domingo, 14 de agosto de 2011

“Feira Camponesa Itinerante foi um sucesso”, diz organizadores


A atividade realizada pela CPT-AL já percorreu os bairros de Salvador Lira, Bebedouro, Santo Eduardo e Pinheiro


Texto: Helciane Angélica - Jornalista da CPT/AL
Fotos: Helciane Angélica e Cícero Marcos




A comercialização de vários produtos oriundos de assentamentos da reforma agrária da zona da mata e sertão alagoano atraiu pessoas do bairro do Pinheiro e das adjacências. A ação foi promovida pela Comissão Pastoral da Terra e recebeu o apoio da Igreja Batista do Pinheiro e da Paróquia Menino Jesus de Praga.

Estiveram presentes: integrantes da associação italiana Pachamama, uma das importantes parceiras internacionais da CPT; Lenilda Lima, Superintendente Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária-Incra (lado esquerdo da foto); e Sandra Lira, representante estadual do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Os agricultores do Assentamento Todos os Santos em Água Branca, que participaram pela segunda vez desta versão itinerante ficaram surpresos com a receptividade dos consumidores. “O povo daqui compra as coisas mais rápido. Gostei muito deste local, trouxe 80 garrafas com mel do sertão e não sobrou nem meia dúzia”, disse Hélio Santos. Além do mel, o agricultor também levou abóbora, dois carneiros, dois perus, 10 galinhas, um saco com limão e uma caixa com abacates.


Já o assentado Pedro Betinho, se arrependeu de não ter trazido mais produtos. “Mercadoria boa tem dono! Eu deixei uma base de 20 toneladas de abóbora na minha roça e não trouxe mais porque me disseram que essa feira era menor, mas vendemos tudo e se tivesse mais coisas, ia vender tudo”, lamentou.

Esse formato itinerante já percorreu os bairros de Salvador Lira, Bebedouro, Santo Eduardo e Pinheiro, sem qualquer apoio dos governos municipal ou estadual. “A iniciativa desta feira é da CPT e dos próprios feirantes que pagam o frete e trazem suas mercadorias, e o único apoio que temos são das igrejas que disponibilizam os espaços e também ajudam na divulgação. A cada edição, essa feira tem ganhado uma repercussão maior, e agora, em menos de dois dias tinha agricultor que já tinha vendido tudo! Outra prova do sucesso deste evento é o apoio que recebemos dos grandes veículos de comunicação”, destacou Heloisa Amaral, Engenheira Agrônoma da CPT.


Noite cultural


Na sexta-feira à noite, o público conferiu a apresentação do trio de forró pé de serra Nó Cego que existe há dez anos, possui nove CDs e dois DVDs, e já se tornou uma tradição nas feiras camponesas. Também teve o bingo de uma cesta camponesa, uma verdadeira brincadeira que envolveu famílias, e o grande vencedor foi João Vicente Ferreira morador do bairro do Pinheiro, que sempre frequentou as feiras camponesas na Praça da Faculdade.


Consumidor consciente

O empresário João Batista da Silva, oriundo da cidade de Pombos (PE) e que mora há sete anos em Maceió, parabenizou a iniciativa e espera que o projeto seja levado para o bairro do Feitosa onde reside.


"Essa iniciativa deveria ter uma divulgação bem maior e deveria ser estendida para outros lugares. Mesmo no meu bairro tendo feira livre, se eu souber que tem esse tipo produto natural [sem agrotóxicos], vou comprar diretamente de quem produz. O atravessador é o que menos trabalha e é o que leva vantagem, e isso só prejudica o consumidor final, que ainda paga muito em impostos". O visitante ainda defendeu mais investimento. "Infelizmente, o dinheiro é mal distribuído e aqueles trabalhadores rurais que precisam ser mais valorizados ficam esquecidos pelo poder público e a maior parte dos produtos ainda vem de fora. Sempre achei interessante esse tipo de feira, e ia bastante lá no meu Estado, porque ajuda diretamente quem está plantando e leva qualidade para nossas mesas", ressaltou João Batista.

Nenhum comentário: