terça-feira, 5 de julho de 2011

Lenilda Lima é empossada no Incra-AL

A solenidade contou com a presença de representações dos movimentos rurais, sociedade civil, autoridades, funcionários do órgão federal e veículos de comunicação


Texto: Helciane Angélica – Jornalista/CPT-AL
Fotos: Ascom do Incra-AL


No dia 5 de julho, foi oficialmente empossada na Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL), Lenilda Lima, conhecida por sua forte atuação como: educadora, sindicalista, ativista na luta pelos direitos das mulheres, já atuou como Vice-Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL), Presidenta do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), além de ter sido candidata a Vereadora por Maceió e ao Governo do Estado.

A cerimônia de posse aconteceu no auditório do Banco do Nordeste na capital alagoana, o espaço ficou pequeno para acomodar o público extremamente heterogêneo composto por funcionários do Incra que reivindicam há vários anos por melhorias nas condições de trabalho, lideranças dos movimentos que lutam pela efetivação da reforma agrária (CPT, MST, MTL, MLST, Liga dos Camponeses Pobres), Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura no Estado de Alagoas (FETAG-AL), Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), ativistas de movimentos sociais, sindicalistas, gestores públicos, políticos e imprensa.

A Comissão Pastoral da Terra foi representada pelo historiador e coordenador estadual, Carlos Lima, onde destacou que Lenilda sempre foi uma companheira na luta por justiça social e nunca se afastou das famílias camponesas. “Você é a segunda mulher que eu conheço a frente do Incra-AL e a gente até brincava, como é que nós vamos ‘bater’ nela quando a coisa apertar”, brincou Carlos, ao afirmar que as cobranças irão permanecer. “No nosso entender, ela está do lado da nossa trincheira. Essa não é só uma luta ideológica, ainda mais, porque esse Estado é marcado pela miséria e o domínio de algumas famílias. Nós sabemos que onde tem cana, não tem gente e não tem ser vivo. O povo já foi expulso do campo, as nascentes acabaram e precisamos produzir alimentos. Por isso, continuaremos com as nossas marchas, denúncias e chamando os órgãos responsáveis para o diálogo”, exaltou.

No seu discurso, Lenilda fez suas considerações direcionadas a cada membro da mesa de honra e informou suas principais metas a frente da Superintendência que é transformar a reforma agrária como plataforma de Governo. “É preciso aumentar o orçamento do órgão para transformarmos os assentamentos em modelos de produção. Tem que ter recursos para adquirir as terras e, também, investir em melhorias na infra-estrutura porque não se pode produzir se não pode escoar e comercializar, se não houver política pública chegando no local. Também queremos fazer um trabalho forte com as mulheres, para organizá-las no mundo produtivo e ter autonomia econômica, e eu como mulher, preciso enxergar esse público”, disse.

Ela também aproveitou para mencionar a necessidade de ter parceiros com o compromisso de mudar o quadro social atual, onde existem 11 mil famílias que precisam ser assentadas. “Eu acredito que sem pressão não existe transformação social! Então, queremos manter sim o diálogo e o respeito, discutir estratégias, estabelecer parcerias porque não queremos ficar isolados. Precisamos discutir a responsabilidade do Estado em relação à assistência técnica que precisa avançar mais, dialogar com os prefeitos sobre as políticas públicas e participar do Comitê Estadual de Mediação de Conflitos Agrários para amenizar a violência no campo. E eu como gestora terei uma responsabilidade ainda maior, estarei não só no campo da luta, como também, na obrigação de execução e cobrar o concurso público para melhorar e capacitar o efetivo, além de estruturar o Incra e realmente estarmos o serviço da reforma agrária”, destacou como prioridades.




Confira outros depoimentos:

Ficamos muito felizes em receber essa solenidade em nossa casa e queremos ampliar a parceria com o Incra, pois esse é um banco que valoriza os trabalhadores rurais e a produção agrícola através do crédito rural
Expedito Neiva – Superintendente do BNB/AL

O Incra está passando por um momento difícil em Alagoas. E Lenilda não é só uma pessoa de gabinete, e sim, sai para a rua para resolver o que se predispõe para uma mudança
Ayrton Tenório – Juiz da Vara Agrária

Assumir o Incra é muito mais que um desafio, é um ato de coragem. A Reforma Agrária é um marco que precisa avançar em nosso país, a mesma expectativa que foi do Presidente Lula é da Dilma, e também, é nossa! É um desafio que todo nós temos que ter consciência da sua importância e se depender da sua dedicação e currículo [Lenilda] a coisa vai andar, mas sabemos quando passa para o âmbito nacional, a burocracia só aumentam as dificuldades. Por isso, estamos na Assembleia Legislativa para ajudar na luta pela reforma agrária e dar o apoio necessário a você e aos trabalhadores.
Judson Cabral – Deputado Estadual (PT)

A expectativa enquanto gestora é muito boa, pois Lenilda não é só uma liderança local como também nacional. Nós entendemos que investir na reforma agrária é um avanço político para garantir um Brasil melhor e sem misérias, mas, para isso precisamos combater as causas que estão na concentração de renda e terras. A reforma agrária também deve ser vista como uma política de desenvolvimento, ainda mais sabendo que o nosso país encontra-se há quatro décadas entre as dez maiores economias do mundo e 400 anos de escravismo
Sandra Lira – Representante Estadual do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)

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