segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um ano com menos invasões de terra no País


REFORMA AGRÁRIA O ano de 2011, primeiro do governo Dilma, teve 194 ocupações, 15% a menos que o número registrado em 2010

Evandro Éboli
Agência O Globo

Apesar da lentidão do governo nas ações de reforma agrária em 2011, o MST e os outros movimentos sociais do campo preservaram o primeiro ano da gestão de Dilma Rousseff e desaceleraram o ritmo de invasões de terra. No ano passado, foram registradas 194 ocupações, 15% a menos do que em 2010, um período eleitoral e a despedida do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Comparado com os oito anos dos dois mandatos de Lula, o número de 2011 supera apenas 2009, quando ocorreram 173 invasões. E é o quarto menor volume de ocupações desde que a Ouvidoria Agrária Nacional, ligada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, iniciou essa contabilidade oficial, em 1995, há 17 anos.
A reforma agrária empacou ano passado. Somente na última semana de 2011 a presidente assinou os primeiros decretos de desapropriação de terra para criação de assentamentos. São 60 fazendas para colocar 2.735 famílias. Ao todo, foram assentadas apenas 5.735 famílias em 2011. O número de acampados ainda é muito alto no País. Segundo o próprio Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), 186 mil famílias vivem à margem das estradas.

O presidente do Incra, Celso Lacerda, reconhece que o andamento da reforma agrária em 2011 foi lento, mas não entende que houve uma trégua dos movimentos sociais. Para ele, as invasões diminuíram porque caiu consideravelmente o número de famílias acampadas no Brasil do início para o final dos governos de Lula. Em 2003, eram 250 mil famílias acampadas.

O número de famílias acampadas é bem menor que no governo Lula. Vários fatores explicam essa redução, como a geração de empregos ocorrida naquele período. Mesmo sem capacitação, os acampados conseguiram empregos, como na construção civil, diz Celso Lacerda.

As 194 ocupações no governo de Dilma representam um número menor que a média de invasões registradas no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, de 361 casos. Também é menor que os quatro anos do segundo período de FHC, que registrou 250 invasões por ano. Os dois períodos de Lula também superam as invasões na gestão Dilma: média de 259 entre 2003 e 2006, e 233 entre 2007 e 2010.

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