sexta-feira, 1 de abril de 2011

Camponeses comercializam 20 toneladas de alimentos na Feira da Esperança e da Solidariedade


A atividade acontecerá até às 14h do sábado (02.04), na praça ao lado da Igreja São Gonçalo no bairro do Farol, é uma iniciativa da Arquidiocese de Maceió em parceria com a CPT, MST, MLST e MTL


Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Nas primeiras horas desta sexta-feira (1º/04) teve início a Feira da Esperança e da Solidariedade, na praça ao lado da Igreja São Gonçalo no bairro do Farol, uma realização da Arquidiocese de Maceió. Os moradores das adjacências e turistas que foram até o Mirante São Gonçalo puderam visualizar uma diversidade de produtos da reforma agrária oriundos de várias partes do Estado de Alagoas.

Por volta das 9h, teve início a solenidade de abertura com os pronunciamentos de autoridades políticas e pessoas comprometidas na luta pela reforma agrária. Estiveram presentes: o Padre Rogério Madeiro, Coordenador das Pastorais Sociais; Izac Jackson, Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT); o Deputado Estadual Judson Cabral (PT); o vereador por Maceió, Silvio Camelo (PV); o professor universitário Cícero Albuquerque; Lenilda Lima, Presidente do PT-AL; e Célia Capistrano, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal).

O coordenador da Comissão Pastoral da Terra, Carlos Lima, destacou em seu pronunciamento o monopólio do agronegócio no Estado e a necessidade de fortalecer a agricultura familiar. “O Estado de Alagoas adotou como única saída econômica, plantar cana, enquanto isso compra de outros estados, 75% daquilo que vai para as mesas da população. Se a gente faz ocupações e os camponeses estão resistindo em barracas de lona é para lutar por um pedaço de terra, produzir e ter a sua cidadania. Mas, infelizmente, as autoridades não conseguem fazer a reforma agrária”, afirmou.

Pela primeira vez, as principais organizações que lutam em prol da reforma agrária em Alagoas, soberania alimentar e na defesa dos direitos dos trabalhadores rurais estão realizando essa feira conjunta em parceria com a Arquidiocese de Maceió. Juntos, pretendem comercializar cerca de 20 toneladas de alimentos de qualidade.

Ao todo são 50 barracas e dentre os produtos destacam-se: macaxeira, inhame, batata doce, mel do sertão, abóbora, ovos de capoeira, farinha, feijão, feijão de corda, pimenta, rapadura, pé de moleque, tapioca, beiju, artesanato, galinhas; além de verduras e frutas diversas como banana, goiaba, abacate, pinha, carambola, cajá, mamão, seriguela, maracujá, jaca, limão, pitomba e manga.

Para Zé Roberto, Diretor do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em Alagoas, “a maior palavra e reação dos trabalhadores contra as tentativas de desmoralizar a reforma agrária em Alagoas estar aqui! Aqui nessa feira, tem alimentos sem agrotóxicos e você leva saúde para casa. O nosso povo precisa de emprego, educação, saúde e crédito agrícola e sem a reforma agrária, não tem como acabar com a fome nesse país”, exaltou.

CONTEXTO

A Feira da Esperança e da Solidariedade existe desde fevereiro de 2010, acontece sempre no primeiro sábado de cada mês, tem contribuído na integração das pastorais sociais e a sociedade civil, além de arrecadar recursos financeiros para os projetos executados pela Igreja Católica.

Neste sábado (02.04), a partir das 6h terá uma missa celebrada pelo Arcebispo Dom Antonio Muniz seguido de um café comunitário. Na ocasião, o Arcebispo se pronunciará oficialmente em apoio às centenas de famílias que sonham em trabalhar e viver dignamente no campo. A feira será encerrada às 14h.

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