quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Mais uma Feira Camponesa Itinerante é realizada na Praça Jornalista Dênis Agra, em Maceió

Nos dias 29 e 30 de novembro e 01 de dezembro, a Praça Jornalista Dênis Agra, situada no Conjunto Santo Eduardo, em Maceió, será mais uma vez o local de encontro da cultura camponesa e da comercialização de alimentos livres de agrotóxicos. O motivo é a realização de mais uma edição da Feira Camponesa itinerante, realizada pela Comissão Pastoral da Terra em Alagoas.


A feira reunirá cerca de 35 feirantes, vindos de diversas áreas da Reforma Agrária de municípios como Murici, São Miguel dos Milagres, Água Branca, Flexeiras e Branquinha. Deverão ser comercializados a preços justos entre 15 a 20 toneladas de alimentos diversos. Feijão, abacaxi, macaxeira, galinha e ovos de capoeira, mel, laranja, banana, inhame, coco, hortaliças, tapioca, pé-de-moleque, raízes e cascas medicinais: estes são alguns dos alimentos produzidos pelos agricultores de forma agroecológica que estarão disponíveis para o público durante os três dias da feira.

A abertura da feira está marcada para esta quinta-feira, dia 29, às 16h. Na sexta-feira, dia 30, a partir das 19h, estão programadas apresentações culturais e show de forró, além da realização do bingo de uma cesta com produtos da Reforma Agrária. As atividades se encerrarão no sábado, dia 01, às 12 horas.

"Esta Feira Camponesa Itinerante, acontecendo em um momento marcado pela Seca em Alagoas e no Nordeste, é um verdadeiro milagre, um milagre do Deus dos pobres que protege seu povo, através da Natureza que se renova e através da força camponesa que aprendeu a produzir na, e apesar da, adversidade", destacou Heloísa Amaral, engenheira agrônoma da Pastoral da Terra de Alagoas.

Serviço:
O que: Feira Camponesa Itinerante
Quando: 29 e 30 de novembro e 1 de dezembro
Onde: Praça Jornalista Dênis Agra, situada no Conjunto Santo Eduardo – Maceió

Outras informações:
Comissão Pastoral da Terra – Alagoas

Heloisa Amaral
Fone: (82) 9341.4025

Alexsandra Timóteo
Fone: (82) 9127.0153



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Reforma Agrária: uma política de combate à miséria!

Continuaremos acampados...


Alagoas sedia a reunião dos superintendentes dos INCRA’s do Nordeste com o seu presidente, Carlos Guedes. O que poderia ser uma oportunidade de ampliar e massificar a distribuição de terra no nordeste e em Alagoas, de discutir estratégias para assentar milhares de famílias sem terra que há anos estão acampadas em rodovias ou fazendas; ou ainda, melhorar as condições de vida das famílias assentadas que sofrem com a falta de estrada, de energia adequada, de água potável, de educação no campo, postos de saúde, campo de futebol... Tornar o campo e as áreas de assentamentos um lugar bom de viver.


O que deveria ser uma parada para refletir a atual situação do INCRA, que foi esvaziado pela política do governo federal ou ainda uma discussão que tivesse como alicerce o segundo Plano Nacional de Reforma Agrária, esquecido pelo governo Lula e transformado em arquivo morto pela presidente Dilma. Ou então para efetivar as reivindicações dos movimentos sociais do campo que lutam pelo limite da propriedade da terra e a revisão dos índices de produtividade. Outro ponto relevante seria como o Estado brasileiro vai incorporar as terras das usinas de açúcar que estão falindo na região e colocá-las à disposição dos INCRA’s estaduais para transformá-las em áreas da reforma agrária.


Na nossa visão não passa de mais uma reunião, sem uma novidade a ser dita. O centro do encontro é um retrocesso histórico e político que é a confirmação que a Reforma Agrária, que deveria ser fortalecida como uma Política de governo vem sendo transformada num programa; pegando carona no Brasil Sem Miséria para sobreviver.


Lamentável o rumo do governo federal, que fez opção pelos grandes projetos, colocando os bancos oficiais e o dinheiro público para financiar as grandes obras que o capital impõe (transposição do rio São Francisco, Transnordestina, copa do mundo, usina de Belo Monte, usinas de cana de açúcar...), utilizando um discurso social para justificar os recursos disponibilizados. Ao mesmo tempo trata os conflitos e as tensões sociais com programas assistencialistas que não modificam as estruturas, não trabalham a autonomia camponesa e colocam milhares de nordestinos numa situação de fragilidade.


Propomos aos superintendentes dos INCRA’s nordestinos que enfrentem este debate abertamente, que lutem para que o INCRA volte ocupar um espaço privilegiado no governo, que volte a ser o órgão responsável pela reforma agrária, que oxigenem o órgão com concursos públicos e valorização dos servidores e que se coloquem contra a ofensiva do capital, em favor das comunidades tradicionais e dos assentamentos da reforma agrária.


Enquanto o governo insistir com a política que nega a reforma agrária vamos nos recusar a participar desses momentos, que legitimam o modelo e constroem um pseudo-diálogo entre o governo e os movimentos sociais.


A nossa pauta é a mesma e vamos continuar acampados.

Maceió, 31 de outubro de 2012.

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra (MST) Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL) e Comissão Pastoral da Terra (CPT)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Está chegando a 17ª Feira Camponesa - Um pedaço do campo no coração de Maceió



A Feira levará a Capital alagoana toneladas de alimentos produzidos por camponeses e camponesas das áreas de Reforma Agrária de todo o estado

Começa nesta quarta-feira, dia 24, e vai até o próximo dia 27, a 17ª edição da Feira Camponesa, que será realizada na Praça da Faculdade, em Maceió/AL. Com o lema “Plantar, colher e repartir”, a Feira reunirá mais de 100 agricultores e agricultoras de assentamentos da Reforma Agrária das regiões do sertão, zona da mata e litoral do estado, que irão comercializar toneladas de alimentos a preços justos e livres de agrotóxicos.

“A feira, organizada pela Comissão Pastoral da Terra de Alagoas, é uma expressão da capacidade dos camponeses e camponesas de produzirem alimentos de qualidade. É uma manifestação camponesa na capital, no centro urbano, trás o espaço, o jeito do campo para a cidade e aproxima os que produzem dos que consomem”, ressalta o coordenador regional da CPT, Carlos Lima.

A abertura do evento está marcada para as 8h da manhã do dia 24. Na ocasião um café da manhã com produtos da Reforma Agrária será ofertado para convidados e convidadas, autoridades, representantes de instituições e companheiros de sindicatos, organizações e movimentos sociais parceiros na luta em defesa da agricultura camponesa.

Macaxeira, abacaxi, banana, laranja, mel, côco, ovos de capoeira, feijão, batata, inhame, hortaliças. Estes são alguns dos vários alimentos produzidos de forma agroecológica que estarão disponíveis para toda a população nas mais de 100 barracas de feirantes. Além da comercialização dos alimentos, a feira também contará com várias atrações, como a tradicional Casa de Farinha, que oferecerá beiju e farinha produzidos na hora para o público, além do Restaurante Camponês, que terá em seu cardápio comidas típicas do campo a preços populares, como galinha velha, rabada e buchada.

O evento também contará com programação noturna, todas as noites, sempre a partir da 19h. Na quarta-feira, dia 24, subirão no palco da Feira Camponesa os grupos Samba da Ladeira e a reconhecida Seresta da Pitanguinha. Na quinta-feira, dia 25, é a vez do forró pé de serra do Trio Nó Cego e Guilla Gomes, com seu pop rock. Já na sexta-feira, dia 26, a festa ficará por conta de Cleber Canto e o forró pé de serra de Pinóquio do Acordeon e banda, além da realização do tradicional bingo de um carneiro. A Feira Camponesa funcionará todos os dias, das 6h até as 23h, com exceção do sábado que se encerá as 14h.

Para Carlos Lima, da CPT, a realização da Feira Camponesa é um exemplo, uma conquista, e mostra a importância da luta pela terra em um estado estado marcado pela exclusão social fruto da concentração de terras e do monocultivo da cana de açúcar”.

