domingo, 18 de outubro de 2015

100 toneladas de alimentos são comercializados na 23ª Feira Camponesa


A 23ª Feira Camponesa, organizada pela Comissão Pastoral da Terra, se despediu de Maceió na manhã deste sábado, 17 de outubro. Com mais de 100 toneladas de alimentos comercializados, a Feira demonstrou o sucesso que a produção agroecológica faz entre os maceioenses.

Os cerca de 100 camponeses e camponeses, vindos de 21 assentamentos e acampamentos da reforma agrária em Alagoas, além de apresentar frutos da luta pela terra, garantiram a comercialização de seus produtos a um preço justo.



“Na nossa feira não há o atravessador, que lucra em cima do trabalhador rural e faz aumentar o preço para o consumidor final. Nesses 4 dias de feira observamos um grande envolvimento das pessoas que vinham comprar e buscavam saber de onde vinha o alimento e aprendiam sobre o modo de vida dos camponeses”, afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da CPT.

Pinóquio do Acordeom encerrou programação cultural com chave-de-ouro




A Feira Camponesa é também bastante conhecida pela festa que propicia durante as noites, na Praça da Faculdade. Este ano, os artistas Pinel do Acordeon, Guilla Gomes, Grupo Afro Afoxé, Forró Casa de Reboco, Forró Nó Cego e Pinóquio do Acordeon garantiram a animação de milhares de pessoas que passaram pela 23ª edição da Feira da CPT.

Após o já tradicional bingo do carneiro, Pinóquio do Acordeon, amigo e apoiador da luta camponesa, recebeu a missão de realizar mais um encerramento das festividades da Feira. “Esse é sempre um momento de muita alegria tanto para o homem e a mulher do campo como da cidade. Esperamos que a próxima Feira possamos repetir esse sucesso”, concluiu Heloísa.






quinta-feira, 15 de outubro de 2015

23ª Feira Camponesa apresenta frutos da Reforma Agrária


Na abertura oficial, movimentos sociais cobraram mais apoio para o homem e a mulher do campo


A Praça da Faculdade se transformou nesta quarta-feira, 14 de outubro, em “um pedaço do campo no coração de Maceió”. A 23ª Feira Camponesa chegou e trouxe mais de 100 camponeses e camponesas para apresentar à sociedade alagoana os frutos da reforma agrária e um pouco da cultura do campo. Casa de Farinha, restaurante camponês, shows gratuitos, horta demonstrativa e pescaria infantil fazem parte do evento ocorre até o meio dia do sábado.

Organizada pela Comissão Pastoral da Terra, a Feira reúne a produção de 21 assentamentos e acampamentos espalhados por todo o estado de Alagoas. “De Água Branca, no Sertão, à Porto de Pedras, no Litoral, tem camponeses e camponesas que produzem alimentos saudáveis, sem o uso de agrotóxicos e estão aqui, mostrando que o sem-terra são homens e mulheres trabalhadores que alimentam a cidade”, afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da CPT.

“Alimento é vida e vida é para ser compartilhada”


Carregando a bandeira da CPT e os frutos da reforma agrária, os camponeses e as camponesas deram início a solenidade de abertura da Feira Camponesa, apresentando o melhor da produção de cada região. Eles coloriram e deram vida à mesa oficial, que foi composta pelo coordenador do MST, José Roberto, pelo coordenador do MLST, Josival Santos, pelo Secretário de Agricultura, Álvaro Vasconcelos, pelo Diretor-Presidente do ITERAL, Jaime Silva, e pela representante do INCRA, Alessandra Costa.

Carlos Lima, representante da CPT, lembrou aos representantes do poder público presentes, que a Feira Camponesa é obra da vontade e da garra do homem e da mulher do campo que lutaram pela terra e hoje produzem alimentos de qualidade.


“Essa diversidade de produção que vocês estão vendo aqui é fruto da batalha diária de cada camponês que luta por uma vida digna, mesmo diante das dificuldades e da falta de apoio dos governos - inclusive para as Feiras”, disse Carlos Lima.

