terça-feira, 28 de junho de 2011

POESIA: Mortes do modelo

Poesia em memória aos camponeses assassinatos em conflitos no campo no Norte do país

No período em que a Comissão Pastoral da Terra celebra mais um ano de atuação e compromisso com os povos do campo, a CPT Nordeste II compartilha com todos e todas a poesia escrita pelo agente da CPT NE II, Plácido Júnior, em memória aos camponeses e a camponesa assassinados nos últimos conflitos no campo, ocorridos no Norte do país, e a tantas outras vítimas deste modelo de desenvolvimento. 
 



Mortes do modelo
Plácido Júnior (*)

As correntes que fazem árvores caírem estão presas a uma engrenagem.
As bombas que sugam incansavelmente as águas dos rios também estão presas a mesma engrenagem.
Os venenos que poluem as terras poluem para a mesma engrenagem.
As balas que ceifam vidas partem desta engrenagem.

E que engrenagem é essa que derruba árvores, que suga os rios, que polui as terras e que ceifa vidas?
Que engrenagem é essa que mutila sonhos, que nos rasga o ventre e que nos impede de viver?
Que engrenagem é essa que tritura povos e encharca a terra com o nosso sangue? Que engrenagem é essa que faz a Terra chorar em pranto?

É o modelo que concentra terras, que concentra águas e destrói vidas!
É o modelo do monocultivo, da pecuária e das madeireiras!
É o modelo dos agrotóxicos, da indiferença e da motosserra!
É o modelo do latifúndio, do agronegócio e transnacionais!
É o modelo das carvoarias, do trabalho escravo, dos canaviais!
É o modelo dos grandes projetos para o capital!


*Plácido Júnior é geógrafo e integrante da Comissão Pastoral da Terra – Regional NE II

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Comissão Pastoral da Terra - NE II
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