segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

NOTA PÚBLICA: Presente de Natal

A Diretoria e Coordenação Executiva Nacional da CPT se juntam aos povos indígenas, comunidades quilombolas, movimentos sociais do campo e a uma grande massa de brasileiros e brasileiras para expressar sua inconformidade e indignação em relação ao presente que lhes foi dado na antevéspera do Natal, pela presidenta da república Dilma Rousseff, com a nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura.

Fazendo-se surda aos apelos que lhe foram feitos, a Presidenta manteve sua decisão, já há muito tempo anunciada, de nomear a senadora pelo Tocantins para este Ministério. Foi um sonoro tapa na cara em quem se empenhou para a sua reeleição, pois acreditavam que as posturas da presidenta no seu segundo mandato, diante dos movimentos do campo e indígenas, seriam diferentes.

Enganamo-nos todos.  A nomeação de Kátia Abreu é a sinalização clara e explícita de que para a Presidenta, neste novo mandato, os povos indígenas, as comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais, os sem-terra em geral, continuarão a ser tratados como entraves que devem ser afastados de qualquer jeito para que o “desenvolvimento econômico” aconteça em nosso país.  

Como não entender assim, se a senadora junto com toda a bancada ruralista, sempre ferrenhamente se opôs ao reconhecimento dos territórios indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais; abertamente se mostra contrária aos movimentos que lutam pela conquista da terra; escancaradamente defende o agronegócio com seus monocultivos regados a agrotóxicos cada vez mais nocivos à saúde humana e do meio ambiente?

Os movimentos do campo que a apoiaram mereciam outra coisa. Podia até ser um ministro alinhado ao agronegócio, mas que não trouxesse em sua bagagem toda esta carga de confronto aberto, sobretudo em relação aos que, durante toda a história destes últimos cinco séculos, foram humilhados, esbulhados de seus territórios e de sua cultura. Nós da CPT, que há 40 anos caminha junto às mais diversas comunidades de camponeses e camponesas, de trabalhadores e trabalhadoras, milhares deles e delas submetidos às condições degradantes de trabalho análogo ao trabalho escravo, seguimos em frente. Faz escuro, mas eu canto, esse verso de Thiago de Mello que tomamos emprestado como lema de nosso IV Congresso, que vai se realizar em Porto Velho (RO) em julho de 2015, expressa bem o que vivemos e sentimos nesta hora.  Apesar de tudo temos esperança, pois a mudança em nosso país só poderá vir de baixo, da rebeldia de quem se nega a ser tratado simplesmente como estorvo e assume sua condição de cidadão construtor de sua dignidade e de seus direitos
Goiânia, natal de 2014.

A Diretoria e Coordenação Executiva Nacional

Celebração nos assentamentos e acampamentos revive verdadeiro sentido do Natal



Camponeses e Camponesas acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra em Alagoas celebraram, na última semana, o nascimento do menino Jesus nas áreas de Reforma Agrária, revivendo momentos de reflexão, de comunhão e da vida coletiva.

O Natal representa a chegada do Messias, o Menino Jesus, que veio para semear o amor e a fraternidade, enfrentou os poderosos e morreu sob tortura por defender um mundo de justiça, fraternidade e igualdade. Relembrando a luta de Jesus, as celebrações reuniram dezenas de famílias de diversos acampamentos e assentamentos por região.

A primeira celebração ocorreu dia 20 de dezembro, no Sertão, no assentamento Todos os Santos, em Água Branca. Um coral das crianças do projeto Caminho Verde encerrou a atividade cantando “Noite Feliz” e contracenando uma peça mostrando que o natal não é lista de presentes e sim o nascimento do menino Jesus. O presente deve ser o amor.

O Pároco Delorizano Marques, durante a homilia, falou sobre o nascimento do Messias: "Jesus fez a opção de nascer não nos palácios, ao lado dos poderosos; mas sim de forma humilde, entre os pobres".

Na Zona da Mata, dois acampamentos festejaram o Natal com apresentações infantis e a realização de Missas. Em Ibateguara, no dia 22, no acampamento Cachoeira Dantas, a Eucaristia foi presidida pelo Padre José Firmino. Já em Murici, no acampamento Mumbuca, o Padre André celebrou a missa no dia 23 e disse que o Natal é tempo de amar.

“Nós temos que reaprender a amar, a cuidar do próximo. Não podemos trocar o natal por uma farra, aí deixa de em nossa casa ter um presépio para ter uma presepada”, brincou o Padre André, pároco de Murici.

“Hoje, esse evento que a CPT nos proporcionou é para dar graças, de voltar para casa disposto a perdoar, e seguir o caminho trilhado por Jesus, de justiça e comunhão”, concluiu o Pe André.

O litoral também celebrou o Natal. No assentamento Padre Alex Cauchi, as famílias camponesas se reuniram no dia 22 para comemorar o nascimento do menino Jesus e renovar a esperança de uma vida melhor.


“Como Pastoral acreditamos na intervenção divina e buscamos apresentar a boa nova aos empobrecidos do campo. Celebrar o nascimento de jesus é renovar a nossa fé e a nossa missão”, afirmou Carlos Lima coordenador da CPT de Alagoas.  






quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Camponeses terão celebração de Natal nas áreas de reforma agrária


A Comissão Pastoral da Terra (CPT) estará realizando o Natal das famílias camponesas em diversas áreas da Reforma Agrária no Estado de Alagoas. Serão 3 celebrações natalinas, no Sertão, na Zona da Mata e no Litoral Norte.

A primeira, a do Sertão, será realizada no próximo dia 20, no assentamento Todos os Santos, em Água Branca. Já no dia 22, a celebração será no litoral, no assentamento padre Alexander Cauchi, em Porto de Pedras, e no dia 23, na região da mata, no acampamento Mumbuca, em Murici.

Bem distante do consumismo pregado pelo capitalismo, a tradição da Pastoral é levar aos camponeses e às camponesas a reflexão do verdadeiro sentido do Natal, do nascimento do menino Jesus e de sua luta contra a opressão, pela libertação dos homens e das mulheres. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Entidade Italiana organiza almoço solidário à luta por Reforma Agrária em Alagoas

Recurso é destinado para projetos da Pachamama em parceria com a Pastoral da Terra


A Associação Italiana Pachamama (Terra Mãe) realizou no último domingo, 14 de dezembro, na Paróquia de São Caetano, em Torino, um almoço de solidariedade à Comissão Pastoral da Terra em Alagoas. 

Essa foi a sexta edição do “Pachapranzo solidale” que contou com a presença de mais de 100 pessoas vinculadas à associação para degustar a comida brasileira, como a feijoada e a macaxeira frita, e ter informações sobre a realidade do nordeste, da reforma agrária e dos projetos desenvolvidos pela Pachamama.

Para Omar Borio, primeiro membro da Associação a visitar os acampamentos e assentamentos em Alagoas, esse evento possibilitou mobilizar pessoas para aumentar o compromisso social com a CPT e as famílias camponesas, disseminando as atividades da Pastoral.

“Uma vez que se conhece a realidade de luta pela terra, pelo trabalho e a dignidade das famílias camponesas, não é possível, mesmo morando do outro lado do mundo, não ser solidários com elas”, afirmou Omar.

Parceria

Desde 2009, são desenvolvidos projetos em parceria com a CPT/Alagoas, a exemplo do “Semeadores da saúde” que capacita camponeses e camponesas a trabalharem de forma preventiva nos assentamentos e acampamentos detectando enfermidades e orientando na saúde coletiva.

Os sócios da Pachamama se reúnem, em assembleia mensalmente, realizam encontros de formação sobre a realidade do Brasil, principalmente a de Alagoas, e organizam eventos para arrecadar fundos destinados ao trabalho da CPT de lutar para que as famílias camponesas tenham o acesso à terra, à água e a uma vida digna.

Palestras na Universide e Paróquias de Torino/Itália e visitas ao Brasil também fazem parte das atividades da associação. Em Alagoas, a Pachamama já realizou três edições da Janta Italiana, atividade beneficente na qual é servida a culinária italiana. E em 2015 está prevista a realização da quarta edição do evento.

