terça-feira, 29 de setembro de 2015

Água: canal da vida, presença de Deus

7ª Romaria das Águas e da Terra reúne duas mil pessoas em Delmiro Gouveia


Em busca de um tempo novo, com água em abundância para todos, cerca de duas mil pessoas marcharam em romaria da cidade de Delmiro Gouveia até às margens do Canal do Sertão, em Água Branca. A 7ª Romaria das Águas e da Terra, realizada na noite do sábado (26) até o amanhecer do domingo (27), afirmou a água como bem grandioso e defendeu seu acesso aos mais carentes.

“A água é um bem necessário e divino, ela precisa ser preservada para que todos tenham acesso a ela. E muito mais do que isso, nós não podemos ficar passivos a situações de morte que surgem aqui no alto sertão, trazida pela inacessibilidade da água. Nós, o povo de Deus movidos pela fé, temos a obrigação de fazer com que os nossos governantes viabilizem políticas públicas que distribuam a água, levando vida em abundância para todos”, afirmou o Padre José Aparecido, pároco da Igreja Nossa Senhora do Rosário.

A atividade foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra, em parceria com o Conselho Indigenista Missionário, a UFAL e a Paróquia Nossa Senhora do Rosário, e contou com a animação do Grupo de Jovens de Joaquim Gomes, durante as 4 horas do caminho.

“Eu sou romeiro e vou em Romaria” (Zé Vicente)


A 7ª Romaria das Águas e da Terra reuniu crianças, jovens, adultos e até idosos para uma caminhada de fé, alegria e esperança.  O jovem João Paulo, do assentamento Dom Helder em Murici, foi um dos que não desaminaram um só minuto. Além se apresentar com o grupo de capoeira no início, o jovem pulou, cantou e rezou durante todo os 8 km de percurso. 

João Paulo conta que desde pequeno participa das romarias. “Tenho 21 anos e desde os 9 não perco uma romaria. É uma forma da gente se conscientizar mais e entender que é importante está engajado na mudança do mundo. Os jovens têm que estar nas romarias, aprender com os mais velhos e se motivar. Se ficarmos de braços cruzados, nada muda”, afirmou João Paulo.

Outro grupo que se organizou para participar foi o Movimento de Cursilhos de Cristandade. Fátima Ermínia, vice-presidente do Cursilho de Delmiro Gouveia, esteve presente com mais de 50 pessoas, reafirmando o compromisso do cursilho com a questão social e política. “É uma forma da gente gritar para ter vez e voz os menos favorecidos. A água é uma questão que se não nos preocuparmos agora vai faltar para todos no futuro. A água é uma riqueza que nós temos e estamos vendo ela ir embora, não podemos ficar de braços cruzados, temos que lutar”, afirmou Fátima.

“Se é para ir à luta, eu vou!” (Zé Vicente)


A Romaria ficou ainda mais bonita com as importantes presenças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, dos Quilombolas de Delmiro Gouveia e dos Indígenas da tribo Pankararu, que, carregando suas faixas e bandeiras, encontraram na caminhada um espaço de reivindicação.
A comunidade da UFAL e o grupo de pesquisa Grupo de Estudos Agrários e Socioterritoriais (GEAST) também se fizeram presentes, demonstrando que na UFAL do Sertão o conhecimento acadêmico pode servir ao povo.

Para a professora Francisca Maria Teixeira, do curso de Geografia da UFAL, o debate sobre as obras do canal do sertão, além de hídrico e geográfico, é político e ideológico. “O Estado só chega onde o capital apresenta condições de se reproduzir. Essas águas represadas servem ao agro-hidro-negócio. Nós temos que lutar para que as águas do sertão cheguem ao povo e sirvam para a vida e não sirvam para a morte”, afirmou Francisca em cima do trio elétrico, em frente ao Câmpus da UFAL.

O Diretor Acadêmico do campus Sertão, professor Ivan Barbalho, utilizou o momento para defender o amor ao próximo. “Estamos aqui para fazer cumprir o maior mandamento que Jesus nos deixou: amar ao próximo como a si mesmo. Precisamos superar o egoísmo, estender nossas preces aos companheiros que estão sendo perseguidos e ameaçados. Temos um companheiro aqui da UFAL que está sendo ameaçado de morte. Rezemos em razão deste amigo, assim como todos que sofrem perseguições”, afirmou o professor Ivan, lembrando do caso do Professor Magno Francisco que sofreu ameaças por defender a apuração do assassinato de seu primo Davi Silva.

Celebrações e Místicas

Desde a concentração com a missa campal em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário até a benção final do Padre José Aparecido com as águas do Rio São Francisco, às margens do canal do sertão, a Romaria se fez cheia de místicas e significados.

Na Santa Missa, durante o ato penitencial foram denunciadas as injustiças sociais e a concentração das águas e da terra. A cada pedido de perdão os oradores lavavam às mãos ante ao altar, simbolizando uma limpeza do mal.  

O Padre Aparecido, na homilia, completou a mensagem com a passagem bíblica de Isaías, que afirma que o fruto da justiça será a paz. “Enquanto não houver justiça não há paz, e a água que Deus batizou pertence a todos, aos ricos e aos pobres. Temos que lutar para ser feita a justiça”, disse o Padre.

Diante do momento de comunhão, a irmã Cícera Menezes convocou os romeiros e romeiras para se alimentarem com o corpo e o sangue de Cristo, dizendo: “Temos que comungar com o povo sofrido, se não comungar com os oprimidos não comungamos com Deus”.

Durante as paradas, as reflexões continuaram seja com o recital do cordel da romaria seja com o toré indígena. Na parada do povoado Maria Bode, a tribo Pankararu e o CIMI lembraram que a terra foi o símbolo da criação humana e marcou todos os romeiros e as romeiras com a argila, reafirmando a terra como elemento fundamental e de liberdade.


No momento final, às margens do Canal, o padre e todo o povo ergueram as mãos para abençoar a água do São Francisco. De cima do trio elétrico, o padre Aparecido batizou os romeiros e romeiras na despedida da 7ª Romaria do Sertão.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Romaria defende acesso dos pobres às águas do canal do sertão



Na noite do sábado, 26 de setembro, até o amanhecer do domingo (27), romeiros e romeiras de diversas regiões de Alagoas caminharão juntos em defesa das águas do Rio São Francisco. Com o tema “Dá-me dessa água”, a 7ª Romaria das Águas e da Terra acontece no município de Delmiro Gouveia. A concentração está marcada para às 20 horas, com a realização da Santa Missa, no pátio da Igreja Nossa Senhora do Rosário.

Organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em parceria com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a UFAL Câmpus Sertão e a Diocese de Palmeira dos Índios, a Romaria do Sertão traz o lema “água: canal da vida, presença de Deus” e propõe dialogar com a população sobre a água e a terra como elementos divinos e essenciais para existência.

“Iremos refletir, a partir da nossa fé, a concentração das águas e da terra, de forma particular o projeto canal de sertão. Essa obra, que é apresentada pelos governos como a salvação do povo sertanejo, infelizmente ainda não mudou a realidade do povo pobre”, afirma Carlos Lima, coordenador regional da CPT.

Para a Pastoral da Terra, o canal precisa beneficiar os mais necessitados. “Queremos alterar o destino final dessas águas. No projeto atual, apenas 6% da água será utilizada para o consumo humano. O grande fluxo servirá à mineração e à irrigação nas áreas dos latifundiários da região. O povo continuará às margens do canal”, completou Lima apresentando que a finalidade do canal deva ser “levar água para quem tem sede”. 

O ato de fé, resistência e esperança sairá do centro da cidade de Delmiro, passando pela UFAL, até as margens do Canal do Sertão, divisa com Água Branca, um percurso total de 8 km. A previsão da organização é que cerca de 3 mil pessoas participem da romaria.

Serviço
7ª Romaria das Águas e da Terra
Dias: 26 e 27 de setembro
Local: Delmiro Gouveia
Concentração às 20 horas na Igreja Nossa Senhora do Rosário

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Assentamento Santo Antônio recebe visita do Secretário de Agricultura, Álvaro Vasconcelos


Os camponeses e camponesas do Assentamento Santo Antônio, localizado em Major Isidoro, receberam a visita do Secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Vasconcelos, no último sábado, dia 19 de setembro. Na ocasião, os assentados e as assentadas apresentaram ao representante do Governo de Alagoas o resultado dos recursos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – FECOEP – investidos na área.

O assentamento foi contemplado no edital da FECOEP de 2014, o qual destinou verbas para a construção de um aprisco (curral destinado ao abrigo de ovelhas), para a aquisição de um carneiro reprodutor e para a construção de um açude.

O investimento foi realizado na antiga fazenda São Félix, transformada em área de reforma agrária em 2012, e beneficiou as 30 famílias assentadas. Segundo Heloísa Amaral, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra, a barragem do açude acaba beneficiando mais do que apenas os assentados, pois no sertão o povo pobre compartilha a água.

“Só as barragens dos ricos é que são privadas, beneficiam apenas eles mesmo, já as barragens dos pobres são coletivas”, afirmou Heloísa sobre a importância do açude para combater o problema da seca no sertão.

O secretário de agricultura ficou contente com o que viu, com a diversidade da horta ao lado do açude e com o aprisco. “A terra aqui é muito boa, o povo é muito trabalhador, mas a falta de água limita bastante. A secretaria tem trabalhado em projetos de armazenamento de água. Esperamos que esse açude não seque e sirva para colocarmos peixes aí”, afirmou Vasconcelos, que se comprometeu também em incluir pessoas do assentamento nos próximos cursos de inseminação artificial, promovidos pela Secretaria de Agricultura na região da bacia leiteira.

“Tudo aqui é na munheca”

Os assentados e as assentadas aproveitaram a visita do gestor público para reivindicar mais investimentos na área. A principal reivindicação foi a aquisição de um trator para ajudar na produção.

“Falta uma máquina para ajudar a gente na produção. Tudo aqui é na munheca”, afirma a assentada Fábia Melo Silva, coordenadora do assentamento Santo Antônio. Ela e seu marido cultivam hortaliças, macaxeira, milho, abóbora e feijão ao lado do açude feito com os recursos do FECOEP, mas fazem todo o trabalho pesado manualmente, aram a terra seca na enxada e irrigam tudo com o regador, carregado no braço.

“Essa terra é boa para trabalhar, tudo que a gente planta dá. Tudo que vocês estão vendo é fruto do nosso trabalho, da munheca, mas se tiver uma ajudinha do governo nós vamos ter muito mais”, garantiu a assentada Fábia.

FECOEP

O Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza foi criado em 2005 para incluir socialmente todos os alagoanos que estão abaixo da linha da pobreza. Metade dos projetos aprovados trata de propostas de inclusão produtiva, saindo do cunho meramente assistencialista para investir em ações estruturantes de combate à pobreza.

Em áreas de assentamentos acompanhados pela CPT no sertão de Alagoas, foram construídos cinco aprisco e cinco barragens, além da aquisição de cinco carneiros reprodutores. Na região da Mata e Litoral, foram implantados projetos de irrigação. No dia 7 de outubro, o secretário Álvaro Vasconcelos realizará uma visita ao assentamento Flor do Bosque, em Messias, para conferir o projeto de irrigação.


A CPT aguarda ainda a liberação dos recursos de outros três projetos já aprovados. Um visa qualificar a ação da equipe técnica, outro reflorestar o assentamento Flor do Bosque e um terceiro projeto produtivo é destinado à juventude camponesa.  “Com a liberação desses novos recursos vamos avançar ainda mais na produção de alimentos e na preservação do ambiente”, afirmou Carlos Lima, coordenador regional da Pastoral da Terra.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Feira Camponesa ocupa SEADES com alimentos saudáveis e atrações culturais

Grupo de forró Pika Pau e capoeira fazem parte da programação cultural



A Feira Camponesa Itinerante começou e trouxe alimentos saudáveis direto do campo para a mesa do maceioense. Fruto da parceria entre a Comissão Pastoral da Terra e a Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, esta edição teve início nesta quinta-feira, 17 e segue até o meio-dia do sábado, 19, no estacionamento do órgão, localizado na Rua Comendador Calaça, 1399 - Poço.

Os camponeses e camponesas, vindos do litoral, sertão e zona da mata, estão distribuídos em 19 barracas oferecendo alimentos agroecológicos da melhor qualidade. O secretário de Estado, Joaquim Brito, presente na primeira manhã do evento e ficou contente por sediar o evento.


“A secretaria tem muita satisfação de promover, juntamente com a Comissão Pastoral da Terra, a Feira Camponesa, porque ela representa uma integração com a sociedade e reconhece e estimula a agricultura familiar. Nós convidamos a todos para virem aqui na secretaria, na antiga LBA, para que comprem seus produtos sem nenhum agrotóxico”, disse Brito.

A Feira conta ainda com outros atrativos, como a Casa de Farinha, assando o beiju e a farinha de mandioca na hora, e, nesta sexta-feira, a partir das 18 horas, o grupo de capoeira da juventude do assentamento Dom Helder Câmara e o forró pé-de-serra Pika Pau.

“A feira itinerante traz um pouco da cultura e da produção camponesa para a capital. Estamos sendo muito bem acolhidos pela população local, pelos trabalhadores da SEADES e pela imprensa. Esperamos que amanhã a população continue prestigiando, adquirindo alimentos, e venha dançar um forró conosco na nossa noite cultural de sexta-feira”, convidou Heloísa Amaral, coordenadora da CPT responsável pela Feira. 

Serviço

Feira Camponesa Itinerante
Dias: 17, 18 e 19 de setembro de 2015
Horário: das 7h às 20 horas

Noite Cultural Camponesa
18 de setembro de 2015
A partir das 18 horas

Local: estacionamento da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social (Rua Comendador Calaça, 1399 – Poço)

Maiores informações:
Heloísa Amaral – 99341.4025







segunda-feira, 14 de setembro de 2015

CPT anuncia Feira Camponesa no SEADS


A Feira Camponesa Itinerante, projeto que percorre a cada mês os bairros da capital levando alimento saudável direto do campo para o consumidor, chega, nesta quinta-feira, 17, ao bairro do poço. Esta edição, será realizada em parceria com a Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, no estacionamento do órgão, até o meio dia do sábado (19).

O evento reunirá cerca de 25 camponeses e camponesas para comercializar produtos cultivados de maneira agroecológica nas áreas de reforma agrária no litoral, sertão e zona da mata. Feijão, banana, macaxeira, mel, abóbora, batata doce, laranja e galinha são alguns desses alimentos ofertados na feira.

Heloísa Amaral, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra responsável pelo evento, convida a população para se fazer presente, destacando que os preços dos produtos são abaixo do encontrado nos supermercados, pois são vendidos pelo próprio produtor rural.

“Na Feira da CPT não existe a figura do atravessador, são os camponeses e as camponesas quem plantam, cultivam e vendem. Assim, lucra o trabalhador rural, que pode vender a preço justo, e lucra também o comprador, que adquire por um valor mais barato e ainda tem a possibilidade da ‘pechincha’”, afirmou Heloísa.

Serviço

Feira Camponesa Itinerante
Dias: 17, 18 e 19 de setembro de 2015
Horário: das 7h às 20 horas
Local: estacionamento da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social (Rua Comendador Calaça, 1399 – Poço)

Maiores informações:

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Edufal lança livros do movimento social nesta quarta-feira, 9



A Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal) realiza nesta quarta-feira, 9 de setembro, o lançamento das obras Terra e Pastoral em Alagoas: conflito e liberdade, Chrônicas Alagoanas: notas sobre poder, operários e comunistas em Alagoas; Terra em Alagoas: temas e problemas. O evento será às 19 horas, no Maceió Shopping.

As obras lançadas fazem parte de estudos coordenados pelo historiador Luiz Sávio de Almeida sobre o movimento social em Alagoas e dão destaques a parcelas da população que, historicamente, são excluídas socialmente e do conhecimento acadêmico.

Para Carlos Lima, mestrando em história pela UFAL e coordenador da Comissão Pastoral da Terra, a partir desses livros o movimento social tem ocupado o latifúndio do conhecimento em Alagoas.

“Estamos começando a ocupar o espaço acadêmico com a história e as experiências de famílias acampadas e assentadas. E a Edufal, nesse caso, tem contribuído como um canal de divulgação científica da luta dos empobrecidos da Terra”, afirma Lima.

O lançamento das obras faz parte da programação da exposição de livros que a Edufal e a Imprensa Oficial Graciliano Ramos estão realizando de 8 a 13 de setembro, durante horário de funcionamento do Shopping (das 10h às 22h de segunda a sábado e das 12h às 21h no domingo), em frente à loja Renner.

Serviço

Lançamento das obras Terra e Pastoral em Alagoas: conflito e liberdade, Chrônicas Alagoanas: notas sobre poder, operários e comunistas em Alagoas; Terra em Alagoas: temas e problemas
Dia: 9 de setembro
Horário: 19 horas
Local: Maceió Shopping – térreo, em frente à loja Renner. (Avenida Gustavo Paiva, 2990 -  Mangabeiras)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Alagoas: Grito dos Excluídos ocupa avenida e marcha durante desfile cívico


Mais de 500 trabalhadores do campo e da cidade, ocuparam a Avenida da Paz, em Maceió, e marcharam juntos, neste 7 de setembro, por justiça social, contra o extermínio do povo pobre, pela democratização da mídia e por um Brasil soberano.

O 21º Grito dos Excluídos, realizado em todo o país com o lema Que país é este que mata gente, que a mídia mente e nos consome?, questionou a comemorada independência brasileira, buscando unir os oprimidos para lutar por direitos e por um país sem desigualdades.

“Gritamos bem alto para que não haja mais gente passando fome, vivendo sem-terra, sem-teto e sem direitos básicos. Nosso grito hoje, repete as palavras do Papa Francisco: ‘nenhuma família sem-teto, nenhum camponês sem-terra, nenhum trabalhador sem direitos’”, afirmou Carlos Lima, coordenado da Comissão Pastoral da Terra.

Marcha


As Pastorais Sociais da Igreja Católica, a CPT, o MST, o MLST, a CUT, a UP, o PCR e a Consulta Popular estiveram presentes no Grito de Alagoas, que tomou às ruas e percorreu o trajeto do desfile cívico, convidando a população para se reconhecer enquanto excluídas pelo capitalismo e marchar junto.

Em todo o percurso, os manifestantes foram aplaudidos. Em frente ao palanque do Governador de Alagoas, Renan Filho, foram denunciados a grande quantidade de crimes no estado e a necessidade de investir na saúde, educação e moradia.

O caso Davi Silva – adolescente torturado e assassinado pela PM/AL há um ano - teve grande tônica no ato, a ponto de o Governador responder ao Grito, dizendo que acionará a Polícia Civil para que dê celeridade a solução desse assassinato.


“Estamos aqui para dizer que os jovens estão morrendo nas favelas. Como Davi era negro, pobre e morador da periferia, os seus assassinos ainda não foram julgados e condenados. É preciso que acabe com a impunidade nesse estado”, denunciou Magno Francisco, primo de Davi e militante da Unidade Popular pelo Socialismo (UP).


Fotos: Lara Tapety



sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Grito dos Excluídos convoca movimentos sociais para irem às ruas no 7 de setembro



A independência do Brasil, comemorada com desfiles militares no dia 7 de setembro, não representou inclusão social e autonomia do país frente ao capital internacional. Para denunciar as injustiças e os males existentes no Brasil, os movimentos sociais, há 21 anos, tomam as ruas com o Grito dos Excluídos.

Em Alagoas, a marcha dos excluídos do campo e cidade será realizada dia 7 na Avenida da Paz, com concentração a partir das 7 horas, em frente ao Clube Fênix. Organizada pelas Pastorais Sociais da Arquidiocese de Maceió, CPT, CUT, MST, MLST, PCR e UP, a atividade pretende reunir cerca de mil pessoas.

O tema deste ano é A vida em primeiro lugar e, no estado mais violento do país, os movimentos sociais afirmam que não há paz com extermínio, criticando o aumento do número de mortes por agentes policiais em Alagoas.

“Há deliberadamente mais assassinatos durante as ações policiais em Alagoas. Isso é mudar a lei do país, instituir a pena de morte com julgamento instantâneo PM e sem direito à defesa”, afirmou Carlos Lima.

O Grito dos Excluídos leva às ruas o lema “Que país é este, que mata gente, que a mídia mente e nos consome”, onde aponta a necessidade de unir os oprimidos para construir um país diferente, sem o extermínio da juventude negra nas periferias, sem corte de direitos, com democratização da mídia e justiça social.

Sobre o Grito

O Grito dos excluídos surgiu no Brasil, em 1994, e se consolidou como um espaço sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos.

Seu objetivo é valorizar a vida e anunciar a esperança de um mundo melhor, construindo ações a fim de fortalecer e mobilizar pessoas para atuar nas lutas populares e denunciar as injustiças e os males causados por este modelo econômico liberal e excludente, ocupando ruas e praças por liberdade e direitos.

Serviço
Grito dos Excluídos
Dia: 7 de setembro de 2015
Local: Avenida da Paz
Concentração às 7 horas em frente ao Clube Fênix

Maiores informações:
Carlos Lima - 99137.6112

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Canal do Sertão não atende ao povo pobre sertanejo

Seminário realizado em Delmiro Gouveia debateu sobre o tema e lançou a 7ª Romaria das Águas e da Terra


O canal do sertão é uma das maiores obras de engenharia hídrica do mundo, que, em teoria, pretende levar água tratada para cerca de um milhão de pessoas em Alagoas em quase metade dos municípios Alagoanos. Entretanto, o que se pode observar nesses dois anos, em que os primeiros 65 km do Canal foram inaugurados, é que sua utilidade ainda não alcançou o povo pobre do sertão, pelo contrário, só tem privilegiado os grandes proprietários de terra, consolidando o poder econômico das elites locais.

Essa discussão foi o tema do Seminário “O Canal do Sertão: para que? Para quem?”, realizado no dia 28 de agosto, no Câmpus de Delmiro Gouveia da Universidade Federal de Alagoas. A atividade foi o pontapé para a 7º Romaria das Águas e da Terra, que será realizada nos dias 26 e 27 de setembro, também em Delmiro.

Mais de 500 pessoas, entre assentados, acampados, indígenas, quilombolas, alunos da UFAL e de colégios estaduais, lotaram o auditório Graciliano Ramos para ouvir o professor e geografo Cláudio Ubiratan da UFPE, os membros do Grupo de Estudos Agrários e Socioterritoriais (GEAST), Wanúbya Menezes e Felipe Ferreira, e o monge missionário do campo, João Batista, debaterem sobre a problemática das águas no sertão.

De acordo com os estudos realizados pelo GEAST, sobre o uso das águas pela população que vivem nas proximidades do Canal do Sertão, só os grandes proprietários rurais e latifundiários estão, efetivamente, sendo beneficiados pela obra.


“Na contramão do que foi possível observar nas pequenas propriedades, assentamentos e acampamentos, em uma grande propriedade do município de Delmiro Gouveia já se vem fazendo uso do Canal de forma mais efetiva, e com uma produção monocultora de agricultura irrigada considerável, com aparatos tecnológicos muito mais avançados”, afirmou Wanúbya Menezes, mestranda em Geografia pela UFAL.

O Grupo tem se dedicado a realizar visitas aos proprietários rurais (grandes e pequenos) e estudar sua relação com obra hídrica. Eles perceberam que o projeto não atende as necessidades dos camponeses e dos sem-terra.

“Alguns poucos pequenos ou médios proprietários rurais que margeiam o Canal do Sertão nos municípios de Delmiro Gouveia e Água Branca e que conseguiram custear o equipamento necessário para desenvolver algum tipo de cultura irrigada usam o Canal de forma improvisada, devido ao alto custo dos equipamentos e a falta de assistência e orientação técnica. A situação se agrava nos assentamentos, onde são raros os casos dos assentados que fazem uso do Canal, mesmo para o consumo humano”, complementou a geógrafa.

Os demais palestrantes também foram uníssonos em defender que para alterar o destino da água do canal é necessário intensificar a luta pela terra nas suas margens. O professor e Geografo Cláudio Ubiratan da UFPE afirmou que “o canal do sertão faz parte de uma estratégia do capital. O canal encontra-se dentro de um projeto maior, o mesmo da transposição das águas do Rio São Francisco”.

Por sua vez, o monge João Batista enfatizou que a água e bem da humanidade.  “Devemos prezar pela vida dos mais pobres. Estamos diante de uma obra bilionária que não tem melhorado as condições de vida do povo, permitindo um maior acesso à água. Isso nos faz lembrar que também nesse projeto o povo não foi ouvido. Mas, agora, é precisamos lutar para garantir o nosso direito”, concluiu o monge.

Definições

O Seminário concluiu que é preciso a união e organização de vários setores da sociedade na defesa da agricultura camponesa e das águas.  Nesse sentido, a CPT, a UFAL, a paróquia nossa senhora do Rosário, os indígenas, os quilombolas e os assentados conformarão um comitê popular e redigirão de um manifesto sobre o tema. O comitê realizará sua primeira reunião no próximo dia 10, às 14h30, no salão paroquial de Delmiro Gouveia. 

Quanto à Romaria das Águas e da Terra, todos os presentes se comprometeram a se fazer presentes e consolidar a atividade como um espaço de fé e de luta contra o atual destino atual das águas do canal do sertão. O manifesto do comitê popular será lançando na romaria no dia 26 de setembro.