, mulheres da Via Campesina deflagraram a Jornada de Lutas contra a Violência do Agronegócio, pela reforma agrária e soberania alimentar. As mobilizações integraram a programação do Dia Internacional da Mulher, lembrado na terça-feira, 8.

O uso excessivo de agrotóxicos nos campos brasileiros deve-se, também, ao modelo de produção do agronegócio, alertaram as cerca de 5 mil mulheres que protestaram em vários pontos do país.

No Rio de Janeiro, 300 camponesas ocuparam, na quinta-feira, 3, a sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), denunciando os altos investimentos e empréstimos do banco estatal à indústria dos agrotóxicos e transnacionais da agricultura que usam os venenos.

Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola, o Brasil é, desde 2009, o primeiro na lista de países consumidores de agrotóxicos, com a utilização de mais de um bilhão de litros por ano.

Em entrevista ao repórter Enric Llopis, do sítio Rebelión, a pesquisadora Esther Vivas, do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona, alertou sobre a primazia do capital privado ao impor gostos, marcas e produtos.

“Comemos o que as grandes empresas do setor querem”, declarou. Ela frisou que “o modelo de produção de alimentos antepõe interesses privados e empresariais às necessidades alimentares das pessoas, sua saúde e respeito ao meio ambiente.”

Não é preciso produzir mais para acabar a fome no mundo, como dizem organismos internacionais, mas de “democratizar os processos produtivos e propiciar que os alimentos estejam disponíveis para o conjunto da população.”
 
 
Fonte: Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 10-03-2011.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Arquidiocese lança CF 2011 em coletiva de imprensa

Na ocasião D. Antonio Muniz mandou uma mensagem para o tempo da Quaresma


Por: Marcos Filipe


A residência episcopal, localizada no Farol, foi o local escolhido pela Arquidiocese para uma coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira, 09, para o lançamento da Campanha da Fraternidade 2011.

Com o tema "Fraternidade e a Vida no Planeta" e o lema "A criação geme em dores de parto" (Rm 8,22) a Igreja quer este ano fazer uma reflexão sobre as questões ambientais, com foco, no problema das mudanças climáticas. "Essa é uma campanha muito condizente ao que estamos vivendo no planeta. Está comprovado cientificamente que o aquecimento global é provocado pelos humanos. Nós precisamos mudar nossas atitudes", explicou D. Antonio Muniz.

O objetivo geral da CF 2011 é contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas e motivá-las a participar dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta.

Durante a coletiva, o Arcebispo Metropolitano de Maceió, explicou que esse assunto é uma junção de outros temas já trabalhos em outras campanhas. "Queremos fazer parcerias com as escolas, faculdades, ONG's, enfim, com toda a sociedade, para juntos discutir e encontrar soluções", falou.

Durante a Quaresma irão ocorrer duas grandes ações. A primeira será no dia 16 deste mês, reunindo a população ribeirinha, realizando o "Abraço das nossas lagoas" . A segunda será no dia 16 de abril, onde haverá uma repetição do abraço, mas desta vez, com toda a Arquidiocese de Maceió.

No final, o Arcebispo mandou uma mensagem para toda a Igreja de Maceió para este tempo da Quaresma: "É tempo de usar as práticas quaresmais para dissipar as nuvens negras e pesadas que estão ao nosso redor. E deste modo, se preparar para deslumbrar a esperança da ressurreição de Cristo", concluiu.

domingo, 6 de março de 2011

Maria do Bosque fala da experiência no Haiti para camponeses

Na 22ª Assembleia Estadual, também foi a oportunidade para a assentada Maria do Bosque relatar sua experiência durante a missão no Haiti.
O Haiti é o país mais pobre das Américas, sofre com as catastrófes naturais e a miséria. Já foi a colônia mais rica da França e um grande exportador de cana de açúcar.

Maria falou da experiência na Brigada Dissalinis, formada por profissionais de várias áreas que foram até lá ajudar na reconstrução do país, inclusive, atuar junto aos camponeses haitianos e investir na implantação de cisternas.

Maria também apresentou imagens sobre o solo, o clima e a produção agrícola, além de trazer algumas sementes.

Outro aspecto que ela destacou foram as feiras livres, a religião vodu e as tradições culturais de origem africana, e que estar bem viva no Haiti.

O último terremoto ocorreu em janeiro de 2010, matou mais de 300.000 pessoas e deixou várias pessoas desalojadas. E até hoje o rastro de destruição e sofrimento permanece!

"No passado, o Haiti era um grande exportador de alimentos, agora, importa mais de 80% do que come. O povo haitiano tem conhecimento sim, e sabe trabalhar na terra, mas o que falta é oportunidade e maior investimento", destacou Maria do Bosque.

No encerramento das informações, os camponeses foram conferir de perto as sementes que Maria trouxe do Haiti, além de tirar suas dúvidas.



Confira outras matérias:

http://cptalagoas.blogspot.com/2011/01/haiti-o-pequeno-guerreiro-resiste.html
http://cptalagoas.blogspot.com/2011/01/assentada-maria-cavalcante-relata-sua.html

sábado, 5 de março de 2011

Camponeses discutem estratégias para a cooperação com o planeta


Padre Hermínio Canova e o historiador Cicero Albuquerque assessoraram as discussões na Assembleia

Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Os 116 camponeses oriundos do litoral norte, zona da mata e sertão de Alagoas participaram da 22ª Assembleia Estadual da Pastoral da Terra, de 02 a 04 de março, no Centro Catequético Irmãos Maristas na Barra de São Miguel. O tema central do encontro foi “Agricultura camponesa: Cooperação com o planeta”, mas também, foi um momento adequado para discutir sobre o papel da terra e o crime da venda de lotes nos assentamentos.

O sociólogo e Padre Hermínio Canova, foi convidado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) para assessorar as reflexões críticas sobre a função social da terra e a importância de ter uma reforma agrária solidária e justa para todos. “Nós acreditamos na função social da terra, mas a maioria das pessoas acreditam apenas na função capitalista, como um negócio apenas para dar lucro. A classe camponesa precisa da terra para sobreviver, e os ricos querem acabar com esse direito e o sonho de vocês”, destacou.

No Brasil existem 9000 assentamentos da reforma agrária, totalizando quase 1 milhão de famílias assentadas, e somente no Governo Lula foram assentadas 614 famílias. Porém, a reforma agrária só acontecerá realmente com uma lei radical onde não basta apenas distribuir as terras, é necessário dar condições de saúde, educação, moradia digna, água de qualidade e cidadania. Para exemplificar, Pe. Hermínio lembrou da Itália, que em 1950 aprovou a reforma agrária no Congresso Nacional, porque observava-se uma grande quantidade de terras sem produtividade.

O historiador Cícero Albuquerque e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) também foi convidado para assessorar o evento, e se concentrou na avaliação contemporânea sobre a reforma agrária no Estado de Alagoas e as mais de 1200 famílias despejadas dos acampamentos. “Não estão despejando apenas da terra, e sim, despejando pessoas que têm sonhos, que lutam para sobreviver e querem ser felizes. Tem pessoas que não sonham, mas tem muitas que são proibidas de sonhar, que não tem perspectiva de mudança e melhorias na sua vida”, afirmou.

Cícero também destacou a importância da articulação dos movimentos rurais (MST, MLST e MTL) e a Pastoral da Terra no mês passado, quando protestaram em Maceió para chamar a atenção da sociedade sobre as injustiças sofridas. “Direito não cai do céu, tudo tem que ser conquistado com muita luta. E eu tive a oportunidade de ver pela primeira vez na história de Alagoas, os sem terra e canavieiros organizados, unidos e resistindo. O povo oprimido sempre foi um povo silenciado, e quando o povo fala e se impõe, os outros [poderosos] se incomodam”, ressaltou.