“Queremos ampliar o número de sócios e de atividades em apoio a causa dos sem terras em Alagoas e, com isso, a esperança no avanço da luta por justiça social. A Pachamama deseja um 2015 repleto de felicidade e conquistas na luta pela terra e por dignidade”, disse a mensagem de Emanuele Daglio, presidente da Associação, enviada à CPT.







segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

CPT afirma no Mora na Filosofia: “Terra é sinônimo de poder”




O Coordenador da CPT, Carlos Lima, e o professor Cícero Albuquerque afirmaram que a terra simboliza poder, durante o debate “A luta pela terra: um desafio contemporâneo?”, organizado pelo grupo Mora na Filosofia, na noite do dia 12 de dezembro, como parte da programação da Feira da Reforma Agrária, do Movimento Libertação dos Sem Terra – MLST, realizada na Praça da Faculdade.

Para Cícero Albuquerque, a compra de 10 mil hectares no Maranhão pelo Senador Renan Calheiros, detentor de latifúndios em Alagoas, exemplifica essa afirmação. “Não basta ter dinheiro, não basta ter poder político, é preciso ter terra para afirmar essa condição. Enquanto do outro lado, há milhares de famílias sem terras que lutam por dignidade, por um lugar para viver”, afirmou o professor da UFAL.

Carlos Lima, completou dizendo: “Fazer reforma agrária é mais do que partilhar a terra, é dividir o poder que essa oligarquia não quer. O que já foi feito de reforma agrária é resultado da luta dos movimentos sociais do campo”.


Ao final do debate, o camponês José Feliciano, o Saúba, fez um forte e emocionado depoimento afirmando que os sem terras têm medo de serem escravizados e, por isso, lutam. “Eu trabalhei em usina, no corte de cana, e sei do sofrimento que é depender dos usineiros para viver. Estou livre dessa escravidão e posso morrer, mas morrerei feliz de estar na luta com os trabalhadores”, afirmou Saúba, da CPT.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Forró Nó Cego e Bingo são as atrações de hoje na Feira Camponesa



A praça Dênis Agra, no Santo Eduardo, está sendo palco da última Feira Camponesa Itinerante de 2014. O evento teve início ontem e segue até o meio dia do sábado. Na noite de hoje, 28 de novembro, contará com duas atrações: a banda Forró Nó Cego e o bingo de uma cesta de produtos camponeses.

“Esta edição, além de trazer o melhor da produção do campo para a cidade, tem forró, bingo, casa de farinha e oficina com o pessoal do Encrespa”, afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra responsável pelo evento, convidando à população para comparecer ao local.

Cerca de 30 camponeses e camponesas estão na praça, das 6 horas até às 23h, comercializando alimentos produzidos de maneira agroecológica nos assentamentos e acampamentos da reforma agrária em Alagoas.


A itinerante no Santo Eduardo, a última de 2014, conta com o apoio da Paróquia Nosso Senhor do Bonfim, da Igreja Nossa Senhora da Assunção, do ITERAL e do projeto Encrespa Alagoas.   

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Feira Camponesa começa amanhã e já movimenta Santo Eduardo

De quinta até sábado camponeses realizam feira itinerante na Praça Jornalista Dênis Agra


A Feira Camponesa Itinerante ainda nem começou e a população já começa adquirir alimentos agroecológicos direto com o produtor rural, na praça jornalista Dênis Agra, Santo Eduardo. Frutas, verduras, inhame, macaxeira, galinha estão à venda na Feira que começa, oficialmente, amanhã, quinta-feira, a partir das 6 horas, e segue até o meio dia do sábado.

Organizado pela Comissão Pastoral da Terra – CPT, o evento reúne 30 camponeses e camponesas acampados e assentados nas áreas de reforma agrária em Alagoas. Nesta edição, que conta com o apoio da Igreja Nossa Senhora da Assunção e da Paróquia Nosso Senhor do Bonfim, será montada uma casa de farinha no meio da praça, assando a mandioca na hora e fazendo também o biju.

Na programação, a noite da sexta-feira, 28, contará com a apresentação da banda Forró Nó Cego e também com um bingo. Já no sábado, pela manhã, o projeto Encrespa Alagoas realizará uma oficina de Cabelo e Identidade, refletindo a partir da cabeleira crespa, ondulada e cacheada identidade, autoconhecimento e autoestima.

