terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Em clima de confraternização, Feira Camponesa acontece no Conjunto Cleto Marques


A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas realiza a partir desta quinta-feira, 17 de dezembro, até o meio-dia do sábado, 19, a última edição itinerante da Feira Camponesa. Serão 25 agricultores e agricultoras comercializando alimentos livres de agrotóxicos no conjunto Cleto Marques Luz, Tabuleiro.

A Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está abrindo suas portas para esse momento de confraternização entre os trabalhadores do campo e da cidade. “Estamos muito felizes de realizar nossa última feira de 2015 no Tabuleiro. Isso significa aproximar e dar acesso a mais uma comunidade dos frutos da luta camponesa”, afirmou a agrônoma Heloísa Amaral, coordenadora da CPT.

Além de alimentos saudáveis, a Feira Itinerante leva ainda para o Conjunto Cleto Marques uma Casa de Farinha. “Essa é a última chance do ano de encontrar os camponeses e camponesas em Maceió, assando a farinha na hora e comercializando produtos da reforma agrária. Esperamos, em 2015, continuar com a missão de alimentar a cidade com produtos saudáveis”,

Serviço
Feira Camponesa Itinerante
Dia: 17 a 19 de dezembro de 2015
Horário: 6h às 20 horas
Local: Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Conjunto Cleto Marques Luz – Tabuleiro.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

“Morrerei feliz de estar na luta com os trabalhadores”

Na tarde desta quinta-feira, 27 de novembro, morreu um lutador incansável das causas do povo. José Feliciano da Silva, o Saúba, veio à óbito por insuficiência cardíaca. Saúba sofria com a doença de chagas há cerca de um ano e, desde outubro, estava internado entre o HGE e o Hospital Nossa Senhora de Fátima. Seu enterro será amanhã, às 19 horas, no Cemitério Municipal de Messias.

Saúba tinha 59 anos e marcou de forma expressiva a história da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas. Desde 2002, quando conheceu a CPT, ajudou na organização dos camponeses e camponesas, apoiou a ocupação de diversas áreas e era bastante querido por todos que o conheciam.

Trabalhou na cana-de-açúcar dos 9 aos 52 anos e encontrou o caminho da liberdade no dia 7 de janeiro de 2002, quando entrou no acampamento Bota Velha. Sem conjugue e filhos, Saúba dizia ter o acampamento como sua morada e os acampados como sua família.

Em 2014, sua história e de outros camponeses e camponesas foi publicada no livro Terra e Pastoral em Alagoas: conflito e liberdade. Saúba tinha ciência que a doença ou até mesmo os latifundiários poderiam tirar sua vida, mesmo assim se sentia feliz de estar na luta dos trabalhadores até seu último momento.

“Eu trabalhei em usina, no corte de cana, e sei do sofrimento que é depender dos usineiros para viver. Estou livre dessa escravidão e posso morrer, mas morrerei feliz de estar na luta com os trabalhadores”, disse José Feliciano durante debate sobre terra em Alagoas na Feira do MLST, em 2014.

Mesmo tendo seu pedaço de terra no Assentamento Quilombo dos Palmares, em São Miguel dos Milagres, seu corpo será enterrado na cidade em que conheceu a Pastoral da Terra e a luta por justiça social.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Romaria da Terra convida população para caminhar por vida digna no campo



A Romaria da Terra e das Água de 2015 acontece nos dias 28 e 29 de novembro em Branquinha, zona da mata alagoana. Sua 28ª edição traz o tema Dignidade, Vida, Partilha e Paz e convida a população para combater a miséria e a violência no campo, gerada pelo latifúndio e o monopólio da cana-de-açúcar.

Sob o lema Da dependência da cana à liberdade humana, os romeiros e as romeiras, vindos de todas as regiões de Alagoas, se reunirão a partir das 20 horas do dia 28, no terceiro platô, área de casas populares construídas para as vítimas das enchentes de 2010. Lá assistirão apresentações culturais e os documentários Tabuleiro de Cana Xadrez de Cativeiro e Maldita sejam todas as cercas. À meia-noite, será celebrada a Santa Missa e, logo após a celebração, o povo segue em romaria até o assentamento Zumbi dos Palmares, um percurso de 8 km.

Organizada pela Comissão Pastoral da Terra – CPT/Alagoas, Arquidiocese de Maceió e Paróquia de São Sebastião, a Romaria prevê quatro paradas com reflexões sobre cada palavra que compõe o tema. Tendo a Comunidade Nossa Senhora de Fátima conduzindo a reflexão sobre Dignidade, a Juventude da paroquia sobre Vida, os membros da Pastoral da Terra sobre Partilha e os assentados de Zumbi dos Palmares, Lucilene e Jacó, sobre Paz.

“Iremos relembrar a luta do povo Hebreu, liderados por Moisés em busca da terra prometida, de liberdade. Queremos convidar a toda população para caminhar em Romaria em defesa de justiça social”, afirmou Carlos Lima, coordenador regional da CPT, convidando para a Romaria.

Serviço
28ª Romaria da Terra e das Águas
Dias 28 e 29 de novembro de 2015
Local: Branquinha/Alagoas
Horário: a partir das 20 horas

Programação
20h – Documentário: Tabuleiro de Cana Xadrez de Cativeiro
20h30min – Banda de Fanfarra de Branquinha
21h30min – Pastoril 
22h – Poesia de Cordel (Lucilene)
22h30min - Capoeira
23h – Documentário: Maldita sejam todas as cercas
00h – Celebração da Santa Missa
Paradas:
1ª – Dignidade: Comunidade Nossa Senhora de Fátima (Platô)
2ª – Vida: Juventude (Matriz)
3ª – Partilha: Pastoral da Terra (Assentamento Eldorado dos Carajás)
4ª – Paz: Lucilene e Jacó (Assentamento Zumbi dos Palmares – onde foi assassinado Sebastião Agrício)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Agentes Pastorais estudam carta do Papa Francisco

Estudo da Encíclica LAUDATO SI' foi coordenado pelo padre Hermínio Canova




O padre Hermínio Canova, assessor da CPT Nordeste 2, esteve em Alagoas nesta terça-feira, 17, com a missão de orientar os agentes da Pastoral da Terra de Alagoas no estudo da encíclica LAUDATO SI' (louvado seja, em português). O documento do Papa Francisco convida a refletir sobre o meio ambiente e a pensar nos males provocados contra a mãe Terra.

Ao explicar o sumo Pontífice sobre a nossa “casa comum”, o padre Hermínio afirmou que não se trata de uma encíclica verde, uma preocupação com o meio ambiente, mas uma visão de cuidado com o planeta. “O papa não apresenta crises humana e ecológica dissociadas, enfatiza uma única crise socioambiental, responsabilizando o sistema consumista. Ele alerta para necessidade de diminuir a marcha do crescimento”, disse Canova.


O centro da encíclica é o pobre, as populações vulneráveis. Essa preocupação fica clara no capitulo I, número 48: De fato, a deterioração do meio ambiente e a da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta: “Tanto a experiência comum da vida cotidiana como a investigação cientifica demonstram que os efeitos mais graves de todas as agressões ambientais recaem sobre as pessoas mais pobres".

A Pastora da Terra de Alagoas vai ampliar o estudo desse documento papal na assembleia da CPT/Alagoas, que deve acontecer no primeiro trimestre de 2016. “O Papa Francisco tem uma grande sensibilidade para guiar a humanidade para um futuro de paz e prosperidade. Por isso, achamos fundamental que toda a sociedade tenha ciência dessa encíclica. Vamos reproduzir esse estudo junto aos camponeses e às camponesas na nossa próxima assembleia estadual”, afirmou Carlos Lima, coordenador da regional da CPT.



Associação Italiana realiza almoço solidário à luta da CPT

Pachamama Onlus contribui com a luta por reforma agrária em Alagoas desde 2009




A associação Pachamama (terra mãe) realizou no dia 15 de novembro, na Paróquia de San Caetano, em Torino – Itália, um almoço solidário ítalo-brasileiro. Essa foi a 12ª edição do evento que reuniu quase 100 pessoas e arrecadou mais de $2500 Euros para apoiar projetos da instituição junto à Comissão Pastoral da Terra em Alagoas.

No almoço, os italianos provaram um cardápio recheado da culinária brasileira, como a mandioca frita, a feijoada, o escondidinho de carne e a caipirinha, e conheceram um pouco mais da luta pela terra em Alagoas.

Além do almoço, outros produtos como camisas e mochilas de Pachamama, chocolates, panetones, geleias de frutas e mel foram vendidos com o intuito de arrecadar fundos para projetos que visam melhorar a vida nos assentamentos e acampamentos acompanhados pela CPT. No final houve ainda um leilão de 14 bolos feitos pelos voluntários da associação.


