quinta-feira, 28 de julho de 2011

Assentamento Flor do Bosque recebe visita de gestores na área ambiental

Há vários meses a CPT denuncia às autoridades competentes que a área de reserva ambiental vem sendo explorada por terceiros


Por: Helciane Angélica – Jornalista da CPT/AL


A manhã desta quarta-feira (27.07) foi bem movimentada no Assentamento Flor do Bosque, localizado em Messias, que possui 350 hectares de extensão e 35 famílias morando no local há onze anos. Essa área é um símbolo de luta e resistência para a Comissão Pastoral da Terra em Alagoas (CPT-AL), que pretende instalar um lote modelo e espaço de estudos; e há vários meses tenta-se combater que os 70 hectares de reserva ambiental continuem sendo explorados por terceiros.


Os assentados sentem-se ameaçados com a presença de pessoas das redondezas que entram na mata para tirar madeira e utilizam na confecção de casas, lenha e até para fazer gaiolas. Dentre as plantas nativas identificadas pelos agricultores estão: ingá, palmeira, sabacuím, cupiúba, imbaúba, visgueiro, dendê, favinha, louro, murici, sucupira, banana de papagaio, ibiriba, quiri e sapucaia. “Quando eles entram na mata é para pegar tudo pela frente. Eles vêm aqui a qualquer hora e se a gente reclama é capaz de levar um 'desacerto'”, afirmou um agricultor que tem medo de se identificar.


Após várias denúncias da CPT, estiveram no local técnicos do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) distribuídos em vários veículos; além do setor ambiental do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) e policiais do Batalhão de Polícia Ambiental para vistoriar in loco a área de preservação ambiental e atuar os flagrantes.

Segundo Adriano Jorge, Presidente IMA-AL, várias fotos foram tiradas e será produzido um relatório técnico detalhando sobre os espaços devastados dentro da mata. Os invasores identificados terão quatro meses para desocupar a área, e após esse prazo, os técnicos retornarão para visualizar a situação e punir os que ainda permanecerem. A intenção é que depois sejam plantadas espécies nativas, a área seja cercada e desenvolvido um projeto de reflorestamento.

Ao mesmo tempo, técnicos da Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri); e o Secretário de Articulação Social, Claudionor Araújo; Celina Peixoto, Superintendente de Articulação Social; além de Omar Borio, Presidente da associação italiana Pachamama – fizeram uma pequena caminhada cpara conhecer a área coletiva do assentamento, onde será transformada em um centro de referência para ensinar os assentados a produzir uma produção diversificada com horta, frutas (acerola, graviola, mamão e abacaxi) e criação de animais. A CPT também pretende instalar um viveiro, inserir um centro de formação, igreja e espaço para recreação de crianças e prática desportiva.




Produção diversificada

Os técnicos da Seagri fizeram uma análise crítica do espaço coletivo e avaliou junto com técnicos agrícolas da CPT, que o assentamento pode receber uma unidade de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS) e, em seguida, um lote demonstrativo de culturas adaptadas à região que pode atender cerca de 100 famílias.

De acordo com o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, Hibernon Cavalcante, ficou encaminhado que será produzido um levantamento planialtimétrico da área. “Já percebemos também que a região é propícia para a agricultura irrigada, pois dispõe de muita água, num espaço de aproximadamente 10 hectares, e energia elétrica. A unidade PAIS permite que as famílias utilizem um espaço pequeno para produzir mais de 10 tipos de produtos, tudo cultivado de forma sustentável, com reaproveitamento e sem agrotóxicos”, explicou.

O Coordenador Estadual da CPT, Carlos Lima, ressaltou que essas ações têm como principal objetivo influenciar positivamente os camponeses para diversificar suas atividades, garantindo não só a qualidade de vida e a geração de renda. “Os agricultores quando chegam no lote, muitas vezes, pensam em produzir macaxeira, e na verdade a gente quer diversificar a produção. A situação dessas famílias mudou bastante, melhorou a qualidade de vida, já tem as casas e as pessoas se alimentam três vezes ao dia. Agora, queremos investir nesse centro de referência para criar uma dinâmica de produção no cotidiano, onde seja possível vender não só nas feiras camponesas, como também, nas feiras livres dos municípios vizinhos. A gente sabe das dificuldades, mas o nosso objetivo é que o Estado assuma isso como uma política de desenvolvimento, a agricultura tem a sua função social, ela por si só não se levanta, precisa ter subsídio”, declarou.

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