sábado, 10 de outubro de 2015

Reserva Legal do assentamento Flor do Bosque é invada por grileiros

Prefeitura de Messias, Secretaria do Estado de Agricultura, IMA e Batalhão Ambiental se comprometem a zelar pela área



Os 70 hectares de Reserva Legal (RL) do assentamento Flor do Bosque, em Messias, está sendo invadido por grileiros. No lugar das árvores nativas, casas de veraneio e casas de aluguel, além do comércio de lotes.

Essa foi a denúncia que a Comissão Pastoral da Terra, CPT, registrou ao Instituto do Meio Ambiente, à Prefeitura de Messias, à Secretaria do Estado de Agricultura e ao Batalhão Ambiental durante a inspeção realizada na manhã do dia 7 de outubro.

“Essa não é uma situação nova, desde 2011 exigimos aos órgãos públicos a retirada dos intrusos da área de proteção ambiental. Infelizmente, mesmo com notificações do IMA e do Batalhão Ambiental, em dezembro de 2011 e em julho de 2014, novos grileiros aparecem para construir casas e vender lotes dentro da reserva legal”, afirmou Carlos Lima, coordenador regional da CPT.



Os assentados e as assentadas denunciam um homem conhecido como Pedro Barros - que se diz influente nos órgãos ambientais – como o responsável pela venda de lotes e de casas na RL. Em uma dessas casas, um rapaz que se identificou por Aurélio disse que mora no local há 3 meses e desconhece ser área de preservação, mesmo assim foi notificado pelo Batalhão Ambiental para deixar a área.

“Eu comprei essa casa de Padro Barros. Troquei por uma que eu tinha no Selma Bandeira, Quadra F, Lote 3. Ele não disse que era área protegida, disse pertencer à prefeitura”, afirmou Aurélio.


Em uma outra casa, essa bem maior, com funcionário e até com cercas de concreto, um rapaz disse cuidar da casa que pertencia a um comerciante de Maceió, chamado Miguel. Essa grande propriedade envolve vários hectares da área e incomodou, particularmente, o Vice-prefeito de Messias, Luíz Emílio Omena.


“Isso é um grande crime ambiental. A casa, além de ocupar uma área de preservação, ainda cerca os fundos da Escola do Município, impedindo a passagem da população”, afirmou Omena, dizendo querer trabalhar com o IMA, a Secretaria de Agricultura, a Polícia Ambiental e os assentados para resolver “essa questão tão importante para o meio-ambiente, que causa impactos para a região inteira”.


Ainda dentro da Reserva Legal foram encontradas casas de pequeno porte para aluguel. Segundo informações coletadas com Aurélio, as casas pertencem a um rapaz de Rio Largo, que, sem medo de cometer o crime ambiental, deixa seus números de contato nas portas das casas.

O morador do assentamento Dom Helder, em Murici, e coordenador da Juventude Camponesa, José Roberto da Silva, mais conhecido como Bel, disse estar indignado com a impunida de quem ofende à natureza. “Os assentados sabem que em Reserva Legal não podem cortar uma árvore para fazer um cabo de vassoura, pois corre o risco de perder o lote. Mas, uns sujeitos desses devastam grandes áreas para construir casas de veraneio e vender lotes. É absurdo”, desabafou Bel.


Reinaldo Falcão, assessor especial da Secretaria de Agricultura do Estado de Alagoas, disse que vai se empenhar para conter as invasões na reserva. “A Secretaria de Agricultura, junto ao IMA, vai buscar retirar os invasores. Com a parceria da prefeitura, queremos cercar a reserva e colocar placas. Queremos ainda, com a ajuda dos assentados e do batalhão ambiental, fazer o acompanhamento permanente para que a situação não volte a se repetir”, declarou Falcão.

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