Nascida em 2009, a associação Pachamama desenvolve, entre outros projetos, o “Semeadores de Saúde” que dissemina cuidados de saúde entre os camponeses e camponesas. Na semana anterior à realização do evento, diversos kits com pasta e escova de dentes chegaram aos assentamentos e acampamentos acompanhados pela Pastoral da Terra.

Emanuele Daglio, presidente da Pachamama, agradeceu a participação de todos que ajudaram e ajudam à Pachamama a juntar recursos para continuar as atividades no Brasil. 










quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Feira Camponesa leva alimentos saudáveis ao Santo Eduardo



Os camponeses e as camponesas, organizados pela Comissão Pastoral da Terra, estão comercializando alimentos saudáveis na Praça Dênis Agra, no Conjunto Santo Eduardo - Poço. A Feira Camponesa Itinerante chegou na manhã desta quinta-feira, 12, e permanece até o meio-dia do sábado, 14.

Mamão, inhame, macaxeira, feijão, banana, mel, galinha, tomate, graviola, carneiro são alguns dos produtos trazidos pelos agricultores dos assentamentos da Reforma Agrária do litoral ao sertão. Além de alimentos sem agrotóxicos, a casa de farinha é outra atração presente na Feira.

“Temos uma grande diversidade de alimentos cultivados de forma agroecológica em assentamentos de Água Branca à Maragogi e a casa de farinha assando o beiju e a farinha de mandioca na hora”, afirmou a agrônoma Heloísa Amaral, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra.

Heloísa destacou ainda que essa é a última oportunidade para a população da parte baixa da cidade adquirir os frutos da Reforma Agrária. “Essa é a nossa penúltima Feira itinerante. A última edição será realizada em dezembro no Cleto Marques. Por isso, queremos convidar a todos os moradores do Santo Eduardo e da redondeza para aproveitar essa feira, estamos esperando vocês”, concluiu a coordenadora da CPT.

Serviço
Feira Camponesa Itinerante
Local: Santo Eduardo - Praça Jornalista Dênis Agra
Dia: 12 a 14 de novembro de 2015
Horário: 6h às 20 horas




terça-feira, 10 de novembro de 2015

Feira Camponesa retorna ao Conjunto Santo Eduardo


A Feira Camponesa itinerante estará entre os dias 12 a 14 de novembro no Conjunto Santo Eduardo, bairro do Poço. Essa será mais uma oportunidade para a população da região adquirir alimentos saudáveis bem perto de sua casa.

Contando com 30 feirantes e uma casa de farinha na Praça Dênis Agra, a Feira destaca a importância da alimentação sem agrotóxicos. “Cada brasileiro consome, em média, 7,3 litros de veneno por ano. Isso gera vários problemas para a saúde. Por isso, somos contra este modelo de agricultura e em nossa feira só vendemos produtos agroecológicos”, afirmou a agrônoma Heloísa Amaral, coordenadora da CPT.

Os alimentos comercializados são frutos da luta por Reforma Agrária em Alagoas e representa, para os camponeses e camponesas, trabalho e renda. Para a população a maior vantagem é comprar direto do produtor com preço justo.

“Na Feira ganha todo mundo, quem compra e quem vende. Em um supermercado não sabemos de onde o alimento vem. Aqui, além de ter a garantia da procedência do produto ainda é possivel fazer a ‘pechincha’”, completou Heloísa.

A Feira Camponesa é organizada pela Comissão Pastoral da Terra – CPT – e, nesta edição, conta com o apoio da Paróquia Nosso Senhor do Bonfim e do Iteral.

Serviço
Feira Camponesa Itinerante
Onde? Santo Eduardo - Praça Jornalista Dênis Agra
Quando? 12 a 14 de novembro de 2015
Horário? 6h às 20 horas

domingo, 18 de outubro de 2015

100 toneladas de alimentos são comercializados na 23ª Feira Camponesa


A 23ª Feira Camponesa, organizada pela Comissão Pastoral da Terra, se despediu de Maceió na manhã deste sábado, 17 de outubro. Com mais de 100 toneladas de alimentos comercializados, a Feira demonstrou o sucesso que a produção agroecológica faz entre os maceioenses.

