segunda-feira, 23 de abril de 2012

Manifesto: intelectuais defendem reforma agrária

Fonte: Carta Maior
 
Professores e pesquisadores da questão agrária e do campesinato de diferentes instituições do Brasil entregaram na segunda-feira (16), ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o “Manifesto de Intelectuais em Apoio à Declaração das Organizações Sociais do Campo”. A entrega foi feita durante reunião com Carvalho na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O documento com 2007 assinaturas apoia a decisão lançada em fevereiro por 12 organizações sociais que atuam no campo em defesa da luta unificada por reforma agrária, direitos territoriais e produção de alimentos saudáveis.

As 12 organizações são a Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Cáritas Brasileira, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento Camponês Popular (MCP), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Via Campesina Brasil.

“A decisão nossa de partir para esse manifesto é um pouco lembrar que esse é um momento crucial para se definir a reforma agrária”, disse Moacir Palmeira, professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em referência à possibilidade de retrocesso não só na questão agrária, mas também na questão ambiental, caso o novo Código Florestal seja aprovado com as mudanças que foram enviadas ao Congresso. “Então esse manifesto, se por um lado é um manifesto crítico, é também um manifesto de apoio à firmeza que a presidente teve naquele primeiro momento de discussão do Código Florestal na Câmara, pois o significado da aprovação desse novo Código Florestal é realmente uma coisa inimaginável”, afirmou.

Cumpra-se

No manifesto, os intelectuais reconhecem que há “avanços importantes” em políticas adotadas pelo governo federal nos últimos dez anos, mas, “no que tange à questão agrária, o essencial ainda está por ser feito”. Para Palmeira, “está na hora de se avançar. Você tem a situação de irregularidades na ocupação territorial, quando a terra está registrada em nome do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e o Incra não se apropria. Os posseiros e proprietários são indenizados, mas quando o Incra vai tomar posse os latifundiários não deixam entrar. O processo fica travado e aí a Justiça diz que é caso de polícia, e aí a coisa fica abandonada. Então esse é o momento de se entrar firme nisso, absolutamente dentro da lei, fazer cumprir”. O caso do Mato Grosso, denunciado no documento, ilustra a situação, com milhões de hectares da União ocupados de forma irregular e ilegal por grandes fazendas do agronegócio.

Uma das importantes medidas adotadas pelo governo federal nos últimos dez anos apontada pelos signatários do manifesto é o recém aprovado limite à estrangeirização das terras do país. No entanto, o declínio no processo de desapropriação de terras para a reforma agrária também é realçado. “Em 2005, segundo dados do próprio Incra, nós tivemos um total de 874 projetos de assentamentos executados. Em 2009, o último dado consolidado que temos, caiu para 297 projetos. Então tínhamos quase 900 projetos executados ao ano em 2005, caiu para 700 em 2006, para 400 em 2007, 330 em 2008 e 297 em 2009, o que mostra uma desaceleração”, ilustra Sérgio Leite, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Em número de famílias, a queda passa de 100 mil em 2005 para pouco mais de 20 mil famílias assentadas em 2009. Para Leite, esse resultado foi causado tanto por problemas internos, no Incra, como externos. “você tem uma morosidade da própria Justiça no processo de desapropriação das terras; um processo de encarecimento no mercado de terras, que nesse período ficou aquecido; e também um comprometimento pela ação do Incra, que poderia ser um pouco mais célere”, enumera ele.

Novo ciclo

O secretário-geral da Presidência da República vê com bons olhos a união dos movimentos sociais para a discussão de um novo ciclo da questão. “De fato eu acho que é um grande avanço os movimentos terem se unido. A questão agrária e agrícola precisa de uma nova discussão. Esse é um debate muito atual dentro do governo e a pressão dos movimentos é importante. Nós temos aí perto de 150 mil famílias acampadas e é possível resolver essa questão. A presidenta tem um padrão de exigência muito grande, ela não quer saber de assentamento mal feito”, afirmou Gilberto Carvalho, dizendo que entregaria o manifesto à presidente Dilma Rousseff assim que chegasse ao Palácio do Planalto na quarta-feira.

Em defesa desse bom padrão de assentamento, o secretário-geral citou sua experiência em visitas aos acampamentos, “o que o MST faz de qualificação agroecológica de seus quadros é impressionante. O MST tem em vários pontos do país escolas de agroecologia. Estão dando para a molecada uma capacidade, uma competência de gestão do empreendimento agrário e do novo manejo na linha de agroecologia que é de encantar. E outra coisa, as agroindústrias que eles estão montando atualmente têm um padrão de produtividade e eficácia que viabiliza os assentamentos”.

Para Carvalho, o manifesto chega como mais uma mola propulsora por novos padrões agrários. “O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) felizmente se mostrou sensível, e aí a Dilma foi fundamental, e começa a financiar esses empreendimentos; e por aí, nessa linha da qualificação de assentamentos, nós temos um belíssimo caminho para a gente viabilizar de fato uma reforma agrária que produza um novo padrão de agricultura em um novo padrão de produção de alimento, livre de transgênicos. Nesse sentido é que eu acho que esse manifesto, comprando esse embate, pode ser muito importante e ajuda muito”.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

MST ocupa prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário

Cerca de 1,5 mil pessoas participam de ato que integra o chamado 'abril vermelho' e pedem audiência com a presidente Dilma para tratar de reforma agrária.

Estadão.com.br

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST) ocuparam o prédio Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, na manhã desta segunda-feira, 16, em protesto para cobrar investimentos em desapropriações de terras no País, segundo informações do MST. Cerca de 1,5 mil pessoas participam da ação, de acordo com cálculo da Polícia Militar.
O protesto faz parte da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, promovido dentro do chamado "abril vermelho". Entre as reivindicações do grupo estão a elaboração de um plano emergencial para o assentamento de mais de 186 mil famílias acampadas e a criação de um programa de desenvolvimento dos assentamentos, com investimentos públicos em habitação rural, educação e saúde, além de crédito agrícola, informa o MST.

A ocupação no prédio teve início às 5h40 e o grupo cobra uma audiência com a presidente Dilma Rousseff. Eles criticam a condução do governo na área rural.

No fim de semana, o MST indicou que intensificaria as ações do "abril vermelho" ao promover invasões em propriedades rurais nos Estados de São Paulo, Pernambuco e Mato Grosso do Sul.
Estão previstas mais vinte ocupações de terras em Pernambuco até o final do "abril vermelho", realizado todos os anos em memória dos 19 sem-terra que foram mortos no interior do Pará no dia 17 de abril de 1996, no episódio que ficou conhecido como massacre de Eldorado de Carajás. Em 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu aquela data como o Dia Internacional de Luta pela Terra.

 

sábado, 14 de abril de 2012

Feira Itinerante é encerrada com sucesso de vendas e de público

 Foram comercializados cerca de 20 toneladas de alimentos produzidos nos assentamentos e acampamentos acompanhados pela CPT

Terminou no sábado mais uma edição da Feira Camponesa Itinerante, que estava acontecendo na Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió, desde a última quinta-feira, 12, com sucesso de vendas e de público. A feira que é organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) leva, desde 2010, alimentos que são frutos da reforma agrária, além de animais criados nos assentamentos e acampamentos acompanhados pela Pastoral da Terra, para alguns bairros da capital alagoana.

Estiveram presente camponeses dos assentamentos e acampamentos de Murici, Flexeira e pela primeira vez participando da edição itinerante, os agricultores de Água Branca, sertão alagoano. Para está edição, além dos tradicionais alimentos oferecidos a comunidade, como mandioca, banana, laranja, feijão, abacate, mamão, mel e outros, os trabalhadores e trabalhadoras rurais de Flexeiras trouxeram para a feira, pimentão, cebolinha e coentro, produtos até então não comercializados nas feiras.

De acordo com a organização, a Feira Camponesa Itinerante é uma forma de aproximar os agricultores rurais da população, como também uma maneira de escoar os alimentos oriundos dos assentamentos e acampamentos, acompanhados pela CPT.

