segunda-feira, 16 de maio de 2011

Italianos apóiam famílias acampadas de Bota Velha

A Associação Pachamama fundada no dia 21 julho de 2009, é uma grande parceira da CPT-AL, e mais uma vez mostra-se solidária às famílias camponesas 


Por: Ascom CPT-AL, com informações da Associação Pachamama
Fotos: Pachamama/Divulgação


Na última quinta-feira (12.05), na Paróquia de Jesus Redentor em Torino na Itália, cerca de 100 pessoas entre sócios e amigos da Pachamama, além de representantes da sociedade civil estiveram reunidos para discutir sobre a integração entre a associação italiana e Comissão Pastoral da Terra (CPT), no Estado de Alagoas, no Brasil. 

Foram divulgadas as ações promovidas que garantem o fortalecimento da organização campesina; os projetos destinados à valorização humana e na prevenção de doenças; além da luta incansável pela efetivação da reforma agrária neste país, que é líder em concentração de terras e renda. 

Todos os presentes também prestaram atenção em cada detalhe do documentário “A Bota Velha é nossa", uma parceria executada entre a CPT-AL, a Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL) e o programa "Eu quero Ver" da TV COM. A produção independente com 15min relata a trajetória de resistência das 102 famílias camponesas, que moram há dez anos no Acampamento Bota Velha em Murici e estão sendo ameaçadas de despejo. 

Outra ação importante ocorreu no dia 27 de abril, na Universidade de Torino, com o aprofundamento do tema "Reforma agrária e Pastoral da Terra em Alagoas", principalmente, sobre a luta dos sem terra que sonham com um pedaço de terra para trabalhar e viver dignamente, para isso, ocupam áreas improdutivas ou que não respeitam a função social da terra (onde não produzem alimentos, desrespeitam o meio ambiente, tem dívidas jurídicas etc).

Em relação aos acampados de Bota Velha, que vivem em comunidade, tem boa produção agroecológica, casa de farinha, escola e capela – os italianos mostram-se apreensivos e ao mesmo tempo solidários. “Pessoalmente, eu acho tudo isso muito injusto e contra o interesse do Estado de Alagoas que para favorecer duas famílias desperdiçará a riqueza que vem da produção de Bota Velha e jogará de volta para miséria essas famílias de trabalhadores”, declarou Omar Borio, Presidente da Pachamama. 

Durante as discussões, vários participantes fizeram perguntas para entender o drama dos camponeses e apresentaram várias sugestões para ajudá-los, dentre elas, questionaram porque entidades como Amnesty International não se interessam por esta questão, diante disso, a Diretoria de Pachamama assumiu o compromisso de fazer contato com a seção de Amnesty que se dedica à América Latina. Também divulgaram a carta produzida no dia 3 de maio, que foi encaminhada para várias autoridades alagoanas e nacionais. 


Confira abaixo o documento na íntegra, que foi traduzido para a língua portuguesa.

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ASSOCIAÇÃO PACHAMAMA


 Torino, 3 de maio 2011

Somos membros, amigos e simpatizantes de uma organização não-governamental Italiana chamada Pachamama, que atua em Torino (Itália) e em Alagoas é parceira da Comissão Pastoral da Terra. Estamos muito preocupados com a situação das 102 famílias do acampamento Bota Velha em Muricì.

Ficamos sabendo que este povo mora naquela terra há mais de dez anos e que no dia 11 de maio [a reintegração de posse estar prevista para ocorrer no dia 25 de maio de 2011] poderia ser despejado, e achamos isto muito injusto. Esta decisão causa prejuízo paras famílias que agora tem a possibilidade de se sustentar e de produzir alimentos, além de causar prejuízo também para a sociedade alagoana e o próprio Estado já que antes do povo da Bota Velha chegar a terra era totalmente improdutiva e não gerava riqueza e renda para ninguém. Pelo contrário, as famílias proprietárias daquela terra, Omena e Nogueira, são devedoras do INSS, impostos federais e estaduais e da companhia energética.

Outra coisa importante que consideramos é que a família não tem para onde ir se forem despejadas, e na nossa avaliação as instituições estaduais deveriam se preocupar com o futuro dos cidadãos e com o bem estar, principalmente, dos mais carentes e necesidados.

Considerando tudo isto, nós pedimos que seja preservada a integridade física e moral das pessoas, a manutenção das casas e que as famílias permaneçam na área porque tem uma vida e uma comunidade construída e destruí-las seria um ato injusto e contra o interesse de um Estado, que deixaria mais uma vez que o mais poderoso prevaleça não com a razão, mas com a força contra o mais fraco.

Um comentário:

Lara Tapety disse...

Pessoal, tenho acompanhado as novidades no blog da CPT. Registro aqui meu apoio hoje e sempre à luta pela reforma agrária, aos camponeses e à CPT enquanto continuar com essa linha de atuação. Quando precisar, é só ligar. Abraço p/ Omar ("tratante", nem me avisou que vinha)! Que ele e seus colegas italianos continuem no apoio, que é vital para a CPT.