Os cerca de 100 camponeses e camponeses, vindos de 21 assentamentos e acampamentos da reforma agrária em Alagoas, além de apresentar frutos da luta pela terra, garantiram a comercialização de seus produtos a um preço justo.



“Na nossa feira não há o atravessador, que lucra em cima do trabalhador rural e faz aumentar o preço para o consumidor final. Nesses 4 dias de feira observamos um grande envolvimento das pessoas que vinham comprar e buscavam saber de onde vinha o alimento e aprendiam sobre o modo de vida dos camponeses”, afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da CPT.

Pinóquio do Acordeom encerrou programação cultural com chave-de-ouro




A Feira Camponesa é também bastante conhecida pela festa que propicia durante as noites, na Praça da Faculdade. Este ano, os artistas Pinel do Acordeon, Guilla Gomes, Grupo Afro Afoxé, Forró Casa de Reboco, Forró Nó Cego e Pinóquio do Acordeon garantiram a animação de milhares de pessoas que passaram pela 23ª edição da Feira da CPT.

Após o já tradicional bingo do carneiro, Pinóquio do Acordeon, amigo e apoiador da luta camponesa, recebeu a missão de realizar mais um encerramento das festividades da Feira. “Esse é sempre um momento de muita alegria tanto para o homem e a mulher do campo como da cidade. Esperamos que a próxima Feira possamos repetir esse sucesso”, concluiu Heloísa.






quinta-feira, 15 de outubro de 2015

23ª Feira Camponesa apresenta frutos da Reforma Agrária


Na abertura oficial, movimentos sociais cobraram mais apoio para o homem e a mulher do campo


A Praça da Faculdade se transformou nesta quarta-feira, 14 de outubro, em “um pedaço do campo no coração de Maceió”. A 23ª Feira Camponesa chegou e trouxe mais de 100 camponeses e camponesas para apresentar à sociedade alagoana os frutos da reforma agrária e um pouco da cultura do campo. Casa de Farinha, restaurante camponês, shows gratuitos, horta demonstrativa e pescaria infantil fazem parte do evento ocorre até o meio dia do sábado.

Organizada pela Comissão Pastoral da Terra, a Feira reúne a produção de 21 assentamentos e acampamentos espalhados por todo o estado de Alagoas. “De Água Branca, no Sertão, à Porto de Pedras, no Litoral, tem camponeses e camponesas que produzem alimentos saudáveis, sem o uso de agrotóxicos e estão aqui, mostrando que o sem-terra são homens e mulheres trabalhadores que alimentam a cidade”, afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da CPT.

“Alimento é vida e vida é para ser compartilhada”


Carregando a bandeira da CPT e os frutos da reforma agrária, os camponeses e as camponesas deram início a solenidade de abertura da Feira Camponesa, apresentando o melhor da produção de cada região. Eles coloriram e deram vida à mesa oficial, que foi composta pelo coordenador do MST, José Roberto, pelo coordenador do MLST, Josival Santos, pelo Secretário de Agricultura, Álvaro Vasconcelos, pelo Diretor-Presidente do ITERAL, Jaime Silva, e pela representante do INCRA, Alessandra Costa.

Carlos Lima, representante da CPT, lembrou aos representantes do poder público presentes, que a Feira Camponesa é obra da vontade e da garra do homem e da mulher do campo que lutaram pela terra e hoje produzem alimentos de qualidade.


“Essa diversidade de produção que vocês estão vendo aqui é fruto da batalha diária de cada camponês que luta por uma vida digna, mesmo diante das dificuldades e da falta de apoio dos governos - inclusive para as Feiras”, disse Carlos Lima.

O representante da CPT, fez questão de diferenciar a relação que o camponês tem com a terra da mera relação comercial. “Diferente do supermercado, que o produto é um código de barra, aqui a relação é outra. O feirante é camponês que plantou, que você conversa, sabe de onde vem o produto, quais suas dificuldades e ainda pode pechinchar. Aqui tem camponês que até dá alimento porque ele aprendeu que alimento é vida e vida é para ser compartilhada”.



A Pastoral da Terra utilizou também o momento para fazer crítica à política agrária do governo, que prioriza os latifundiários da cana e do eucalipto. “A gente não come cana e nem eucalipto. O eucalipto é tão ruim que nem cupim gosta de comer. Mas, o estado só investe nisso, que gera desigualdade social e concentração de terras e de riquezas. É preciso investir para alimentar a população, investir na reforma agrária”, concluiu Lima.

