quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Feira Camponesa Itinerante começa amanhã

Conjunto Santo Eduardo sediará a última Feira da Pastoral da Terra de 2013



                Nos dias 28, 29 e 30 de novembro, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) realizará a Feira Camponesa Itinerante na Praça Dênis Agra, Santo Eduardo. Com o apoio da Paróquia Nosso Senhor do Bomfim, a Feira se instalará em frente à Igreja Nossa Senhora da Assunção e comercializará alimentos da reforma agrária.
                Essa é a 5ª e última Feira que a CPT realiza esse ano. Já ocorreram as duas tradicionais, na Praça da Faculdade, e duas itinerantes, no Salvador Lira e no Pinheiro. “As feiras aproximam a população da luta pela terra em Alagoas, como também é um espaço para comercializar a grande produção dos assentamentos, livre de atravessadores”, afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da CPT/AL.
                O projeto da feira itinerante tem sido realizado desde 2010, e a comunidade do Santo Eduardo já acolheu a feira outras vezes. “Encontramos muita receptividade no bairro, por isso o escolhemos para encerrar nosso ano lá”, disse a coordenadora da CPT que garantiu a realização de 6 itinerantes para o ano de 2014. “Temos muita produção nas áreas da reforma agrária e solicitações de outras comunidades querendo sediar nosso projeto”, assegurou.
                No Santo Eduardo serão cerca de 25 feirantes do Sertão, Litoral e Zona da Mata que trarão alimentos, como a macaxeira, inhame, batata, melancia, banana, abóbora, entre outros, produzidos de maneira agroecológica. “Nossa preocupação é poder oferecer, sempre, ao povo maceioense um produto saudável e de qualidade. Além da democratização do uso da terra, a CPT luta contra o uso dos agrotóxicos que envenenam a população”, completou Amaral.

                Como característica das Feiras, haverá também muita animação com o autêntico forró pé de serra. A banda Forró Nó Cego animará a noite da sexta, 29. “Queremos convidar toda a população para comparecer à Feira, levar seu alimento e confraternizar conosco”, concluiu Heloísa.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Marcha por Terra e Justiça ocupa Assembleia Legislativa para denunciar corrupção

Assembleia foi ocupada pelos Movimentos Sociais do Campo
Um dia histórico na luta dos trabalhadores rurais Sem Terra. É assim que a coordenação da Marcha por Terra e Justiça define o 7 de novembro que ocupou a corrupta Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), realizou protesto frente ao Shopping de luxo da capital e reuniu com o Governo de Alagoas.“Foi um dia intenso de luta e ocupações”, afirmou Carlos Lima, coordenador da CPT.

“Quando o Parque Shopping convidou o povo alagoano para a sua inauguração, esqueceu de afirmar que era só as elites. Só porque não viemos de paletó e gravata a gerência não nos quer aqui”, afirmou José Roberto, da coordenação nacional do MST, denunciando que esse “megaempreendimento” foi construído com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Há dinheiro público para a construção dos ricos, mas não há para resolver a questão da terra”, completou.

Fruto da presença non grata de trabalhadores rurais na inauguração do Shopping foi realizado contato direto com o Governo Federal e a doação de alimentos, lona preta e água. Após negociação com a gerência do Shopping e o Secretário de Estado, Claudionor Araújo, a Marcha seguiu para o INCRA e montou acampamento na Praça Sinimbú.

No turno da tarde, o alvo foi a “Casa do Povo” ou como mais recentemente está conhecida, a “Casa da Corrupção”. A Assembleia Legislativa que teve sua mesa diretora afastada por denúncias de roubo do dinheiro público foi ocupada pelas famílias que participam da Marcha para denunciar e exigir mudanças no legislativo. “É preciso acabar com a farra do dinheiro público. Essa Casa, em sua maioria, está composta pelos detentores das terras que relutam em permitir a reforma agrária. Eles estão acostumados com a impunidade”, afirmou Djalma Santos, coordenador do MTL.

Ao mesmo tempo que o movimento ocupava a ALE, uma comissão se reuniu com o governador Teotônio Vilela. “Temos o compromisso do Governador em não permitir o despejo das famílias que há dez anos moram nos quatro acampamentos reivindicados, Bota Velha, Sede, São Sebastião e São Simeão. Ele ainda se comprometeu a negociar com o Governo Federal recursos para a desapropriação dessas áreas e a efetivação da Reforma Agrária, além de outras reivindicações acerca da infraestrutura no campo”, relatou Josival Santos, coordenador do MLST, explicando que no dia 26 haverá nova audiência para acompanhar o andamento da pauta apresentada.

Já no dia de hoje, em assembleia realizada na Praça Sinimbu, após avaliação da vitoriosa Marcha por Terra e Justiça, os trabalhadores e trabalhadores definiram pelo retorno aos assentamentos e acampamentos com a promessa de voltar à Maceió, caso não tenha avanço as reivindicações encaminhadas.

Segue abaixo a nota de esclarecimento sobre a notícia veiculada de que os movimentos que compõe a Marcha por Terra e Justiça teriam recebido dinheiro de deputados durante a ocupação da ALE.



Marcha por Terra e Justiça

Nota de Esclarecimento


A Coordenação da Marcha por Terra e Justiça vem a publico esclarecer à sociedade acerca da ocupação da Assembleia Legislativa de Alagoas.

1-      Ocupamos a Assembleia para nos somar ao sentimento da população que repudia o comportamento inadequado da maioria dos deputados que compõe aquele Poder, envolvidos com o desvio de dinheiro publico. Apoiamos a iniciativa do Ministério Publico e do Poder Judiciário que afastou a Mesa Diretora para garantir a investigação.

2-      A Coordenação da Marcha após a ocupação da Assembleia se deslocou para o Palácio Republica dos Palmares para audiência, previamente agendada, com o Governador Teotônio Vilela.  As lideranças que continuaram conduzindo a ocupação da Assembleia Legislativa, a pedido do Deputado Judson Cabral, constituíram uma comissão para negociar a reabertura dos trabalhos parlamentares com o objetivo de instalar uma sessão pública.

3-        Como havia a disposição de montar acampamento na Assembleia Legislativa foi solicitado banheiros químicos e lona.  A Comissão formada por lideranças das organizações do campo em nenhum momento solicitou dos deputados contribuição financeira. Nenhum membro das organizações recebeu qualquer quantia em dinheiro.  Quando informados da “cota” pessoal dos deputados, a coordenação da Marcha de imediato comunicou que não aceitaria o recurso.

4-      Reiteramos todo apoio à decisão judicial que afastou a Mesa Diretora. Esperamos que haja uma investigação seja ampla e punitiva.


Maceió, 08 de novembro de 2013.


COMISSÃO PASTORAL DA TERRA – CPT
MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DOS SEM TERRA – MLST
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - MST
MOVIMENTO TERRA, TRABALHO E LIBERDADE - MTL





  





quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Marcha por Terra e Justiça chega a Maceió


Em marcha desde a manhã da última segunda-feira (04/11), cerca de dois mil trabalhadores rurais organizados na CPT, MLST, MST e MTL de todo o estado de Alagoas, chegam à capital onde reafirmam a importância da democratização da terra para quem vive na cidade.

Depois de 60 km percorridos, enfrentando sol e chuva, os Sem Terras seguem pelas avenidas de Maceió denunciando a paralisia da Reforma Agrária no país e exigindo imediata desapropriação das áreas das fazendas São Sebastião (Atalaia), Cavaleiro, São Simeão e Bota Velha (Murici), onde 400 famílias acampadas vivem ameaças de despejo.

Para José Roberto, do MST, a divisão das terras cumpre papel importante para o homem e a mulher no campo e na cidade. “A Reforma Agrária é um caminho para acabar com o desemprego e garantir que os camponeses vivam no campo. Além de levar alimentos saudáveis para quem vive nos centros urbanos”, afirmou.

Nas BRs cercadas pelo monocultivo da cana de açúcar no estado, os agricultores preencheram as vias com suas bandeiras, faixas e palavras de ordem em protesto ao descaso dos governos federal e estadual com os trabalhadores rurais. “Estamos em Marcha na disputa de um novo modelo de sociedade, onde todos e todas tenham seus direitos básicos garantidos e que possam viver com dignidade. E se hoje dois mil estão nas ruas é para mostrar que não estamos conformados com a sociedade que vivemos”, disse Josival Oliveira, do MLST.

Mobilizações

Logo na manhã da terça-feira (05/11), os camponeses ocuparam o prédio da prefeitura do município de Messias, onde, em audiência com o prefeito Jarbas Filho (PSDB), pautaram as demandas de infra-estrutura e lazer nos assentamentos e acampamentos da região.

Ainda na manhã de terça, a Marcha seguiu para o Centro de Ciências Agrárias (CECA) da Universidade Federal de Alagoas, no município de Rio Largo. No local os trabalhadores denunciaram o descompromisso da Universidade com o povo, servindo aos interesses das elites do estado nas pesquisas voltadas para melhoramento genético da cana de açúcar.

Entendemos que o papel da universidade não é usar recursos públicos para pesquisas que beneficiam usineiros, mas, sim, para pesquisas que construam uma alternativa de desenvolvimento para região e que possam servir à grande maioria do povo brasileiro”, afirma a nota divulgada pelos movimentos sociais que constroem a Marcha.

Já na quarta-feira (06/11) a Marcha seguiu para a principal avenida de Maceió onde os movimentos ocuparam o prédio da Eletrobrás, exigindo resolução imediata dos problemas das áreas que ainda sofrem com a falta de energia elétrica.

Na quinta (07), a Marcha por Terra e Justiça segue para o centro da cidade de Maceió, onde já está agendada uma reunião com o governador do estado, Teotônio Vilela Filho (PSDB), às 15h.






Universidade para o povo ou para os usineiros?

MARCHA POR TERRA E JUSTIÇA
NOTA PÚBLICA

Universidade para o povo ou para os usineiros?


No ultimo dia 03/11, uma coluna com mais de 2 mil homens e mulheres camponesas, organizados em movimentos sociais, partiram de Murici até Maceió, com trajetória de 60km, a serem percorridos em marcha. O ponto de partida, a cidade de Murici, é marcado pelo domínio de famílias latifundiárias no plano da política e da economia, o que lega ao todo da população, o secular destino da exclusão e exploração. De lá até o ponto de chegada, os movimentos estampam a bandeira da justiça social, com uma Reforma Agrária Popular que divida as terras e altere a realidade sócio-econômica do campo e da cidade.

Dentre vários atos que temos realizado pressionando órgãos públicos, durante a manhã desta terça-feira (05/11), os trabalhadores rurais foram recebidos com total abertura no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (Ceca-Ufal). Ao se confrontarem com experimentos de melhoramento genético da cana-de-açúcar, inclusive transgênicos, que beneficiam (não de hoje) os principais responsáveis pela miséria em Alagoas, grupos de latifundiários e usineiros, a massa revoltada de trabalhadores decidiu pela ação direta: destruir o que historicamente nos destrói.

O objetivo da ação política não foi um ataque à universidade ou às pesquisas acadêmicas em geral. Mas, sim, demonstrar à sociedade que os camponeses e camponesas do Brasil são contra este modelo que privilegia a monocultura exportadora, utilizando nossas riquezas naturais, nossas terras e mão-de-obra barata, destruindo o meio ambiente e produzindo trabalho escravo. Entendemos que o papel da universidade não é usar recursos públicos para pesquisas que beneficiam usineiros, mas sim, para pesquisas que construam uma alternativa de desenvolvimento para região e que possam servir à grande maioria do povo brasileiro.
Quer dizer, temos na estrutura de uma Universidade Pública estudantes, pesquisadores e laboratórios para promover ainda mais o avanço do monocultivo de cana-de-açúcar, causando a elevação dos preços dos alimentos e a concentração da propriedade da terra. Queremos alertar que a diminuição sucessiva da área plantada de alimento terá, em breve, consequências gravíssimas para toda população mundial.
Hoje a população urbana está sofrendo com a alta no preço dos alimentos e com o excesso de agrotóxicos. A agricultura familiar, responsável pela comida que chega à mesa do povo brasileiro, está sendo devorada pela ganância dos latifundiários.
A Universidade Pública deve, através da produção de ciência, servir para dar solução aos problemas do povo, como a fome, e não, ao agronegócio e ao capital financeiro, que querem transformar os alimentos, as sementes e todos os recursos naturais em mercadoria para atender os interesses, o lucro e a ganância das grandes empresas transnacionais. Portanto, que pesquisem o desenvolvimento de milho, de feijão, de macaxeira. Se os usineiros querem fazer pesquisa para aumentar seus lucros, que façam em suas terras e contratem seus técnicos.
Certamente quando a universidade pública entender seu papel social, ela poderá contribuir muito utilizando o conhecimento acumulado e os técnicos servidores públicos que se apropriaram destes conhecimentos, com recursos públicos do povo brasileiro, para a melhoria das condições de vida da maioria e a produção de alimentos saudáveis e baratos.

Não nos espantamos, entretanto, com a pobreza das coberturas midiáticas sobre o tema, particularmente as mensagens veiculadas pelos meios ligados às Organizações Globo. Ao afirmar que pesquisas foram destruídas, adotam a política de defesa do latifúndio e negligenciam a informação. O ato destruiu exclusivamente experimentos (da cana-de-açúcar) a serviço dos responsáveis pela miséria e os altos índices de desigualdade de Alagoas. Como de costume em coberturas da Mídia Convencional, a abordagem meramente factual costuma distanciar a sociedade de um aprofundamento histórico-crítico dos fatos que ora ocorrem.

A política de Reforma Agrária está estagnada, com índices de desapropriações de terras inferiores aos do período de Ditadura Civil-Militar. Enquanto isso um grande contingente de recursos tem sido repassado para o financiamento da agricultura do veneno e dos transgênicos, impulsionando o envenenamento de nossas populações e meio ambiente, o adoecimento e morte do povo e estimulando a concentração cada vez maior de riqueza.

Por fim, conclamamos a sociedade alagoana e brasileira à reflexão sobre o papel da terra e à luta em defesa dos camponeses, povos tradicionais e trabalhadores em geral, que, em movimentos sociais, ousam desafiar os projetos de poder das elites e propor um horizonte de justiça social para o Brasil.



COMISSÃO PASTORAL DA TERRA – CPT
MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DOS SEM TERRA – MLST
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - MST
MOVIMENTO TERRA, TRABALHO E LIBERDADE - MTL


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

2 mil trabalhadores rurais iniciam Marcha por Terra e Justiça em Alagoas



4 de novembro. Antes de raiar o sol, dois mil camponeses já estavam de pé prontos para dar início à Marcha em defesa da Reforma Agrária. A cidade de Murici, palco de grandes conflitos agrários, concentrou no acampamento Sede (MLST) os movimentos sociais do campo que estão em Marcha com destino à Maceió.

A Marcha por Terra e Justiça é uma iniciativa do MST, MLST, MTL e CPT. E cobra do Governo Federal e Estadual a democratização da terra. “Dilma parou a Reforma Agrária. E quando chega a essa época do ano o presente que o Governador quer nos dar é botar a polícia para expulsar as famílias das terras, passar o natal na rua”, afirmou Zé Roberto, coordenador do MST.

Nas fazendas São Sebastião (Atalaia), Cavaleiro, São Simeão ou Sede e Bota Velha (Murici) vivem há mais de 10 anos cerca de 400 famílias acampadas que estão sofrendo o medo de um despejo. “O Governo Federal, o INCRA e o Governo do Estado fecham os olhos para a situação dessas pessoas e de mais 8 mil famílias que vivem às margens das BRs em Alagoas e, ao mesmo tempo, cedem aos caprichos dos usineiros e latifundiários que devem bilhões aos cofres públicos”, afirmou Carlos Lima, coordenador da CPT.

Para Débora Nunes, do MST, a luta pela terra enfrenta hoje uma forte ofensiva, “pois ela vai no central da riqueza das elites do nosso país e nós, trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra cumprimos um papel muito importante que é o de recuperar a dignidade sugada por essas elites”, afirmou Débora que destacou a importância da Marcha: “mais de 80% dos assentamentos que temos hoje só foram conquistados por conta das marchas e das lutas dos trabalhadores”.

