sexta-feira, 30 de março de 2012

Trabalhadora é ameaçada de morte na zona da mata de PE



CPT/PE

A Comissão Pastoral da Terra denunciou nesta quarta-feira, dia 29 ao Ministério Público de Pernambuco mais uma situação de ameaça de morte no campo. A trabalhadora Manuela Maria Águida de Queiroz, sitiante do Engenho Vista Alegre, localizado em palmares/PE vem sofrendo sistematicamente perseguições e ameaças por parte do proprietário do Engenho e de seu irmão, José Artur Dias.

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Conflito - O Engenho Vista Alegre onde mora a família de Dona Manuela, é comporto por 24 famílias de sitiantes que vivem no local há mais de 50 anos. A maioria das famílias trabalha ou já trabalhou para o proprietário do Engenho e de acordo com relato dos moradores, são inúmeros os casos de violações de direitos trabalhistas protagonizados pelo proprietário ao longo do tempo. Em 2010, as famílias, com o apoio da Comissão Pastoral da Terra, solicitaram ao Incra a vistoria do imóvel. Em 2011, com o objetivo de fortalecer a organização e o enfrentamento às constantes violações de direitos, a comunidade fundou a Associação dos Moradores do Engenho. Desde então, afirma a trabalhadora, o proprietário do Engenho “vem forçando o cancelamento da Associação” e iniciou a perseguição à Dona Manuela, uma das lideranças comunitárias. 

As ameaças à trabalhadora se intensificaram quando sua família colocou o proprietário do Engenho na Justiça por questões trabalhistas. “A partir do momento que você trabalha pro Senhor de Engenho, você não tem direito a nada, então quando ganhamos na Justiça nossos direitos, escutei deles que deveria sair do Engenho se não levaria dois tiros na cara”, relatou a trabalhadora. Desde então, "pessoas conhecidas do Proprietário dizem para eu tomar cuidado, e durante toda essa semana, homens desconhecidos estão rondando e vigiando a minha casa para amedrontar e intimidar minha família. Durante todo o dia e também de madrugada. Já não conseguimos mais dormir com medo do que pode acontecer a qualquer momento”. 

O caso já foi registrado em Boletim de Ocorrência na Delegacia de Palmares (ANEXO) e também já foi encaminhado à Secretaria da mulher do estado de Pernambuco e à Secretaria de Defesa Social. A CPT espera que os órgãos competentes tomem medidas emergenciais e concretas para garantir a proteção da família ameaçada e cobra imediata punição dos responsáveis pelas ameaças.

quarta-feira, 28 de março de 2012

13º Jejum solidário leva a sociedade a refletir na sede do INCRA


A CPT, entidade da Igreja Católica que preza pelo ecumenismo, refletirá o tema "A terra é de quem trabalha, já chega de tanto esperar" com agentes pastorais da CPT, religiosas, padres, pastores e trabalhadores.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) realizará na próxima sexta-feira (30) o 13º Jejum de Solidariedade às pessoas que passam fome e outras necessidades no mundo, na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de Alagoas (Incra/AL), localizado na Praça Visconde de Sinimbú, centro da cidade de Maceió, das 8h às 18h.

Para o 13º Jejum, os manifestantes refletirão o tema "A terra é de quem trabalha, já chega de tanto esperar" e segundo Carlos Lima, coordenador da CPT, os participantes farão a última alimentação na noite de quinta-feira (29) e durante todo dia da sexta-feira apenas farão a ingestão de água.

Ainda de acordo com Lima, a manifestação sempre acontece na sexta-feira que antecede a semana santa e reúne agentes pastorais da CPT, religiosas, padres, pastores e trabalhadores. "O primeiro jejum foi realizado em 1999, nas escadarias do edifício Walmap, centro de Maceió, onde funciona o INCRA, e já protestamos sobre o desvio de recursos públicos, corrupção e irregularidades na política alagoana, agora estamos nos manifestando em defesa da terra que é de quem trabalha como também contra a lentidão do INCRA na promoção da Reforma Agrária, que fere a dignidade das famílias acampadas”, justificou.

A atividade tem fundamentação bíblica na afirmação do profeta Isaias 58, versículos 6 e 7, quando diz, 'O jejum que eu quero é este: acabar com as prisões injustas, desfazer as correntes do julgo, pôr em liberdade os oprimidos e desfazer qualquer julgo. “Repartir a comida com quem passa fome, hospedar em sua casa os pobres sem abrigo, vestir aquele que se encontra nu e não se fechar à sua própria gente’”, concluiu.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Carta da 23ª Assembleia da Pastoral da Terra de Alagoas

“A terra é de quem trabalha, a história não falha, nós vamos ganhar”.

