sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Trabalhadores rurais ocupam Praça Sinimbu há sete meses

Famílias despejadas de fazenda em Murici vivem em condições precárias e aguardam posicionamento do Incra; ‘Não recebemos qualquer assistência’, desaba

Barracos foram erguidos em frente à sede do Incra, ao fundo (Foto: Bruno Soriano)

Dezenas de trabalhadores rurais sem terra ocupam a Praça Sinimbu, no centro de Maceió, já há sete meses, à espera de definição por parte do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sobre em qual pedaço de terra deverão se instalar em definitivo. Ao todo, 75 famílias foram despejadas de uma fazenda situada no município de Murici – distante 51 quilômetros da capital –, motivo pelo qual se deslocaram até a praça, onde ergueram acampamento em frente à sede do Incra.

Os trabalhadores continuam a afirmar que somente deixarão o local quando o Instituto providenciar um novo local, a fim de que possam retomar a produção que mantinham no interior. “Nós tínhamos de tudo. Macaxeira, batata, feijão de corda. Nada faltava. Mas aqui estamos passando necessidade, sem saber se amanhã teremos algo para comer”, desabafou o agricultor Ailton José da Silva, de 45 anos.

Segundo Ailton, apenas 26 das 75 famílias despejadas decidiram ocupar a Sinimbu, onde não dispõem de absolutamente nada: a falta d’água dificulta a higiene e expõe as crianças a doenças. O odor - provocado pelo manejo inadequado de dejetos e do próprio lixo lá produzido - domina a praça e incomoda pedestres, consumidores e comerciantes da região central de Maceió.

Os mosquitos tomam conta de tudo à noite. É horrível. Tenho sobrevivido de alguns bicos, recolhendo material reciclável, como latinhas que encontro na rua”, emendou o trabalhador rural, que divide um barraco com mais cinco pessoas, entre esposa e filhos pequenos.

Não queremos ir para a beira da pista. Por isso aqui continuamos. Não temos previsão de nada e não recebemos qualquer assistência do Incra ou de quem quer que seja”, reforçou.

A reportagem da Gazetaweb buscou contato com a superintendente do Incra em Alagoas, Lenilda Lima, mas ela não atendeu às ligações em seu número de telefone celular.


Fonte: Gazetaweb (19.08.11)

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