Outras informações:
Carlos Lima
Fone: (82) 9137. 6112
Heloísa Amaral
Fone: (82) 9341.4025

Serviço:
O que: 17 Feira Camponesa – Plantar, colher e repartir
Quando: De 24 a 27 de outubro de 2012
Onde: Praça da Faculdade, bairro do Prado – Maceió/AL.

Programação Noturna:
Local: Palco da Feira Camponesa – Praça da Faculdade, bairro do Prado, Maceió/AL
Hora: A partir das 19h

Quarta-feira, dia 24/10
Samba da Ladeira
Seresta da Pitanguinha.

Quinta-feira, dia 25/10
Trio Nó Cego
Guilla Gomes

Sexta-feira, dia 26/10
Cleber Canto
Pinóquio do Acordeon e banda
Tradicional Bingo de um Carneiro

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Pachamama realizará 3º jantar solidário em Alagoas


A Associação italiana Pachamama, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra em Alagoas (CPT-AL), realizará nesta sexta feira, 17/08, o 3ª Jantar Italiano. A atividade tem como objetivo reunir pessoas e organizações sociais amigas para saborear a gastronomia italiana e contribuir com os serviços prestados pela Pastoral da Terra junto aos povos do campo no estado. O Jantar terá início às 20h e será realizado no Centro Social Rural da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura no Estado de Alagoas (FETAG-AL), localizado no bairro de Mangabeiras, em Maceió.
 
Além da boa comida, a atividade contará com o show artístico com Guilla Gomes, que interpretará clássicos da MPB. A atividade acontece uma vez por ano, sempre no mês de agosto, período de férias na Itália. A Associação Pachamama já realizou várias atividades na Itália para arrecadar fundos de cooperação com a Pastoral da Terra. “A janta italiana é um projeto consolidado, quando chegamos em Alagoas as pessoas já perguntam o dia do evento e garantem a presença”, afirmou o presidente da Pachamama, Omar Borio.
 
Na ocasião, serão servidos os pratos italianos tradicionais: duas entradas, Vitello tonnato (fatias de carne de bezerro com molho de atum) e Melanzane alla parmigiana (berinjelas com tomate e queijo); Penne alla crema di zucchine (penne com molho de abobrinhas) como prato principal; e duas sobremesas, Bunet (pudim de chocolate com biscoito "amaretto") e Panna cotta alle fragole (doce feito com leite e morangos).
As pessoas interessadas em participar e conhecer melhor as ações desenvolvidas pela Pastoral devem procurar antecipadamente os coordenadores estaduais para adquirir os ingressos. O valor individual para participar do Jantar é de R$40,00 (quarenta reais). Para esta edição do Jantar Italiano, a Pachamama contou com a colaboração da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura no Estado de Alagoas (FETAG-AL) que cedeu o espaço para a realização da atividade. O trabalho para realizar a janta é voluntario e este ano será realizado por seis italianos e a equipe da CPT.
 
 
ASSOCIAÇÃO PACHAMAMA
A instituição italiana foi fundada no dia 21 julho de 2009 na cidade de Torino\Itália e é formada por profissionais de várias áreas que defendem a luta pela reforma agrária. Eles realizam palestras na Universidade de Torino, jantar brasileiro no mês de dezembro, eventos de formação e divulgação das ações da CPT, entre outros. No Brasil, já fizeram visitas em acampamentos e assentamentos, participaram da Romaria da Terra, das feiras camponesas e prestam solidariedade às famílias camponesas que vivem há vários anos acampadas em barracas de lona. A palavra “Pachamama” significa “Terra Mãe” – do quíchua Pacha, "universo", "mundo", "tempo", "lugar", e Mama, "mãe", "Mãe Terra" – também é uma deusa cultuada pelos povos andinos do Peru e Bolívia. Outras informações no site oficial: www.pachamama.to.it
 
 
Serviço:
3º Jantar Solidário
Onde? Centro Social Rural da FETAG – Travessa João Davino, nº330, Mangabeiras. Maceió-AL
Quando? 17 de agosto de 2012 (sexta-feira)
Horário? 20h
Valor? R$ 40,00 (por pessoa)
Realização: Associação Pachamama e CPT-AL
 
Outras informações:
Comissão Pastoral da Terra – Alagoas
Fone: (82) 3221.8600
Carlos Lima
Fone: (82) 9137.6112
Alexsandra Timóteo
Fone: (82) 9127.0153
Heloísa Amaral

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Em Alagoas, Feira das mulheres Camponesas homenageia o martírio de Margarida Maria Alves


Dezenas de Mulheres camponesas das áreas da Reforma Agrária do Estado de Alagoas realizam a Feira das mulheres Camponesa em homenagem à lutadora do povo, Margarida Maria Alves, cujo martírio aconteceu no dia 12 de agosto de 1983. A feira será realizada entre os dias 09 e 11 de agosto, no estacionamento da Igreja Batista do Pinheiro, na cidade de Maceió.

Margarida Maria Alves é considerada um símbolo na luta pela Reforma Agrária em todo o país. “Prefiro morrer na luta do que morrer de fome”, uma das frases mais conhecidas da lutadora, alimenta o espírito das mulheres que estarão na feira. “Esperamos mostrar mais uma vez para a sociedade o verdadeiro resultado e a importância da Reforma Agrária, com as produção de alimentos saudáveis e a valorização das mulheres na busca pela concretização da cidadania”, destaca a agente pastoral da CPT e engenheira agrônoma, Heloísa Amaral.

A atividade é uma edição especial da Feira Itinerante, realizada quatro vezes ao ano pelos agricultores e agricultoras apoiados pela CPT em diversos bairros da capital Alagoana. Além de homenagear a memória de Margarida Maria Alves na semana em que se completa 29 anos de seu martírio, “a Feira também foi pensada para incentivar as mulheres camponesas, pois a partir de sua força podemos crescer ainda mais na produção, na comercialização e no respeito ao meio ambiente”, ressalta Heloísa Amaral.

A feira contará com uma grande variedade de alimentos produzidos de forma agroecológica pelas mulheres. Serão cerca de 15 toneladas de alimentos: Macaxeira, feijão, laranja, banana, mel, galinha de capoeira, entre tantos. As camponesas comercializarão também a tradicional tapioca e pé-de-moleque, feitos na hora, além de seus artesanatos produzidos nos assentamentos, com folha de bananeira e de taboa. A realização desta edição especial da Feira Camponesa Itinerante é fruto de uma parceira entre a Comissão Pastoral da Terra, o Movimento de Mulheres Camponesa (MMC), e tem o apoio da Igreja Batista do Pinheiro e a Paróquia Menino Jesus de Praga.


Homenagem ao martírio de Margarida Maria Alves
Margarida Maria Alves foi presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras rurais de Alagoa Grande/PB. Filha mais nova de uma família de nove irmãos, Margarida era amada e respeitada pelos trabalhadores e trabalhadoras e odiada pelos usineiros. Ela esteve à frente, enquanto sindicalista rural, da luta por direitos básicos dos trabalhadores rurais em Alagoa Grande, tais como carteira de trabalho assinada e 13º salário, jornada de trabalho de 8 horas e férias. Encaminhava várias ações na justiça em defesa dos direitos dos canavieiros e canavieiras e falava sempre da necessidade da Reforma Agrária. No dia 12 de Agosto de 1983, às 17h30, Margarida foi chamada na porta da sua casa por uma voz vindo de fora. Recebeu na hora um tiro de escopeta no rosto: aquele rosto de mulher corajosa e que transmitia confiança a todos ficou completamente desfigurado. Tinha sido avisada várias vezes que a sua vida estava em perigo: “Da luta eu não fujo” foi sempre a sua resposta.

Serviço:
O que? Feira Camponesa Itinerante em homenagem à Margaria Maria Alves
Quando? Dias 09, 10 e 11 de agosto
Onde? no estacionamento da Igreja Batista do Pinheiro – Maceió

Outras informações:
Comissão Pastoral da Terra – Alagoas
Heloísa Amaral

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Famílias sepultam corpo do trabalhador rural assassinado em Alagoas


O corpo encontrado no último dia 26 em um bananal entre as fazendas São Gonçalo e Novo Horizonte, município de Porto Calvo, Alagoas, é mesmo do trabalhador rural Edvaldo Rodrigues Ferreira, acampado da Fazenda Porto Seguro, município de Porto de Pedras. A confirmação foi dada pelo Instituto de Medicina Legal (IML) de Alagoas nesta sexta-feira, dia 3. O corpo foi liberado no mesmo dia e sepultado neste último sábado (04/08) no cemitério São José, na cidade de Maceió.

A Comissão Pastoral da Terra denunciou, no início de julho, o desaparecimento do trabalhador ao Delegado Geral da Policia Civil, Paulo Cerqueira, e solicitou ainda a nomeação de um delegado especial para investigar o caso. A CPT não descarta a possibilidade de ser um crime de conflito agrário. Um dia antes da identificação do corpo do trabalhador rural, representantes da CPT e familiares reuniram-se com o Delegado Geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, cobrando maior empenho e agilidade para a conclusão do inquérito. O delegado se comprometeu a cumprir o inquérito em 30 dias. 

Edvaldo estava desaparecido desde o dia 30 de junho. Segundo familiares, um dia antes do desaparecimento, o proprietário da fazenda, Everaldo de Albuquerque Alves, em conversa com Ferreira insistia em saber qual o nome da liderança do movimento que ocupou o imóvel. Diante da recusa de passar as informações, o proprietário ameaçou o sem terra dizendo que “então você vai dar conta, é justiça que vocês querem, justiça vão ter”.

O caso foi denunciado ao Comitê de Conflitos Agrários do Estado de Alagoas, ao Governador e à Ouvidoria Agrária Nacional, com o objetivo de exigir autoridades providências para investigar este caso e solucionar os conflitos agrários no estado. Os familiares de Edvaldo Rodrigues Ferreira cobram justiça, exigem que os culpados sejam punidos e que a fazenda Porto Seguro seja desapropriada.
Outras informações:
Carlos Lima – CPT Alagoas
Fone: (82) 9137.6112/ 3221.8600

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Corpo encontrado em bananal pode ser de Sem Terra desaparecido em Alagoas


O corpo encontrado na última quinta feira, dia 26, em um bananal entre as fazendas São Gonçalo e Novo Horizonte, município de Porto Calvo, Alagoas, pode ser do trabalhador rural Edvaldo Rodrigues Ferreira, acampado da Fazenda Porto Seguro, município de Porto de Pedras. Edvaldo está desaparecido desde o dia 30 de junho. Segundo familiares, um dia antes do desaparecimento, o proprietário da fazenda, Everaldo de Albuquerque Alves, em conversa com Ferreira insistia em saber qual o nome da liderança do movimento que ocupou o imóvel. Diante da recusa de passar as informações, o proprietário ameaçou o sem terra dizendo que “então você vai dar conta, é justiça que vocês querem, justiça vão ter”.

Os familiares reconheceram o corpo, no Instituto Medico Legal – IML, como sendo de Edvaldo por causa das vestimentas. Porém, o delegado Antônio Nunes, responsável pelo inquérito, ainda tem dúvidas a respeito da identificação do corpo, uma vez que a família afirma que o trabalhador possuía dentes e o perito informou que o corpo examinado não possui arcada. Os familiares aguardam o resultado final da perícia de identificação do corpo. A demora e indefinição aumenta ainda mais a dor dos parentes.

A Comissão Pastoral da Terra denunciou, no início de julho, o desaparecimento do trabalhador ao Delegado Geral da Policia Civil, Paulo Cerqueira, e solicitou ainda a nomeação de um delegado especial para investigar o caso. A CPT não descarta a possibilidade de ser um crime de conflito agrário. Ainda ontem (31/07), a Pastoral encaminhou ofícios ao Comitê de Conflitos Agrários do Estado de Alagoas, ao Governador e à Ouvidoria Agrária Nacional, exigindo das autoridades providências para investigar este caso e solucionar os conflitos agrários no estado. Foi solicitado também uma audiência com o Delegado Geral da Policia Civil e o secretario da Defesa Social, Dário César, mas até o momento não houve reação do Governo.

O Padre Alex Cauchi, acredita que estes conflitos são gerados pela não realização da Reforma agrária, pois o INCRA demora anos para fazer uma desapropriação, mesmo nos imóveis que não cumprem a função social da propriedade e cujos proprietários devem milhões aos Bancos Públicos e impostos. O Coordenador Regional da CPT, Carlos Lima, espera que o inquérito seja concluído o mais rápido possível, que os culpados sejam punidos e a fazenda Porto Seguro seja desapropriada.

Outras informações:
Carlos Lima – CPT Alagoas
Fone: (82) 9662.6386/ 9137.6112

terça-feira, 17 de julho de 2012

Dona Helena: presente, presente, presente!

Camponeses, mulheres e crianças compareceram no velório de dona Helena.


Dona Helena, 64 anos, assentada na Serra do Paraíso, no município de Água Branca, foi à vida toda uma mulher de luta e de muita fé. Católica de batismo e de testemunho, sempre participou das lutas sociais por melhores condições de vida para os homens e as mulheres do sertão alagoano.

Dona Helena presente era sinal que a palavra de Deus seria proclamada e que as orações seriam feitas no inicio e no termino das atividades. Nas assembleias da Pastoral da Terra era uma animadora, seu testemunho orientava os mais novos e sua fé renovava a esperança.  Gostava de cantar ao Deus da liberdade e contar as histórias de lutas em Água Branca, se orgulhava de ter contribuído na fundação da cooperativa de bancos de sementes (COPABACS), gostava de participar e articular os grupos de mulheres.

Sua fé era tão forte que mesmo adoentada, sofrendo com diabetes, saia da Serra do Paraíso, todo domingo, para fazer catequese no assentamento Todos os Santos, como voluntaria se colocou a disposição da comunidade por entender que aquelas crianças precisavam ter conhecimento dos ensinamentos de Jesus. Ela se realizava rezando e lutando, como os primeiros cristãos.

No domingo (15) dona Helena faleceu vitima de um derrame e na segunda (16) centenas de pessoas acompanharam o sepultamento. Vamos sempre lembrar da coragem, das rezas  e de exemplo de dona Helena.  Dona Helena “combateu o bom combate e guardou a fé” (2 Tm 4.7)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Irmã Daniela: Missionária a serviço do reino, junto aos marginalizados (as)

Irmã Daniela e Dom Gílio na XII Romaria da Terra
Foto: CPT/AL

Carlos Lima
Coordenador CPT/AL

“Vai trabalhar pelo mundo a fora, Eu estarei até o fim contigo, está na hora o Senhor me chamou, senhor aqui estou”.

A Igreja é missão. Algumas pessoas especiais acolhem a missão como o instrumento capaz de servir a Deus e aos irmãos (as) e escolhem os empobrecidos como centro do serviço e alimento da fé.

A missão e os pobres - nem sei se podemos separar assim, porque é difícil entender missão sem ser um serviço aos pobres - estiveram presente na vida missionária de Irmã Daniela. Italiana de nascimento e missionária por vocação abraçou a vida religiosa e não encontrou obstáculo capaz de desviar do objetivo de servir a Deus junto aos marginalizados do sistema.

Na pequena Piossasco, na região de Torino, na Itália, trabalhou com os esquecidos, com os caídos, com drogados e prostitutas, exercia a missão e enxergava o rosto de Cristo nas pessoas sofridas. Antes de chegar ao Brasil passou pela Argentina.

Em Alagoas, a missão de Irmã Daniela, tem a sua síntese no município de Joaquim Gomes. Dedicada a atender ao povo e cuidar da saúde do corpo e do espírito, com o carisma da congregação de São José de Pinerolo, junto com outras religiosas, realizou com as doações generosas da população de Piossasco e Pinerolo, várias obras: ambulatório, centro comunitário, escolas, sempre voltada aos mais necessitados.  Irmã Daniela amou e vai continuar amando o povo de Joaquim Gomes.

Alegre com a missão, era sempre disposta a servir, lembro de uma criança que ela conduzia, um dia na semana, de Joaquim Gomes à Maceió para tratamento de saúde no Hospital do Açúcar; lembro também, da dedicação às famílias sem terra que ocupavam as fazendas improdutivas na região, junto com padre Diego andou em vários acampamentos levando alimentos para o corpo e a Palavra como alicerce da caminhada dos empobrecidos rumo a terra sem males.

Com a Pastoral da Terra ajudou nos acampamentos, especialmente na Flor do Bosque, em Messias, nos acolheu na pesquisa que realizamos em Joaquim Gomes para entender o processo migratório dos assalariados da cana, que resultou no documentário “Tabuleiro de Cana, Xadrez de Cativeiro”, esteve presente nas romarias e contribuiu para a compra do nosso primeiro carro.

Em Joaquim Gomes e por onde ela passou vai ficar pra sempre o “jeito irmã Daniela de ser”, de ser servidora, de ser enfermeira, de ser religiosa, de ser acolhedora, de ser amiga, de ser testemunha do amor infinito de Deus.

Quem sabe um dia os políticos de Joaquim Gomes e região possam ver no humilde serviço da irmã Daniela um exemplo a ser seguido.

Foi uma benção conviver, em alguns momentos, com uma mulher tão generosa e preocupada com o bem estar do próximo.

Vamos sentir tanto a sua ausência! Mas temos a certeza da sua presença junto ao Pai, na morada definitiva, pedindo pelos pobres de Alagoas e de Joaquim Gomes.  Vamos, irmã Daniela, sempre lembrar que no dia 27 de junho de 2012, em pleno festejo junino, Deus te chamou para outra Diocese.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Feira Camponesa quer quebrar visão preconceituosa', diz organização


A Feira Camponesa retornou à Praça da Faculdade no bairro do Prado, na manhã desta quinta-feira, 14, com várias opções de alimentos produzidos em 19 assentamentos e acampamentos, acompanhandos pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em dez municípios alagoanos, frutos da reforma agrária e de acordo com a organização da feira, a intenção do evento é eliminar a visão “preconceituosa que a sociedade tem em relação aos camponeses”.
“A Feira Camponesa reúne os trabalhadores rurais dos assentamentos e acampamentos de vários lugares do Estado, trazendo até a cidade os alimentos produzidos por eles. Mostrando que eles são trabalhadores e que querem apenas plantar os seus alimentos e os da cidade”, destacou Heloísa Amaral, coordenadora técnica da CPT, enfatizando também que é uma das formas de escoamento dos alimentos produzidos.
A CPT organiza a Feira Camponesa duas vezes ao ano, em junho e outubro, e em sua 16ª edição traz os meus alimentos das edições anteriores, uma vez que “o Nordeste tem enfrentado um fenômeno natural que tem atingido todos os agricultores e tem dificultado as suas produções”, enfatizou Carlos Lima, coordenador da CPT, se referindo à seca que segundo a meteorologia é a pior dos últimos 50 anos, mas que a estimativa é que sejam comercializadas cerca de 100 toneladas de alimentos.
A coordenação da CPT ainda destaca que a população encontrará banana, feijão, feijão de corda, fava, milho, abóbora, manga, ovos de capoeira, galinhas, ovelhas, além do mel do sertão. “E a noite teremos as atraçõesculturais, vale a pena destacar que hoje teremos a banda Nó Cego e Pinóquio do Acordeon e amanhã (15) não será diferente, pois além de Pinóquio do Acordeon, também teremos o show com Zé Mocó em comemoração ao centenário do rei do forró, Luiz Gonzaga, e o nosso tradicional bingo do carneiro”, enfatizou.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Alimentos da roça, aves e caprino serão ofertados em mais uma Feira Camponesa


CPT/AL

Nem mesmo a seca que assola o nordeste brasileiro, em especial Alagoas, será motivo de desistência para os trabalhadores rurais de 19 assentamentos e acampamentos, acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), realizarem mais uma edição da Feira Camponesa. Em sua XVI edição, a Feira Camponesa, que já é tradição nos meses de junho e outubro, reunirá 83 barracas na Praça da Faculdade, localizada no bairro do Prado, em Maceió, entre os dias 14 e 16 de junho.

Banana, feijão, feijão de corda, fava, milho, abóbora, manga, ovos de capoeira, galinhas, ovelhas, além do mel do sertão, e, segundo Heloísa Amaral, coordenadora técnica da CPT, serão encontrados na feira a partir das 6h da manhã. A expectativa dos camponeses é que sejam comercializados mais de cem toneladas de alimentos, frutos da reforma agrária, durante os três dias de evento.

A noite, durante a programação cultural, haverá shows com a banda Nó Cego, Pinóquio do Acordeon e em comemoração ao centenário de Luiz Gonzaga, show com Zé Mocó. E na sexta terá também o tradicional bingo do carneiro.

“A abertura oficial da Feira Camponesa ocorrerá na quinta (14) e se dará com o café camponês, às 8h. Já o encerramento ocorrerá no sábado por volta do meio dia, onde os camponeses desarmarão as barracas, isso se ainda restar alimentos até lá”, destacou Carlos Lima, coordenador da CPT/AL.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Impasse interrompe desocupação da Sinimbu; Incra garante remoção


Alagoas24horas

Um impasse entre os trabalhadores rurais ligados ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), acampados há 17 meses na Praça Sinumbu, e agricultores do Assentamento Flor do Mundaú, em Branquinha, interrompeu a desocupação do logradouro público na manhã desta quinta-feira, dia 31.
As 27 famílias, que foram despejadas em janeiro de 2012 da Fazenda Cavaleiro, em Murici, deveriam deixar a praça na manhã de hoje e seguir para o município de Branquinha, a 65 km da capital alagoana, onde deveriam ocupar quatro lotes do Incra no Assentamento Flor do Mundaú. Entretanto, lideranças do MTL teriam sido informadas que os agricultores já residentes na região não aceitam a presença dos sem-terra e ameaçam bloquear a rodovia caso ocorra a transferência.
Diante do impasse, a derrubada dos barracos foi temporariamente suspensa e os trabalhadores ameaçam ocupar a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), cujos servidores estão com as atividade paralisadas.
Apesar do imbróglio, a presidente do Incra, Lenilda Lima, garantiu que a desocupação se dará hoje. O Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar está no local mediando as negociações. Questionada se não seria uma temeridade transferir as famílias (cerca de 150 pessoas) diante das ameaças, Lima disse à reportagem que 'encontrar alternativas para resolver o conflito agrário é o maior desafio dos órgãos envolvidos na reforma agrária'.
A presença dos sem-terra na Praça Sinimbu, um dos principais logradouros públicos da cidade, gerou diversas polêmicas. A Prefeitura de Maceió já havia ingressado com um pedido de reintegração de posse na Justiça. No entorno da Praça se localizam a sede da corte eleitoral do Estado, uma extensão da Universidade Federal de Alagoas, além da sede do Incra.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

PEC do Trabalho Escravo é aprovada na Câmara dos Deputados

Página do MST




A Proposta de Emenda Constitucional 438/2001 foi aprovada por 360 votos em segundo turno na Câmara dos Deputados na noite desta terça-feira, 22. Dos 414 presentes, além dos que se mostram favoráveis, 29 votaram contra e 25 se abstiveram (confira as posições assumidas pelos 513 integrantes da Câmara Federal). Eram necessários 308 votos favoráveis para a PEC do Trabalho Escravo avançar. A vitória foi comemorada com os parlamentares cantando o Hino Nacional. O texto agora volta para o Senado por ter sofrido uma alteração para inclusão de propriedades urbanas na votação em primeiro turno, realizada em 2004.
Todos os partidos declararam apoio à medida. O PTB inicialmente se posicionou contra, mas durante a votação recuou e mudou a orientação à bancada. A medida determina o confisco de propriedades em que for flagrado trabalho escravo e seu encaminhamento para reforma agrária ou uso social.

Os deputados ligados à Frente Parlamentar da Agricultura, que formam a bancada ruralista, chegaram a tentar esvaziar o plenário para evitar o quórum necessário e, assim, derrotar a medida, mas não conseguiram. Apesar de publicamente se posicionarem em favor da lei, os ruralistas fizeram ressalvas durante todo o tempo e insistiram em cobrar mudanças na definição sobre escravidão contemporânea.

Os ruralistas querem que a definição sobre o crime prevista no Artigo 149 do Código Penal seja revista. Derrotados, devem aumentar a pressão por alterações. Apesar das críticas dos opositores, a definição atual é considerada adequada não só pelas autoridades envolvidas no combate à prática, incluindo auditores e procuradores, como também pela sociedade civil. Nos últimos dias, representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) declaram apoio não só à PEC, como também a legislação atual e declararam que o Brasil é modelo em repressão ao trabalho escravo.

No início da sessão, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS) prometeu manter o acordo feito na primeira tentativa de votação, nos dias 8 e 9 de maio, que prevê a criação de uma comissão mista de deputados e senadores para discutir o tema e estudar eventuais melhorias no combate à prática. A discussão, no entanto, deve se limitar a como regulamentar o texto aprovado e não incluir mudanças no conceito atual de trabalho escravo como pretendem os ruralistas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Trabalhadores rurais deixam sede do DER com esperança do início das obras para esta quinta

Os trabalhadores rurais que estavam acampados na sede do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) de Matriz do Camaragibe, desde o início da manhã desta quarta-feira, 16, deixaram o local com a esperança do início das obras da construção da estrada que liga os municípios de Matriz do Camaragibe a São Miguel dos Milagres para esta quinta-feira.

Os camponeses dos assentamentos Jubileu 2000, Ir. Dorothy Stang e Quilombo dos Palmares reivindicam a construção de uma estrada, com aproximadamente 30 km, que liga os dois municípios e cortam os assentamentos. Além do acesso aos assentamentos, a estrada também beneficiará cerca de 560 pessoas, que utilizam a rodovia, como também as crianças do assentamento Ir. Dorothy que andam mais de uma hora para pegar o ônibus escolar.
A Estrada foi uma promessa do governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), em 2009, durante a inauguração da casa de farinha, no assentamento Jubileu 2000. Na ocasião uma comitiva de deputados e assessores ficaram ilhados impedidos de chegar ao local do evento, só sendo possível a presença de Vilela que chegou através de um helicóptero. Depois de inúmeras reuniões, ficou acordado o início das obras em 09 de abril, deste ano, mas não foi cumprido.

Como forma de pressionar o estado, os assentados ocuparam o DER, a priori, por tempo indeterminado, enquanto esperavam a presença do presidente estadual do órgão, Marcos Antônio Cavalcanti Vital, que não pode comparecer, alegando, através de uma ligação, motivos pessoais. Vital deixou claro, para a coordenação da Pastoral, que o início das obras se dará nesta quinta-feira (17).
Esperançosos e após uma assembleia, os camponeses deixaram a sede do departamento. De acordo com a CPT, a saída dos trabalhadores do DER se deu de forma pacifica, porém não havendo o início das obras, como prometido pelo órgão, novas ações deverão acontecer.

Trabalhado​res rurais ocupam sede do DER de Matriz do Camaragibe


Cobrando a construção de uma estrada que liga os municípios de Matriz do Camaragibe a São Miguel dos Milagres, prometida em 2009 pelo Governo do Estado, trabalhadores rurais acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) ocuparam, no início da manhã desta quarta-feira, 16, a sede do Departamento de Estradas e Rodagens (DER), de Matriz de Camaragibe, distante 75,6 km de Maceió, por tempo indeterminado.
A estrada que liga as duas cidades, do litoral alagoano, irá beneficiar os camponeses dos assentamentos Jubileu 2000, Ir. Dorothy Stang e Quilombo dos Palmares, todos acompanhados pela Pastoral da Terra. Além disso, irá atender cerca de 560 pessoas que tem a rodovia como principal acesso as duas localidades.
Cerca de 200 trabalhadores rurais utilizam o lema ‘Governador chega de promessas queremos nossa estrada’. Os camponeses cobram a presença do Presidente Estadual do DER, Marco Antônio Cavalcanti Vital, e, segundo eles, com uma solução para o problema, caso contrário à sede não será desocupada. “Estamos cansados de tantas promessas, já tivemos diversas reuniões em Maceió e nada até agora foi resolvido.”, destacaram.
Ainda de acordo com os integrantes do movimento, a estrada que passa por entre os assentamentos foi uma promessa feita pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), em 2009, durante a inauguração da casa de farinha, no assentamento Jubileu 2000. Na ocasião diversas autoridades ficaram impedidas de chegar ao local devido as péssimas condições da estrada, só sendo possível a presença do Governador que chegou em um helicóptero.
Segundo a CPT, em todas as audiências com o Governador a construção da estrada foi colocada em pauta e na última, no dia 23 de março, ficou acordado que o DER iniciaria a construção da rodagem no dia 09 de abril. Ainda de acordo com os trabalhadores, “nem estrada nem nada. Quando o inverno chegar ficaremos ilhados e impedidos de nos deslocarmos”.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cresce o número de Conflitos no Campo

CPT Nacional

Os dados que a CPT está divulgando dão conta de um crescimento de 15% no número total de conflitos no campo, em 2011, em relação a 2010. Passaram de 1.186, conflitos, para 1.363. As pessoas envolvidas, 559.401, em 2010, 600.925 em 2011, mais 7,4%. Estes conflitos compreendem 1.035 conflitos por terra, 260 conflitos trabalhistas e 68 conflitos pela água.  

Os conflitos por terra é que apresentaram um crescimento mais expressivo. Passaram de 835, em 2010, para 1.035 em 2011, um crescimento de 24%. O número de famílias envolvidas cresceu 30,3%, passou de 70.387, para 91.735.  

Este crescimento se deu em 17 das 27 unidades da federação. Foi mais expressivo na região Nordeste, 34,1%, que de 369 conflitos envolvendo 31.952 famílias, em 2010, passou para 495 conflitos envolvendo 43.794 famílias. O aumento mais significativo foi no Piauí, 130,8%, que passou de 13 conflitos em 2010 para 30 em 2011, e o número de famílias passou de 611 para 1.398, mais 128,8%.  

As regiões Norte e Centro-Oeste também apresentaram crescimento tanto no número de conflitos, quanto no de famílias envolvidas. Norte: 258 conflitos, envolvendo 20.746 famílias em 2010; 307 conflitos e 27.111 famílias envolvidas em 2011, mais 19% no número de ocorrências, e 30,7% no de famílias envolvidas. O Centro-Oeste apresentou crescimento de 22% no número de conflitos e de 21,7%, no número de famílias envolvidas: 59 conflitos com 6.393 famílias em 2010; 72 conflitos com 7.778 famílias em 2011.  

Já as regiões Sudeste e Sul apresentaram declínio no número conflitos, de 126 para 123 na Sudeste, menos 2,4% e de 41 para 37, menos 9,8% na Sul. No Sudeste o número de famílias envolvidas diminuiu de 9.945, em 2010, para 9.042 em 2011. Já no Sul, apesar do menor número de ocorrências de conflito, o número de famílias subiu exponencialmente: 196,8%, passando de 1.351 para 4.010.  

O que se convencionou chamar de conflitos por terra, inclui os conflitos por terra, as ocupações e os acampamentos. Os assim denominados “conflitos por terra” se referem a expulsões, despejos, destruição de bens, ameaças de pistoleiros etc. Estes conflitos, em 2010, somaram 638, já em 2011 apresentaram crescimento de 26,2%, chegando a 805. O número de famílias envolvidas aumento 31,6%, passou de 49.950 famílias, para 65.742. No cômputo geral dos Conflitos por Terra, incluem-se as ocupações de terra e os acampamentos às margens das rodovias, ou nas proximidades de áreas que se reivindicam para desapropriação. As ocupações por famílias sem terra ou a retomada de áreas por comunidades indígenas ou quilombolas, apresentaram um crescimento de 11,1%. Passaram de 180, em 2010, para 200, em 2011. Já o número de famílias envolvidas apresentou crescimento de 35,1%, passaram de 16.858 famílias envolvidas, para 22.783. Os acampamentos sofreram uma redução de 35 para 30, menos 14,3%, com o número de famílias passando de 3.579 para 3.210, menos 10,3%.  

Chama a atenção nos conflitos por terra o aumento do número de famílias expulsas. Um crescimento de 75,7%. Passaram de 1.216, em 2010, para 2.137, em 2011. Também teve crescimento significativo o número de famílias ameaçadas por pistoleiros, que passaram de 10.274 para 15.456, mais 50,4%. É o poder privado – fazendeiros, empresários, madeireiros e outros - voltando à liderança das ações. Este poder privado é responsável por 50,2% das ocorrências de conflitos por terra, 689 das 1.035. 

Por outro lado, a ação do poder público, representada pelo número de famílias despejadas, decresceu 12,8%, foram 8.064 famílias, em 2010, 7.033 em 2011. Na análise do professor Carlos Walter Porto Gonçalves, a ação do poder público é mais expressiva quando a liderança das ações é dos movimentos sociais. Daí se infere que o poder público está pronto para agir quando os protagonistas da ação são os sem-terra, indígenas, quilombolas ou outros trabalhadores; já quando os protagonistas da ação são os senhores “proprietários” de terras e outros empresários, esta é vista como dentro da normalidade. Diz o professor: “Os dados parecem comprovar cientificamente o caráter de classe da justiça no Brasil, haja vista que a ação do poder público se move de acordo com a ação dos movimentos sociais em luta pela terra, mas se mostra indiferente com relação ao poder privado, na medida em que, como se observa, a intervenção do poder público aumenta ou diminui acompanhando o aumento ou queda da ação dos movimentos sociais”.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Manifesto: intelectuais defendem reforma agrária

Fonte: Carta Maior
 
Professores e pesquisadores da questão agrária e do campesinato de diferentes instituições do Brasil entregaram na segunda-feira (16), ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o “Manifesto de Intelectuais em Apoio à Declaração das Organizações Sociais do Campo”. A entrega foi feita durante reunião com Carvalho na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O documento com 2007 assinaturas apoia a decisão lançada em fevereiro por 12 organizações sociais que atuam no campo em defesa da luta unificada por reforma agrária, direitos territoriais e produção de alimentos saudáveis.

As 12 organizações são a Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Cáritas Brasileira, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento Camponês Popular (MCP), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Via Campesina Brasil.

“A decisão nossa de partir para esse manifesto é um pouco lembrar que esse é um momento crucial para se definir a reforma agrária”, disse Moacir Palmeira, professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em referência à possibilidade de retrocesso não só na questão agrária, mas também na questão ambiental, caso o novo Código Florestal seja aprovado com as mudanças que foram enviadas ao Congresso. “Então esse manifesto, se por um lado é um manifesto crítico, é também um manifesto de apoio à firmeza que a presidente teve naquele primeiro momento de discussão do Código Florestal na Câmara, pois o significado da aprovação desse novo Código Florestal é realmente uma coisa inimaginável”, afirmou.

Cumpra-se

No manifesto, os intelectuais reconhecem que há “avanços importantes” em políticas adotadas pelo governo federal nos últimos dez anos, mas, “no que tange à questão agrária, o essencial ainda está por ser feito”. Para Palmeira, “está na hora de se avançar. Você tem a situação de irregularidades na ocupação territorial, quando a terra está registrada em nome do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e o Incra não se apropria. Os posseiros e proprietários são indenizados, mas quando o Incra vai tomar posse os latifundiários não deixam entrar. O processo fica travado e aí a Justiça diz que é caso de polícia, e aí a coisa fica abandonada. Então esse é o momento de se entrar firme nisso, absolutamente dentro da lei, fazer cumprir”. O caso do Mato Grosso, denunciado no documento, ilustra a situação, com milhões de hectares da União ocupados de forma irregular e ilegal por grandes fazendas do agronegócio.

Uma das importantes medidas adotadas pelo governo federal nos últimos dez anos apontada pelos signatários do manifesto é o recém aprovado limite à estrangeirização das terras do país. No entanto, o declínio no processo de desapropriação de terras para a reforma agrária também é realçado. “Em 2005, segundo dados do próprio Incra, nós tivemos um total de 874 projetos de assentamentos executados. Em 2009, o último dado consolidado que temos, caiu para 297 projetos. Então tínhamos quase 900 projetos executados ao ano em 2005, caiu para 700 em 2006, para 400 em 2007, 330 em 2008 e 297 em 2009, o que mostra uma desaceleração”, ilustra Sérgio Leite, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Em número de famílias, a queda passa de 100 mil em 2005 para pouco mais de 20 mil famílias assentadas em 2009. Para Leite, esse resultado foi causado tanto por problemas internos, no Incra, como externos. “você tem uma morosidade da própria Justiça no processo de desapropriação das terras; um processo de encarecimento no mercado de terras, que nesse período ficou aquecido; e também um comprometimento pela ação do Incra, que poderia ser um pouco mais célere”, enumera ele.

Novo ciclo

O secretário-geral da Presidência da República vê com bons olhos a união dos movimentos sociais para a discussão de um novo ciclo da questão. “De fato eu acho que é um grande avanço os movimentos terem se unido. A questão agrária e agrícola precisa de uma nova discussão. Esse é um debate muito atual dentro do governo e a pressão dos movimentos é importante. Nós temos aí perto de 150 mil famílias acampadas e é possível resolver essa questão. A presidenta tem um padrão de exigência muito grande, ela não quer saber de assentamento mal feito”, afirmou Gilberto Carvalho, dizendo que entregaria o manifesto à presidente Dilma Rousseff assim que chegasse ao Palácio do Planalto na quarta-feira.

Em defesa desse bom padrão de assentamento, o secretário-geral citou sua experiência em visitas aos acampamentos, “o que o MST faz de qualificação agroecológica de seus quadros é impressionante. O MST tem em vários pontos do país escolas de agroecologia. Estão dando para a molecada uma capacidade, uma competência de gestão do empreendimento agrário e do novo manejo na linha de agroecologia que é de encantar. E outra coisa, as agroindústrias que eles estão montando atualmente têm um padrão de produtividade e eficácia que viabiliza os assentamentos”.

Para Carvalho, o manifesto chega como mais uma mola propulsora por novos padrões agrários. “O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) felizmente se mostrou sensível, e aí a Dilma foi fundamental, e começa a financiar esses empreendimentos; e por aí, nessa linha da qualificação de assentamentos, nós temos um belíssimo caminho para a gente viabilizar de fato uma reforma agrária que produza um novo padrão de agricultura em um novo padrão de produção de alimento, livre de transgênicos. Nesse sentido é que eu acho que esse manifesto, comprando esse embate, pode ser muito importante e ajuda muito”.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

MST ocupa prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário

Cerca de 1,5 mil pessoas participam de ato que integra o chamado 'abril vermelho' e pedem audiência com a presidente Dilma para tratar de reforma agrária.

Estadão.com.br

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST) ocuparam o prédio Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, na manhã desta segunda-feira, 16, em protesto para cobrar investimentos em desapropriações de terras no País, segundo informações do MST. Cerca de 1,5 mil pessoas participam da ação, de acordo com cálculo da Polícia Militar.
O protesto faz parte da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, promovido dentro do chamado "abril vermelho". Entre as reivindicações do grupo estão a elaboração de um plano emergencial para o assentamento de mais de 186 mil famílias acampadas e a criação de um programa de desenvolvimento dos assentamentos, com investimentos públicos em habitação rural, educação e saúde, além de crédito agrícola, informa o MST.