MEIO AMBIENTE


Na programação da Assembleia Estadual, também foram exibidos documentários como: “Agricultura Agroflorestal” e “Do bagaço à liberdade”, reforçando a importância de se manter na terra para produzir os alimentos e longe do trabalho escravo; além de revolucionar o sistema produtivo sem degradar o meio ambiente.

Após todas as exposições, os camponeses foram divididos em grupos para compartilhar suas opiniões e debaterem sobre os assuntos explorados. Em pauta, esteve a discussão sobre as práticas que devem ser abandonadas para não continuar com a devastação do meio ambiente; e como a agricultura pode cooperar na defesa, preservação e recomposição nos territórios.

Os camponeses e camponesas destacaram como propostas e metas para 2011: não realizar queimadas; ter um cuidado maior quanto ao destino do lixo e a necessidade da reciclagem; ampliar na diversificação e na produção agroecológica, ou seja, sem a utilização de venenos químicos e herbicidas no roçado que só contribuem para a poluição do solo e rios, além de matar alguns animais; investir na construção de viveiros de mudas e no reflorestamento; dentre outras ações.

sexta-feira, 4 de março de 2011

CARTA DA 22ª ASSSEMBLEIA ESTADUAL DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

“A terra é de quem trabalha,
a história não falha,
nós vamos ganhar”
(Hino da Reforma Agrária)



CARTA DA 22ª ASSSEMBLEIA ESTADUAL DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA



Trabalhadores e trabalhadoras rurais, acampados e assentados da reforma agrária de Alagoas, nos reunimos como Comissão Pastoral da Terra na 22ª Assembleia Estadual, na Barra de São Miguel, nos dias de 2 a 4 de março de 2011.

Viemos a esta Assembleia carregando nos nossos corpos as marcas das lutas para ter acesso definitivo a uma terra na qual queremos trabalhar e viver com dignidade. Nestes últimos dois meses resistimos às decisões de despejos judiciais, bem planejados, mas para nós totalmente inesperados e injustos.

Ficamos também indignados com a venda e compra de lotes em alguns assentamentos, fato que consideramos grave e criminoso, e que de propósito vem se repetindo neste último período com o objetivo de desmoralizar diante da sociedade a Reforma Agrária. Apesar de tudo isso, afirmamos que iremos continuar esta luta por terra e liberdade, pois é nosso sonho vivermos felizes e organizados, trabalhando a terra e produzindo alimentos.

A classe camponesa não está desistindo da luta pela terra e não renuncia ao sonho da Reforma Agrária ampla e produtiva em Alagoas. Para isso, nos juntaremos a todos os movimentos do campo para realizarmos ações unificadas, ocupando espaços e realizando novas manifestações. Exigimos do novo governo uma nova pauta para a Reforma Agrária, como: novos índices de produtividade, o limite máximo da propriedade da terra e o fortalecimento e renovação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). E para isso, a Comissão Pastoral da Terra já encaminhou à Presidente Dilma Rousseff o pedido que a Reforma Agrária seja recolocada em pauta nas decisões de seu Governo. Quanto a nós estamos dispostos a realizar todas as ações necessárias para garantir nossos direitos.

Durante a Assembleia analisamos que no nosso Estado vem sendo praticada uma grande devastação do meio ambiente e a destruição da rica biodiversidade, por parte de um modelo econômico produtivista que visa somente lucro e riqueza. Os grandes canaviais e as grandes fazendas de gado são responsáveis desta obra devastadora da natureza e produtora de miséria social no nosso Estado. Diante disso, nós camponeses e camponesas assumimos com maior empenho o compromisso de trabalhar a terra de modo sustentável e ecológico, preservando e não destruindo, recompondo as matas e produzindo alimentos sadios.

Estamos dispostos a realizar todas as ações necessárias para garantir nossos direitos, cooperando com nossa agricultura camponesa na preservação do meio ambiente e no cuidado com a Mãe-Terra. Contaremos com nossos filhos e filhas, que estão se qualificando para ter competência técnica para contribuir na efetivação de uma maior produção na perspectiva ecológica e respeitosa do meio ambiente.

A agressão à natureza e o aquecimento do clima afetam gravemente a vida de todos. Nós, povo da terra com vocação camponesa, sofremos junto com a terra: os rios estão secando; as matas foram destruídas; as enchentes nos ameaçam; o tatu e o curió são raros; os agrotóxicos das usinas mataram os peixes e os pássaros. A Terra sofre e nós sofremos também! O modelo capitalista com sua sede insaciável de lucro e de riqueza é responsável deste desastre ambiental e social. O consumo irresponsável de muitos, o desperdício de energia e de comida, o lixo jogado de qualquer jeito, tudo isso nos preocupa e nos motiva ainda mais a assumir novas atitudes de relação com a terra e novas práticas de produção, de plantio e de criação nas nossas áreas.

Em consonância com a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica, assumimos a prática da agricultura camponesa como cooperação na defesa e preservação da vida no planeta.

“A Terra sofre e geme em dores de parto” (Rom. 8)

É com a nossa luta e nossa fé que queremos colaborar na plena e feliz realização deste parto, quando finalmente teremos uma Reforma Agrária justa e produtiva, em um mundo mais fraterno e feliz.




A 22ª ASSEMBLEIA ESTADUAL DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA


Barra de São Miguel, 04 de março de 2011.

Bastidores: 22ª Assembleia Estadual (02 a 04.03.11)


Camponeses e camponesas de várias partes do Estado participam da Assembleia

Credenciamento: 116 participantes

Carlos Lima, Coordenador Estadual da CPT-AL, dá as boas vindas

Mística de abertura















Grupos de trabalho: aprofundando conhecimentos e expondo opiniões

Apresentação das propostas

Cânticos sobre a luta campesina mantém a animação

Crianças também presentes na plenária







Momento de confraternização e forró pé de serra
Na cozinha o trabalho não para
Alimentação regional












Momento sagrado da alimentação
Envio final dos participantes: mística e agradecimento

quinta-feira, 3 de março de 2011

Pachamama recebe o Prêmio Dom Helder Câmara 2010

Texto e fotos: Helciane Angélica - jornalista/CPT-AL

Nesta quarta-feira (02.03) durante a solenidade de abertura da 22ª Assembleia Estadual da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas, na Casa dos Irmãos Marista na Barra de São Miguel, a Associação Pachamama recebeu o Prêmio Dom Helder Câmara 2010. A homenagem é dedicada às pessoas e instituições que são amigas da reforma agrária e defendem o direito das famílias camponesas.

De acordo com Carlos Lima, coordenador da CPT-AL, a instituição italiana foi escolhida pelo trabalho de solidariedade e de articulação política desenvolvidos, e também, por atuar na garantia de melhorias nas condições de vida das famílias camponesas. Eles já realizaram várias noites brasileiras na Itália com o objetivo de arrecadar recursos financeiros para ajudar nas ações da CPT e no desenvolvimento do projeto “Semeadores da Saúde”, que repassa informações importantes no combate de enfermidades.

A Pachamama foi fundada na Itália no dia 21 de julho de 2009, formada por um grupo de amigos das mais diversas áreas acadêmicas que acreditam na luta pela reforma agrária no Brasil. Essa é a segunda entidade internacional que recebeu o prêmio, a outra, foi o Comitê de Combate à Pobreza (Cepec) sediada no Canadá.