O representante da CPT, fez questão de diferenciar a relação que o camponês tem com a terra da mera relação comercial. “Diferente do supermercado, que o produto é um código de barra, aqui a relação é outra. O feirante é camponês que plantou, que você conversa, sabe de onde vem o produto, quais suas dificuldades e ainda pode pechinchar. Aqui tem camponês que até dá alimento porque ele aprendeu que alimento é vida e vida é para ser compartilhada”.



A Pastoral da Terra utilizou também o momento para fazer crítica à política agrária do governo, que prioriza os latifundiários da cana e do eucalipto. “A gente não come cana e nem eucalipto. O eucalipto é tão ruim que nem cupim gosta de comer. Mas, o estado só investe nisso, que gera desigualdade social e concentração de terras e de riquezas. É preciso investir para alimentar a população, investir na reforma agrária”, concluiu Lima.

Democratizar a terra


Os movimentos sociais do campo cobraram mais apoio do governo para o homem e a mulher do campo e reivindicaram ainda a destinação da massa falida da Usina Laginha para a reforma agrária.
“Para acabar com a fome no campo, a violência e o desemprego no campo e na cidade, pode inventar o que quiser, mas se não fizerem a reforma agrária vai ser tudo invenção política para manter a miséria do nosso povo. Se não fizer a reforma agrária a miséria vai continuar no campo”, exclamou Zé Roberto, coordenador do MST.


Zé completou fala dizendo que “o Estado tem uma oportunidade única de transformar a Laginha em assentamentos, dando terras para 2 mil famílias, gerando 6 mil empregos diretos. Para isso, é preciso parar de enrolar as famílias e ter compromisso, de verdade, com os trabalhadores do campo”.






terça-feira, 13 de outubro de 2015

23ª Feira Camponesa ocupa Praça da Faculdade com alimentos saudáveis


Mais de 100 camponeses e camponesas, organizados pela Comissão Pastoral da Terra, ocuparão a praça da Faculdade a partir desta quarta-feira, 14 de outubro. Alimentos saudáveis, casa de farinha, restaurante camponês e muita cultura popular fazem parte das atrações que a 23ª Feira Camponesa traz à Maceió.  

A Feira transformará, de 14 à 17 de outubro, a Praça da Faculdade em um pedaço do campo no coração de Maceió. Sua abertura oficial está marcada para o dia 14, às 9 horas, com um café da manhã compartilhado entre os feirantes, os parceiros da luta camponesa e a imprensa.

 “Nossa Feira expressa a importância da Reforma Agrária em Alagoas.  Os alimentos são frutos da luta por justiça social e representam trabalho e renda para o povo empobrecido que não possuíam nem terra para morar”, afirma Heloísa Amaral, coordenadora da CPT responsável pelo evento.

Heloísa destaca ainda que toda a produção realizada nos acampamentos e assentamentos são agroecológicas. “Defendemos um outro tipo de utilização da terra, que privilegie a vida e a produção de alimentos. Por isso, não utilizamos agrotóxicos em nossas roças. A reforma agrária é boa para o homem e a mulher do campo e da cidade”, defende a coordenadora da CPT.

Atrações

Com muito forró e cultura popular, programação noturna da Feira é sempre um atrativo especial para os maceioenses. Nomes como Pinóquio do Acordeon, Forró Casa de Reboco e Guilla Gomes estão confirmados para abrilhantar as noites do evento, com shows gratuitos sempre a partir das 19 horas.

Funcionando os três horários, a casa de farinha e o Restaurante Camponês terão espaço especial já reservado, para oferecer a farinha e o beiju assados na hora e o melhor da comida regional, como o carneiro, a buchada, o  pato, a galinha de capoeira e a carne de sol, acompanhados do cuscuz, do inhame e da macaxeira.

Essa edição da Feira também tem novidades. Pois, a CPT está trazendo atividades infantis e conhecimento medicinal da cultura do campo. Para a criançada, haverá a brincadeira de pescaria. Já para os adultos, uma enorme variedade de plantas medicinais.

“Queremos que a população maceioense se sinta à vontade na Feira, adquira alimentos e aproveite as outras atividades que estamos preparando com muito carinho, para todas as idades”, concluiu Heloísa convidando para a Feira.