Serviço
Feira Camponesa Itinerante
Data: 27 a 29 de novembro de 2014
Horário: das 6h às 23 horas
Local: Praça Jornalista Dênis Agra, Santo Eduardo







terça-feira, 25 de novembro de 2014

Última Feira Camponesa de 2014 será no Santo Eduardo


A Comissão Pastoral da Terra estará realizando, nos dias 27, 28 e 29 de novembro, a última Feira Camponesa de 2014. A versão itinerante do evento reunirá cerca de 30 camponeses e camponesas na Praça Jornalista Dênis Agra, Santo Eduardo, em frente à Igreja Nossa Senhora da Assunção.

Banana, abóbora, mamão, abacaxi, inhame, macaxeira, verduras, mel e ovos serão alguns dos produtos comercializados a baixo custo, direto do produtor rural. “São alimentos saudáveis, produzidos sem o uso de agrotóxicos, nas áreas de assentamento e acampamentos acompanhados pela CPT”, afirma a agrônoma Heloísa Amaral, coordenadora da Pastoral.

A 5ª Feira Itinerante de 2014 conta com o apoio da Paróquia Nosso Senhor do Bonfim. Ao todo, este ano, foram sete: duas grandes Feiras Camponesas, realizadas na Praça da Faculdade, e mais cinco distribuídas nos bairros do Pinheiro, do Salvador Lyra e do Santo Eduardo.

Noite Cultural

A última Feira Camponesa de 2014 também contará com uma noite bastante animada. O dia 28, sexta-feira, será o encerramento oficial das atividades do ano, com direito à forró e bingo. O Grupo Nó Cego se apresentará com o melhor do forró pé-de-serra e acompanhará o bingo de uma cesta de alimentos.

Encrespa

O projeto Encrespa, que busca a reflexão sobre a cabeleira crespa/ondulada/cacheada, em busca da identidade, do autoconhecimento e da autoestima, realizará a oficina Cabelo e Identidade no sábado, 29, pela manhã, e será mais uma atração desta Feira Itinerante.

Convite

“Convidamos a toda a população maceioense para prestigiar a Feira! Esse ano foi de muita luta e produção no campo. Queremos encerrar o ano com o sucesso que começamos. Compareça e adquira os frutos da reforma agrária”, conclui Amaral.

Serviço

FEIRA CAMPONESA ITINERANTE
Dias: 27, 28 e 29 de novembro
Local: Praça Jornalista Dênis Agra, Santo Eduardo
Horário: das 6h às 23 horas

terça-feira, 11 de novembro de 2014

“Também sou teu povo, Senhor. Estou nessa estrada”

Romaria da Terra reúne mais de 1000 fiéis em Jacuípe




A 27ª Romaria da Terra e das Águas, com o tema da Rebeldia Cabana à Resistencia Camponesa, reuniu fiéis, de todas as idades, da cidade e do campo, para uma caminhada de fé, alegria e esperança, na noite do último sábado até o amanhecer de domingo, dias 8 e 9 de novembro.

Em um percurso de mais de 11 km, de Canafístula ao Assentamento Boa Vista, em Jacuípe, os romeiros e romeiras cantaram e rezaram sem desanimar. Ao todo, foram 5 horas de caminhada por uma pequena estrada de barro, cercada de latifúndios. Iluminados pelo Espírito Santo, pela lua cheia, por candeeiros e velas, o caminho se fez breve.

A Romaria da Terra e das Águas é realizada anualmente pela Comissão Pastoral da Terra, pelas Comunidades Eclesiais de Base e pela Arquidiocese de Maceió. Este ano, contou também com a Paróquia São Caetano de Thiene, do Município de Jacuípe, que sediou o evento.

A santa missa



A concentração da Romaria aconteceu em torno da pequena e charmosa Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Canafístula. À sua frente, em cima do trio elétrico, grupo Alfa e Ômega, da paroquia de São Caetano, acolheram os presentes com as músicas da caminhada.

Antes da partida, a celebração da Santa Missa foi realizada com a presença do pároco da cidade, padre José Jeronimo, com o padre Roniel, de Porto Calvo, e presidida pelo padre Alex Cauchi, que por muitos anos foi membro da CPT de Alagoas e, atualmente, atua na Arquidiocese de João Pessoa. No altar, uma miniatura de uma cabana, para lembrar a luta do Povo Cabano.

O Ato penitencial iniciou com as recentes palavras do papa Francisco, foram lembradas e repetidas pelo povo presente: “nenhum camponês sem terra, nenhuma família sem teto e nenhum trabalhador sem direitos”. Em seguida foram queimados cartazes com palavras que simbolizam o sofrimento do povo imposto pelo capital no campo: cerca Agrotóxico, latifúndio e monocultivo.


Percurso

Após o banquete da vida, alimentados pelo corpo e o sangue de Cristo, os romeiros e romeiras acenderam suas velas e partiram em caminhada. À frente, a “cruz sem males” guiava a romaria.

Um trajeto cheio de pedras lembrava as dificuldades que o povo Hebreu teve ao fugir da opressão no Egito em direção à terra prometida. A animação que vinha do trio elétrico dava o tom de uma caminhada alegre e cheia de esperança.

Aconteceram duas paradas. A primeira, conduzida pela juventude camponesa, refletiu a Rebeldia Cabana, seguida da reflexão feita Lucilene, do Movimento de Mulheres Camponesas, que através de um cordel lembrou a resistência camponesa. Na segunda parada, o monge João Batista falou sobre a importância da caminhada, da romaria, e que é necessário ter uma direção. “A caminhada pode até cansar, mas é fundamental seguir em frente para alcançar nossos objetivos”, disse o monge aos Romeiros.

Reflexão                                                                                                                                                                          
A Romaria da Terra e das Águas é a atividade mais importante do ano organizada pela CPT. Essa é uma caminhada de fé e reflexão.

“Caminhamos 11 km, fazendo memória do povo Hebreu, escravizado e humilhado no Egito. Seu sofrimento foi sentido pelo Deus da vida que desceu e os conduziu pelas estradas da liberdade. Lembramos a luta dos Cabanos (índios, negros e brancos) que no século XIX lutaram, na região de Jacuípe, contra a escravidão e pela posse das terras. São essas memórias que nos fortalecem na construção de vida digna no campo e na cidade”, afirmou Carlos Lima, coordenador Regional da CPT.







quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Encontro Estadual da Juventude Camponesa discute identidade e produção agroecológica


Nos dias 29, 30 e 31 de outubro, o assentamento Flor do Bosque, em Messias, acolheu o Encontro Estadual da Juventude Camponesa. Com o tema “Identidade e produção agroecológica”, o evento reuniu cerca de 70 jovens vindos do sertão, do litoral e da zona da mata, de áreas acompanhadas pela CPT.

O encontro estadual marcou o encerramento das atividades com juventude em 2014. Alexsandra Timóteo, coordenadora de juventude da CPT, explicou que houve encontros preparatórios, por regiões, para discutir a permanência e a luta dos jovens no campo e a consciência agroecológica.

“Esse foi um momento muito importante, pois representou o ápice de uma série de atividades que construímos com os jovens dos acampamentos e assentamentos nesse ano. Foi uma experiência boa e conseguimos tratar de temas da realidade deles”, disse Timóteo.

Programação

A coordenação estadual propôs uma agenda bem diversificada, tratando de temas como cultura, sexualidade, acesso à terra, militância camponesa, trabalho e renda. Todo o evento foi construído coletivamente, com dinâmicas e místicas, representando um crescimento para a vida dos jovens.

Já na abertura, a presença do Padre Valmir Galdino, pároco de Messias, e do pastor Wellington Santos, da Igreja Batista do Pinheiro, enriqueceram a consciência dos jovens com saudações à juventude camponesa. O primeiro dia foi encerrado com uma roda de conversa sobre a 27ª Romaria da Terra e das Águas.

No segundo dia, quatro importantes oficinas foram realizadas: Agricultura familiar, trabalho e renda; Acesso à terra, agroecologia e condições de produção; Cultura nordestina; Gênero, sexualidade e diversidade sexual. Em seguida, Carlos Lima, coordenador da CPT, realizou uma palestra com o tema “o que é ser um militante?”, que norteou as discussões do dia.

Ainda na quinta-feira, antes do dia da plenária final, as jovens e os jovens realizaram um Festival de Cultura Camponesa, com apresentações de diversos acampamentos, capoeira e muita música.

