quinta-feira, 7 de julho de 2011

Camponeses discutem o papel de ser militante

No segundo dia do Encontro teve trabalho em grupos, exibição de filme, debate, atividade ecumênica e a visita da nova Superintendente do Incra-AL

Texto e fotos: Helciane Angélica – Jornalista/CPT-AL


Mais uma vez, a Comissão Pastoral da Terra em Alagoas (CPT-AL) realiza o Encontro de Formação de Militantes com o objetivo principal de capacitar as lideranças para permanecerem firmes na luta por seus direitos e na efetivação da reforma agrária. O segundo dia do evento (06.07) foi bem movimentado e começou com a divisão dos participantes em três grupos para fazer a discussão sobre as informações repassadas no dia anterior pelo professor Sávio de Almeida. Todos compartilharam suas experiências e ideias para melhorar as ações da militância.

No período da tarde, todos assistiram ao filme “Ensaio sobre a cegueira”, também conhecido por Cegueira Branca, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles e baseado no romance de José Saramago. O enredo fala sobre uma epidemia inédita, onde as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa, a partir daí passam a enfrentar várias dificuldades para sobreviver e tentam superar a fragilidade humana. Após a exibição, os camponeses fizeram suas reflexões e tinham que informar sobre como se sentiram, de que forma teriam agido se tivessem no lugar dos personagens e o que podia ser relacionado com o cotidiano deles.

Na opinião do Coordenador Estadual da CPT, Carlos Lima, o filme remete-se a necessidade da organização e a guerra pela sobrevivência. “Mesmo sem terra e pobres, a gente pode fazer muita coisa. A nossa luta é um pouco diferente dos outros, porque a gente tá tentando se organizar”, avaliou. A assentada Maria Cavalcante coordenou a segunda parte do debate sobre “o que é militante?” e destacou que cada pessoa é especial e carrega o dom da capacidade, precisam estar fortes e unidos para enfrentar a luta de classe. Ela também aproveitou para remeter a realidade campesina com o filme, ressaltando que às vezes é preciso ser cego, para vermos novos horizontes.

Cerca de 60 camponeses oriundos de acampamentos e assentamentos alagoanos: Todos os santos, Virgem dos Pobres, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Guadalupe, Boa Viagem e Santa Mônica – no sertão; Santa Maria Madalena, Rio Bonito, Flor do Bosque, Flor do Bosque III, Baixa Funda, Prazeres, Bota Velha, Santa Cruz, Dom Helder Câmara – na zona da mata; Quilombo dos Palmares, Tauar, Domingas, Jubileu 2000, Padre Alex Cauchi e Irmã Dorothy Stang – no litoral norte.

Visita

À noite, a nova Superintendente Regional do Incra-AL, Lenilda Lima, esteve na Igreja Batista do Pinheiro para prestigiar o Encontro de Formação e conversar com as lideranças da CPT-AL. Ela agradeceu pela acolhida e parabenizou pela organização dos camponeses, principalmente, reforçou a importância das mulheres na luta pela reforma agrária e a necessidade de ampliar seus espaços de poder.

"Eu aprendi muito sobre o que é a luta no campo com os próprios trabalhadores rurais. O meu compromisso a frente do Incra é um desafio muito maior, porque caminhei junto com vocês. Mas cada um de nós temos que ser vigilantes na luta pela reforma agrária", disse a nova gestora.


Culto

Em seguida, alguns participantes do Encontro de Militantes foram prestigiar o culto na Igreja Batista do Pinheiro, local que gentilmente cedeu várias salas para a realização do evento. O Pastor Wellington Santos já participou de várias ações da CPT-AL, apóia a luta pela reforma agrária e contribuição na mobilização em defesa das famílias do Acampamento Bota Velha, que vivem há nove anos em uma área e estão sendo vítimas de despejo. Ele aproveitou a celebração para fazer reflexões bíblicas sobre conflitos agrários e a opressão, além de criticar a criminalização que a mídia e até muitos religiosos fazem com os sem terras. Na ocasião, camponeses e camponesas cantaram músicas sobre a luta campesina, que demonstram os ideais, a necessidade de viver dignamente no campo para plantar, colher e repartir.

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