A ocupação no prédio teve início às 5h40 e o grupo cobra uma audiência com a presidente Dilma Rousseff. Eles criticam a condução do governo na área rural.

No fim de semana, o MST indicou que intensificaria as ações do "abril vermelho" ao promover invasões em propriedades rurais nos Estados de São Paulo, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.
Estão previstas mais vinte ocupações de terras em Pernambuco até o final do "abril vermelho", realizado todos os anos em memória dos 19 sem-terra que foram mortos no interior do Pará no dia 17 de abril de 1996, no episódio que ficou conhecido como massacre de Eldorado de Carajás. Em 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu aquela data como o Dia Internacional de Luta pela Terra.

 

sábado, 14 de abril de 2012

Feira Itinerante é encerrada com sucesso de vendas e de público

 Foram comercializados cerca de 20 toneladas de alimentos produzidos nos assentamentos e acampamentos acompanhados pela CPT

Terminou no sábado mais uma edição da Feira Camponesa Itinerante, que estava acontecendo na Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió, desde a última quinta-feira, 12, com sucesso de vendas e de público. A feira que é organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) leva, desde 2010, alimentos que são frutos da reforma agrária, além de animais criados nos assentamentos e acampamentos acompanhados pela Pastoral da Terra, para alguns bairros da capital alagoana.

Estiveram presente camponeses dos assentamentos e acampamentos de Murici, Flexeira e pela primeira vez participando da edição itinerante, os agricultores de Água Branca, sertão alagoano. Para está edição, além dos tradicionais alimentos oferecidos a comunidade, como mandioca, banana, laranja, feijão, abacate, mamão, mel e outros, os trabalhadores e trabalhadoras rurais de Flexeiras trouxeram para a feira, pimentão, cebolinha e coentro, produtos até então não comercializados nas feiras.

De acordo com a organização, a Feira Camponesa Itinerante é uma forma de aproximar os agricultores rurais da população, como também uma maneira de escoar os alimentos oriundos dos assentamentos e acampamentos, acompanhados pela CPT.

"Acreditamos que o sucesso da Feira Camponesa Itinerante se dá tanto pela qualidade dos alimentos, produzidos nos assentamentos e acampamentos, como também pela carência de feiras populares nos bairros por onde a feira itinerante tem circulado", concluiu Heloísa Amaral, engenheira agrônoma da CPT e coordenadora da feira.
 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Feira Camponesa Itinerante vai ao Pinheiro com duas novidades

Começou na manhã desta quinta-feira, 12, e segue até o próximo sábado, 14, mais uma edição da Feira Camponesa Itinerante, desta vez no bairro do Pinheiro. Para esta edição duas novidades serão apresentadas ao bairro, além do aumento do número de feirantes, também há a comercialização de verduras, alimentos que até então não eram comercializados nas Feiras Camponesas Itinerantes.
A Feira Camponesa Itinerante que é organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Alagoas, vem sendo bem aceita pela população do bairro, que a cada edição vem superando todas as expectativas. “A cada feira percebemos que a população vem aderindo à idéia que é democratizar os produtos que são frutos da reforma agrária”, destacou Heloísa Amaral, coordenadora técnica da Pastoral. Nesta edição estarão presentes camponeses de Murici, Água Branca e Flexeiras, trazendo grande variedade de produtos.
Heloísa aponta que o sucesso da Feira Camponesa Itinerante se dá tanto pela qualidade dos alimentos, produzidos nos assentamentos e acampamentos acompanhados pela Pastoral da Terra, como também pela carência de feiras populares nos bairros por onde a feira itinerante tem circulado.
“Acreditamos que os assentados e acampados necessitam escoar os alimentos produzidos nos seus lotes. E eles apenas comercializavam nas Feiras Camponesas, da Praça da Faculdade, que ocorrem duas vezes por ano, ou então nas feiras dos seus próprios municípios. As feiras itinerantes vêm tentar suprir um pouco desta necessidade”, relatou Heloísa, destacando que isso é muito bom para o produtor que negocia diretamente com os moradores, e também para os habitantes do bairro que não precisaram ir muito longe para adquirir certos alimentos.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Casa de João Pedro Teixeira é transformada em Memorial das Ligas Camponesas

Ato marcou comemoração do cinquentenário de morte do líder

Foto: Caros Amigos


Caros Amigos

Em memória ao cinquentenário da morte do líder das Ligas Camponesas na Paraíba, João Pedro Teixeira, uma vasta programação foi realizada na cidade de Sapé (55 km da capital João Pessoa), durante todo o dia 02 de abril, data da morte do líder e mártir da Reforma Agrária. A casa onde o líder viveu com a esposa, Elizabeth Teixeira, e seus 11 filhos foi transformada em sede do Memorial das Ligas Camponesas, uma Organização Não Governamental (ONG) fundada em 2008 por camponeses assentados da Reforma Agrária, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Ato Público

Após visitação ao túmulo de João Pedro Teixeira, militantes do Movimento Sem Terra (MST), de Direitos Humanos, professores, estudantes e pessoas da comunidade seguiram em caminhada até a Praça João Pessoa, no centro da cidade, onde ocorreu um ato público com a presença de lideranças comunitárias e personalidades que tiveram papel fundamental na luta contra os latifundiários durante o período de atuação das Ligas Camponesas, a exemplo do arcebispo emérito da Paraíba, D. José Maria Pires, da viúva Elizabeth Teixeira, dos ex-deputados cassados pela ditadura militar, Assis Lemos e Agassis Almeida e o líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.

“Estou muito feliz de poder compartilhar com vocês essa data histórica e de conhecer o berço das Ligas Camponesas. Essa terra de Sapé, que foi regada com sangue dos mártires, mas que dela brotou o exemplo de luta que depois levou à derrota da ditadura militar e ao ressurgimento das lutas sociais no nosso Brasil. Como gaúcho, quero cumprimentar ao senhor (governador) e ao povo paraibano pela coragem que tiveram em desapropriar e construir nesse local um memorial, que não é apenas ao João Pedro e às Ligas, é um memorial em que o Estado brasileiro, de joelhos, pede desculpas ao povo brasileiro”, disse João Pedro Stédile.

Memorial

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, em gesto simbólico, entregou a chave da casa desapropriada para a efetivação do Memorial das Ligas à Elizabeth Teixeira, que havia deixado sua morada e nunca mais voltado após a morte de seu marido João Pedro Teixeira.

O arcebispo D. José Maria Pires abençoou e benzeu a sede com água benta. O religioso falou da alegria de ver como as pessoas que lutaram e que deram até a vida pela causa do povo estão sendo lembradas e servindo de exemplo para a continuação da luta.

“Como Deus quer que a gente faça memória? A eucaristia é uma memória viva, de alguém que deu a vida por nós. Então, se Ele deu a vida por nós e deixou a memória viva Ele mesmo para mostrar como nós temos que olhar essas memórias como essas daqui e ver o que elas trazem para nós. Nós não podemos viver hoje como viveu João Pedro Teixeira, porque foi outro tempo, outra condição. Mas como nós podemos viver hoje o ideal que ele teve, de o agricultor poder ter sua casa, ter sua tranqüilidade, ter sua família? Então, isso é permanente; agora, a maneira e os tempos é que são diferentes”, pregou D. José, que em muito contribuiu para a resolução de conflitos entre agricultores e latifundiários no período da regime militar na região.

terça-feira, 3 de abril de 2012

CPT define prioridades para próximo triênio e elege nova diretoria nacional

Encerrou-se na última sexta-feira, 30 de março, na cidade de Hidrolândia (GO), a XXIV Assembleia Geral da Comissão Pastoral da Terra (CPT), inspirada no lema “Não mais terão fome ou sede”. A Assembleia Geral da CPT definiu as prioridades para o próximo triênio, fez um balanço da atuação da CPT, e ouviu os testemunhos de trabalhadoras e trabalhadores que estão na luta e na esperança de mudança das estruturas de injustiça que os povos da terra têm vivenciado.

