terça-feira, 21 de julho de 2015

CPT levará Feira Camponesa ao Salvador Lyra



A Feira Camponesa Itinerante está chegando à parte alta de Maceió. Alimentos saudáveis e sem agrotóxicos serão comercializados entre os dias 23 a 25 de julho, no pátio da Igreja São Paulo Apóstolo, no Salvador Lyra.
Promovida pela Comissão Pastoral da Terra – CPT, a Feira funcionará das 6h às 20 horas e contará com aproximadamente 30 camponeses e camponesas vindos do litoral, sertão e região da mata.
O evento apresenta à sociedade um pouco dos produtos cultivados nas áreas de reforma agrária em Alagoas. “Teremos feijão, macaxeira, inhame, banana, abóbora, laranja, mel, abacaxi, entre muitos outros alimentos, todos produzidos de maneira agroecológica”, afirmou a agrônoma Heloísa Amaral, coordenadora da CPT, que garantiu também uma casa de farinha, produzindo na hora, direto para o consumidor.
A Feira Itinerante conta com o apoio da Paróquia São Paulo Apóstolo e do Governo de Alagoas.

Serviço:
Feira Camponesa Itinerante
Dias: 23 a 25 de julho de 2015
Horário: 6h às 21h (exceto dia 25, que encerra às 12h)
Local: Igreja São Paulo Apóstolo – Salvador Lyra

Maiores informações:
Heloísa Amaral - 9341.4025

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Ésio Melo
Ascom
CPT/Alagoas

(82) 9913.8847
(82) 8843.7754

segunda-feira, 20 de julho de 2015

CARTA FINAL - Faz escuro, mas cantamos!

Na manhã desta sexta-feira, dia 17 de julho, foi realizada a plenária final do IV Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Na ocasião, os participantes aprovaram a Carta final do Congresso que celebra os 40 anos da Pastoral. Confira, na íntegra, o documento:



Nós, 820 camponesas e camponeses, indígenas e agentes da CPT, bispos católicos e da Igreja Ortodoxa Grega, pastores e pastoras, rezadores e rezadeiras, vindos de todos os recantos do Brasil, convocados pela memória subversiva do Evangelho e pelo testemunho dos nossos mártires, pela presença dos Orixás, dos Encantados e Encantadas, nos reunimos para o IV Congresso da Comissão Pastoral da Terra, em Porto Velho-RO, de 12 a 17 de julho de 2015. Foram dias de um intenso processo de escuta, debate e busca de consensos e desafios em sete tendas, que receberam nomes de sete rios de Rondônia. Ao final destes dias, queremos fazer chegar esta mensagem a vocês, povos do campo e da cidade, como um apelo e um chamado.

                                           "Obedecer ao chamado. Cumprir o dever".

(Cacique Babau - povo Tupinambá)

Faz escuro, mas eu canto! Ha 40 anos, a CPT, num tempo de escuridão, em plena ditadura militar, foi criada atendendo ao apelo de povos e comunidades do campo, de modo particular da Amazônia, envolvidas em conflitos e submetidas a diversas formas de violência. Hoje, voltando de onde nascemos e fazendo memória destes 40 anos, vemos que foram anos de rebeldia e fidelidade ao Deus dos pobres, à terra de Deus e aos pobres da terra, condição da nossa esperança. Vemos também que as comunidades vivem uma realidade mais complexa do que a do tempo da fundação da CPT, pois camuflada por discursos os mais variados de desenvolvimento e progresso, que, porém, trazem consigo uma carga de violência igual ou pior à de 40 anos atrás. Hoje, tem-se consciência de que pelo avanço voraz do capitalismo é o destino da própria humanidade e da própria vida que está em jogo. O mercado nacional e transnacional encontra suporte nas estruturas do Estado que se rendeu e vendeu aos interesses das elites e do capital.

Com a autoridade e humildade de quem vive as dores e alegrias da vida do povo, neste Congresso compartilhamos experiências que trouxeram a Memória de fatos e pessoas muito significativas na história das comunidades do campo e da própria CPT; experiências de Rebeldia que nos mostram a indignação diante das injustiças e da violência e experiências de Esperança, que apontam para caminhos que levem a uma realidade mais justa.

Quanta história temos para contar! De gente e de lugares, de derrotas e vitórias. ... E nossos mortos - homens e mulheres. Fazemos memória para unir passado e presente. Não para repetir! Mas para radicalizar, voltar às raízes do amor pela terra e pelos povos da terra.

Na nossa luta a CPT interagia de corpo e alma com a gente desde o começo, na ocupação e no despejo. Despejo não é derrota. A gente dá dois passos pra trás e três pra frente.

Valdete Siqueira dos Santos, Assentamento Transval, Jequitinhonha, MG.

Rememorar lutas e resistências alimenta nossa indignação e rebeldia. É justo rebelar-se, é legítimo e urgente. Porque a violência e a destruição não são parte do passado, mas são vividas em todos os cantos do país, com muitas caras e a mesma cumplicidade das autoridades que deveriam zelar pelo bem do povo. Estas enrolam, cansam e esgotam as comunidades. A rebeldia vai brotando aos poucos, nasce da realidade de opressão que interpela a consciência. É igual às sementes das plantas do Cerrado, que precisam passar pelo fogo ou pelo estômago dos animais para quebrar sua dormência e assim germinar. Nem sempre é um processo racional. Muitas vezes é um processo festivo de construção de símbolos. Continua a convicção que nosso projeto de vida vai ser “na lei ou na marra”.

Se com a memória alimentamos nossa rebeldia... com o que damos vida à nossa esperança?

                  A esperança é a persistência da rebeldia!

                     Trabalhador numa das tendas

Essa esperança vai nas nossas mãos. Em uma, a luta e a organização -  diária e rebelde -  na outra, a fé e a paixão - diária e rebelde. De um lado resistimos ao sistema de morte com luta. Do outro descobrimos que conquistar terra e território e permanecer neles não é suficiente. O desafio é construir novas pessoas e novas relações interpessoais, familiares, de gênero, geração, sociais, econômicas, políticas entre espiritualidades e religiões diferentes e com a própria natureza.

Com as mãos cheias de esperança convocamos os povos originários e o campesinato em suas mais diversas expressões: quilombolas, pescadores e pescadoras artesanais, ribeirinhos, retireiros, geraizeiros, vazanteiros, camponeses de fecho e fundo de pasto, extrativistas, seringueiros, castanheiros, barranqueiros, faxinalenses, pantaneiros, quebradeiras de coco-de-babaçu, assentados, acampados, peões e assalariados, sem-terra, junto com favelados e sem teto, para fortalecer estratégias de aliança e de mobilizações unitárias.

Convocamos também igrejas, instituições e organizações para reassumirmos um processo urgente de MOBILIZAÇÃO REBELDE E UNITÁRIA pela vida, que inclua a defesa do planeta TERRA, nossa casa comum, suas águas e sua biodiversidade.

Com o Papa Francisco reafirmamos que queremos uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, na nossa realidade mais próxima, uma mudança estrutural que toque também o mundo inteiro.

Se no passado a escuridão não nos calou, mas acendeu em nós a esperançosa rebeldia profética, hoje também ela nos impulsiona a continuar a luta ao lado dos povos e comunidades do campo, das águas e das florestas, em busca de uma terra sem males e do bem viver.

Por isso assumimos como perspectivas de ação para os próximos anos:                      

·         Uma reforma agrária que reconheça os territórios dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e uma justa repartição da terra concentrada;

·         A formação dos camponeses, camponesas e dos agentes da CPT, com destaque para as comunidades tradicionais, a juventude, as relações de gênero, a agroecologia;

·         O envolvimento em todos os processos de luta pela educação no e do campo;

·         O serviço à organização, articulação e mobilização dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, pescadores artesanais e mulheres camponesas;

·         A intensificação do trabalho de base;

·         A sustentabilidade pastoral, política e econômica da CPT.

O profundo desejo do próprio Jesus e do seu movimento é também o nosso: “Eu vim trazer fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse em chamas” (Lc 12,49).



Porto Velho, RO, 17 de julho de 2015.

Os e as participantes do IV Congresso Nacional da CPT

Chega ao fim o IV Congresso Nacional da CPT

Chegou ao fim, na tarde desta sexta-feira, dia 17 de julho, o IV Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), realizado  em Porto Velho, Rondônia.



(Equipe de Comunicação João Zinclar – IV Congresso Nacional da CPT / Imagem: Joka Madruga)



Desde o último dia 12, cerca de mil pessoas, entre camponeses, indígenas, quilombolas, trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo o Brasil, agentes pastorais, colaboradores de CPT, padres e bispos, estiveram reunidos no Congresso que celebra os 40 anos da Pastoral.

A partir de intensos debates, os participantes puderam refletir sobre os principais desafios enfrentados pelas populações do campo na atual conjuntura e  partilharam diversas experiências de memória, rebeldia e esperança postas em prática pelas comunidades. Para a CPT, o momento foi de escuta. É no Congresso que as diversas populações do campo de todo o país, reunidas, apontam as estratégias e propostas que irão orientar as ações da CPT para os próximos quatro anos.
Em sua plenária de encerramento, os/as participantes aprovaram a Carta Final do IV Congresso da CPT. O documento é fruto deste conjunto de reflexões, debates e propostas feitas pelos camponeses e camponesas, trabalhadores e trabalhadoras rurais que serão as luzes para a CPT no seu serviço às causas dos Pobres da Terra até o próximo Congresso, previsto para ocorrer em 2020.

Confira o discruso do Papa no Encontro Mundial de Movimentos Populares