"Acreditamos que o sucesso da Feira Camponesa Itinerante se dá tanto pela qualidade dos alimentos, produzidos nos assentamentos e acampamentos, como também pela carência de feiras populares nos bairros por onde a feira itinerante tem circulado", concluiu Heloísa Amaral, engenheira agrônoma da CPT e coordenadora da feira.
 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Feira Camponesa Itinerante vai ao Pinheiro com duas novidades

Começou na manhã desta quinta-feira, 12, e segue até o próximo sábado, 14, mais uma edição da Feira Camponesa Itinerante, desta vez no bairro do Pinheiro. Para esta edição duas novidades serão apresentadas ao bairro, além do aumento do número de feirantes, também há a comercialização de verduras, alimentos que até então não eram comercializados nas Feiras Camponesas Itinerantes.
A Feira Camponesa Itinerante que é organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Alagoas, vem sendo bem aceita pela população do bairro, que a cada edição vem superando todas as expectativas. “A cada feira percebemos que a população vem aderindo à idéia que é democratizar os produtos que são frutos da reforma agrária”, destacou Heloísa Amaral, coordenadora técnica da Pastoral. Nesta edição estarão presentes camponeses de Murici, Água Branca e Flexeiras, trazendo grande variedade de produtos.
Heloísa aponta que o sucesso da Feira Camponesa Itinerante se dá tanto pela qualidade dos alimentos, produzidos nos assentamentos e acampamentos acompanhados pela Pastoral da Terra, como também pela carência de feiras populares nos bairros por onde a feira itinerante tem circulado.
“Acreditamos que os assentados e acampados necessitam escoar os alimentos produzidos nos seus lotes. E eles apenas comercializavam nas Feiras Camponesas, da Praça da Faculdade, que ocorrem duas vezes por ano, ou então nas feiras dos seus próprios municípios. As feiras itinerantes vêm tentar suprir um pouco desta necessidade”, relatou Heloísa, destacando que isso é muito bom para o produtor que negocia diretamente com os moradores, e também para os habitantes do bairro que não precisaram ir muito longe para adquirir certos alimentos.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Casa de João Pedro Teixeira é transformada em Memorial das Ligas Camponesas

Ato marcou comemoração do cinquentenário de morte do líder

Foto: Caros Amigos


Caros Amigos

Em memória ao cinquentenário da morte do líder das Ligas Camponesas na Paraíba, João Pedro Teixeira, uma vasta programação foi realizada na cidade de Sapé (55 km da capital João Pessoa), durante todo o dia 02 de abril, data da morte do líder e mártir da Reforma Agrária. A casa onde o líder viveu com a esposa, Elizabeth Teixeira, e seus 11 filhos foi transformada em sede do Memorial das Ligas Camponesas, uma Organização Não Governamental (ONG) fundada em 2008 por camponeses assentados da Reforma Agrária, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Ato Público

Após visitação ao túmulo de João Pedro Teixeira, militantes do Movimento Sem Terra (MST), de Direitos Humanos, professores, estudantes e pessoas da comunidade seguiram em caminhada até a Praça João Pessoa, no centro da cidade, onde ocorreu um ato público com a presença de lideranças comunitárias e personalidades que tiveram papel fundamental na luta contra os latifundiários durante o período de atuação das Ligas Camponesas, a exemplo do arcebispo emérito da Paraíba, D. José Maria Pires, da viúva Elizabeth Teixeira, dos ex-deputados cassados pela ditadura militar, Assis Lemos e Agassis Almeida e o líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.

“Estou muito feliz de poder compartilhar com vocês essa data histórica e de conhecer o berço das Ligas Camponesas. Essa terra de Sapé, que foi regada com sangue dos mártires, mas que dela brotou o exemplo de luta que depois levou à derrota da ditadura militar e ao ressurgimento das lutas sociais no nosso Brasil. Como gaúcho, quero cumprimentar ao senhor (governador) e ao povo paraibano pela coragem que tiveram em desapropriar e construir nesse local um memorial, que não é apenas ao João Pedro e às Ligas, é um memorial em que o Estado brasileiro, de joelhos, pede desculpas ao povo brasileiro”, disse João Pedro Stédile.

Memorial

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, em gesto simbólico, entregou a chave da casa desapropriada para a efetivação do Memorial das Ligas à Elizabeth Teixeira, que havia deixado sua morada e nunca mais voltado após a morte de seu marido João Pedro Teixeira.

O arcebispo D. José Maria Pires abençoou e benzeu a sede com água benta. O religioso falou da alegria de ver como as pessoas que lutaram e que deram até a vida pela causa do povo estão sendo lembradas e servindo de exemplo para a continuação da luta.

“Como Deus quer que a gente faça memória? A eucaristia é uma memória viva, de alguém que deu a vida por nós. Então, se Ele deu a vida por nós e deixou a memória viva Ele mesmo para mostrar como nós temos que olhar essas memórias como essas daqui e ver o que elas trazem para nós. Nós não podemos viver hoje como viveu João Pedro Teixeira, porque foi outro tempo, outra condição. Mas como nós podemos viver hoje o ideal que ele teve, de o agricultor poder ter sua casa, ter sua tranqüilidade, ter sua família? Então, isso é permanente; agora, a maneira e os tempos é que são diferentes”, pregou D. José, que em muito contribuiu para a resolução de conflitos entre agricultores e latifundiários no período da regime militar na região.

terça-feira, 3 de abril de 2012

CPT define prioridades para próximo triênio e elege nova diretoria nacional

Encerrou-se na última sexta-feira, 30 de março, na cidade de Hidrolândia (GO), a XXIV Assembleia Geral da Comissão Pastoral da Terra (CPT), inspirada no lema “Não mais terão fome ou sede”. A Assembleia Geral da CPT definiu as prioridades para o próximo triênio, fez um balanço da atuação da CPT, e ouviu os testemunhos de trabalhadoras e trabalhadores que estão na luta e na esperança de mudança das estruturas de injustiça que os povos da terra têm vivenciado.

No primeiro dia da Assembleia, quarta, 28, a reflexão se concentrou no tema da pastoralidade. Foi retomada a criação da Comissão Pastoral da Terra e a conjuntura política e religiosa que era vivida no ano em que a ela foi criada, em 1975. O assessor do encontro e secretário do Movimento de Educação de Base, padre Virgilio Uchoa, fez uma provocação em sua fala a respeito da educação libertadora e transformadora, que perdura nas práticas de mudanças concretas.

Nova diretoria executiva nacional

No último dia de Assembleia foi realizada a eleição da nova diretoria executiva nacional da CPT, para o mandato de 2012 a 2015. Com dois delegados e um trabalhador por regional com poder de voto, foram escolhidas os seguintes nomes:
Para presidente, Dom Enemésio Lazzares, bispo de Balsas (MA), e vice-presidente da CPT entre os anos de 2009 e 2012. Dom Enemésio era o atual presidente da CPT em exercício, devido à morte de Dom Ladislau Biernaski, no dia 13 de fevereiro desse ano.
Para vice-presidente, Dom José Moreira Bastos Neto, bispo de Três Lagoas (MS).
Para a diretoria foram reeleitos Edmundo Rodrigues, da CPT Tocantins, Isolete Wichinieski, da CPT Goiás e Flávio Lazzarin, da CPT Maranhão, e foi eleita Jane Silva, da CPT Pará. Para suplentes da diretoria foram escolhidos Frei Luciano Bernardi, da CPT Bahia e Thiago Valentin, da CPT Ceará.

Carta Final da XXIV Assembleia Geral da CPT

Os 70 participantes da Assembleia Geral da CPT aprovaram, ao final do evento, uma Carta Final onde destacam a memória viva e profética dos mártires da luta pela terra no Brasil, a luta incansável dos povos indígenas pela sua sobrevivência e seu duro processo de resistência diante dos grandes projetos que se desenvolvem em detrimento dessas culturas. A Carta destaca, ainda, as investidas do capital contra o meio ambiente, num processo de exploração devastador. O documento lembrou, ainda, o assassinato de quatro trabalhadores nos últimos dias, vítimas de um processo de violência no campo cada vez mais latente em nosso país. Confira, abaixo, o documento na íntegra:

“Não mais terão fome e sede” (Ap 7,16)

Mensagem da XXIV Assembleia Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

Reunidos em Hidrolândia, GO, nos dias de 28 a 30 de março de 2012, para celebrar a XXIV Assembleia Nacional da Comissão Pastoral da Terra, nós, representantes dos Regionais do Brasil, reafirmamos nossa missão evangélica a serviço dos povos da terra e das águas.

Em tempos de exílio e de sonhos de “bem viver”

Sentimos a força do Espírito na memória das testemunhas e mártires que se fazem presentes na história de nossa caminhada: João Pedro Teixeira (50 anos do assassinato), Oscar Romero, Irmã Dorothy, Manelão do Araguaia e Dom Ladislau Biernaski - o homem que “viveu e pensou a fé a partir dos pobres da terra” -, iluminaram nossa fé e nossa esperança nas reflexões de nossa Assembleia. Comovente e precioso, em tempos de exílio e de cativeiro, foi o relato de camponesas e camponeses que nos contaram e cantaram suas lutas e resistências, avanços e conquistas.

Companheiros do CIMI acompanharam e partilharam conosco, posturas e práticas corajosas junto aos povos indígenas: estes são um sinal de Deus que recria, através deles, todo dia e para toda a humanidade, a ética e a política do Bem Viver, na luta desigual da defesa e reconquista de seus territórios.

A presença lúcida e profética de dom Tomás Balduino, com seus 90 anos, nos dá sempre novo vigor. Trouxe-nos alegria a presença do Secretário Geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, do presidente da Comissão Episcopal de Pastoral do Serviço à Caridade, Justiça e Paz, Dom Guilherme Werlang, do assessor da Comissão oito da CNBB, padre Ari dos Reis, da representante da Cáritas Brasileira e de irmãos e irmã da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, da Igreja Adventista do Sétimo Dia e da Igreja Batista.

No clima árido da escassez de profecia, padre Virgílio Uchoa nos ajudou a fazer a memória das raízes da pastoralidade e da espiritualidade, que animam até hoje a CPT. Lembramos um dos luminares da CPT, dom Pedro Casaldáliga. Fomos visitados e reanimados por João XXIII, dom Helder Câmara, dom Aloisio Lorscheider, dom Luciano Mendes, dom Antonio Fragoso e padre José Comblin. Respiramos novamente o ar fresco do Concilio Ecumênico Vaticano II e das assembleias latinoamericanas de Medellín e de Puebla. O rosto de milhares de leigas e leigos das CEB’s iluminou os ideais de uma Igreja libertadora, a serviço do Reino de Jesus e da sua Justiça, Reino dos pobres e empobrecidos, como os preferidos do Pai.

Durante a Assembleia, chegou a noticia – que nos entristeceu e indignou - de mais quatro assassinatos de lideranças camponesas: Antônio Tiningo, coordenador do acampamento Açucena, dia 23 de março, em Jataúba - PE; Valdir Dias Ferreira, 40; e do casal Milton Santos Nunes da Silva, 52, Clestina Leonor Sales Nunes, 48, da Coordenação Estadual do MLST de Minhas Gerais, executados no município de Uberlândia, MG, no dia 24 de março, na presença de um neto do casal, de cinco anos.

Povos e comunidades gritam e lutam para defender territórios e preservar a terra

Preocupam-nos os impactos socioambientais, cada vez mais violentos e acelerados, que atingem diretamente toda a sociedade. Não há limites para a voracidade do capital. O Estado brasileiro é o seu incentivador, via PAC, e financiador, via BNDES. Aposta-se, delirantemente, no crescimento neo-colonialista predador, concentrador de riquezas, em troca de meros projetos assistencialistas.

Isso se expressa claramente nos projetos em discussão no Congresso Nacional:

1. As mudanças aprovadas do Código Florestal que, sob o discurso de defender os pequenos produtores rurais, querem legitimar a depredação dos recursos naturais.

2. A tentativa de retirar do Executivo a prerrogativa de definir e aprovar o reconhecimento dos territórios indígenas e de comunidades quilombolas, com a aprovação da PEC 215, por Comissão da Câmara dos Deputados.

3. Os inúmeros projetos que visam minar os direitos dos mais pobres.

A aprovação de concessão de lavras minerárias que depredam a natureza, invadem áreas de preservação ambiental e territórios de povos indígenas, de comunidades camponesas e de assentamentos da reforma agrária, escancaram o modelo implantado em nosso país.

Vítimas deste processo são os povos indígenas - de modo especial os Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul, totalmente espoliados de seus territórios e de sua dignidade - quilombolas, posseiros, pescadores, ribeirinhos, extrativistas, acampados e assentados de uma reforma agrária abandonada, assalariados e escravizados, sempre jogados à margem de nossa sociedade.

Anima-nos, porém, a coragem e a resistência dos povos atingidos e impactados pelos projetos que os marginalizam, mas teimosamente apontam novos caminhos de organização e de relacionamentos com a natureza e na sociedade.

Percebemos o risco que corre a democracia, no mundo inteiro, pelos persistentes rearranjos do poder econômico-financeiro nacional e transnacional. Despontam os riscos sobre o futuro do Estado de Direito, na medida em que crescem, nas instituições e na sociedade, mentalidade e comportamentos que impedem a participação das maiorias nas decisões.

A CPT se une a todos os irmãos e irmãs de boa vontade, “pequeno resto” que luta por novos tempos, quando “não haverá mais fome e sede” e “todos terão vida, e vida em abundância” (Jo 10,10). Neste horizonte desafiador, nos sentimos animados pela sabedoria dos povos nativos, quando nos ensinam a vivenciar e a cantar com eles:

“Pisa ligeiro, pisa ligeiro:
quem não pode com a formiga,
não assanha o formigueiro”


ASSEMBLEIA GERAL DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

Hidrolândia GO, 30 de março de 2012.

Técnicos do Serveal visitam assentamento da CPT

Objetivo foi definir detalhes técnicos para a implantação de casa de farinha.


Técnicos do Serviços de Engenharia do Estado de Alagoas S/A (Serveal) visitaram nesta quarta-feira (30) o assentamento da Comissão da Pastoral da Terra (CPT) Irmã Dorothy, localizado no município de Porto de Pedras. A visita teve como objetivo definir detalhes técnicos para a implantação de uma casa de farinha, local apropriado para a execução das etapas de produção da farinha de mandioca, tais como a limpeza, ralação, prensagem, esfarelamento, torragem, entre outros. O projeto arquitetônico do empreendimento foi desenvolvido pelo Serveal.
Os técnicos foram recebidos por integrantes do assentamento, que apresentaram o terreno onde será implantada a casa de farinha. De acordo com João Araújo Dias, engenheiro do Serveal, foram definidos aspectos técnicos em relação à implantação, tais como a instalação da rede elétrica, abastecimento de água e a destinação final do manipueira, resíduo químico oriundo do processo de produção da farinha, que deverá passar pelo processo de decantação, para não ser prejudicial ao meio ambiente.
Além do Irmã Dorothy, outro assentamento que terá casa de farinha recebeu a visita dos técnicos, desta vez foi o Flor do Bosque, em Messias. Na semana que vem deverão ser visitados o Nossa Senhora da Conceição e o Paraíso, localizados no município de Água Branca.

O projeto arquitetônico está pronto e aguarda os detalhes técnicos finais coletados nas visitas, a fim de seguir para o processo de licitação.

Benefícios


Além de abastecer os assentamentos com o alimento, as casas de farinha também viabilizarão o comércio do produto nas feiras municipais locais. Outro fator de importância é o de interação social, pois as etapas de produção da farinha são feitas em conjunto, aproximando as famílias da comunidade.