quinta-feira, 15 de maio de 2014

MEB capacita equipe de educação popular


O Movimento de Educação de Base encerrou no dia 9 de maio a capacitação da primeira parte da equipe do Projeto MEB/PRONERA que atuará na alfabetização de 1200 camponeses e camponesas nas áreas de Reforma Agrária em Alagoas. O evento foi realizado na Chácara Sagrado Coração de Jesus, Maceió, e foi coordenado pela representante do MEB nacional, Silvante Pereira (DF).

Durante 5 dias, os educadores populares debateram a situação de Alagoas, da educação, a luta pela democratização da terra e se dedicaram principalmente a aprender e dominar o método “Saber, Viver e Lutar”. Essa pedagogia, desenvolvida pelo MEB, utiliza a reflexão da realidade dos educandos como ponto de partida  para sua alfabetização.

Os assentamentos e os acampamentos beneficiados terão salas de aula com 20 jovens e adultos, cada. O projeto, de duração de dois anos, já começa de imediato com esta turma de educadores recém capacitados para a ação.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Feira Camponesa Itinerante chega amanhã ao Santo Eduardo

       
 
        Os moradores do Conjunto Santo Eduardo receberão entre os dias 8 a 10 de maio a Feira Camponesa Itinerante. O evento, organizado pela Comissão Pastoral da Terra, será instalado em frente a Igreja Nossa Senhora da Assunção, na Praça Jornalista Denis Agra, e comercializará produtos da Reforma Agrária. 

Essa será a terceira edição de 2014 e conta com o apoio da Paróquia Nosso Senhor do Bonfim para acolher os 35 camponeses e camponesas trarão o melhor do produto agroecológico para Maceió. É o feijão, a macaxeira, a abóbora, o mel, a galinha, a banana,  o mamão cultivados sem agrotóxicos e com sabor de justiça social.

"Os agricultores lutam pela democratização das terras para produzir com qualidade para alimentar a cidade com produtos saudáveis e de baixo custo", afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da CPT responsável pelo evento, que garantiu preços menores do que os de mercado. "O alimento é barato pois é uma comercialização sem atravessadores, direto do produtor rural, e até com direito à pechincha", completou Amaral.

Forró Nó Cego animará evento

A noite da sexta-feira, dia 9 de maio, terá um sabor especial. É que os camponeses apresentarão outro produto tradicional seu: o forró pé-de-serra. O Grupo Forró Nó Cego tocará o melhor de Luiz Gonzaga, Flávio José, Ademar Monteiro, entre outros sucesso que retratam a vida do homem do campo. A Festa da Feira Itinerante terá início às 19 horas e será uma oportunidade dos trabalhadores rurais se confraternizarem com os da cidade.

Serviço:
Feira Camponesa Itinerante
Dias: 8 a 10 de maio de 2014
Horário: 6h às 22h
Local: Praça Jornalista Dênis Agra - Santo Eduardo

terça-feira, 6 de maio de 2014

Democratizar as terras e o conhecimento: MEB inicia capacitação de educadores populares


Os camponeses e as camponesas que lutam pela democratização das terras deram um passo fundamental para derrubar as cercas isolantes do conhecimento e democratizar o saber. Com disposição para enfrentar mais essa batalha, teve início ontem, 5 de maio, a capacitação dos Educadores Populares envolvidos na meta de alfabetizar 1200 trabalhadores rurais em assentamentos e acampamentos de Alagoas.

O projeto, coordenado pelo Movimento de Educação de Base - MEB - e em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária - PRONERA, dará início as aulas com 60 turmas de jovens e adultos a partir de segunda-feira, quando finaliza o processo de capacitação da equipe de trabalho.

Abertura afirmou importância da educação



Na noite de ontem, estiveram reunidos no auditório da Chácara Sagrado Coração de Jesus,na Serraria, representantes dos movimentos sociais, do governo, apoiadores do projeto e os educadores e educadoras rurais que embarcam nessa missão de alfabetizar seus companheiros de luta. Diana Aleixo do Movimento de Libertação dos Sem Terras coordenou a mesa de abertura da capacitação.

Irmã Cícera Menezes entoou músicas e liderou a mística de abertura. Aproveitou o momento para render homenagens a Dom Tomás Balduíno, afirmando que a Pastoral da Terra perdeu um pai. E, com isso, justificou a ausência de Carlos Lima, coordenador geral do projeto em Alagoas, que representou a CPT Nordeste 2 na cerimônia.

