sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Marcha por Terra e Justiça ocupa Assembleia Legislativa para denunciar corrupção

Assembleia foi ocupada pelos Movimentos Sociais do Campo
Um dia histórico na luta dos trabalhadores rurais Sem Terra. É assim que a coordenação da Marcha por Terra e Justiça define o 7 de novembro que ocupou a corrupta Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), realizou protesto frente ao Shopping de luxo da capital e reuniu com o Governo de Alagoas.“Foi um dia intenso de luta e ocupações”, afirmou Carlos Lima, coordenador da CPT.

“Quando o Parque Shopping convidou o povo alagoano para a sua inauguração, esqueceu de afirmar que era só as elites. Só porque não viemos de paletó e gravata a gerência não nos quer aqui”, afirmou José Roberto, da coordenação nacional do MST, denunciando que esse “megaempreendimento” foi construído com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Há dinheiro público para a construção dos ricos, mas não há para resolver a questão da terra”, completou.

Fruto da presença non grata de trabalhadores rurais na inauguração do Shopping foi realizado contato direto com o Governo Federal e a doação de alimentos, lona preta e água. Após negociação com a gerência do Shopping e o Secretário de Estado, Claudionor Araújo, a Marcha seguiu para o INCRA e montou acampamento na Praça Sinimbú.

No turno da tarde, o alvo foi a “Casa do Povo” ou como mais recentemente está conhecida, a “Casa da Corrupção”. A Assembleia Legislativa que teve sua mesa diretora afastada por denúncias de roubo do dinheiro público foi ocupada pelas famílias que participam da Marcha para denunciar e exigir mudanças no legislativo. “É preciso acabar com a farra do dinheiro público. Essa Casa, em sua maioria, está composta pelos detentores das terras que relutam em permitir a reforma agrária. Eles estão acostumados com a impunidade”, afirmou Djalma Santos, coordenador do MTL.

Ao mesmo tempo que o movimento ocupava a ALE, uma comissão se reuniu com o governador Teotônio Vilela. “Temos o compromisso do Governador em não permitir o despejo das famílias que há dez anos moram nos quatro acampamentos reivindicados, Bota Velha, Sede, São Sebastião e São Simeão. Ele ainda se comprometeu a negociar com o Governo Federal recursos para a desapropriação dessas áreas e a efetivação da Reforma Agrária, além de outras reivindicações acerca da infraestrutura no campo”, relatou Josival Santos, coordenador do MLST, explicando que no dia 26 haverá nova audiência para acompanhar o andamento da pauta apresentada.

Já no dia de hoje, em assembleia realizada na Praça Sinimbu, após avaliação da vitoriosa Marcha por Terra e Justiça, os trabalhadores e trabalhadores definiram pelo retorno aos assentamentos e acampamentos com a promessa de voltar à Maceió, caso não tenha avanço as reivindicações encaminhadas.

Segue abaixo a nota de esclarecimento sobre a notícia veiculada de que os movimentos que compõe a Marcha por Terra e Justiça teriam recebido dinheiro de deputados durante a ocupação da ALE.



Marcha por Terra e Justiça

Nota de Esclarecimento


A Coordenação da Marcha por Terra e Justiça vem a publico esclarecer à sociedade acerca da ocupação da Assembleia Legislativa de Alagoas.

1-      Ocupamos a Assembleia para nos somar ao sentimento da população que repudia o comportamento inadequado da maioria dos deputados que compõe aquele Poder, envolvidos com o desvio de dinheiro publico. Apoiamos a iniciativa do Ministério Publico e do Poder Judiciário que afastou a Mesa Diretora para garantir a investigação.

2-      A Coordenação da Marcha após a ocupação da Assembleia se deslocou para o Palácio Republica dos Palmares para audiência, previamente agendada, com o Governador Teotônio Vilela.  As lideranças que continuaram conduzindo a ocupação da Assembleia Legislativa, a pedido do Deputado Judson Cabral, constituíram uma comissão para negociar a reabertura dos trabalhos parlamentares com o objetivo de instalar uma sessão pública.

3-        Como havia a disposição de montar acampamento na Assembleia Legislativa foi solicitado banheiros químicos e lona.  A Comissão formada por lideranças das organizações do campo em nenhum momento solicitou dos deputados contribuição financeira. Nenhum membro das organizações recebeu qualquer quantia em dinheiro.  Quando informados da “cota” pessoal dos deputados, a coordenação da Marcha de imediato comunicou que não aceitaria o recurso.

4-      Reiteramos todo apoio à decisão judicial que afastou a Mesa Diretora. Esperamos que haja uma investigação seja ampla e punitiva.


Maceió, 08 de novembro de 2013.


COMISSÃO PASTORAL DA TERRA – CPT
MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DOS SEM TERRA – MLST
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - MST
MOVIMENTO TERRA, TRABALHO E LIBERDADE - MTL





  





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