segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

NOTA PÚBLICA: Presente de Natal

A Diretoria e Coordenação Executiva Nacional da CPT se juntam aos povos indígenas, comunidades quilombolas, movimentos sociais do campo e a uma grande massa de brasileiros e brasileiras para expressar sua inconformidade e indignação em relação ao presente que lhes foi dado na antevéspera do Natal, pela presidenta da república Dilma Rousseff, com a nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura.

Fazendo-se surda aos apelos que lhe foram feitos, a Presidenta manteve sua decisão, já há muito tempo anunciada, de nomear a senadora pelo Tocantins para este Ministério. Foi um sonoro tapa na cara em quem se empenhou para a sua reeleição, pois acreditavam que as posturas da presidenta no seu segundo mandato, diante dos movimentos do campo e indígenas, seriam diferentes.

Enganamo-nos todos.  A nomeação de Kátia Abreu é a sinalização clara e explícita de que para a Presidenta, neste novo mandato, os povos indígenas, as comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais, os sem-terra em geral, continuarão a ser tratados como entraves que devem ser afastados de qualquer jeito para que o “desenvolvimento econômico” aconteça em nosso país.  

Como não entender assim, se a senadora junto com toda a bancada ruralista, sempre ferrenhamente se opôs ao reconhecimento dos territórios indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais; abertamente se mostra contrária aos movimentos que lutam pela conquista da terra; escancaradamente defende o agronegócio com seus monocultivos regados a agrotóxicos cada vez mais nocivos à saúde humana e do meio ambiente?

Os movimentos do campo que a apoiaram mereciam outra coisa. Podia até ser um ministro alinhado ao agronegócio, mas que não trouxesse em sua bagagem toda esta carga de confronto aberto, sobretudo em relação aos que, durante toda a história destes últimos cinco séculos, foram humilhados, esbulhados de seus territórios e de sua cultura. Nós da CPT, que há 40 anos caminha junto às mais diversas comunidades de camponeses e camponesas, de trabalhadores e trabalhadoras, milhares deles e delas submetidos às condições degradantes de trabalho análogo ao trabalho escravo, seguimos em frente. Faz escuro, mas eu canto, esse verso de Thiago de Mello que tomamos emprestado como lema de nosso IV Congresso, que vai se realizar em Porto Velho (RO) em julho de 2015, expressa bem o que vivemos e sentimos nesta hora.  Apesar de tudo temos esperança, pois a mudança em nosso país só poderá vir de baixo, da rebeldia de quem se nega a ser tratado simplesmente como estorvo e assume sua condição de cidadão construtor de sua dignidade e de seus direitos
Goiânia, natal de 2014.

A Diretoria e Coordenação Executiva Nacional

Celebração nos assentamentos e acampamentos revive verdadeiro sentido do Natal



Camponeses e Camponesas acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra em Alagoas celebraram, na última semana, o nascimento do menino Jesus nas áreas de Reforma Agrária, revivendo momentos de reflexão, de comunhão e da vida coletiva.

O Natal representa a chegada do Messias, o Menino Jesus, que veio para semear o amor e a fraternidade, enfrentou os poderosos e morreu sob tortura por defender um mundo de justiça, fraternidade e igualdade. Relembrando a luta de Jesus, as celebrações reuniram dezenas de famílias de diversos acampamentos e assentamentos por região.

A primeira celebração ocorreu dia 20 de dezembro, no Sertão, no assentamento Todos os Santos, em Água Branca. Um coral das crianças do projeto Caminho Verde encerrou a atividade cantando “Noite Feliz” e contracenando uma peça mostrando que o natal não é lista de presentes e sim o nascimento do menino Jesus. O presente deve ser o amor.

O Pároco Delorizano Marques, durante a homilia, falou sobre o nascimento do Messias: "Jesus fez a opção de nascer não nos palácios, ao lado dos poderosos; mas sim de forma humilde, entre os pobres".

Na Zona da Mata, dois acampamentos festejaram o Natal com apresentações infantis e a realização de Missas. Em Ibateguara, no dia 22, no acampamento Cachoeira Dantas, a Eucaristia foi presidida pelo Padre José Firmino. Já em Murici, no acampamento Mumbuca, o Padre André celebrou a missa no dia 23 e disse que o Natal é tempo de amar.

“Nós temos que reaprender a amar, a cuidar do próximo. Não podemos trocar o natal por uma farra, aí deixa de em nossa casa ter um presépio para ter uma presepada”, brincou o Padre André, pároco de Murici.

“Hoje, esse evento que a CPT nos proporcionou é para dar graças, de voltar para casa disposto a perdoar, e seguir o caminho trilhado por Jesus, de justiça e comunhão”, concluiu o Pe André.

O litoral também celebrou o Natal. No assentamento Padre Alex Cauchi, as famílias camponesas se reuniram no dia 22 para comemorar o nascimento do menino Jesus e renovar a esperança de uma vida melhor.


“Como Pastoral acreditamos na intervenção divina e buscamos apresentar a boa nova aos empobrecidos do campo. Celebrar o nascimento de jesus é renovar a nossa fé e a nossa missão”, afirmou Carlos Lima coordenador da CPT de Alagoas.  






quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Camponeses terão celebração de Natal nas áreas de reforma agrária


A Comissão Pastoral da Terra (CPT) estará realizando o Natal das famílias camponesas em diversas áreas da Reforma Agrária no Estado de Alagoas. Serão 3 celebrações natalinas, no Sertão, na Zona da Mata e no Litoral Norte.

A primeira, a do Sertão, será realizada no próximo dia 20, no assentamento Todos os Santos, em Água Branca. Já no dia 22, a celebração será no litoral, no assentamento padre Alexander Cauchi, em Porto de Pedras, e no dia 23, na região da mata, no acampamento Mumbuca, em Murici.

Bem distante do consumismo pregado pelo capitalismo, a tradição da Pastoral é levar aos camponeses e às camponesas a reflexão do verdadeiro sentido do Natal, do nascimento do menino Jesus e de sua luta contra a opressão, pela libertação dos homens e das mulheres. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Entidade Italiana organiza almoço solidário à luta por Reforma Agrária em Alagoas

Recurso é destinado para projetos da Pachamama em parceria com a Pastoral da Terra


A Associação Italiana Pachamama (Terra Mãe) realizou no último domingo, 14 de dezembro, na Paróquia de São Caetano, em Torino, um almoço de solidariedade à Comissão Pastoral da Terra em Alagoas. 

Essa foi a sexta edição do “Pachapranzo solidale” que contou com a presença de mais de 100 pessoas vinculadas à associação para degustar a comida brasileira, como a feijoada e a macaxeira frita, e ter informações sobre a realidade do nordeste, da reforma agrária e dos projetos desenvolvidos pela Pachamama.

Para Omar Borio, primeiro membro da Associação a visitar os acampamentos e assentamentos em Alagoas, esse evento possibilitou mobilizar pessoas para aumentar o compromisso social com a CPT e as famílias camponesas, disseminando as atividades da Pastoral.

“Uma vez que se conhece a realidade de luta pela terra, pelo trabalho e a dignidade das famílias camponesas, não é possível, mesmo morando do outro lado do mundo, não ser solidários com elas”, afirmou Omar.

Parceria

Desde 2009, são desenvolvidos projetos em parceria com a CPT/Alagoas, a exemplo do “Semeadores da saúde” que capacita camponeses e camponesas a trabalharem de forma preventiva nos assentamentos e acampamentos detectando enfermidades e orientando na saúde coletiva.

Os sócios da Pachamama se reúnem, em assembleia mensalmente, realizam encontros de formação sobre a realidade do Brasil, principalmente a de Alagoas, e organizam eventos para arrecadar fundos destinados ao trabalho da CPT de lutar para que as famílias camponesas tenham o acesso à terra, à água e a uma vida digna.

Palestras na Universide e Paróquias de Torino/Itália e visitas ao Brasil também fazem parte das atividades da associação. Em Alagoas, a Pachamama já realizou três edições da Janta Italiana, atividade beneficente na qual é servida a culinária italiana. E em 2015 está prevista a realização da quarta edição do evento.

“Queremos ampliar o número de sócios e de atividades em apoio a causa dos sem terras em Alagoas e, com isso, a esperança no avanço da luta por justiça social. A Pachamama deseja um 2015 repleto de felicidade e conquistas na luta pela terra e por dignidade”, disse a mensagem de Emanuele Daglio, presidente da Associação, enviada à CPT.







segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

CPT afirma no Mora na Filosofia: “Terra é sinônimo de poder”




O Coordenador da CPT, Carlos Lima, e o professor Cícero Albuquerque afirmaram que a terra simboliza poder, durante o debate “A luta pela terra: um desafio contemporâneo?”, organizado pelo grupo Mora na Filosofia, na noite do dia 12 de dezembro, como parte da programação da Feira da Reforma Agrária, do Movimento Libertação dos Sem Terra – MLST, realizada na Praça da Faculdade.

Para Cícero Albuquerque, a compra de 10 mil hectares no Maranhão pelo Senador Renan Calheiros, detentor de latifúndios em Alagoas, exemplifica essa afirmação. “Não basta ter dinheiro, não basta ter poder político, é preciso ter terra para afirmar essa condição. Enquanto do outro lado, há milhares de famílias sem terras que lutam por dignidade, por um lugar para viver”, afirmou o professor da UFAL.

Carlos Lima, completou dizendo: “Fazer reforma agrária é mais do que partilhar a terra, é dividir o poder que essa oligarquia não quer. O que já foi feito de reforma agrária é resultado da luta dos movimentos sociais do campo”.


Ao final do debate, o camponês José Feliciano, o Saúba, fez um forte e emocionado depoimento afirmando que os sem terras têm medo de serem escravizados e, por isso, lutam. “Eu trabalhei em usina, no corte de cana, e sei do sofrimento que é depender dos usineiros para viver. Estou livre dessa escravidão e posso morrer, mas morrerei feliz de estar na luta com os trabalhadores”, afirmou Saúba, da CPT.