Democratizar a terra


Os movimentos sociais do campo cobraram mais apoio do governo para o homem e a mulher do campo e reivindicaram ainda a destinação da massa falida da Usina Laginha para a reforma agrária.
“Para acabar com a fome no campo, a violência e o desemprego no campo e na cidade, pode inventar o que quiser, mas se não fizerem a reforma agrária vai ser tudo invenção política para manter a miséria do nosso povo. Se não fizer a reforma agrária a miséria vai continuar no campo”, exclamou Zé Roberto, coordenador do MST.


Zé completou fala dizendo que “o Estado tem uma oportunidade única de transformar a Laginha em assentamentos, dando terras para 2 mil famílias, gerando 6 mil empregos diretos. Para isso, é preciso parar de enrolar as famílias e ter compromisso, de verdade, com os trabalhadores do campo”.






terça-feira, 13 de outubro de 2015

23ª Feira Camponesa ocupa Praça da Faculdade com alimentos saudáveis


Mais de 100 camponeses e camponesas, organizados pela Comissão Pastoral da Terra, ocuparão a praça da Faculdade a partir desta quarta-feira, 14 de outubro. Alimentos saudáveis, casa de farinha, restaurante camponês e muita cultura popular fazem parte das atrações que a 23ª Feira Camponesa traz à Maceió.  

A Feira transformará, de 14 à 17 de outubro, a Praça da Faculdade em um pedaço do campo no coração de Maceió. Sua abertura oficial está marcada para o dia 14, às 9 horas, com um café da manhã compartilhado entre os feirantes, os parceiros da luta camponesa e a imprensa.

 “Nossa Feira expressa a importância da Reforma Agrária em Alagoas.  Os alimentos são frutos da luta por justiça social e representam trabalho e renda para o povo empobrecido que não possuíam nem terra para morar”, afirma Heloísa Amaral, coordenadora da CPT responsável pelo evento.

Heloísa destaca ainda que toda a produção realizada nos acampamentos e assentamentos são agroecológicas. “Defendemos um outro tipo de utilização da terra, que privilegie a vida e a produção de alimentos. Por isso, não utilizamos agrotóxicos em nossas roças. A reforma agrária é boa para o homem e a mulher do campo e da cidade”, defende a coordenadora da CPT.

Atrações

Com muito forró e cultura popular, programação noturna da Feira é sempre um atrativo especial para os maceioenses. Nomes como Pinóquio do Acordeon, Forró Casa de Reboco e Guilla Gomes estão confirmados para abrilhantar as noites do evento, com shows gratuitos sempre a partir das 19 horas.

Funcionando os três horários, a casa de farinha e o Restaurante Camponês terão espaço especial já reservado, para oferecer a farinha e o beiju assados na hora e o melhor da comida regional, como o carneiro, a buchada, o  pato, a galinha de capoeira e a carne de sol, acompanhados do cuscuz, do inhame e da macaxeira.

Essa edição da Feira também tem novidades. Pois, a CPT está trazendo atividades infantis e conhecimento medicinal da cultura do campo. Para a criançada, haverá a brincadeira de pescaria. Já para os adultos, uma enorme variedade de plantas medicinais.

“Queremos que a população maceioense se sinta à vontade na Feira, adquira alimentos e aproveite as outras atividades que estamos preparando com muito carinho, para todas as idades”, concluiu Heloísa convidando para a Feira.

Serviço

23ª Feira Camponesa
Data: 14 a 17 de outubro de 2015
Horário: Das 6 horas às 21 horas 
Local: Praça da Faculdade (Afrânio Jorge)

Programação Noturna

14 de outubro (quarta)
19h – Pinel do Acordeon
20h30 – Forró Casa de Reboco

15 de outubro (quinta)
19h - Forró Nó Cego
20h30 – Guilla Gomes

16 de outubro (sexta)
19h – Afro Afoxé
20h30 - Bingo do carneiro
21h – Pinóquio do Acordeon

sábado, 10 de outubro de 2015

Reserva Legal do assentamento Flor do Bosque é invada por grileiros

Prefeitura de Messias, Secretaria do Estado de Agricultura, IMA e Batalhão Ambiental se comprometem a zelar pela área



Os 70 hectares de Reserva Legal (RL) do assentamento Flor do Bosque, em Messias, está sendo invadido por grileiros. No lugar das árvores nativas, casas de veraneio e casas de aluguel, além do comércio de lotes.

Essa foi a denúncia que a Comissão Pastoral da Terra, CPT, registrou ao Instituto do Meio Ambiente, à Prefeitura de Messias, à Secretaria do Estado de Agricultura e ao Batalhão Ambiental durante a inspeção realizada na manhã do dia 7 de outubro.

“Essa não é uma situação nova, desde 2011 exigimos aos órgãos públicos a retirada dos intrusos da área de proteção ambiental. Infelizmente, mesmo com notificações do IMA e do Batalhão Ambiental, em dezembro de 2011 e em julho de 2014, novos grileiros aparecem para construir casas e vender lotes dentro da reserva legal”, afirmou Carlos Lima, coordenador regional da CPT.



Os assentados e as assentadas denunciam um homem conhecido como Pedro Barros - que se diz influente nos órgãos ambientais – como o responsável pela venda de lotes e de casas na RL. Em uma dessas casas, um rapaz que se identificou por Aurélio disse que mora no local há 3 meses e desconhece ser área de preservação, mesmo assim foi notificado pelo Batalhão Ambiental para deixar a área.

“Eu comprei essa casa de Padro Barros. Troquei por uma que eu tinha no Selma Bandeira, Quadra F, Lote 3. Ele não disse que era área protegida, disse pertencer à prefeitura”, afirmou Aurélio.


Em uma outra casa, essa bem maior, com funcionário e até com cercas de concreto, um rapaz disse cuidar da casa que pertencia a um comerciante de Maceió, chamado Miguel. Essa grande propriedade envolve vários hectares da área e incomodou, particularmente, o Vice-prefeito de Messias, Luíz Emílio Omena.


“Isso é um grande crime ambiental. A casa, além de ocupar uma área de preservação, ainda cerca os fundos da Escola do Município, impedindo a passagem da população”, afirmou Omena, dizendo querer trabalhar com o IMA, a Secretaria de Agricultura, a Polícia Ambiental e os assentados para resolver “essa questão tão importante para o meio-ambiente, que causa impactos para a região inteira”.


Ainda dentro da Reserva Legal foram encontradas casas de pequeno porte para aluguel. Segundo informações coletadas com Aurélio, as casas pertencem a um rapaz de Rio Largo, que, sem medo de cometer o crime ambiental, deixa seus números de contato nas portas das casas.

O morador do assentamento Dom Helder, em Murici, e coordenador da Juventude Camponesa, José Roberto da Silva, mais conhecido como Bel, disse estar indignado com a impunida de quem ofende à natureza. “Os assentados sabem que em Reserva Legal não podem cortar uma árvore para fazer um cabo de vassoura, pois corre o risco de perder o lote. Mas, uns sujeitos desses devastam grandes áreas para construir casas de veraneio e vender lotes. É absurdo”, desabafou Bel.


Reinaldo Falcão, assessor especial da Secretaria de Agricultura do Estado de Alagoas, disse que vai se empenhar para conter as invasões na reserva. “A Secretaria de Agricultura, junto ao IMA, vai buscar retirar os invasores. Com a parceria da prefeitura, queremos cercar a reserva e colocar placas. Queremos ainda, com a ajuda dos assentados e do batalhão ambiental, fazer o acompanhamento permanente para que a situação não volte a se repetir”, declarou Falcão.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Projeto de irrigação fortalece agricultura familiar no assentamento Flor do Bosque

Assentados receberam a visita da Secretaria de Agricultura, da Prefeitura de Messias e do IMA


O Assentamento Flor do Bosque é uma ilha de produção de alimentos saudáveis em meio ao canavial que toma conta da zona rural de Messias. A área, ocupada em 1998 e transformada em assentamento em 2006, representa um espaço de resistência e liberdade para os camponeses e as camponesas.
Contemplado no edital de 2014 do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – FECOEP, o assentamento recebeu investimentos do Governo de Alagoas para a aquisição de um sistema de irrigação de hortas, fruticultura e plantas medicinais. Ao todo, 8 lotes foram beneficiados.


A assentada Maria José Cavalcante, a Maria do Bosque, agora tem sua horta irrigada por um sistema de gotejamento. Com isso, ela consegue cultivar 24 espécies de plantas medicinais, além de dezenas de nativas e frutíferas. A camponesa também produz mudas para reflorestar e assegurar a qualidade de sua nascente.

