quinta-feira, 15 de outubro de 2015

23ª Feira Camponesa apresenta frutos da Reforma Agrária


Na abertura oficial, movimentos sociais cobraram mais apoio para o homem e a mulher do campo


A Praça da Faculdade se transformou nesta quarta-feira, 14 de outubro, em “um pedaço do campo no coração de Maceió”. A 23ª Feira Camponesa chegou e trouxe mais de 100 camponeses e camponesas para apresentar à sociedade alagoana os frutos da reforma agrária e um pouco da cultura do campo. Casa de Farinha, restaurante camponês, shows gratuitos, horta demonstrativa e pescaria infantil fazem parte do evento ocorre até o meio dia do sábado.

Organizada pela Comissão Pastoral da Terra, a Feira reúne a produção de 21 assentamentos e acampamentos espalhados por todo o estado de Alagoas. “De Água Branca, no Sertão, à Porto de Pedras, no Litoral, tem camponeses e camponesas que produzem alimentos saudáveis, sem o uso de agrotóxicos e estão aqui, mostrando que o sem-terra são homens e mulheres trabalhadores que alimentam a cidade”, afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da CPT.

“Alimento é vida e vida é para ser compartilhada”


Carregando a bandeira da CPT e os frutos da reforma agrária, os camponeses e as camponesas deram início a solenidade de abertura da Feira Camponesa, apresentando o melhor da produção de cada região. Eles coloriram e deram vida à mesa oficial, que foi composta pelo coordenador do MST, José Roberto, pelo coordenador do MLST, Josival Santos, pelo Secretário de Agricultura, Álvaro Vasconcelos, pelo Diretor-Presidente do ITERAL, Jaime Silva, e pela representante do INCRA, Alessandra Costa.

Carlos Lima, representante da CPT, lembrou aos representantes do poder público presentes, que a Feira Camponesa é obra da vontade e da garra do homem e da mulher do campo que lutaram pela terra e hoje produzem alimentos de qualidade.


“Essa diversidade de produção que vocês estão vendo aqui é fruto da batalha diária de cada camponês que luta por uma vida digna, mesmo diante das dificuldades e da falta de apoio dos governos - inclusive para as Feiras”, disse Carlos Lima.

O representante da CPT, fez questão de diferenciar a relação que o camponês tem com a terra da mera relação comercial. “Diferente do supermercado, que o produto é um código de barra, aqui a relação é outra. O feirante é camponês que plantou, que você conversa, sabe de onde vem o produto, quais suas dificuldades e ainda pode pechinchar. Aqui tem camponês que até dá alimento porque ele aprendeu que alimento é vida e vida é para ser compartilhada”.



A Pastoral da Terra utilizou também o momento para fazer crítica à política agrária do governo, que prioriza os latifundiários da cana e do eucalipto. “A gente não come cana e nem eucalipto. O eucalipto é tão ruim que nem cupim gosta de comer. Mas, o estado só investe nisso, que gera desigualdade social e concentração de terras e de riquezas. É preciso investir para alimentar a população, investir na reforma agrária”, concluiu Lima.

Democratizar a terra


Os movimentos sociais do campo cobraram mais apoio do governo para o homem e a mulher do campo e reivindicaram ainda a destinação da massa falida da Usina Laginha para a reforma agrária.
“Para acabar com a fome no campo, a violência e o desemprego no campo e na cidade, pode inventar o que quiser, mas se não fizerem a reforma agrária vai ser tudo invenção política para manter a miséria do nosso povo. Se não fizer a reforma agrária a miséria vai continuar no campo”, exclamou Zé Roberto, coordenador do MST.


Zé completou fala dizendo que “o Estado tem uma oportunidade única de transformar a Laginha em assentamentos, dando terras para 2 mil famílias, gerando 6 mil empregos diretos. Para isso, é preciso parar de enrolar as famílias e ter compromisso, de verdade, com os trabalhadores do campo”.






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