segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Movimentos sociais celebram o natal com os acampados da Praça Sinimbu


Praça Sinimbu, ocupada pelos camponeses do MTL. Foto Valdemir Augustinho
Railton Teixeira

Lideranças dos movimentos sociais de Alagoas celebrarão, nesta quarta (21), os festejos natalinos com os acampados do Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), que estão na Praça Sinimbu, centro de Maceió, desde fevereiro.

Estão a frente da confraternização natalina, além do MTL, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Os festejos natalinos estão programados para começar às 10h, na própria Praça Sinimbu, com a celebração ecumênica, presidida pelo padre Alex Cauchi e pelo pastor Wellington Santos. Logo após, um almoço fraterno e distribuição de brinquedos, para as crianças acampadas.

De acordo com Carlos Lima, coordenador da CPT, a iniciativa nasceu diante do espírito que esta época proporciona e da inquietação dos movimentos sociais em confraternizar com aqueles que estão acampados no centro da capital.

“Enquanto todos confraternizam entre si e festejam o natal eles estão lá, por está razão e pelo espírito que nos move, armaremos as nossas tendas e celebraremos o nascimento do menino Jesus na Praça Sinimbu, com os nossos irmãos acampados do MTL”, enfatizou Carlos Lima.

Segundo o coordenador estadual do MLST, Josival Oliveira, as famílias acampadas na Praça Sinimbu aguardam um posicionamento das autoridades competentes, uma vez que elas foram despejadas, pela justiça, em janeiro, deste ano, da Fazenda Cavaleiro, na cidade de Murici (distante 51 km de Maceió).

“Acreditamos que essa celebração de natal vem em solidariedade aos nossos irmãos sofridos, que ao mesmo tempo são vítimas da burocracia. Eles estão no relento desde fevereiro e estão sem perspectiva de terem um local para produzir os seus alimentos e terem uma vida digna”, enfatizou Josival.

A coordenação dos movimentos sociais pede a colaboração da sociedade para que participem também da celebração ecumênica e de acordo com Carlos Lima, a CPT está arrecadando brinquedos para serem distribuídos para as crianças acampadas. Maiores informações, a respeito da arrecadação dos brinquedos, pelo telefone 3221.8600.

Reunião com o Incra 

Após a celebração ecumênica, por volta das 11h30, os movimentos sociais se reunirão com a superintendente estadual do instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Lenilda Lima.

Com o órgão será debatida a situação das famílias que estão acampadas na Praça Sinimbu, há dez meses. De acordo com as lideranças, é de inteira responsabilidade do Incra a resolução da problemática em que se encontram os camponeses.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Água usada por comunidade quilombola é envenenada no Maranhão

A Comissão Pastoral da Terra do Maranhão vem, por meio deste, comunicar mais atos
de violência envolvendo a comunidade quilombola de Salgado, zona rural de
Pirapemas (MA), num conflito que já se arrasta há 30 anos.

No último dia 3 de dezembro, cerca de 18 animais pertencente ao Sr. José da Cruz,
líder da comunidade quilombola de Salgado, foram mortos, por meio de veneno,
causando um grande prejuízo à família do mesmo, já que sobraram poucos animais
para subsistência de seu núcleo familiar. Tal fato se deu em decorrência de violento
conflito possessório envolvendo, de um lado, dezenas de famílias quilombolas e de
outro os senhores Ivanilson Pontes de Araújo e seu pai Moisés, que criam animais
soltos nas áreas de roça das famílias e impedem que as mesmas acessem as fontes
de água e babaçuais.

Em outubro de 2010, o juízo da comarca de Cantanhede (MA) concedeu manutenção
de posse em favor das famílias do quilombo, contudo, o réu Ivanilson insiste em
desrespeitar a ordem judicial. No último domingo afirmou ao quilombola José Patrício,
que se os mesmos continuassem a realizar roças, esses iriam pagar caro.

Na manhã de hoje, 14 de dezembro, por volta de seis horas, o Sr. José da Cruz, líder
quilombola, encontrou, com outros trabalhadores, um vasilhame de veneno dentro do
poço d’água utilizado pela comunidade. A intenção clara era de ou matar por
envenenamento os trabalhadores quilombolas ou causar grandes males à saúde da
comunidade. Este fato ocorreu dois dias após a ida do Delegado Agrário à área do
conflito. Além disso, o sr. Ivanilson Pontes de Araújo contratou dois homens que ficam
rondando a comunidade, de forma ostensiva, intimidando as famílias ameaçadas.

Ao longo do ano de 2011, as famílias quilombolas de Salgado sofreram vários tipos de
humilhações, ameaças, intimidações e violência em seu território. Contudo, o Estado
fez pouco caso da situação.

A cada dia, maiores são as violências contra a Comunidade Salgado/Pontes.
Tememos o pior!

São Luís, 14 de dezembro de 2011.

Padre Inaldo Serejo
Coordenador da CPT/MARANHÃO

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

MLST realiza Feira da Reforma Agrária

Assessoria/MLST



A partir desta segunda feira (12), a Praça Afrânio Jorge, conhecida como praça da faculdade no bairro do prado em Maceió, começa a ficar colorida. É que dará início a mais uma edição das feiras da Reforma Agrária que acontecem durante todo o ano realizada pelos movimentos sociais de luta pela terra em alagoas.

Organizada pelo Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), a Feira da Reforma Agrária acontecerá entre os dias 12 e 16 de dezembro com o tema, “Comercialização solidária com preço justo” trazendo para a capital alagoana os trabalhadores e trabalhadoras do agreste, sertão, zona da mata e litoral todos vindos de assentamentos e acampamentos organizado e coordenado pelo movimento.

Sua abertura oficial se dará no dia 13/12 ás 09hs com a presença de convidados, autoridades e representantes de sindicatos e movimentos, parceiros na luta, seguido de um belo café da manha regional.

Além dos tradicionais feirantes comercializando seus produtos orgânicos, livre de agrotóxicos com qualidade alimentar e preço justo, a feira oferecerá toda uma estrutura além das barracas. Com praça de alimentação onde o cliente/visitante poderá degustar de pratos tipicamente regionais, a feira, terá uma intensa programação cultural, onde não só os feirantes mais a quem interessar, poderá participar de palestras, oficinas e as tradicionais noites culturais com dança regional, apresentações de grupos culturais e muita música com artistas da terra e os próprios trabalhadores ligados ao movimento que aproveitam o espaço para também mostrarem seus talentos.

O MLST espera com a feira garantir não só a venda dos produtos, e sim, interagir com a comunidade maceioense, mostrando a produção de alimentos como fruto da luta pela reforma agrária.

O objetivo da feira é ter a atenção da sociedade e mostrar os mesmos agricultores que em alguns momentos ocupam a capital alagoana para suas manifestações, desta vez, chegam à capital com uma feira e o resultado de sua produção. Mostrando sua capacidade produtiva, levando para a população um alimento saudável com preço justo.

Mega obra impacta agricultores

A Coordenação Nacional da CPT vem a público denunciar a desapropriação das famílias das comunidades Água Preta, Barra do Jacaré, Sabonete, Cazumbá, Campo da Praia, Bajuru, Quixaba, Azeitona, Capela São Pedro e Açu, do 5º Distrito, do município de São João da Barra, RJ. Para darem lugar às obras do Complexo Industrial, ligado ao Superporto do Açu, do bilionário brasileiro, Eike Batista, as famílias destas comunidades são pressionadas a abandonarem suas áreas onde muitas delas nasceram e têm suas raízes mais profundas. Além de sofrerem agressões.

Mais uma vez o poder público apóia os interesses do capital que se sobrepõem aos interesses dos cidadãos.

O Superporto do Açu é um empreendimento logístico da empresa LLX. Trata-se do maior investimento em infraestrutura portuária das Américas. Sua construção teve início em outubro de 2007 e sua operação está prevista para o primeiro semestre de 2012. O empreendimento foi idealizado prevendo a integração com minas de minério de ferro de Minas Gerais, a ser transportado até o porto por um mineroduto de 525 km de extensão. A concepção do Superporto é o de um porto-indústria, desenvolvendo diversos empreendimentos em paralelo ao porto propriamente dito, como estaleiro, usinas termoelétricas, etc. Mais de 66 empresas demonstraram interesse em se instalar neste complexo industrial. Este megaempreendimento está sendo propagandeado como uma obra dentro das mais avançadas do mundo, e que vai ampliar imensamente a capacidade exportadora do Brasil.

Mas o que não é divulgado é que para a instalação de todo este complexo de empresas, vão ter que ser desalojadas familias de pescadores e de pequenos agricultores, que podem chegar a 1.500 famílias. A proposta do megaempreendimento foi abraçada pela prefeitura de São João da Barra e do estado do Rio de Janeiro. Um Decreto Estadual 41.915/2009, desapropria como de interesse público uma área de 7.200 hectares, através da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin), para dar espaço ao condomínio industrial previsto no projeto.

Todas as estratégias estão sendo usadas para retirar as famílias da área, entre compra de área, mudança de local, e outras. Algumas venderam suas propriedades para a Codin. Outras negociaram com a companhia sua transferência para a Vila da Terra, um projeto para alojar as famílias retiradas, mas não receberam até hoje a indenização combinada. Porém, um grupo significativo de famílias, em torno a 800, resistem na terra e nela querem permanecer, por isso sofrem todo tipo de pressão e de ameaças para deixarem suas áreas. Placas são fincadas nos sítios, cercas mudam os limites das propriedades, restingas são derrubadas. Como diz um camponês: “Seremos expulsos de nossa terra, querem arrancar nossa história de dentro da gente. Na mesma hora que entram derrubam tudo, cercam, não deixam vida ali, querem que esqueçamos tudo que vivemos aqui.”. A polícia tem sido muitas vezes arbitrária e truculenta. Contra os que ainda teimam em resistir há um mandado de despejo que pode ser executado a qualquer hora.

Diante disso, os agricultores têm realizado diversas manifestações, bloqueado a estrada de acesso às obras do superporto, participado de audiências públicas na tentativa de garantirem o direito a permanecer na terra.

Às famílias atingidas por este megaprojeto, a Coordenação Nacional da CPT quer expressar seu apoio. É uma luta das proporções da de Davi e Golias. Mas acreditem na força dos pequenos, da sua união e persistência.

Às autoridades, a quem interessa o chamado “desenvolvimento econômico” acima da vida, da cultura e da história das comunidades camponesas, queremos lembrar que, como na visão de Daniel, todos os impérios têm os pés de barro e podem ruir num instante e tornar “tudo como se fosse palha ao final da colheita” (Dn 2, 31-35). Quando o mundo todo se debate com as trágicas consequências do aquecimento global, e toma consciência da finitude dos bens naturais e da necessidade de preservá-los, nossos governantes ainda apostam em projetos e propostas alicerçadas em visões já caducas de um desenvolvimento ilimitado.

A agricultura familiar e camponesa que ajuda a manter o equilíbrio da vida deveria merecer todo o apoio e não ser jogada ao lixo da história. É hora de se adequar ao momento presente e repensar o modelo de desenvolvimento!

Goiânia, 9 de dezembro de 2011.

Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011