No primeiro dia da Assembleia, quarta, 28, a reflexão se concentrou no tema da pastoralidade. Foi retomada a criação da Comissão Pastoral da Terra e a conjuntura política e religiosa que era vivida no ano em que a ela foi criada, em 1975. O assessor do encontro e secretário do Movimento de Educação de Base, padre Virgilio Uchoa, fez uma provocação em sua fala a respeito da educação libertadora e transformadora, que perdura nas práticas de mudanças concretas.

Nova diretoria executiva nacional

No último dia de Assembleia foi realizada a eleição da nova diretoria executiva nacional da CPT, para o mandato de 2012 a 2015. Com dois delegados e um trabalhador por regional com poder de voto, foram escolhidas os seguintes nomes:
Para presidente, Dom Enemésio Lazzares, bispo de Balsas (MA), e vice-presidente da CPT entre os anos de 2009 e 2012. Dom Enemésio era o atual presidente da CPT em exercício, devido à morte de Dom Ladislau Biernaski, no dia 13 de fevereiro desse ano.
Para vice-presidente, Dom José Moreira Bastos Neto, bispo de Três Lagoas (MS).
Para a diretoria foram reeleitos Edmundo Rodrigues, da CPT Tocantins, Isolete Wichinieski, da CPT Goiás e Flávio Lazzarin, da CPT Maranhão, e foi eleita Jane Silva, da CPT Pará. Para suplentes da diretoria foram escolhidos Frei Luciano Bernardi, da CPT Bahia e Thiago Valentin, da CPT Ceará.

Carta Final da XXIV Assembleia Geral da CPT

Os 70 participantes da Assembleia Geral da CPT aprovaram, ao final do evento, uma Carta Final onde destacam a memória viva e profética dos mártires da luta pela terra no Brasil, a luta incansável dos povos indígenas pela sua sobrevivência e seu duro processo de resistência diante dos grandes projetos que se desenvolvem em detrimento dessas culturas. A Carta destaca, ainda, as investidas do capital contra o meio ambiente, num processo de exploração devastador. O documento lembrou, ainda, o assassinato de quatro trabalhadores nos últimos dias, vítimas de um processo de violência no campo cada vez mais latente em nosso país. Confira, abaixo, o documento na íntegra:

“Não mais terão fome e sede” (Ap 7,16)

Mensagem da XXIV Assembleia Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

Reunidos em Hidrolândia, GO, nos dias de 28 a 30 de março de 2012, para celebrar a XXIV Assembleia Nacional da Comissão Pastoral da Terra, nós, representantes dos Regionais do Brasil, reafirmamos nossa missão evangélica a serviço dos povos da terra e das águas.

Em tempos de exílio e de sonhos de “bem viver”

Sentimos a força do Espírito na memória das testemunhas e mártires que se fazem presentes na história de nossa caminhada: João Pedro Teixeira (50 anos do assassinato), Oscar Romero, Irmã Dorothy, Manelão do Araguaia e Dom Ladislau Biernaski - o homem que “viveu e pensou a fé a partir dos pobres da terra” -, iluminaram nossa fé e nossa esperança nas reflexões de nossa Assembleia. Comovente e precioso, em tempos de exílio e de cativeiro, foi o relato de camponesas e camponeses que nos contaram e cantaram suas lutas e resistências, avanços e conquistas.

Companheiros do CIMI acompanharam e partilharam conosco, posturas e práticas corajosas junto aos povos indígenas: estes são um sinal de Deus que recria, através deles, todo dia e para toda a humanidade, a ética e a política do Bem Viver, na luta desigual da defesa e reconquista de seus territórios.

A presença lúcida e profética de dom Tomás Balduino, com seus 90 anos, nos dá sempre novo vigor. Trouxe-nos alegria a presença do Secretário Geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, do presidente da Comissão Episcopal de Pastoral do Serviço à Caridade, Justiça e Paz, Dom Guilherme Werlang, do assessor da Comissão oito da CNBB, padre Ari dos Reis, da representante da Cáritas Brasileira e de irmãos e irmã da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, da Igreja Adventista do Sétimo Dia e da Igreja Batista.

No clima árido da escassez de profecia, padre Virgílio Uchoa nos ajudou a fazer a memória das raízes da pastoralidade e da espiritualidade, que animam até hoje a CPT. Lembramos um dos luminares da CPT, dom Pedro Casaldáliga. Fomos visitados e reanimados por João XXIII, dom Helder Câmara, dom Aloisio Lorscheider, dom Luciano Mendes, dom Antonio Fragoso e padre José Comblin. Respiramos novamente o ar fresco do Concilio Ecumênico Vaticano II e das assembleias latinoamericanas de Medellín e de Puebla. O rosto de milhares de leigas e leigos das CEB’s iluminou os ideais de uma Igreja libertadora, a serviço do Reino de Jesus e da sua Justiça, Reino dos pobres e empobrecidos, como os preferidos do Pai.

Durante a Assembleia, chegou a noticia – que nos entristeceu e indignou - de mais quatro assassinatos de lideranças camponesas: Antônio Tiningo, coordenador do acampamento Açucena, dia 23 de março, em Jataúba - PE; Valdir Dias Ferreira, 40; e do casal Milton Santos Nunes da Silva, 52, Clestina Leonor Sales Nunes, 48, da Coordenação Estadual do MLST de Minhas Gerais, executados no município de Uberlândia, MG, no dia 24 de março, na presença de um neto do casal, de cinco anos.

Povos e comunidades gritam e lutam para defender territórios e preservar a terra

Preocupam-nos os impactos socioambientais, cada vez mais violentos e acelerados, que atingem diretamente toda a sociedade. Não há limites para a voracidade do capital. O Estado brasileiro é o seu incentivador, via PAC, e financiador, via BNDES. Aposta-se, delirantemente, no crescimento neo-colonialista predador, concentrador de riquezas, em troca de meros projetos assistencialistas.

Isso se expressa claramente nos projetos em discussão no Congresso Nacional:

1. As mudanças aprovadas do Código Florestal que, sob o discurso de defender os pequenos produtores rurais, querem legitimar a depredação dos recursos naturais.

2. A tentativa de retirar do Executivo a prerrogativa de definir e aprovar o reconhecimento dos territórios indígenas e de comunidades quilombolas, com a aprovação da PEC 215, por Comissão da Câmara dos Deputados.

3. Os inúmeros projetos que visam minar os direitos dos mais pobres.

A aprovação de concessão de lavras minerárias que depredam a natureza, invadem áreas de preservação ambiental e territórios de povos indígenas, de comunidades camponesas e de assentamentos da reforma agrária, escancaram o modelo implantado em nosso país.

Vítimas deste processo são os povos indígenas - de modo especial os Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul, totalmente espoliados de seus territórios e de sua dignidade - quilombolas, posseiros, pescadores, ribeirinhos, extrativistas, acampados e assentados de uma reforma agrária abandonada, assalariados e escravizados, sempre jogados à margem de nossa sociedade.

Anima-nos, porém, a coragem e a resistência dos povos atingidos e impactados pelos projetos que os marginalizam, mas teimosamente apontam novos caminhos de organização e de relacionamentos com a natureza e na sociedade.

Percebemos o risco que corre a democracia, no mundo inteiro, pelos persistentes rearranjos do poder econômico-financeiro nacional e transnacional. Despontam os riscos sobre o futuro do Estado de Direito, na medida em que crescem, nas instituições e na sociedade, mentalidade e comportamentos que impedem a participação das maiorias nas decisões.

A CPT se une a todos os irmãos e irmãs de boa vontade, “pequeno resto” que luta por novos tempos, quando “não haverá mais fome e sede” e “todos terão vida, e vida em abundância” (Jo 10,10). Neste horizonte desafiador, nos sentimos animados pela sabedoria dos povos nativos, quando nos ensinam a vivenciar e a cantar com eles:

“Pisa ligeiro, pisa ligeiro:
quem não pode com a formiga,
não assanha o formigueiro”


ASSEMBLEIA GERAL DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

Hidrolândia GO, 30 de março de 2012.