quarta-feira, 27 de maio de 2015

Educadores populares ligados à CNBB realizarão encontro nacional em Alagoas

Equipe do MEB Alagoas

O Encontro Nacional de Educadores Populares do Movimento de Educação de Base – MEB, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, será realizado em Alagoas. Entre os dias 1 a 3 de junho, no Recanto Sagrado Coração de Jesus, Serraria, cerca de 70 educadores participarão do evento que pretende rearticular e fortalecer o movimento educacional nacionalmente.

Alagoas, Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, São Paulo, Pernambuco, Espírito Santo e Distrito Federal são os estados que hoje possuem atuação dos educadores populares que participarão desse encontro.

O Movimento atua na educação de jovens e adultos em áreas rurais e urbanas. Em Alagoas, o MEB atuava até o ano 2000 e retomou as atividades em 2014 com o projeto “Territórios da Reforma Agrária livres do Analfabetismo”, que pretende alfabetizar 1200 trabalhadores e trabalhadoras rurais entre os anos de 2014 e 2016.

método utilizado pelo grupo para alfabetizar é o “Ver, julgar e agir e rever”. Essa pedagogia freiriana utiliza a reflexão da realidade dos educandos como ponto de partida para sua alfabetização.

“As pessoas analfabetas aprendem não apenas a ler e a escrever, mas a pensar a sua própria vida e a agir como capazes de sair da sua injusta situação de excluídos”, explicam os membros da equipe nacional, Irmã Delci Maria Franzen e Padre Gabriele Cipriani, que estarão presentes no encontro.

Sobre o MEB

O MEB é um organismo vinculado a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, constituído como sociedade civil, de direito privado, sem fins lucrativos, com sede e foro no Distrito Federal. Foi fundado em 21 de março de 1961 com a missão de “Contribuir para promoção integral e humana de jovens e adultos, através do desenvolvimento de programas de educação popular na perspectiva de formação das camadas populares para a cidadania, buscando trilhar os caminhos de superação da exclusão social”.       

Há 54 anos, o MEB realiza ações diretas de educação popular em diversas regiões do Norte e Nordeste do país. A opção preferencial por essas regiões está definida em Estatuto, como áreas populacionais do País em que os indicadores socioeconômicos revelam índices sociais e econômicos abaixo dos desejados.

Atualmente, em convênio com o INCRA, através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA, realiza alfabetização e escolarização de pessoas Jovens e Adultas – EJA, até o quinto ano de Ensino Fundamental, nos assentamentos/acampamentos da Reforma Agrária nos estados de Alagoas, Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e São Paulo, atuando também, em outros programas, no Distrito Federal.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Alimentos saudáveis estão sendo comercializados no Pinheiro



Começou hoje, 21 de maio, mais uma edição Itinerante da Feira Camponesa. Instalada no estacionamento da Igreja Batista do Pinheiro, a Feira de alimentos agroecológicos permanece no bairro até o meio-dia do sábado, 23.

Pela segunda vez em 2015 no Pinheiro, a Comissão Pastoral da Terra conta com o apoio da Igreja Batista do Pinheiro e da Paróquia Menino Jesus de Praga para a realização da Feira no bairro.

As versões itinerantes da Feira são ótimas oportunidades para a população maceioense adquirir alimentos frescos, de baixo custo e, principalmente, livres de agrotóxicos.

“Os brasileiros ingerem, anualmente, 5,2 litros de veneno através dos alimentos. Somos contra o uso de agrotóxicos, pois além de envenenar a terra e os alimentos, provocam doenças na população. Por isso, a produção camponesa, nas áreas de assentamento e acampamentos, é totalmente livre de agrotóxicos”, assegurou a agrônoma Heloísa Amaral, coordenadora da CPT responsável pela Feira, convidando a população para consumir alimentos saudáveis.



terça-feira, 19 de maio de 2015

Feira Camponesa começa nesta quinta no Pinheiro



O bairro do Pinheiro receberá, pela segunda vez em 2015, a versão itinerante da Feira Camponesa. O evento, organizado pela Comissão Pastoral da Terra, já começa nesta quinta-feira, 21, no estacionamento da Igreja Batista do Pinheiro (IBP), local onde permanecerá até o meio-dia do sábado, 23.

Cerca de 30 camponeses e camponesas do sertão, litoral norte e da zona da mata estão trazendo alimentos saudáveis do campo para comercializar com a população maceioense e, em especial, com os moradores do Pinheiro.

“Somos muito bem recebidos pela comunidade do Pinheiro, que sempre comparece à Feira e adquire os alimentos frutos da luta pela reforma agrária”, afirmou Heloísa Amaral, agrônoma e coordenadora da CPT.

A Feira Itinerante conta com o apoio da Igreja Batista do Pinheiro e será uma prévia da 22ª Feira Camponesa, que será realizada na Praça da Faculdade, de 10 a 13 de junho.

Serviço:
Feira Camponesa Itinerante
Data: 21 a 23 de maio
Local: Estacionamento da Igreja Batista do Pinheiro
Horário: 6h às 20 horas

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Em 2014, cada brasileiro consumiu 7,3 litros de agrotóxicos


No início de 2011, a Campanha Contra os Agrotóxicos causou estardalhaço ao afirmar que cada brasileiro consumia 5,2 litros de agrotóxicos por ano. À época, o cálculo foi simples: a indústria dos venenos, orgulhosa do sucesso de seu mortífero negócio, alardeou aos quatro ventos que havia vendido 1 bilhão de litros de agrotóxicos. Divididos pelos então 192 milhões de habitantes, nos davam os 5,2 litros por pessoa. Ainda que este volume todo não chegue diretamente à nossa mesa, vai nos encontrar algum dia pela terra, pela água ou pelo ar. O veneno não desaparece, como querem fazer crer aqueles que enriquecem com ele.

Pois bem, depois do baque, as associações patronais agrotóxicas deixaram de divulgar a quantidade de litros vendidos por ano. E, dada a escassez de dados oficiais sobre a venda destes produtos no Brasil, ficamos quase sem alternativas para medir o nível geral de intoxicação no país.

Quase. Talvez para atrair mais “acionistas-vampiros”, a indústria continuou divulgando sua receita anual, que, em 2014, representou US$ 12,2 bilhões. Multiplicado por 3, chegamos aos exorbitantes R$ 36,6 bilhões.

Quanto custa um litro de agrotóxico?

Agrotóxico é um nome genérico para diversas substâncias utilizadas na agricultura e no controle de vetores urbanos. Em comum, uma característica: matam a vida. Poderiam, portanto, ser chamados de biocidas.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou, em 2012, a quantidade de princípios ativos de agrotóxicos vendidos naquele ano. Os três entes reguladores – Ibama, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério da Agricultura (MAPA) – deveriam receber estes dados das empresas e publicar. Contudo, apenas o primeiro o faz, e já com atraso de dois anos.

Por esta lista, vemos que os principais produtos são: glifosato, 2,4-D, atrazina, acefato, diurom, carbendazim, mancozebe, metomil e clorpirifós. Retirando-se os aditivos, eles representam 80% do total de agrotóxicos vendidos.

Uma busca pelos preços de agrotóxicos na internet revela um cenário assustador. Encontra-se, por exemplo, a atrazina (disruptor endócrino) a R$ 0,34 o litro, enquanto o mais caro, glifosato (cancerígeno), na promoção sai por R$ 35. Com uma média dos preços, ponderada pela participação no mercado, chegamos ao valor de R$ 24,68 por litro de agrotóxico.

A partir da população estimada pelo IBGE em 2013, de 201 milhões pessoas, temos R$ 36,6 bilhões / R$24,68 por litro de agrotóxico / 201 milhões de pessoas. O que resulta, então, em 7,36 litros de agrotóxico por pessoa.

E o povo com isso?

Os preços dos produtos variam, o dólar ora sobe, ora desce. Poderíamos ter alguns mililitros a mais ou a menos, mas o certo é que, de 2007 até hoje, 34.282 casos de intoxicação por agrotóxico foram notificados no Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo assim, qualquer um que viva no campo sabe o quão improvável é que uma pessoa reconheça os sintomas de intoxicação, consiga chegar ao atendimento e que o serviço notifique corretamente. Seja por desconhecimento ou por pressão de quem mandou aplicar os venenos.

Certo também é que, além de caros e perigosos, os venenos, assim como os transgênicos, são desnecessários. De Sul a Norte do país, a produção agroecológica ganha força na terra, nas feiras e na mesa da população. A não ser que algum fazendeiro ganancioso inviabilize a produção limpa jogando veneno na lavoura alheia. Infelizmente, acontece, e muito.

O povo precisa de informação

Anvisa, publique os dados sobre vendas de agrotóxicos. Ministério da Agricultura, faça o mesmo. Ibama, atualize seus dados. Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia, responsáveis pela emissão de receitas agronômicas, implantem sistemas informatizados em todos os estados, e divulguem quanto, como e onde se aplica veneno neste país. Que tipo de engenharia vocês fazem, que não se compromete socialmente e não fornece informação vital para a saúde do povo?

No entanto, mais do que contar os mortos, queremos plantar a vida. Governo Federal, implemente o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo). E, sobretudo, inicie o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos, que permitirá a criação de zonas livres de agrotóxicos e transgênicos, além de banir, também no Brasil, agrotóxicos que já foram banidos lá fora.

Entidades de pesquisa renomadas como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) já se juntaram a camponeses e camponesas, que são quem realmente nos alimentam.

E ainda precisamos de mais apoio da sociedade. Nossa luta diária contra o agronegócio, os agrotóxicos e os transgênicos só estará completa quando o alimento orgânico não for mais um privilégio e a agroecologia estiver ao alcance de toda a população.

 
Fonte: Brasil de Bato
Por Alan Tygel - Coordenação nacional da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.