sexta-feira, 1 de abril de 2011

Feira da Esperança e da Solidariedade traz alimentos saudáveis direto da roça

Agroecologia é principal arma dos camponeses diante da ameaça dos agrotóxicos, que já chegam a cerca de 900 milhões de litros por ano em nossa alimentação.






Texto: Rafael Soriano - Ascom MST/AL
Foto: Helciane Angélica - Ascom CPT/AL


Começa na manhã desta sexta-feira (01) a Feira da Solidariedade e da Esperança, parceria da Arquidiocese de Maceió com os movimentos de luta pela terra do Estado. A abertura acontece às 8h30 e a programação segue até a tarde do sábado (02). Na noite do dia 1º, será lançado o filme “A Bota Velha é Nossa” e o forró pé-de-serra anima feirantes e visitantes. Há uma expectativa de que 50 feirantes oriundos de municípios como São Miguel dos Milagres, Água Branca, Atalaia etc. forneçam durante a feira macaxeira, feijão de corda, farinha, coco verde, galinhas de capoeira, mel, mamão e outros produtos da reforma agrária, livres de agrotóxicos.

Pela primeira vez desde o início da política agrária em Alagoas, as quatro principais organizações de luta pela terra se juntam para dar uma demonstração de peso da produção dos assentamentos e acampamentos de Reforma Agrária no Estado. Esta aliança entre os movimentos sociais e pastoral vem se fortalecendo graças a conjuntura adversa pela qual tem passado o campo alagoano (com enxurrada de reintegrações de posse a ataques na mídia), o que obrigou as organizações a se alinharem. Desde então, o recado dado por CPT, MLST, MST e MTL tem sido o da valorização da Reforma Agrária, política que beneficia o trabalhador rural, mas também as famílias na cidade que usufruem de alimentação saudável e diversificada.

Diante da ameaça do atual modelo agrícola brasileiro, que derrama sobre nossos solos e nossas mesas milhões de toneladas de agrotóxicos todos os anos, a luta pelo direito à terra apresenta os conceitos de segurança e soberania alimentar. Com a produção baseada em técnicas de agroecologia, a agricultura familiar é responsável, segundo o Censo Agropecuário de 2006 (divulgado pelo IBGE) pela chegada à mesa das famílias brasileiras de uma alimentação saudável, livre de agrotóxicos e diversificada e garante o controle da produção de alimentos pelo próprio povo (contrariando a lógica das poucas multinacionais que controlam a produção e distribuição de alimentos no mundo inteiro). Os produtos vindos diretamente da roça não passam por atravessadores, o que aumenta a renda do produtor/comerciante e influi diretamente no desenvolvimento das localidades em todo Estado.

Estes produtos, que também circulam nas feiras nos municípios, têm uma receptividade assegurada quando chegam à Capital Maceió. As feiras de produtos da Reforma Agrária já entraram para o cotidiano e para o calendário da cidade e a população tem lotado as praças que as recebem para consumir alimentos saudáveis. É uma demonstração da possibilidade de relação cooperada e solidária entre campo e cidade, em que o povo urbano assume a dependência dos camponeses e a importância de relações conscientes com a Terra.

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