“Procurei diversificar o plantio para recuperar o solo degradado por mais de 150 anos de cana. Hoje, tenho certificado de produção orgânica e consigo produzir o suficiente tanto para o consumo, como para o comércio”, afirmou Maria do Bosque.

 “O objetivo da reforma agrária foi atingido”


Na última quarta-feira, 7 de outubro, o assessor especial da Secretaria de Agricultura de Alagoas, Reinaldo Falcão, o Vice-Prefeito de Messias, Luíz Emílio Omena, e o fiscal do Instituto do Meio Ambiente – IMA, Wolney Lima, estiveram no assentamento e puderam observar o resultado dos recursos investidos na área.

“Observamos nos lotes a busca da revitalização das áreas com plantas frutíferas e nativas. Com o sistema de irrigação implantado, as hortas já são uma realidade, mesmo com a seca e o solo desgastado. Não há dúvidas do empenho e do interesse dos assentados em buscar tornar o assentamento produtivo”, afirmou o assessor especial da Secretaria de Agricultura, Reinaldo Falcão.



O representante da SEAGRI observou que o assentamento não é uma favela rural. “Aqui vemos que o objetivo da reforma agrária foi atingido: os lotes são produtivos, as famílias têm suas rendas e os assentados vivem com dignidade”, complementou Falcão ao andar pela extensão do Flor do Bosque.

Produção de Alimentos


O Vice-Prefeito Luíz Omena fez questão de ressaltar importância do assentamento Flor do Bosque para a região. Ele contou que os alimentos saudáveis produzidos na área alimentam os estudantes e as feiras. “O assentamento é nosso parceiro, fornece mais de 50% dos produtos da merenda escolar do município, através do PNAE merenda. Por isso, temos o compromisso de pagar os assentados em até 5 dias úteis a partir da entrega da nota fiscal, mas estamos pagando em até 48 horas”, disse Omena.

O Vice-Prefeito revelou também o apoio dado ao assentamento, complementarmente ao apoio do FECOEP. “Durante a implantação dos projetos de irrigação, colocamos máquinas aqui para fazer tanques de armazenamento de água. Isso nos ajuda a garantir que o assentamento que tenha produção de alimentos o ano todo”, concluiu Omena.

Novo projeto


O Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, criado em 2005 para incluir socialmente os alagoanos que estão abaixo da linha da pobreza, contemplou novamente o assentamento Flor do Bosque com um projeto de reflorestamento da área de reserva.


A Comissão Pastoral da Terra aguarda a liberação desse novo recurso para ajudar a conter a invasão da reserva legal por parte dos grileiros. “É urgente que esse recurso seja liberado para reflorestar a área de reserva do assentamento e assegurar a preservação do meio ambiente”, afirmou Carlos Lima, coordenador da CPT.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Água: canal da vida, presença de Deus

7ª Romaria das Águas e da Terra reúne duas mil pessoas em Delmiro Gouveia


Em busca de um tempo novo, com água em abundância para todos, cerca de duas mil pessoas marcharam em romaria da cidade de Delmiro Gouveia até às margens do Canal do Sertão, em Água Branca. A 7ª Romaria das Águas e da Terra, realizada na noite do sábado (26) até o amanhecer do domingo (27), afirmou a água como bem grandioso e defendeu seu acesso aos mais carentes.

“A água é um bem necessário e divino, ela precisa ser preservada para que todos tenham acesso a ela. E muito mais do que isso, nós não podemos ficar passivos a situações de morte que surgem aqui no alto sertão, trazida pela inacessibilidade da água. Nós, o povo de Deus movidos pela fé, temos a obrigação de fazer com que os nossos governantes viabilizem políticas públicas que distribuam a água, levando vida em abundância para todos”, afirmou o Padre José Aparecido, pároco da Igreja Nossa Senhora do Rosário.

A atividade foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra, em parceria com o Conselho Indigenista Missionário, a UFAL e a Paróquia Nossa Senhora do Rosário, e contou com a animação do Grupo de Jovens de Joaquim Gomes, durante as 4 horas do caminho.

“Eu sou romeiro e vou em Romaria” (Zé Vicente)


A 7ª Romaria das Águas e da Terra reuniu crianças, jovens, adultos e até idosos para uma caminhada de fé, alegria e esperança.  O jovem João Paulo, do assentamento Dom Helder em Murici, foi um dos que não desaminaram um só minuto. Além se apresentar com o grupo de capoeira no início, o jovem pulou, cantou e rezou durante todo os 8 km de percurso. 

João Paulo conta que desde pequeno participa das romarias. “Tenho 21 anos e desde os 9 não perco uma romaria. É uma forma da gente se conscientizar mais e entender que é importante está engajado na mudança do mundo. Os jovens têm que estar nas romarias, aprender com os mais velhos e se motivar. Se ficarmos de braços cruzados, nada muda”, afirmou João Paulo.

Outro grupo que se organizou para participar foi o Movimento de Cursilhos de Cristandade. Fátima Ermínia, vice-presidente do Cursilho de Delmiro Gouveia, esteve presente com mais de 50 pessoas, reafirmando o compromisso do cursilho com a questão social e política. “É uma forma da gente gritar para ter vez e voz os menos favorecidos. A água é uma questão que se não nos preocuparmos agora vai faltar para todos no futuro. A água é uma riqueza que nós temos e estamos vendo ela ir embora, não podemos ficar de braços cruzados, temos que lutar”, afirmou Fátima.

“Se é para ir à luta, eu vou!” (Zé Vicente)


A Romaria ficou ainda mais bonita com as importantes presenças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, dos Quilombolas de Delmiro Gouveia e dos Indígenas da tribo Pankararu, que, carregando suas faixas e bandeiras, encontraram na caminhada um espaço de reivindicação.
A comunidade da UFAL e o grupo de pesquisa Grupo de Estudos Agrários e Socioterritoriais (GEAST) também se fizeram presentes, demonstrando que na UFAL do Sertão o conhecimento acadêmico pode servir ao povo.

Para a professora Francisca Maria Teixeira, do curso de Geografia da UFAL, o debate sobre as obras do canal do sertão, além de hídrico e geográfico, é político e ideológico. “O Estado só chega onde o capital apresenta condições de se reproduzir. Essas águas represadas servem ao agro-hidro-negócio. Nós temos que lutar para que as águas do sertão cheguem ao povo e sirvam para a vida e não sirvam para a morte”, afirmou Francisca em cima do trio elétrico, em frente ao Câmpus da UFAL.

O Diretor Acadêmico do campus Sertão, professor Ivan Barbalho, utilizou o momento para defender o amor ao próximo. “Estamos aqui para fazer cumprir o maior mandamento que Jesus nos deixou: amar ao próximo como a si mesmo. Precisamos superar o egoísmo, estender nossas preces aos companheiros que estão sendo perseguidos e ameaçados. Temos um companheiro aqui da UFAL que está sendo ameaçado de morte. Rezemos em razão deste amigo, assim como todos que sofrem perseguições”, afirmou o professor Ivan, lembrando do caso do Professor Magno Francisco que sofreu ameaças por defender a apuração do assassinato de seu primo Davi Silva.

Celebrações e Místicas

Desde a concentração com a missa campal em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário até a benção final do Padre José Aparecido com as águas do Rio São Francisco, às margens do canal do sertão, a Romaria se fez cheia de místicas e significados.

Na Santa Missa, durante o ato penitencial foram denunciadas as injustiças sociais e a concentração das águas e da terra. A cada pedido de perdão os oradores lavavam às mãos ante ao altar, simbolizando uma limpeza do mal.  

O Padre Aparecido, na homilia, completou a mensagem com a passagem bíblica de Isaías, que afirma que o fruto da justiça será a paz. “Enquanto não houver justiça não há paz, e a água que Deus batizou pertence a todos, aos ricos e aos pobres. Temos que lutar para ser feita a justiça”, disse o Padre.

Diante do momento de comunhão, a irmã Cícera Menezes convocou os romeiros e romeiras para se alimentarem com o corpo e o sangue de Cristo, dizendo: “Temos que comungar com o povo sofrido, se não comungar com os oprimidos não comungamos com Deus”.

Durante as paradas, as reflexões continuaram seja com o recital do cordel da romaria seja com o toré indígena. Na parada do povoado Maria Bode, a tribo Pankararu e o CIMI lembraram que a terra foi o símbolo da criação humana e marcou todos os romeiros e as romeiras com a argila, reafirmando a terra como elemento fundamental e de liberdade.


No momento final, às margens do Canal, o padre e todo o povo ergueram as mãos para abençoar a água do São Francisco. De cima do trio elétrico, o padre Aparecido batizou os romeiros e romeiras na despedida da 7ª Romaria do Sertão.