quinta-feira, 12 de março de 2015

Em Maceió, 4 mil Sem Terras marcham por Reforma Agrária


4 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais sem-terra de todo o estado de Alagoas, organizados na CPT, MLST, MST e MTL, realizaram hoje (11) uma marcha em Maceió denunciando o agronegócio, fazendo a defesa da Reforma Agrária e exigindo condições de vida digna para quem vive no campo. 
Depois de passar a noite acampado na Eletrobrás, a Pastoral e os Movimentos Sociais do Campo se reuniram por volta das 7 horas da manhã com o presidente da Estatal, Cícero Vladmir, e sua equipe técnica e de gestão. 
Após ouvir as reivindicações pela garantia de eletricidade condizente com as necessidades dos acampamentos, "que sustente uma casa de farinha, uma máquina forrageira ou uma irrigação, e não apenas uma geladeira, uma televisão e um bocal", disse Débora Nunes, coordenadora do MST, o representante da Eletrobrás se comprometeu a implantar energia nos acampamentos onde ainda não há e buscar soluções imediatas para solucionar o problema da qualidade elétrica.
Com o indicativo de solução na Eletrobrás, os Sem Terra organizaram suas fileiras e percorreram a Avenida Fernandes Lima em direção ao Centro de Maceió. No caminho, diante da Secretaria de Educação do Estado, foi denunciado o fechamento de escolas no campo e o sucateamento da educação ofertada aos jovens e as crianças na zona rural, onde muitas escolas estão sem água, professores e merenda, além do transporte escolar precário, quando existente, para transportar os estudantes.

A Marcha findou suas atividades de hoje em frente ao Tribunal de Justiça para repudiar os despejos realizados pelo Juiz Substituto da Vara Agrária Airton Tenório. "Já cansamos do ato leviano da caneta e da capacidade de fazer o mal que tem esse Juiz Airton Tenório, que não carrega dentro de si uma coisa chamada sensibilidade social. Para ele não interessa quem são as mulheres, os homens, os jovens e as crianças que estão há anos constituindo suas famílias nos acampamentos", disse Josival Oliveira, coordenador do MLST.
O ato também cercou o TJ com jovens, homens e mulheres de mãos dadas, realizando um abraço simbólico do prédio. Segundo Carlos Lima, coordenador da CPT, "não foi para amedrontar, como fazem os policiais a mando dessa Justiça, mas sim para mostrar que quem está ali são trabalhadores que precisam da terra para viver e que dão as mãos para construir seu futuro".

Marcha
A CPT, o MLST, o MST e o MTL produziram uma nota explicando à população de Maceió o porquê da Marcha. O documento, que foi distribuído durante todo o percurso, sintetiza 10 pautas conjuntas, entre elas a destinação das usinas falidas para fins de Reforma Agrária e a criação de Politica Estadual de Desenvolvimento dos assentamentos de reforma agrária, que possa contemplar todos os níveis da produção no campo até a comercialização desses produtos.
Os Sem Terra que estão mobilizados em todo o estado de Alagoas desde o início da semana, nas atividades que compõem a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, destacaram na nota que as mobilizações são mais um momento para denunciar a situação de quem vive no campo, “pressionar os governos e os poderes para a urgente e necessária realização da reforma agrária como medida para a garantia de direitos e exigir condições dignas e justiça social no campo e na cidade”, diz a nota.
Os Movimentos sentam com o governador do estado Renan Filho (PMDB), na próxima quinta-feira (12) às 9h no Palácio dos Palmares.

Com informações de Railton Teixeira. 

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