A representante da Secretaria Estadual de Educação e do Esporte - SEE, Maria das Graças, foi a primeira  a falar. Ela se colocou, em nome da Secretaria, à disposição para contribuir em todas as esferas para o sucesso do projeto, inclusive dispondo dos técnicos e das CRE´s para apoiar o que for necessário. “Estamos à disposição de iniciativas tão importantes como essa”, afirmou.

Já Lenilda Lima, superintendente do INCRA e professora por profissão, disse que é a educação é um sonho para muitos. “Estamos concretizando um grande projeto em educação. Não estaria realizada em minha passagem pelo INCRA, se não ajudasse além de derrubar a cercas das terras e do conhecimento”, afirmou Lima.

Para Raildo Ferreira, representante do Fórum de Educação no Campo, “a luta pelo saber não é apenas aprender a escrever o nome, é muito mais, é dar autonomia, conhecer direitos e deveres, é aprofundar a humanização”.

Discutindo sobre o papel do conhecimento, Gobery Lessa, assegurador do PRONERA em Alagoas, disse: “mesmo que as pessoas que não sabem ler, tem uma sabedoria muito profunda. O nosso curso não é para ensinar o camponês é para dialogar seu conhecimento com a cultura letrada que ele ainda não aprendeu. Será uma troca de conhecimentos”.

A representante da Comissão Pastoral da Terra aprofundou o debate sobre o papel da escola. Graça Alves afirmou que “há escola que prende e escola que ensina a voar. E é esta que vamos construir”.  

Josival Oliveira do MLST, disse que sua educação foi através do MEB. “Fui ensinado a lutar e a viver. Tenho convicção no sucesso do projeto, pois esse auditório está repleto de pessoas com compromisso social, pessoas que querem construir algo diferente nesse Estado débil”.

Encerrando a solenidade de abertura, Silvanete Silveira, coordenadora nacional do MEB, afirmou que o PRONERA foi uma luta dos movimentos sociais do campo. “A educação é uma das condições que queremos para a melhoria de vida do povo no campo. Nossos alunos e alunas vão dar o tom da educação, dizer que caminho seguir. É um projeto construído à muitas mãos, e executá-lo faz parte desse processo educativo”.




sábado, 3 de maio de 2014

NOTA DE FALECIMENTO - Dom Tomás Balduino, fundador da CPT, fez a sua páscoa


É com grande tristeza que CPT comunica o falecimento de Dom Tomás Balduino, bispo emérito da cidade de Goiás (GO) e fundados da Comissão Pastoral da Terra. Apesar da tristeza temos a certeza que Dom Tomás viveu sua vida em plenitude, e em comunhão com a causa dos pobres da terra. Seu exemplo e luta estarão presentes sempre na caminha daqueles e daquelas que lutam por um mundo melhor e por justiça social.



“Para tudo há uma ocasião certa;
há um tempo certo para cada propósito
debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer,
tempo de plantar
e tempo de arrancar o que se plantou...

tempo de lutar e tempo de viver em paz”. 
(Eclesiastes 3:1-8)



É com grande pesar e muita tristeza que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) comunica a todos e todas o falecimento de Dom Tomás Balduino. Fundador da CPT, bispo emérito da cidade de Goiás e frade dominicano, Dom Tomás lutou por toda sua vida pela defesa dos direitos dos pobres da terra, dos indígenas, das demais comunidades tradicionais, e por justiça social. Nem mesmo com a saúde debilitada e internado no hospital ele deixava de se preocupar com a questão da terra e pedia, em conversas, para saber o que estava acontecendo no mundo.



Aos 91 anos, completados em dezembro passado, Dom Tomás Balduino, o bispo da reforma agrária e dos indígenas, nos deixa seu exemplo de luta, esperança e crença no Deus dos pobres. Ficamos, hoje, todos e todas um pouco órfãos, mas seguimos na certeza de quem Dom Tomás está e estará presente sempre, nos pés que marcham por esse país e nas bandeiras que tremulam por esse mundo em busca de uma sociedade mais justa e igualitária.



Dom Tomás faleceu em decorrência de uma trombo embolia pulmonar, às 23h30 de ontem, 02 de maio de 2014. Ele permaneceu internado entre os dias 14 e 24 de abril último no hospital Anis Rassi, em Goiânia. Teve alta hospitalar dia 24, e no dia seguinte foi novamente internado, porém desta vez no Hospital Neurológico, também em Goiânia. 



O Corpo será velado na Igreja São Judas Tadeu, no Setor Coimbra, em Goiânia, até às 10 horas do domingo, dia 4 de maio, momento em que será concelebrada a Eucaristia, e logo em seguida será transladado para a cidade de Goiás (GO), onde será velado na Catedral da cidade até às 9 horas da segunda-feira, 5 de maio, e logo em seguida será sepultado na própria Catedral. 



Biografia de Dom Tomás Balduino



Dom Tomás Balduino nasceu em Posse, Goiás, no dia 31 de dezembro de 1922. Ele é filho de José Balduino de Sousa Décio, goiano, e de Felicidade de Sousa Ortiz, paulista. Seu nome de batismo é Paulo, Paulo Balduino de Sousa Décio. Foi o último filho homem de uma família de onze filhos, três homens e oito mulheres. Ao se tornar religioso dominicano recebeu o nome de Frei Tomás, como era costume.



Até os cinco anos de idade viveu em Posse. Depois a família migrou para Formosa, onde seu pai se tornou promotor público, depois juiz e se aposentou como tal.



Fez o Seminário Menor – Escola Apostólica Dominicana – em Juiz de Fora, MG. Fez os estudos secundários no Colégio Diocesano, dirigido pelos irmãos maristas, em Uberaba.  Cursou filosofia em São Paulo e Teologia em Saint Maximin, na França, onde também fez mestrado em Teologia.



Em 1950, lecionou filosofia em Uberaba. Em 1951 foi transferido para Juiz de Fora como vice-reitor da então Escola Apostólica Dominicana e lecionou filosofia, na Faculdade de Filosofia da cidade.



Em 1957, foi nomeado superior da missão dos dominicanos da Prelazia de Conceição do Araguaia, estado do Pará, onde viveu de perto a realidade indígena e sertaneja. Na época a Pastoral da Prelazia acompanhava sete grupos indígenas. Para desenvolver um trabalho mais eficaz junto aos índios, fez mestrado em Antropologia e Linguística, na UNB, que concluiu em 1965. Estudou e aprendeu a língua dos índios Xicrin, do grupo Bacajá, e Kayapó.



Para melhor atender a enorme região da Prelazia que abrangia todo o Vale do Araguaia paraense e parte do baixo Araguaia mato-grossense, fez o curso de piloto de aviação. Amigos solidários da Itália o presentearam com um teco-teco com o qual prestou inestimável serviço, sobretudo no apoio e articulação dos povos indígenas. Também ajudou a salvar pessoas perseguidas pela Ditadura Militar.



Em 1965, ano em que terminou o Concílio Ecumênico Vaticano II, foi nomeado Prelado de Conceição do Araguaia. Lá viveu de maneira determinante e combativa os primeiros conflitos com as grandes empresas agropecuárias que se estabeleciam na região com os incentivos fiscais da então SUDAM, e que invadiam áreas indígenas, expulsavam famílias sertanejas, os posseiros, e traziam trabalhadores braçais de outros Estados, sobretudo do nordeste brasileiro, que eram submetidos, muitas vezes, a regimes análogos ao trabalho escravo.



Em 1967, foi nomeado bispo diocesano da Cidade de Goiás. Nesse mesmo ano foi ordenado bispo e assumiu o pastoreio da Diocese, onde permaneceu durante 31 anos, até 1999 quando, ao completar 75 anos, apresentou sua renúncia e mudou-se para Goiânia. Seu ministério episcopal coincidiu, a maior parte do tempo, com a Ditadura Militar (1964-1985).



Dom Tomás, junto à Diocese de Goiás, procurou adequar a Diocese ao novo espírito do Concílio Ecumênico Vaticano II e de Medellín (1968). Por isso sua atuação, ao lado dos pobres, no espírito da opção pelos pobres, marcou profundamente a Diocese e seu povo. Lavradores se reuniam no Centro de Treinamento onde Dom Tomás morava, para definir suas formas de organização e suas estratégias de luta. Esta atuação provocou a ira do governo militar e dos latifundiários que perseguiram e assassinaram algumas lideranças dos trabalhadores. Em julho de 1976, Dom Tomás foi ao sepultamento do Padre Rodolfo Lunkenbein e do índio Simão Bororo, assassinados pelos jagunços, na aldeia de Merure, Mato Grosso. Em sua agenda estava programada uma outra atividade. Soube depois, por um jornalista, que durante esta atividade programada, estava sendo preparada uma emboscada para eliminá-lo.



Alguns movimentos nacionais como o Movimento do Custo de Vida, a Campanha Nacional pela Reforma Agrária, encontraram apoio e guarida de Dom Tomás e nasceram na Diocese de Goiás.