“Todos saíram muito fortalecidos. As palestras, as oficinas e as celebrações conceberam boas propostas e perspectivas para o ano de 2015”, concluiu a coordenadora da juventude camponesa ao comemorar o resultado do encontro.

27ª Romaria da Terra e das Águas será dias 8 e 9 de novembro


O município de Jacuípe, palco da luta cabana do século XIX, receberá, nos dias 8 para o dia 9 de novembro, a 27ª Romaria da Terra e das Águas. Com o tema “Da rebeldia cabana à resistência camponesa”, os romeiros e romeiras seguirão em caminhada de Canafístula em direção ao assentamento Boa Vista, um percurso de 8 Km.

A Romaria relembra o êxodo do povo hebreu, libertando-se da opressão no Egito, em direção à terra prometida e é realizada anualmente pela Arquidiocese de Maceió, pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEB´s) e, neste ano, pela Paróquia São Caetano de Thiene de Jacuípe.  

“A caminhada, a busca, a luta são elementos essenciais para transformar a dura realidade. A presença de Deus é constante nas lutas legítimas que visam alcançar o bem-comum. Convoco, com a alegria do evangelho, o clero, as religiosas, os movimentos, as pastoreis, para que participem conosco deste ato de fé, na cidade cabana de Jacuípe”, convidou o arcebispo de Maceió, Dom Antônio Muniz.

Da rebeldia cabana à resistência camponesa

Os cabanos foram apresentados pela história oficial como um levante oposto ao período regencial, que se organizou e lutou, com o uso das marmas de fogo, pela volta de Do Pedro I ao trono. Muito mais do que isso, a luta dos cabanos (1832 a 1835) reuniu índios aldeados, negros que fugiam dos açoites dos engenhos, brancos e mestiços pobres que buscavam na zona da mata sul de Pernambuco e no norte de Alagoas um espaço para viver. 

A sua luta era por território e contra a escravidão. Eles eram chamados cabanos porque viviam em cabanas (moradias humildes) e em Jacuípe travaram uma importante luta contra os senhores de engenhos que queriam avançar seus canaviais e ampliar seus poderes.

A resistência camponesa, que ainda hoje há na região e em todo o Brasil, se faz necessária para acabar os latifúndios e democratizar a terra do país para haver melhores condições de vida para todo o povo.

Serviço:
27ª Romaria da Terra e das Águas
Dias 8 e 9 de novembro
Local: Jacuípe/AL

Programação:
20h - Acolhimento dos Romeiros e Romeiras;
20h45 – Exibição do Filme “O veneno está na mesa”;
21h50 – Momento Cultural;
23h – Celebração da Santa Missa;
00h30 – Saída da Romaria da comunidade Canafístula;
2h – 1ª Parada. Reflexão: A rebeldia canana;
3h30 – 2ª Parada. Reflexão: A resistência Camponesa;
4h30 – Chegada ao Assentamento Boa Vista;
5h – Café da manhã e retorno dos romeiros e romeiras.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Livro "Terra e Pastoral em Alagoas" é lançado na Feira Camponesa


Foi lançado ontem, 16, às 19 horas, durante a programação da 21ª Feira Camponesa, o livro “Terra e Pastoral em Alagoas: Conflitos e Liberdade”. Produzido pela Comissão Pastoral da Terra e pelo Grupo Terra, a obra retrata a história da luta campesina em Alagoas.

A solenidade de lançamento reuniu trabalhadores do campo e da cidade, sindicalistas, movimentos sociais e representantes de partidos políticos. Com cantos da luta pela terra, o evento trouxe relatos dos camponeses e dos organizadores do editorial.

“Sou analfabeto, mas faço história. O que tem nesse material vai ficar registrado para sempre”, afirmou José Feliciano, o Saúba. A luta pela terra enfrentada por ele e mais 5 camponeses e camponesas representam a trajetória da CPT em Alagoas e dão base para o conteúdo do livro.

Stella Lameira, diretora da Edufal, disse estar orgulhosa que a obra tenha sido publicada pela editora. “Eu tenho um carinho especial por esse livro, principalmente porque os camponeses, organizados pela CPT, ocuparam as terras em Água Branca que pertenciam a minha família. Meu avô, se estivesse vivo, teria muito orgulho em saber que a Fazenda se transformou no Assentamento Todos os Santos e representa uma vida digna para mais de 100 pessoas que lá vivem”, afirmou Stella, destacando que a luta de Maria Bobó, assentada nesse acampamento, está escrita no livro.