Serviço

23ª Feira Camponesa
Data: 14 a 17 de outubro de 2015
Horário: Das 6 horas às 21 horas 
Local: Praça da Faculdade (Afrânio Jorge)

Programação Noturna

14 de outubro (quarta)
19h – Pinel do Acordeon
20h30 – Forró Casa de Reboco

15 de outubro (quinta)
19h - Forró Nó Cego
20h30 – Guilla Gomes

16 de outubro (sexta)
19h – Afro Afoxé
20h30 - Bingo do carneiro
21h – Pinóquio do Acordeon

sábado, 10 de outubro de 2015

Reserva Legal do assentamento Flor do Bosque é invada por grileiros

Prefeitura de Messias, Secretaria do Estado de Agricultura, IMA e Batalhão Ambiental se comprometem a zelar pela área



Os 70 hectares de Reserva Legal (RL) do assentamento Flor do Bosque, em Messias, está sendo invadido por grileiros. No lugar das árvores nativas, casas de veraneio e casas de aluguel, além do comércio de lotes.

Essa foi a denúncia que a Comissão Pastoral da Terra, CPT, registrou ao Instituto do Meio Ambiente, à Prefeitura de Messias, à Secretaria do Estado de Agricultura e ao Batalhão Ambiental durante a inspeção realizada na manhã do dia 7 de outubro.

“Essa não é uma situação nova, desde 2011 exigimos aos órgãos públicos a retirada dos intrusos da área de proteção ambiental. Infelizmente, mesmo com notificações do IMA e do Batalhão Ambiental, em dezembro de 2011 e em julho de 2014, novos grileiros aparecem para construir casas e vender lotes dentro da reserva legal”, afirmou Carlos Lima, coordenador regional da CPT.



Os assentados e as assentadas denunciam um homem conhecido como Pedro Barros - que se diz influente nos órgãos ambientais – como o responsável pela venda de lotes e de casas na RL. Em uma dessas casas, um rapaz que se identificou por Aurélio disse que mora no local há 3 meses e desconhece ser área de preservação, mesmo assim foi notificado pelo Batalhão Ambiental para deixar a área.

“Eu comprei essa casa de Padro Barros. Troquei por uma que eu tinha no Selma Bandeira, Quadra F, Lote 3. Ele não disse que era área protegida, disse pertencer à prefeitura”, afirmou Aurélio.


Em uma outra casa, essa bem maior, com funcionário e até com cercas de concreto, um rapaz disse cuidar da casa que pertencia a um comerciante de Maceió, chamado Miguel. Essa grande propriedade envolve vários hectares da área e incomodou, particularmente, o Vice-prefeito de Messias, Luíz Emílio Omena.


“Isso é um grande crime ambiental. A casa, além de ocupar uma área de preservação, ainda cerca os fundos da Escola do Município, impedindo a passagem da população”, afirmou Omena, dizendo querer trabalhar com o IMA, a Secretaria de Agricultura, a Polícia Ambiental e os assentados para resolver “essa questão tão importante para o meio-ambiente, que causa impactos para a região inteira”.


Ainda dentro da Reserva Legal foram encontradas casas de pequeno porte para aluguel. Segundo informações coletadas com Aurélio, as casas pertencem a um rapaz de Rio Largo, que, sem medo de cometer o crime ambiental, deixa seus números de contato nas portas das casas.

O morador do assentamento Dom Helder, em Murici, e coordenador da Juventude Camponesa, José Roberto da Silva, mais conhecido como Bel, disse estar indignado com a impunida de quem ofende à natureza. “Os assentados sabem que em Reserva Legal não podem cortar uma árvore para fazer um cabo de vassoura, pois corre o risco de perder o lote. Mas, uns sujeitos desses devastam grandes áreas para construir casas de veraneio e vender lotes. É absurdo”, desabafou Bel.


Reinaldo Falcão, assessor especial da Secretaria de Agricultura do Estado de Alagoas, disse que vai se empenhar para conter as invasões na reserva. “A Secretaria de Agricultura, junto ao IMA, vai buscar retirar os invasores. Com a parceria da prefeitura, queremos cercar a reserva e colocar placas. Queremos ainda, com a ajuda dos assentados e do batalhão ambiental, fazer o acompanhamento permanente para que a situação não volte a se repetir”, declarou Falcão.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Projeto de irrigação fortalece agricultura familiar no assentamento Flor do Bosque

Assentados receberam a visita da Secretaria de Agricultura, da Prefeitura de Messias e do IMA


O Assentamento Flor do Bosque é uma ilha de produção de alimentos saudáveis em meio ao canavial que toma conta da zona rural de Messias. A área, ocupada em 1998 e transformada em assentamento em 2006, representa um espaço de resistência e liberdade para os camponeses e as camponesas.
Contemplado no edital de 2014 do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – FECOEP, o assentamento recebeu investimentos do Governo de Alagoas para a aquisição de um sistema de irrigação de hortas, fruticultura e plantas medicinais. Ao todo, 8 lotes foram beneficiados.


A assentada Maria José Cavalcante, a Maria do Bosque, agora tem sua horta irrigada por um sistema de gotejamento. Com isso, ela consegue cultivar 24 espécies de plantas medicinais, além de dezenas de nativas e frutíferas. A camponesa também produz mudas para reflorestar e assegurar a qualidade de sua nascente.

“Procurei diversificar o plantio para recuperar o solo degradado por mais de 150 anos de cana. Hoje, tenho certificado de produção orgânica e consigo produzir o suficiente tanto para o consumo, como para o comércio”, afirmou Maria do Bosque.

 “O objetivo da reforma agrária foi atingido”


Na última quarta-feira, 7 de outubro, o assessor especial da Secretaria de Agricultura de Alagoas, Reinaldo Falcão, o Vice-Prefeito de Messias, Luíz Emílio Omena, e o fiscal do Instituto do Meio Ambiente – IMA, Wolney Lima, estiveram no assentamento e puderam observar o resultado dos recursos investidos na área.

“Observamos nos lotes a busca da revitalização das áreas com plantas frutíferas e nativas. Com o sistema de irrigação implantado, as hortas já são uma realidade, mesmo com a seca e o solo desgastado. Não há dúvidas do empenho e do interesse dos assentados em buscar tornar o assentamento produtivo”, afirmou o assessor especial da Secretaria de Agricultura, Reinaldo Falcão.



O representante da SEAGRI observou que o assentamento não é uma favela rural. “Aqui vemos que o objetivo da reforma agrária foi atingido: os lotes são produtivos, as famílias têm suas rendas e os assentados vivem com dignidade”, complementou Falcão ao andar pela extensão do Flor do Bosque.

Produção de Alimentos


O Vice-Prefeito Luíz Omena fez questão de ressaltar importância do assentamento Flor do Bosque para a região. Ele contou que os alimentos saudáveis produzidos na área alimentam os estudantes e as feiras. “O assentamento é nosso parceiro, fornece mais de 50% dos produtos da merenda escolar do município, através do PNAE merenda. Por isso, temos o compromisso de pagar os assentados em até 5 dias úteis a partir da entrega da nota fiscal, mas estamos pagando em até 48 horas”, disse Omena.

O Vice-Prefeito revelou também o apoio dado ao assentamento, complementarmente ao apoio do FECOEP. “Durante a implantação dos projetos de irrigação, colocamos máquinas aqui para fazer tanques de armazenamento de água. Isso nos ajuda a garantir que o assentamento que tenha produção de alimentos o ano todo”, concluiu Omena.

Novo projeto


O Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, criado em 2005 para incluir socialmente os alagoanos que estão abaixo da linha da pobreza, contemplou novamente o assentamento Flor do Bosque com um projeto de reflorestamento da área de reserva.


A Comissão Pastoral da Terra aguarda a liberação desse novo recurso para ajudar a conter a invasão da reserva legal por parte dos grileiros. “É urgente que esse recurso seja liberado para reflorestar a área de reserva do assentamento e assegurar a preservação do meio ambiente”, afirmou Carlos Lima, coordenador da CPT.