terça-feira, 27 de setembro de 2011

CARTA ABERTA DO 1º ENCONTRO DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS DO BAIXO SÃO FRANCISCO SOBRE TERRA E TERRITÓRIO



Vindos dos Estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe, nos encontramos em Propriá (SE), para debater sobre os principais impactos dos projetos em execução ou previstos para a Bacia do Rio São Francisco. Somos mais de 47 pessoas, vítimas da cobiça dos grandes projetos previstos pelo Governo (Energia Nuclear, Mineração, Transposição do Rio São Francisco, Transnordestina, Hidroelétricas, Canal do Sertão e etc.) para esta região.  Estavam presentes representantes dos movimentos sociais, pastorais, sindicatos, ONGs, associações, comunidades quilombolas, indígenas e pescadores/as artesanais.

Nesses estados, não diferente de outros locais do país, os grandes projetos que estruturam o modelo de desenvolvimento capitalista têm desencadeado fortes impactos socioambientais e os principais alvos são as comunidades quilombolas, ribeirinhas, indígenas, pesqueiras e camponesas.

As grandes obras são concebidas sem nenhuma preocupação referente aos impactos socioambientais. Na verdade, tais obras atendem aos interesses de corporações e exportadores, vinculados a atividades econômicas concentradoras de riqueza como o agronegócio, mineração e a produção de bicombustíveis. Todas elas estão diretamente relacionadas à sanha pela acumulação de capital, o que tem projetado a América Latina e, mais precisamente o Brasil, como um grande celeiro para a exploração de recursos naturais e investimentos bilionários.

A lógica de mercantilização dos bens naturais reflete-se na atual situação de degradação do Rio São Francisco, de enorme importância para a população do semiárido, que representa 60% das reservas de águas do Nordeste brasileiro.

São apresentados para a sociedade, 2 (dois) modelos de projetos contraditórios: um intencionalmente construído pelo Poder Público e grandes grupos econômicos, a fim de favorecer o grande capital e outro dos movimentos sociais, comunidades e povos tradicionais, baseado-se na preservação socioambiental e continuidade da vida. Os dois modelos demandam terra e água, por isto, vivem em permanente conflito, principalmente por se relacionarem com estes elementos de forma diferenciada.  O resultado desse confronto é a depredação do rio e a violência contra as comunidades seculares que habitam sua bacia.  

Neste cenário, o Governo se sobressai como o maior provocador destes conflitos e fragmentador das políticas públicas, inclusive, estimulando a violência com seus projetos e não priorizando a reforma agrária e a demarcação dos territórios tradicionais, salvo raras exceções como no caso de Sergipe que realiza a identificação antropológica dos territórios quilombolas.

Precisamos de nossos territórios, com todos os serviços ambientais que eles nos proporcionam, como a fertilidade dos solos, a abundância da água e de tantas formas de vida.
  
Por isto, de forma articulada, vamos intensificar a conquista e defesa da terra e das águas, reconquistar os territórios roubados dos nossos antepassados e consolidar o que já existe de conquistas, mas que nos pertencem e são as heranças das gerações que nos sucederão.

                                                                Propriá (SE), 18 de setembro de 2011.


Coordenação Nacional de Articulação Quilombola - CONAQ; Comitê Gestor das Comunidades Quilombolas de Sergipe; Comunidades Quilombolas Brejão dos Negros, Mocambo, Caraíbas, Lagoa dos Capinhos, Pontal da Barra e Ladeiras (SE); Povos Indígenas Pankará (PE), Kariri Xocó (AL), Katókinn (AL); APOINME; CPT; CIMI; PASTORAIS; FETASE; Movimento Mulheres Camponesas – MMC; Movimento dos Sem Terra - MST; CÁRITAS DIOCESANA DE PROPRIÁ; COMITÊ DA BACIA DO SÃO FRANCISCO; Comunidades de Fundo de Pasto de Areia Grande (BA); CPP; Pescadores/as do Submédio e Baixo São Francisco; FEPEAL; Movimento dos Filhos do Velho Chico – MFVC; CEBs; Núcleo Diretivo do Território da Cidadania do Baixo São Francisco.                                                  

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Lançamento do documentário "O veneno está na mesa"


Teve início ontem (07.09) e segue até o dia 11 de setembro, a 12ª Feira da Reforma Agrária realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e na Praça da Faculdade em Maceió-AL. Cerca de 250 barracas comercializam alimentos e animais oriundos de acampamentos e assentamentos da reforma agrária.