Somos gente da terra, somos terra e em nome dela vamos continuar lutando para libertá-la e nos libertar. Vamos continuar contrariando os planos das poucas famílias que escravizaram a terra em Alagoas. Chegamos das regiões da mata, do sertão, do agreste e do litoral animados pelas palavras do profeta Isaías “construirão casas e nelas habitarão, plantarão vinhas e comerão seus frutos”.
Abrimos nossa assembleia ouvindo o clamor de 29 famílias que há oito anos trabalham nas terras da fazenda Jardim, conhecida como Horizonte no município de Ibateguara. Elas estão ameaçadas de serem expulsas e de perder 70 hectares de lavoura. No lugar de alimentos, o novo proprietário pretende plantar capim. É a terra de trabalho sendo engolida pela terra de negócio. “Estão tentando empurrar arame farpado em nossas bocas, dizendo que é macarrão.”

“Ai de vós que ajuntam casa com casa e ides acrescentando campo a campo, até chegar ao fim de todo o terreno”! (Profeta Isaías, 5:8)

Vimos que a conjuntura é esquisita. Percebemos, com lamento, que o governo da presidenta Dilma se rendeu aos interesses do capital internacional. Pretende transformar tudo em mercadoria. A reforma agrária é vista pelo governo como algo do passado - e cara. E os assentamentos têm que ser inseridos ou enquadrados na lógica da produção para exportação. A independência das comunidades está sendo ferida para manter acordos federativos, recheados de fisiologismo.
Entendemos que o projeto das elites vem desde os tempos dos reis, quando expulsava e matava os camponeses para tomar as terras, a exemplo de Acab e sua esposa Jezabel que mataram o inocente, o camponês Naboth. (1 Reis 21:1-21)
Os usineiros e criadores de bovinos alargam as suas terras. Adiantam as cercas e nos empurram para os barrancos, encostas e periferias das cidades, com apoio do poder judiciário e com o uso de dinheiro público.

“Ai daqueles que, no seu leito, tramam a iniquidade e maquinam o mal! À luz da alva, o praticam, porque o poder está em suas mãos”. (Profeta Miquéias, 2:1)

Somos um povo resistente. Somos agricultores e agricultoras. Plantamos alimentos saudáveis e diversificados. Comemos e queremos viver do suor do nosso rosto.
Somos herdeiros das lutas dos Palmares. Somos marcados pelo Conselheiro de Canudos. Marchamos na luta de João Pedro Teixeira das Ligas Camponesas. Somos construtores da Nova Terra.

“É o amor de Cristo que nos anima a seguir adiante na Caminhada.” (2ª Carta de Paulo aos Coríntios, 5:14)

Barra de São Miguel, 22 de março 2012.

O povo da terra reunido na 23ª Assembleia da Pastoral da Terra de Alagoas.

terça-feira, 20 de março de 2012

CPT inicia a sua 23ª Assembleia premiando Desembargador por se destacar na luta do campo


Desembargador recebendo o Prêmio Dom Helder Câmara das mãos dos camponeses. Foto: Lana Mendes

O Desembargador Tutmés Airan recebeu o Prêmio Dom Helder Câmara da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na manhã desta terça-feira, 20, durante a cerimônia de abertura da 23ª Assembleia Estadual. O Prêmio é um reconhecimento da CPT para as personalidades que se destacaram na defesa na luta pelo campo.

“O trabalhador do campo precisa ser representado, principalmente no que se diz respeito à justiça”, destacou o Tutmés durante o recebimento do prêmio. Atualmente o Desembargador é representante do Poder Judiciário no Comitê de Conflitos Agrários em Alagoas.

A premiação que ocorreu na abertura da 23ª Assembleia da CPT, que ocorre até o próximo dia 23, também concedeu certificados aos acampamentos Bota Velha (Murici), por sua resistência ao mandado de desapropriação expedido pela Vara Agrária, em favor da Usina Santa Clotilde, e Nossa Senhora Virgem dos Pobres (Major Isidoro), pela sua organização interna, enquanto acampamento.

Participam da assembleia cerca de 150 camponeses, acompanhados pela CPT. Além de participarem da premiação, concedida ao Desembargador, e a certificação aos acampamentos, os trabalhadores rurais também debateram a situação política, local e nacional,  no que se diz respeito as políticas públicas de Reforma Agrária, ministrada por Josival Oliveira, do Movimento de Libertação dos Sem Terras (MLST).

Agenda da CPT

Após a Assembleia, os trabalhadores rurais se deslocaram para Maceió, onde participarão, no dia 23, às 9h de uma reunião com a superintendente do Incra, Lenilda Lima, e as 15h com o Governador de Alagoas, Teotonio Vilela.

sábado, 17 de março de 2012

CPT realizará sua 23ª Assembleia Estadual

Na ocasião será entregue certificados a dois acampamentos e o Prêmio Dom Helder Câmara ao Desembargador Tutmés Airan

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) organizará entre os dias 20 a 22 de Março a sua 23ª Assembleia Estadual, com o tema “A terra é de quem trabalha”, no Centro Catequético dos Irmãos Maristas, no município de Barra de São Miguel, distante 34 km de Maceió.

Cerca de 150 camponeses ligados a CPT, com delegação do sertão, agreste, mata e litoral, além de agentes pastorais participarão da assembleia e debaterão temas relacionados à vivência e a luta diaria no campo com o padre Tiago Thorlby, da CPT de Pernambuco, como também a conjuntura política local e nacional.

 Durante a programação também serão entregues certificados aos acampamentos Bota Velha (Murici), pela resistência contra uma ação judicial expedida pela Vara Agrária de Alagoas, em favor da Usina Santa Clotilde, e Nossa Senhora Virgem dos Pobres (Major Isidoro), pela sua organização interna enquanto acampamento.

Na ocasião também será entregue o Prêmio Dom Helder Câmara ao Desembargador Tutmés Airan, que em fevereiro de 2011, durante a ocupação dos movimentos sociais no cais do Porto do Porto, se colocou a disposição do movimento para intermediar uma negociação com os poderes. Ocasião essa onde foi criado um Comitê de Conflitos Agrários em Alagoas, ficando como representante do Poder Judiciário.

Também em 2011 o Desembargador Tutmés Airan manteve uma posição forte contra as autoridades políticas em relação a vendas de lotes da reforma agrária. Ele destacou a TV Pajuçara, em entrevista ao repórter Thiago Correia que “a autoridade que se vale de uma eventual agonia material de um trabalhador e frauda a reforma agrária, sabendo que isso é um ato absolutamente ilícito e do ponto de vista moral, desprezível, essa autoridade, mais do que qualquer outra pessoa deve satisfação de sua conduta à sociedade e ao Estado”.

De acordo com Carlos Lima, coordenador da CPT, o Prêmio Dom Hélder Câmara tende a homenagear as personalidades que se destacaram em defesa a luta do campo. A entidade homenageada em 2011 foi a Associação Pachamama, de Tourino, Itália.

Ainda no primeiro dia, será aprovado o estatuto da Cooperativa Terra Mãe, que segundo Carlos Lima, a cooperativa tende a comercializar os produtos da reforma agrária e dos pequenos agricultores.

sexta-feira, 16 de março de 2012

CPT leva feira para o Dia da Cidadania no Pinheiro

CPT/AL
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) participará dos festejos da celebração da gratidão aos 42 anos da Igreja Batista do Pinheiro. Além dos serviços itinerantes oferecidos a comunidade, os moradores da região poderão levar para casa, neste sábado (17), frutos da reforma agrária e alimentos livres de agrotóxico.
Dentre a programação dos festejos será organizado o Dia da Cidadania e pela primeira vez a CPT estará com uma feira dentro da programação. O evento ocorrerá entre os dias 17 e 18 de Março, com o tema “Grandes coisas o Senhor fez por nós, por isso estamos alegres” (Salmos 126, 3).
“Há dois anos temos uma parceria com a Igreja Batista do Pinheiro para a realização das Feiras Camponesas Itinerante. Este ano, pela primeira vez vamos participar da programação oficial de celebração da fundação da igreja e juntamente com os agricultores iremos possibilitar que as famílias da região adquiram alimentos frutos da reforma agrária”, destacou Heloisa Amaral, coordenadora técnica da CPT.
Ainda de acordo com ela, a feira organizada durante a festividade não é a Feira Itinerante. “A Feira Itinerante organizada pela CPT será realizada em Abril. Está feira é apenas uma forma de participar da festividade a convite da própria igreja”, enfatizou.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Camponesas bloqueiam BR em ato ao Dia Internacional das Mulheres


Mulheres ligadas a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e ao Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), bloquearam na manhã desta quinta-feira, dia 08, um dos trechos da BR 104, localizado no município de Branquinha. A manifestação faz parte da mobilização ao Dia Internacional das Mulheres, comemorado neste dia 08 de março.
 
As camponesas exigem a liberação do crédito mulher para toda assentada e a inclusão imediata na relação de beneficiarias da Reforma Agrária, estradas para os assentamentos e acampamentos, a construção de creches e escolas nas áreas assentadas, a implantação do sistema de água potável nos assentamentos, a liberação de projetos produtivos e um melhor atendimento dos profissionais da saúde nas áreas dos assentamentos.
 
“Estamos cansadas de andar todos os dias para buscar águas nas nascentes, riachos, rios e fontes,  estamos cansadas de ter que ir para as cidades em busca de médicos e atendimentos de saúde, estamos cansadas de apresentar projetos aos governos e seres desprezados, estamos cansadas de ver nossas crianças andando quilômetros para ir à escolas, somos guerreiras e não cansamos de continuar lutando e insistindo que somos parte da criação e que contribuímos no cuidado com a natureza e somos gente, somos comunidades, somos cidadãs”, desabafou as mulheres camponesa.
 
O Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar de Alagoas e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) estiveram no local para negociar com as camponesas a liberação da rodovia.

As camponesas liberam o trecho interditado por volta das 13h.