O evento foi encerrado com uma farta mesa de comidas camponesas e a sessão de autógrafos com os autores.

Confira as fotos.







quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Programação cultural encerra o primeiro dia da 21ª Feira Camponesa

Lançamento do livro “Terra e Pastoral em Alagoas” será o destaque da segunda noite




Com muito forró e alegria, foi encerrado o primeiro dia da 21ª Feira Camponesa. Centenas de pessoas assistiram ontem, 15 de outubro, na praça da Faculdade, as apresentações de Kleber Canto e Pinóquio do Acordeon. E de bônus, prestigiaram o teatro de bonecos Mamulengo Sururu.

A programação cultural, que começa sempre às 19 horas, se estende até a sexta-feira. O destaque de hoje, 16, será o lançamento do livro “Terra e Pastoral em Alagoas: Conflitos e liberdade”. Logo após, subirão ao palco da Feira Camponesa Guilla Gomes e Forró Nó Cego.

O Livro

A obra retrata a história da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas a partir de depoimentos de camponeses e camponesas que lutam por uma vida melhor no campo. Assim como a luta pela democratização da terra, o livro é uma obra coletiva. Seus organizadores são: Luís Sávio de Almeida, Carlos Lima, Alessandra Timótio e Anke Nikolaus.


Para saber mais, leia a entrevista com o coordenador da CPT, Carlos Lima. 
(http://averdade.org.br/2014/10/democratizacao-da-terra-e-os-desafios-trabalho-pastoral/)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Abertura da 21ª Feira Camponesa celebra a fartura no campo


Hoje, 15 de outubro, a Praça da Faculdade foi ocupada com o melhor da produção camponesa no estado de Alagoas. A 21º Feira Camponesa já começou e trouxe aos maceioenses os frutos da Reforma Agrária.  

Para marcar o início da Feira, foi realizada na manhã de hoje, a solenidade de abertura que reuniu camponeses, camponesas, convidados e apoiadores da luta. Embalados por cantigas e cordéis, os membros da mesa saudaram a chegada de mais uma primavera farta de alimentos e alegria para o trabalhador(a) rural.

Marcos Bezerra, ouvidor do INCRA, relatou acompanhar a luta camponesa há anos e sua evolução. “Antes, nas mesas de negociação, o pessoal dizia que os camponeses não trabalhavam para impedir a Reforma Agrária. Hoje, com tanta produção, não tem como afirmar mais isso. Essa Feira mostra o quanto a reforma agrária dá certo”, disse o representante do INCRA.

Um exemplo de que a luta dá certo é André Gomes, que falou representando os assentados. “Morei em São Paulo num quarto de 3 metros quadrado com minha esposa e dois filhos. Voltei para Alagoas para não passar fome. Foi na luta pela terra que conquistei minha casa. Nunca sonhei em ter uma casa como a que tenho hoje, onde posso plantar e produzir. Não troco meu pedacinho de terra por nada nessa vida. E tudo graças à luta e à CPT”, afirmou André Gomes, do assentamento Todos os Santos, em Água Branca.

“A 21ª Feira tem um brilho especial. É muita fartura e diversidade. É possível ver no rosto dos agricultores(as) a alegria em trazer à Maceió um produto tão bonito e vistoso, fruto de seu trabalho e de sua luta por um país mais justo”, comemorou Heloísa Amaral, coordenadora da CPT responsável pela Feira.

Estiveram presentes no ato de abertura o Diretor do Sindicato dos Urbanitários, José Cícero, o Sil, e o representante do Governo de Alagoas, Claudionor Araújo.

Programação

Ainda hoje, a partir das 19 horas, na programação cultural da Feira, subirão ao palco Pinóquio do Acordeon e Kleber Canto. Amanhã, o destaque será o lançamento do livro “Terra e Pastoral em Alagoas: Conflito e liberdade”, também a partir das 19 horas. A Feira se estende até o sábado, 18 de outubro.

Confira os melhores momentos: