sábado, 5 de março de 2011

Camponeses discutem estratégias para a cooperação com o planeta


Padre Hermínio Canova e o historiador Cicero Albuquerque assessoraram as discussões na Assembleia

Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Os 116 camponeses oriundos do litoral norte, zona da mata e sertão de Alagoas participaram da 22ª Assembleia Estadual da Pastoral da Terra, de 02 a 04 de março, no Centro Catequético Irmãos Maristas na Barra de São Miguel. O tema central do encontro foi “Agricultura camponesa: Cooperação com o planeta”, mas também, foi um momento adequado para discutir sobre o papel da terra e o crime da venda de lotes nos assentamentos.

O sociólogo e Padre Hermínio Canova, foi convidado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) para assessorar as reflexões críticas sobre a função social da terra e a importância de ter uma reforma agrária solidária e justa para todos. “Nós acreditamos na função social da terra, mas a maioria das pessoas acreditam apenas na função capitalista, como um negócio apenas para dar lucro. A classe camponesa precisa da terra para sobreviver, e os ricos querem acabar com esse direito e o sonho de vocês”, destacou.

No Brasil existem 9000 assentamentos da reforma agrária, totalizando quase 1 milhão de famílias assentadas, e somente no Governo Lula foram assentadas 614 famílias. Porém, a reforma agrária só acontecerá realmente com uma lei radical onde não basta apenas distribuir as terras, é necessário dar condições de saúde, educação, moradia digna, água de qualidade e cidadania. Para exemplificar, Pe. Hermínio lembrou da Itália, que em 1950 aprovou a reforma agrária no Congresso Nacional, porque observava-se uma grande quantidade de terras sem produtividade.

O historiador Cícero Albuquerque e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) também foi convidado para assessorar o evento, e se concentrou na avaliação contemporânea sobre a reforma agrária no Estado de Alagoas e as mais de 1200 famílias despejadas dos acampamentos. “Não estão despejando apenas da terra, e sim, despejando pessoas que têm sonhos, que lutam para sobreviver e querem ser felizes. Tem pessoas que não sonham, mas tem muitas que são proibidas de sonhar, que não tem perspectiva de mudança e melhorias na sua vida”, afirmou.

Cícero também destacou a importância da articulação dos movimentos rurais (MST, MLST e MTL) e a Pastoral da Terra no mês passado, quando protestaram em Maceió para chamar a atenção da sociedade sobre as injustiças sofridas. “Direito não cai do céu, tudo tem que ser conquistado com muita luta. E eu tive a oportunidade de ver pela primeira vez na história de Alagoas, os sem terra e canavieiros organizados, unidos e resistindo. O povo oprimido sempre foi um povo silenciado, e quando o povo fala e se impõe, os outros [poderosos] se incomodam”, ressaltou.


MEIO AMBIENTE


Na programação da Assembleia Estadual, também foram exibidos documentários como: “Agricultura Agroflorestal” e “Do bagaço à liberdade”, reforçando a importância de se manter na terra para produzir os alimentos e longe do trabalho escravo; além de revolucionar o sistema produtivo sem degradar o meio ambiente.

Após todas as exposições, os camponeses foram divididos em grupos para compartilhar suas opiniões e debaterem sobre os assuntos explorados. Em pauta, esteve a discussão sobre as práticas que devem ser abandonadas para não continuar com a devastação do meio ambiente; e como a agricultura pode cooperar na defesa, preservação e recomposição nos territórios.

Os camponeses e camponesas destacaram como propostas e metas para 2011: não realizar queimadas; ter um cuidado maior quanto ao destino do lixo e a necessidade da reciclagem; ampliar na diversificação e na produção agroecológica, ou seja, sem a utilização de venenos químicos e herbicidas no roçado que só contribuem para a poluição do solo e rios, além de matar alguns animais; investir na construção de viveiros de mudas e no reflorestamento; dentre outras ações.

Nenhum comentário: