segunda-feira, 4 de novembro de 2013

2 mil trabalhadores rurais iniciam Marcha por Terra e Justiça em Alagoas



4 de novembro. Antes de raiar o sol, dois mil camponeses já estavam de pé prontos para dar início à Marcha em defesa da Reforma Agrária. A cidade de Murici, palco de grandes conflitos agrários, concentrou no acampamento Sede (MLST) os movimentos sociais do campo que estão em Marcha com destino à Maceió.

A Marcha por Terra e Justiça é uma iniciativa do MST, MLST, MTL e CPT. E cobra do Governo Federal e Estadual a democratização da terra. “Dilma parou a Reforma Agrária. E quando chega a essa época do ano o presente que o Governador quer nos dar é botar a polícia para expulsar as famílias das terras, passar o natal na rua”, afirmou Zé Roberto, coordenador do MST.

Nas fazendas São Sebastião (Atalaia), Cavaleiro, São Simeão ou Sede e Bota Velha (Murici) vivem há mais de 10 anos cerca de 400 famílias acampadas que estão sofrendo o medo de um despejo. “O Governo Federal, o INCRA e o Governo do Estado fecham os olhos para a situação dessas pessoas e de mais 8 mil famílias que vivem às margens das BRs em Alagoas e, ao mesmo tempo, cedem aos caprichos dos usineiros e latifundiários que devem bilhões aos cofres públicos”, afirmou Carlos Lima, coordenador da CPT.

Para Débora Nunes, do MST, a luta pela terra enfrenta hoje uma forte ofensiva, “pois ela vai no central da riqueza das elites do nosso país e nós, trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra cumprimos um papel muito importante que é o de recuperar a dignidade sugada por essas elites”, afirmou Débora que destacou a importância da Marcha: “mais de 80% dos assentamentos que temos hoje só foram conquistados por conta das marchas e das lutas dos trabalhadores”.

Frei Betto, durante sua vinda à Maceió na Bienal Internacional do Livro, fez críticas a falta de investimentos na Reforma Agrária e defendeu à luta camponesa. “Era um promessa de todas as quatro campanhas do PT e os resultados são pífios frente às necessidades e as urgências do Brasil. Nós temos um crescimento do latifúndio e do agronegócio, invasão da Amazônia, devastação de muitas áreas do Brasil, de modo que eu creio que todos nós, brasileiros e brasileiras, temos que fortalecer esses movimentos que lutam pela terra, essas marchas elas precisam ser fortalecidas porque governo é que nem feijão só funciona na panela de pressão”, defendeu.

Questionado sobre a possibilidade de despejo das antigas Fazendas em Alagoas, completou Frei Betto: “Eu penso que os governos têm que agir para evitar despejos, afinal são pessoas pobres, estão no direito de receber uma terra e na expectativa de uma reforma agrária. E não tem sentido favelizar essa pessoas e levá-las para debaixo da ponte com uma expulsão sumária a base do tacão policial”.

Os movimentos sociais do campo convocam a toda sociedade para apoiar e marchar com os trabalhadores, juntos por um futuro de igualdade e fraternidade. “Precisamos unificar as lutas dos trabalhadores da cidade e do campo para repartir a terra e seus frutos. Assim será possível acabar com a fome e as desigualdades”, afirmou Josival de Oliveira, do MLST.


Histórico das áreas


Fazenda São Sebastião - Atalaia
Parte da massa falida da antiga Usina Ouricuri, a área é ocupada por 120 famílias e coordenada pelo MST. Além da produção dos trabalhadores rurais, o acampamento conta com a Escola Itinerante Rosa Luxemburgo. Nessa área foi assassinado, em 2005, o dirigente estadual do MST, Jaelson Melquíades, tombado pelas mãos dos latifundiários da região.
Em 12 de dezembro de 2012 as famílias foram despejadas pela Policia Militar de Alagoas, e no dia 8 de março de 2013 foi reocupada. O clima na região é bastante tenso e já foi expedida outra ordem de despejo, inclusive com pedido de prisão de lideranças.

Fazenda Cavaleiro ou Bulangi – Murici

O imóvel foi ocupado em 18 de setembro de 2003 por 75 famílias Sem Terra, coordenadas pelo MTL. As famílias foram despejadas, em fevereiro de 2011 de forma violenta pela policia militar de Alagoas com uso de bombas e balas de borrachas, vários camponeses foram feridas. Atualmente vivem de forma precária em barracas de lonas na BR 104.
O imóvel faz parte da massa falida da usina São Simeão, atualmente a usina Santa Clotilde explora o imóvel e foi a autora do pedido de reintegração de posse.

Fazenda São Simeão/Sede – Murici

Ocupada por 120 famílias sem terra e coordenadas pelo MLST, as famílias construíram casas de taipas, escolas para crianças, jovens e adultos, salão de reunião, conquistaram energia elétrica e cultivam Macaxeira, banana, feijão, milho, batata, abacaxi, abobora, hortaliças.
Quando as famílias ocuparam a propriedade as terras improdutivas estavam abandonadas pela Usina São Simeão pertencente às famílias Omena e Nogueira que são devedoras do INSS, impostos federais e estaduais, companhia energética, passivo trabalhista. O INSS estava adquirido por conta de dívidas trabalhistas, estranhamente foi arrendada pela Usina Santa Clotilde S/A, que entrou com o pedido de reintegração de posse na Vara Agrária que concedeu liminar favorável à usina. O despejo pode acontecer a qualquer momento.

Bota Velha – Murici

Ocupada em 2002 por 102 famílias Sem Terra, coordenada pela CPT, as famílias que moram e plantam nas terras, possuem produção agroecológica (hortaliças, macaxeira, inhame, abóbora, melancia, feijão, etc) e uma pequena criação de animais (galinhas, ovelhas, patos), ocupam 60 hectares do total da fazenda.  No local, existe energia elétrica, as casas algumas são de alvenaria e uma casa de farinha.
Nos últimos três anos a Usina Santa Clotilde vem ameaçando as famílias de despejos, destruição das lavouras, das casas e de outras benfeitorias construídas nos últimos 11 anos. 

Ésio Melo
Assessoria de Comunicação
CPT


Gustavo Marinho
Assessoria de Comunicação
MST







Nenhum comentário: