quarta-feira, 6 de julho de 2011

Professor Dr. Sávio de Almeida ministra palestra para camponeses


O Encontro de Formação de Militantes contou com a presença de trabalhadores e trabalhadoras rurais acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra


Texto e fotos: Helciane Angélica – Jornalista/CPT-AL


No primeiro dia do Encontro de Formação de Militantes da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas, contou com a participação do Sociólogo, Historiador e Professor Doutor Sávio de Almeida para repassar informações sobre o tema “Dos Cabanos aos Sem Terra: lutas e desafios”. A atividade acontece nas dependências da Igreja Batista do Pinheiro em Maceió e segue até amanhã, 7 de julho.

O professor fez uma reflexão histórica sobre a luta pela terra em Alagoas, onde por mais que o Estado tenha começado a sofisticar a sua economia, não consegue largar o monocultivo da cana de açúcar e a exploração social. Também destacou que a história do pobre é contada em séculos e tem muitas vertentes, enquanto a dos ricos em segundos pode-se conhecer.

No período colonial, o país passava a ser rico devido a quantidade de pedras preciosas, ouro, prata e diamante em abundância. No Brasil para ter tudo isso, era preciso também ter o comando das terras. “Quem iniciou o conflito agrário foi o branco para plantar cana, ter dinheiro e poder. E os índios também tiveram que lutar, eles queriam a terra para sobreviver, plantar e morar. Foi aí, que iniciou a matança de índio e a expulsão da área”, relembrou ainda o confronto com o povo do Quilombo dos Palmares.

A guerra dos Cabanos iniciou em 1830 e foi um dos conflitos expressivos no Nordeste, ocorreu na região onde hoje é o município alagoano de Jacuípe. Foram cinco anos de guerra armada entre o Governo com os cabanos, pessoas que moravam em casas de palha também chamada de cabanas, bem próximos das matas e rios. Os revoltosos – índios, negros e pobres – eram tratados como bandidos, mas defendiam o território para continuar com seu roçado e viver dignamente com suas famílias.

Inspirado na resistência dos Cabanos, o Professor Sávio de Almeida quer ampliar a pesquisa sobre a luta pela reforma agrária e a determinação dos sem terras da atualidade, que também lutam para ter terra e liberdade social. Os primeiros movimentos começaram a se organizar em 1980, encarando o enfrentamento como a forma mais adequada para conseguir os direitos. “E vocês deixaram de serem os oprimidos, para serem setores políticos. Deixaram de serem os bardeneiros, para serem aqueles que reivindicam e que metem medo ao poder”, exaltou.


Organização
O professor também aproveitou a ocasião para chamar a atenção dos assentados, ao afirmar que “o assentamento é o lugar onde as coisas devem se repartir e inaugurar uma forma de ser socialmente, tudo estar ali para que todos cresçam, então, é preciso saber compartilhar”. Reforçou que independente da distância entre as áreas precisa ter unidade, para que todos ascendam produtivamente/economicamente e politicamente/ideologicamente.

É preciso investir em ações que tragam resultados políticos expressivos e que contribuam com a luta pela reforma agrária. Para mim, aquela Feira Camponesa que vocês fazem é algo maravilhoso, acontece em um espaço aberto, mostra a produção e ainda dialoga com a sociedade”, exemplificou.

Ao final das explanações, os camponeses e camponesas puderam tirar suas dúvidas e destacar os pontos que acharam mais importantes, além de ter o conhecimento necessário para ser aprofundado nos grupos de trabalho. O assentado Feliciano da Silva, conhecido por Saúba, aproveitou para sugerir aos companheiros que repassem as informações aprendidas ao retornar a suas áreas e também passem a ouvir mais aqueles que estão há mais tempo na luta. “Temos que resgatar os conhecimentos dos mais velhos na luta e temos que repassar para os mais novos, porque não existe outro caminho para o pobre a não ser lutar por seus direitos e pra isso precisamos saber da nossa história”.

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