O presidente da Pachamama, Omar Borio, esteve na Assembleia para receber a homenagem e participar das discussões. “Vocês são exemplos de luta, coerência e coragem, mas tem muita gente que não valoriza e esquece. Nós sempre rezamos por vocês e lembramos das atividades. E toda vez que a gente vem aqui, a gente fica admirado com a organização e a produção de vocês. Hoje é um dia muito feliz para nós, é uma honra receber esse prêmio. Também quero dar uma notícia boa para vocês, quero que saibam que a cada dia aumenta o número de pessoas na Pachamama que acreditam na luta de vocês e querem ajudá-los”, destacou.

A palavra “Pachamama” significa “Terra Mãe” – do quíchua Pacha, "universo", "mundo", "tempo", "lugar", e Mama, "mãe", "Mãe Terra" – também é uma deusa cultuada pelos povos andinos do Peru e Bolívia. Confira outras informações no site oficial: www.pachamama.to.it

Assentamentos são homenageados na 22ª Assembleia Estadual

Todos os anos, a CPT entrega os certificados de Organização e Resistência para acampamentos e assentamentos que se destacaram


Texto e fotos: Helciane Angélica - jornalista/CPT-AL


Na manhã desta quarta-feira (02.03), no Centro Catequético dos Irmãos Marista localizado na Barra de São Miguel, recebeu camponeses e camponesas de várias partes de Alagoas para participar da 22ª Assembleia Estadual da Pastoral da Terra. A atividade discute neste ano o tema “Agricultura Camponesa: Cooperação com o planeta”.

A mesa de abertura foi composta por Padre Hermínio Canova, coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra; Padre Alex Cauchi da CPT-AL; Omar Bório, Presidente da associação italiana Pachamama; Padre Rogério Madeiro, Coordenador das Pastoriais Sociais; José Heriberto Barros, Diretor do Sindicato dos Bancários; e Lenilda Lima, Presidente do PT-AL e que provavelmente será a nova Superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Segundo o Padre Rogério Madeiro, Coordenador das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Maceió, a luta dos sem terra é um exemplo para vários setores da sociedade e vivem no cotidiano o Evangelho. “Vocês diariamente estão em busca de libertação, e a reforma agrária é uma forma concreta de enxergarmos a construção do reino de Deus. Vocês são um exemplo para nós da Igreja, sindicatos e demais movimentos sociais. São homens e mulheres que mesmo com a dor, continuam lutando pelo sonho de vocês, e que essa assembleia fortaleça cada um de vocês, e para que as pessoas do campo e da cidade possam construir uma vida melhor para todos”, afirmou.

O momento mais esperado da manhã foi a entrega dos certificados de Organização e Resistência, que é concedido todos os anos pela CPT aos acampamentos e assentamentos que se destacaram. O assentamento Nossa Senhora Aparecida em Água Branca, sertão alagoano, foi reconhecido há oito meses pelo Incra. As 50 famílias ficaram acampadas por dois anos, e hoje, vivem em casas de taipa, conquistaram energia elétrica, tem produção diversificada e criação de animais de pequeno e grande porte.

Já os assentamentos Jubileu 2000 e Quilombo dos Palmares, receberam o Certificado de Resistência pela ação ousada em novembro de 2010, quando apreenderam as máquinas do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) como forma de protesto sobre a morosidade para garantir as melhorias nas estradas de acesso. No período chuvoso, as famílias ficam completamente ilhadas, não conseguem escoar a produção e ficam impossibilitadas de levar as crianças nas escolas e ir aos postos de saúde.


Nós montamos essa estratégia para chamar a atenção da sociedade e para resolver os problemas da estrada, se a gente grita ninguém ouve, foi então que pegamos as máquinas e dissemos que íamos queimar. Nós estamos lutando por nossos direitos há dez anos, a estrada tá aí, as máquinas aqui e o que estava faltando?”, relembrou o assentado Ciriacro. Os órgãos competentes além de fazerem os paliativos nas estradas dos fazendeiros da região, também, tiveram que ceder à pressão das famílias assentadas.