Dom Tomás foi personagem fundamental no processo de criação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em 1972, e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1975.  Nas duas instituições Dom Tomás sempre teve atuação destacada, tendo sido presidente do CIMI, de 1980 a 1984 e presidente da CPT de 1999 a 2005. A Assembleia Geral da CPT, em 2005, o nomeou Conselheiro Permanente.



Depois de deixar a Diocese, além de ser presidente da CPT, desenvolveu uma extensa e longa pauta de conferências e palestras em Seminários, Simpósios e Congressos, tanto no Brasil quanto no exterior. Por sua atuação firme e corajosa recebeu diversas condecorações e homenagens Brasil afora. Em 2002, a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás lhe concedeu a medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira. No mesmo ano recebeu o Título de Cidadão Goianiense, outorgado pela Câmara Municipal de Goiânia. 



Foi designado, em 2003, membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, CDES, do Governo Federal, cargo que deixou por sentir que pouco ou nada contribuía para as mudanças almejadas pela nação brasileira. Foi também nomeado membro do Conselho Nacional de Educação.

No dia 8 de novembro de 2006, Dom Tomás recebeu da Universidade Católica de Goiás (UCG) o título de Doutor Honoris Causa, devido ao comprometimento de Dom Tomás com a luta pelo povo pobre de Deus.



No dia 18 de abril de 2008 recebeu em Oklahoma City (EUA), da Oklahoma City National Memorial Foudation, o prêmio Reflections of Hope. A organização considerou que as ações de Dom Tomás são exemplos de esperança na solução das causas que levam a miséria de tantas pessoas em todo o mundo. A premiação Reflections of Hope foi criada em 2005 para lembrar o 10º aniversário do atentado terrorista de Oklahoma – quando um caminhão-bomba explodiu em frente a um edifício, matando 168 pessoas – e para homenagear aqueles que representam a esperança em meio à tragédia e dedicam suas vidas para melhorar a vida do próximo.

De 22 até 29 de março 2009 foi em Roma para participar das palestras em homenagem de Dom Oscar Romero e dos 29 anos do seu assassinato.



Em 2012 a Universidade Federal de Goiás (UFG) também lhe outorgou o título de Doutor Honoris Causa. Em dezembro do mesmo ano, durante as comemorações dos seus 90 anos, a CPT homenageou-o dando o seu nome ao Setor de Documentação da Secretaria Nacional, que passou a se chamar “Centro de Documentação Dom Tomás Balduino”.

Projeto alfabetizará 1200 camponeses em Alagoas

Capacitação da equipe de educadores populares começa na próxima segunda-feira


Com o tema “Territórios da Reforma Agrária livres do Analfabetismo”, o Movimento de Educação de Base, através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA, alfabetizará 1200 trabalhadores e trabalhadoras rurais em Alagoas. O projeto, com duração de dois anos, tem início na próxima segunda-feira, 5 de maio, com a capacitação da equipe.

Ao todo, 75 educadores populares estão envolvidos no processo de erradicar o analfabetismo de homens e mulheres que vivem nos acampamentos e nos assentamentos organizados pela Comissão Pastoral da Terra - CPT, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST e Movimento de Libertação dos Sem Terra – MLST.  

Carlos Lima, integrante da CPT, coordenará o Projeto no estado de maior índice de analfabetismo do país. Para ele, é preciso que o Governo do Estado e dos Municípios colaborem para o alcance dessa meta. “Esse, sem dúvida, é um projeto bastante ousado e contribuirá e muito para diminuir os índices alarmantes que Alagoas amarga”, afirmou Lima. 

Os movimentos sociais envolvidos comemoram a inciativa que conta com o INCRA como parceiro. Mas, ao mesmo tempo, reclamam do abandono das atuais escolas e das condições de vida no campo. “É contraditório ter tantos incentivos dos Governos para meia dúzia de usineiros, enquanto para milhares de famílias não há terras para plantar e nem escolas para estudar”, criticou o coordenador da CPT a prioridade de investimentos públicos e a paralisia da Reforma Agrária.


Sobre o MEB

O Movimento é uma instituição de educação que prioriza a educação popular, com ações voltadas para a alfabetização de pessoas jovens, adultas e idosas, criando condições para a continuidade dos processos educativos. Em Alagoas, o MEB utilizará seu método educacional “Saber, Viver e Lutar” com 60 turmas de jovens e adultos, durante os próximos 24 meses. 

Serviço

Lançamento do Projeto de Alfabetização no Campo / Abertura da Capacitação dos educadores populares
Dia: 5 de maio de 2014
Horário: 19h 
Local: Recanto Coração de Jesus - Rua Adolfo Gustavo, 390. Serraria/Maceió