terça-feira, 6 de maio de 2014

Democratizar as terras e o conhecimento: MEB inicia capacitação de educadores populares


Os camponeses e as camponesas que lutam pela democratização das terras deram um passo fundamental para derrubar as cercas isolantes do conhecimento e democratizar o saber. Com disposição para enfrentar mais essa batalha, teve início ontem, 5 de maio, a capacitação dos Educadores Populares envolvidos na meta de alfabetizar 1200 trabalhadores rurais em assentamentos e acampamentos de Alagoas.

O projeto, coordenado pelo Movimento de Educação de Base - MEB - e em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária - PRONERA, dará início as aulas com 60 turmas de jovens e adultos a partir de segunda-feira, quando finaliza o processo de capacitação da equipe de trabalho.

Abertura afirmou importância da educação



Na noite de ontem, estiveram reunidos no auditório da Chácara Sagrado Coração de Jesus,na Serraria, representantes dos movimentos sociais, do governo, apoiadores do projeto e os educadores e educadoras rurais que embarcam nessa missão de alfabetizar seus companheiros de luta. Diana Aleixo do Movimento de Libertação dos Sem Terras coordenou a mesa de abertura da capacitação.

Irmã Cícera Menezes entoou músicas e liderou a mística de abertura. Aproveitou o momento para render homenagens a Dom Tomás Balduíno, afirmando que a Pastoral da Terra perdeu um pai. E, com isso, justificou a ausência de Carlos Lima, coordenador geral do projeto em Alagoas, que representou a CPT Nordeste 2 na cerimônia.

A representante da Secretaria Estadual de Educação e do Esporte - SEE, Maria das Graças, foi a primeira  a falar. Ela se colocou, em nome da Secretaria, à disposição para contribuir em todas as esferas para o sucesso do projeto, inclusive dispondo dos técnicos e das CRE´s para apoiar o que for necessário. “Estamos à disposição de iniciativas tão importantes como essa”, afirmou.

Já Lenilda Lima, superintendente do INCRA e professora por profissão, disse que é a educação é um sonho para muitos. “Estamos concretizando um grande projeto em educação. Não estaria realizada em minha passagem pelo INCRA, se não ajudasse além de derrubar a cercas das terras e do conhecimento”, afirmou Lima.

Para Raildo Ferreira, representante do Fórum de Educação no Campo, “a luta pelo saber não é apenas aprender a escrever o nome, é muito mais, é dar autonomia, conhecer direitos e deveres, é aprofundar a humanização”.

Discutindo sobre o papel do conhecimento, Gobery Lessa, assegurador do PRONERA em Alagoas, disse: “mesmo que as pessoas que não sabem ler, tem uma sabedoria muito profunda. O nosso curso não é para ensinar o camponês é para dialogar seu conhecimento com a cultura letrada que ele ainda não aprendeu. Será uma troca de conhecimentos”.

A representante da Comissão Pastoral da Terra aprofundou o debate sobre o papel da escola. Graça Alves afirmou que “há escola que prende e escola que ensina a voar. E é esta que vamos construir”.  

Josival Oliveira do MLST, disse que sua educação foi através do MEB. “Fui ensinado a lutar e a viver. Tenho convicção no sucesso do projeto, pois esse auditório está repleto de pessoas com compromisso social, pessoas que querem construir algo diferente nesse Estado débil”.

Encerrando a solenidade de abertura, Silvanete Silveira, coordenadora nacional do MEB, afirmou que o PRONERA foi uma luta dos movimentos sociais do campo. “A educação é uma das condições que queremos para a melhoria de vida do povo no campo. Nossos alunos e alunas vão dar o tom da educação, dizer que caminho seguir. É um projeto construído à muitas mãos, e executá-lo faz parte desse processo educativo”.




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