Acontece hoje às 18h, o lançamento do documentário "O veneno está na mesa" (2011, 45min) do diretor Silvio Tendler, abrindo as exibiçoes do Cineclube Cinema na Terra. O filme aborda a escandalosa situação de envenenamento da população por agrotóxicos, em que se estima um consumo de cinco litros de veneno por ano por cada pessoa através do consumo de alimentos contaminados.

Os depoimentos presentes no média-metragem de 45 minutos de especialistas da Fundação Oswaldo Cruz advertem para o perigo do atual modelo agrícola para a saúde pública. Os venenos são depositados nas lavouras, mas contaminam água, ar, solo e a saúde humana. Por outro lado, a Via Campesina, organização que congrega diversos movimentos sociais de luta pelo direito à terra de vários países, propõe um modelo de agricultura baseado em minifúndios, no cultivo orgânico e em convívio com o meio ambiente.


Outras ações
Na programação também tem: Varal de Experiências (exposição em varal de cartilhas, jornais, cartazes, folhetos, poemas, textos e etc); Exposição fixa de Fitoterápicos (disposição de plantas e ervas com os nomes populares e científicos e indicações de uso); Exposição e comercialização de artesanatos; Banca de Educação Popular em Saúde com rodas de conversa sobre “agroecologia e saúde”, “saúde no campo” e “previdência social para trabalhadores do campo”. E todas às noites tem o festival de Cultura Popular com teatro, poesia, dança e mús




Com informações da Ascom do MST

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"PELA VIDA GRITA A TERRA. POR DIREITOS TODOS NÓS": FALA DOM GUILHERME WERLANG

Em todo o Brasil é celebrado hoje o 17º. Grito dos Excluídos, cujo lema em 2011 é “Pela vida grita a terra, por direitos, todos nós!”. A Campanha da Fraternidade deste ano, com o lema “A criação geme em dores de parto” representou um grito em defesa do planeta e todas as formas de vida. Por isso, o Grito deste ano é o grito do planeta Terra.

Para explicar a escolha deste tema e sua contextualização, o Programa Brasileiro contatou Dom Guilherme Werlang, Bispo de Ipameri (GO), Presidente da Comissão Caridade, Justiça e Paz da CNBB.

“Este ano temos o 17º Grito dos Excluídos. Temos como tema principal “Pela vida grita a Terra, por direitos todos nós”. Na verdade, o Grito dos Excluídos surgiu no Brasil no ano de 1994, como uma continuação da II Semana Social Brasileira, que tinha como tema “Brasil, alternativas e protagonistas”. Em 1995, em seguimento à Campanha da Fraternidade, começou de fato a se realizar aquilo que fora pensado e planejado no ano de 1994, como consequência da IISS.

Estamos tentando, como Igreja, ajudar a conscientizar para a urgência da necessidade de preservação da vida do planeta Terra. Hoje, a vida humana e todas as formas de manifestação de vida dependem, em primeiro lugar, de tomarmos consciência de que a Terra é um ser vivo; é a Mãe de onde brota a vida de todos nós. Deus quis fazer a Terra e nela colocar a vida, à diferença de outros planetas, de outras estrelas que também são criação de Deus, mas de onde até o momento não temos notícias de vida. Aqui nós temos esta condição.

Diante do avanço do capitalismo, do sistema econômico, do sistema de produção, não se respeita nada; então antes de tudo: pela vida, grita a Terra. Evidentemente, precisamos olhar aos direitos das pessoas. Este ano, nós queremos afirmar os principais direitos: à educação, à saúde, ao lazer, à vida digna das pessoas humanas. Também temos que dentro deste grande tema, “Pela vida grita a Terra, por direitos, todos nós”, lutar, fazer aparecer a nossa reflexão de Igreja, das pastorais sociais, dos movimentos sociais, na questão do novo Código Florestal, que ainda não está pronto, mas que não pode ser aprovado desta forma.

Do pouco que ainda sobra da biodiversidade, especialmente das matas, das matas ciliares, também das fontes, das nascentes dos rios, dos córregos, parece que tudo deve ceder espaço para a produção agropastoril e agropecuária. Queremos refletir de maneira muito forte sobre tudo isto este ano.

Também o Grito dos Excluídos é simbolicamente colocado no dia 7 de setembro porque na verdade temos que questionar se a independência, que nós festejamos e celebramos, é independência para todos, ou se é uma independência muito relativa ainda pequena, que só contempla quem tem condições econômicas e sociais mais elevadas. A independência ainda não chegou para milhões de brasileiros que vivem de cestas básicas, de esmolas de migalhas que sobram deste sistema neoliberal e capitalista que é como um trator, que vai passando em cima de tudo sem respeitar ninguém”.


Fonte: Entrevista concedida a Cristiane Murray. 

http://www.oecumene.radiovaticana.org/bra/articolo.asp?c=518505

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

17º Grito dos Excluídos acontece nesta terça-feira



Nesta terça-feira (06.09), véspera do Dia da Independência do Brasil, terá a 17ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas em Alagoas com o tema: "Pela vida grita a TERRA... Por direitos todos nós!”, que integra a programação da III Semana Social Arquidiocesana que neste ano homenageou o Beato João Paulo II. A atividade iniciará às 16h, com concentração na Praça dos Martírios e percorrerá as principais ruas do Centro de Maceió.

Essa manifestação pacífica e popular já se tornou uma tradição no país, no dia 7 de setembro, e busca despertar a sociedade sobre a Independência do Brasil e a realidade de miserabilidade e sofrimento que a maior parte da população convive todos os dias. O tema deste ano também faz referência à Campanha da Fraternidade 2011: “Fraternidade e a vida no planeta – A criação geme em dores de parto (Rm 8,22).

O Grito dos Excluídos é organizado pelas Pastorais Sociais vinculadas à Igreja Católica e conta com o apoio de religiosos de diversas crenças, sindicalistas e ativistas que atuam em diferentes movimentos sociais em busca da efetivação de políticas públicas eficientes e justiça social.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) estará presente com lideranças camponesas oriundas de acampamentos e assentamentos da reforma agrária localizados na zona da mata alagoana, para destacar, mais uma vez, a importância da reforma agrária para produção de alimentos sadios que garante a preservação do solo, água, ar e animais.


Mais informações: 9916-2556 (Padre Rogério) / 9127-5773 (Carlos Lima)

domingo, 4 de setembro de 2011

Governo amplia quantidade de técnicos extensionistas no campo

A agricultura familiar em Alagoas ganhou mais 66 extensionistas rurais, que vão atuar por um ano vinculados à Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri) e facilitar o acesso dos agricultores às políticas públicas. Os profissionais assinaram nesta segunda-feira (29), no Palácio República dos Palmares, em solenidade com a presença do governador Teotonio Vilela Filho, o termo de outorga para desenvolver as atividades.

Na cerimônia, o governador ressaltou que a concessão de bolsa para esses novos técnicos faz parte da iniciativa do governo para reforçar o serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater). “Quando chegamos ao governo, em 2007, o Estado não tinha convênios com o governo federal. Nós fizemos novos convênios, adquirimos veículos e motocicletas, que hoje são quase 400, adquirimos equipamentos de trabalho e também selecionamos técnicos. A missão de vocês é nobre”, destacou.

Agora, com esses novos profissionais, já passa de 300 o número de técnicos que estão no campo atendendo aos agricultores familiares e impulsionando o plantio, a produtividade, o beneficiamento e a comercialização da produção.

“O agricultor depende da orientação de vocês para produzir bem, para aumentar e melhorar a produção, para comercializar”, salientou o secretário de Estado da Agricultura, Jorge Dantas, que também agradeceu ao presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), Tadeu Muritiba, pela parceria da instituição na seleção dos profissionais.

“O resultado do trabalho de vocês será muito importante”, afirmou o presidente da Fapeal. Um dos resultados será o aumento da produção de alimentos no Estado. “O trabalho de assistência técnica vai ser importante para o agricultor e também para nós, que vamos aprender mais, vamos trocar experiência”, disse o técnico agrícola Manoel Pereira Brandão Júnior, que vai atuar no município de Canapi, Sertão do Estado.

Quem também estava entusiasmada era a assistente social Kiara Karoline Silva Feitoza, que vai atuar em Cacimbinhas, município da região da Bacia Leiteira. “É minha primeira experiência profissional, mas sei que, apesar do desafio, os agricultores são muito receptivos. Um dos trabalhos que vou desenvolver junto com a equipe é o fortalecimento do associativismo e do cooperativismo. Ao final, sei que terei aprendido muito também”, citou a assistente social.Além de técnicos agrícolas e assistentes sociais, entre os novos extensionistas estão engenheiros agrônomos, florestais e de pesca; zootecnistas; veterinários; nutricionistas; administradores e técnicos em agropecuária. Eles ficarão vinculados às nove Gerências Regionais da Seagri em todo o Estado.

Fonte: Seagri