Frei Betto, durante sua vinda à Maceió na Bienal Internacional do Livro, fez críticas a falta de investimentos na Reforma Agrária e defendeu à luta camponesa. “Era um promessa de todas as quatro campanhas do PT e os resultados são pífios frente às necessidades e as urgências do Brasil. Nós temos um crescimento do latifúndio e do agronegócio, invasão da Amazônia, devastação de muitas áreas do Brasil, de modo que eu creio que todos nós, brasileiros e brasileiras, temos que fortalecer esses movimentos que lutam pela terra, essas marchas elas precisam ser fortalecidas porque governo é que nem feijão só funciona na panela de pressão”, defendeu.

Questionado sobre a possibilidade de despejo das antigas Fazendas em Alagoas, completou Frei Betto: “Eu penso que os governos têm que agir para evitar despejos, afinal são pessoas pobres, estão no direito de receber uma terra e na expectativa de uma reforma agrária. E não tem sentido favelizar essa pessoas e levá-las para debaixo da ponte com uma expulsão sumária a base do tacão policial”.

Os movimentos sociais do campo convocam a toda sociedade para apoiar e marchar com os trabalhadores, juntos por um futuro de igualdade e fraternidade. “Precisamos unificar as lutas dos trabalhadores da cidade e do campo para repartir a terra e seus frutos. Assim será possível acabar com a fome e as desigualdades”, afirmou Josival de Oliveira, do MLST.


Histórico das áreas


Fazenda São Sebastião - Atalaia
Parte da massa falida da antiga Usina Ouricuri, a área é ocupada por 120 famílias e coordenada pelo MST. Além da produção dos trabalhadores rurais, o acampamento conta com a Escola Itinerante Rosa Luxemburgo. Nessa área foi assassinado, em 2005, o dirigente estadual do MST, Jaelson Melquíades, tombado pelas mãos dos latifundiários da região.
Em 12 de dezembro de 2012 as famílias foram despejadas pela Policia Militar de Alagoas, e no dia 8 de março de 2013 foi reocupada. O clima na região é bastante tenso e já foi expedida outra ordem de despejo, inclusive com pedido de prisão de lideranças.

Fazenda Cavaleiro ou Bulangi – Murici

O imóvel foi ocupado em 18 de setembro de 2003 por 75 famílias Sem Terra, coordenadas pelo MTL. As famílias foram despejadas, em fevereiro de 2011 de forma violenta pela policia militar de Alagoas com uso de bombas e balas de borrachas, vários camponeses foram feridas. Atualmente vivem de forma precária em barracas de lonas na BR 104.
O imóvel faz parte da massa falida da usina São Simeão, atualmente a usina Santa Clotilde explora o imóvel e foi a autora do pedido de reintegração de posse.

Fazenda São Simeão/Sede – Murici

Ocupada por 120 famílias sem terra e coordenadas pelo MLST, as famílias construíram casas de taipas, escolas para crianças, jovens e adultos, salão de reunião, conquistaram energia elétrica e cultivam Macaxeira, banana, feijão, milho, batata, abacaxi, abobora, hortaliças.
Quando as famílias ocuparam a propriedade as terras improdutivas estavam abandonadas pela Usina São Simeão pertencente às famílias Omena e Nogueira que são devedoras do INSS, impostos federais e estaduais, companhia energética, passivo trabalhista. O INSS estava adquirido por conta de dívidas trabalhistas, estranhamente foi arrendada pela Usina Santa Clotilde S/A, que entrou com o pedido de reintegração de posse na Vara Agrária que concedeu liminar favorável à usina. O despejo pode acontecer a qualquer momento.

Bota Velha – Murici

Ocupada em 2002 por 102 famílias Sem Terra, coordenada pela CPT, as famílias que moram e plantam nas terras, possuem produção agroecológica (hortaliças, macaxeira, inhame, abóbora, melancia, feijão, etc) e uma pequena criação de animais (galinhas, ovelhas, patos), ocupam 60 hectares do total da fazenda.  No local, existe energia elétrica, as casas algumas são de alvenaria e uma casa de farinha.
Nos últimos três anos a Usina Santa Clotilde vem ameaçando as famílias de despejos, destruição das lavouras, das casas e de outras benfeitorias construídas nos últimos 11 anos. 

Ésio Melo
Assessoria de Comunicação
CPT


Gustavo Marinho
Assessoria de Comunicação
MST







Marcha unitária pressiona por Reforma Agrária e justiça social


Na manhã desta segunda-feira (04/11), 2 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra de Alagoas, ligados ao MLST, MTL, MST e CPT, marcham pelo estado cobrando imediata desapropriação das áreas onde hoje famílias acampadas vivem sob forte ameaça de despejo.
Saindo do acampamento Sede (Fazenda São Simeão, uma das áreas que sofrem ameaça) em Murici até Maceió, 60 km serão percorridos pelos movimentos de luta pela terra em Alagoas que estão dispostos a reafirmar a necessidade da Reforma Agrária para o desenvolvimento do estado e do país.
As áreas das antigas fazendas São Sebastião (Atalaia), Cavaleiro, São Simeão e Bota Velha (Murici), onde vivem cerca de 400 famílias acampadas, recorrentemente são pautas de diálogos com o governo estadual e federal com vistas das suas desapropriações. Mesmo assim as famílias continuam sem respostas e vivendo diariamente o medo do despejo que pode acontecer a qualquer momento.
“Nossa Marcha será uma grande resposta de resistência e de continuidade na luta por uma vida digna para quem vive no campo. Mesmo ameaçados, continuamos em luta e marcharemos o quanto for preciso para garantir nossos direitos”, afirmou Josival Oliveira, do MLST.

Confira a nota da Marcha pela Terra e por Justiça:

Marchamos por Terra e Justiça
A nossa marcha é uma denúncia pública do descaso dos governos Federal e Estadual para com as famílias Sem Terra e Assentadas no Estado de Alagoas.
O governo da presidente Dilma, retirou a reforma agrária da pauta - não atualizou os índices de produtividades, não limitou o tamanho da propriedade da terra, não investiu na infraestrutura dos assentamentos. Quando o tema é Reforma Agrária, a presidente Dilma detém a marca de pior desempenho, desde a redemocratização do país. 
O afastamento do governo da luta histórica das famílias camponesas é resultado da opção pela aliança estabelecida com a bancada ruralista em nome da “governabilidade”. Esta aliança vai custar aos cofres públicos, em 2013, aproximadamente 13 bilhões de reais em renúncia fiscal; em 2003, a renúncia foi de 684 milhões de reais (fonte: site da SRF). Outro fato gritante é a abertura do governo brasileiro para a compra de terra por parte de estrangeiros: 2,6 milhões de hectares estão nas mãos de não brasileiros, colocando em risco a soberania alimentar e hídrica.
Quanto mais o governo Dilma se aproxima do agronegócio exportador, mais se distancia da reforma agrária e, consequentemente, das famílias camponesas que historicamente foram excluídas do uso da terra. Condenando os assentamentos ao esquecimento e colocando os acampamentos sem terra na invisibilidade.
Em Alagoas, o monocultivo da cana de açúcar e a força do “poder econômico” dos usineiros se constituíram num obstáculo político à realização da Reforma Agrária. Os usineiros além de explorarem os canavieiros, inclusive com prática de trabalho escravo, devem a previdência pública, aos bancos públicos, a Eletrobrás, aos cortadores de cana, aos fornecedores... “a Deus e ao mundo”. Devem e não pagam.
Na rota de ignorar as oito mil famílias sem terras que vivem as margens das BRs ou em fazendas, o governo Teotônio Vilela pretende destinar cerca de 30 mil hectares de terra para o plantio de eucalipto destinado a produção de celulose e energia. Perpetuando Alagoas na condição de importadora de 75% alimentos consumidos pelos alagoanos.
O cenário contrário criado pelas elites que capturaram o ESTADO brasileiro e alagoano impõe aos que lutam pela reforma agrária e aos apoiadores, um processo intenso de mobilização contra as ofensivas do modelo econômico e político e ações organizativas de superação da realidade imposta. A correlação de força não será alterada no processo eleitoral, mas nas ruas, nas praças, nas ocupações.
Acreditando nas iniciativas que nascem do povo, nas organizações de bases que desejam transformar a estrutura agrária de Alagoas, decidimos marchar 60 km, saindo de Murici, mata norte de Alagoas, em direção à Maceió.
Especificamente, marchamos em defesa de cerca de 400 famílias que reivindicam, há mais de dez anos, os imóveis São Sebastião (Atalaia), Bota Velha, Sede e Cavaleiros (Murici), com a exceção de Cavaleiros, que as famílias foram vítimas de um despejo violento promovido pela Polícia Militar em 12 de dezembro de 2012, as famílias moram e plantam nas terras. Possuem uma boa produção agroecológica (hortaliças, macaxeira, inhame, abóbora, melancia, feijão, etc.), criação de animais, energia elétrica, algumas casas de alvenaria, escolas, casas de farinha. No entanto vivem sob ameaça constante de despejos.
Marchamos porque queremos denunciar o silêncio do ESTADO com essas famílias. A presidente Dilma, o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas; o Presidente do INCRA, Carlos Guedes; a Superintendente do INCRA/AL, Lenilda Lima e o governador de Alagoas, Teotônio Vilela, todos foram informados da situação e negligenciam, se recusam e tomarem uma posição de ESTADO em defesa das famílias e cedem aos caprichos econômicos da Usina Santa Clotilde que insiste nos despejos das áreas localizadas em Murici. Aliás, a Usina Santa Clotilde em 2011 foi incluída na lista suja do trabalho escravo, quando 401 trabalhadores foram libertos. (fonte:http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/governo-federal-adiciona).
Insistiremos na tese de que essas famílias devem continuar nas terras ocupadas e que o Estado tem a obrigação de garantir a terra e condições de vidas dignas no campo.
Murici/Alagoas, 04 de novembro de 2013.

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e Comissão Pastoral da Terra (CPT)

Outras informações:

Gustavo Marinho
Assessoria
MST

Ésio Melo
Assessoria

CPT

domingo, 3 de novembro de 2013

Livro “Terra em Alagoas” é lançado na Bienal


O 1º de novembro vai ficar marcado para a história dos movimentos sociais pela terra em Alagoas. Nesse dia, camponeses, indígenas, estudantes, intelectuais e aliados da luta pela democratização da terra lotaram o auditório do Centro de Convenções Ruth Cardoso para prestigiar a publicação do livro “Terra em Alagoas: Temas e Problemas”.

O lançamento do livro ocorreu durante a 6ª Bienal Internacional do Livro em Alagoas. Marcado para as 19h na sala Caetés, o evento teve que mudar de lugar por recomendação dos bombeiros devido a superlotação. “A luta do movimento agrário é igual ao que vimos hoje, a gente chega num espaço e já não cabe todo mundo, assim gera a insatisfação e saímos cantando em marcha para arrumar um melhor que caiba todo mundo e a gente possa produzir”, descreveu Josival Oliveira, coordenador do MLST, em sua fala na cerimônia de lançamento.

A publicação organizada por Josival Oliveira, Carlos Lima (CPT) e Sávio Almeida é uma coletânea de textos dos mais diversos autores sobre os conflitos da luta pela terra em Alagoas. Indígenas, representados por Carlinhos dos povos xucuru-cariri, dançaram o toré, falaram sobre os problemas vividos em Palmeira dos Índios por demarcação de seu território e entregaram ao representante da FUNAI a carta da assembleia dos povos indígenas.

Carlos Lima, que conduziu os trabalhos, chamou os 23 autores do livro que foram aplaudidos pelo auditório lotado.  Débora Nunes, coordenadora do MST, exaltou a importância da luta no campo teórico. “Mais uma vez o movimento do campo ocupou, dessa vez a Bienal para disputar ideias, publicando livro e construindo conhecimento”, afirmou Nunes.

“A luta pela terra é criminalizada porque ela toca no cerne do poder político e econômico do nosso estado. Esse governo é responsável pelo não andamento da reforma agrária, pelas tentativas de barrar o reconhecimento de terras indígenas, inclusive tirar direitos conquistados historicamente. Nesse sentido, convocamos o conjunto da sociedade para somar a essa luta, para podermos de forma coletiva para lutar pela terra e a pela transformação da sociedade”, encerrou Nunes.