terça-feira, 26 de julho de 2016

Entidade Italiana realiza Janta Solidária à Pastoral da Terra

Pela 4ª vez, associação Pachamama Onlus traz à Maceió gastronomia temperada de solidariedade




Da Itália para Alagoas, o empenho em ajudar os empobrecidos do campo se materializa em mais uma edição da Janta Solidária. Pela 4ª vez, a associação Pachamama Onlus (Torino-Itália) realiza, em Maceió, uma noite recheada de pratos típicos italianos, boa música e solidariedade.

A atividade acontece, no dia 5 de agosto, a partir das 20h, no Centro Social da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura no Estado de Alagoas (FETAG-AL), localizado no bairro de Mangabeiras. Toda a renda do evento será doada para o trabalho missionário realizado pela Comissão Pastoral da Terra junto às famílias camponesas que lutam pela terra em Alagoas.

Com preparo do Italiano Omar Bório, a janta conta com duas entradas, Vitello tonnato (fatias de carne de bezerro com molho de atum) e Melanzane alla parmigiana (berinjelas com tomate e queijo), um prato principal, spaghetti alla carbonara (espaguete com ovos, queijo e bacon) e uma sobremesa, Panna cotta (doce feito com leite e morangos). Além da boa comida, a atividade contará com o show artístico do cantor Guilla Gomes, interpretando clássicos da MPB.

Para a Associação Pachamama, o jantar é uma forma prazerosa de cooperar com a CPT, mas não é a única forma de apoio. “Gostamos de cozinhar para os alagoanos e apresentar nossa gastronomia, embora nossa solidariedade não se resuma a isso. Lá em Torino fazemos um jantar brasileiro, apoiamos programa de saúde nos assentamentos e fazemos doações sempre que podemos”, disse Omar Bório, membro da Pachamama.

Ingressos

As pessoas interessadas em adquirir ingressos para a janta devem procurar os coordenadores da Pastoral da Terra, na Cúria Metropolitana, localizada na av. Dom Antônio Brandão, 559 – Farol, ou pelo telefone 3221-8600. O valor individual é de R$40,00 (quarenta reais) por pessoa e deve ser adquirido antecipadamente.

Serviço
Janta Solidária Italiana
Dia 5 de agosto de 2016
Horário: 20 horas
Local: Centro Social da FETAG ( R. Dilermando Réis, 318 - Jatiúca, Maceió - AL, 57035-858)
Ingresso: 40 reais

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Carta da 27ª Assembleia Estadual da Pastoral da Terra de Alagoas

Somos uma família espalhada pelas regiões de Alagoas, pelo Nordeste e pelo país. Somos um povo que luta para construir um mundo melhor. Nossa luta, nosso sonho é fazer do campo um lugar bom para viver. O mundo que estamos construindo começa no acampamento ou no assentamento onde vivemos. Somos um sujeito coletivo e político em luta pela terra.

A terra continua sendo uma questão central para o País. Nesses 200 anos de Alagoas formal, ela é testemunha histórica das derrubadas das matas, do assassinato do povo indígena, da escravidão negra e da exploração dos canavieiros e canavieiras.

A oligarquia alagoana estruturou o seu sistema de produção alicerçado em terra de açúcar, em terra de algodão, em terra de gado. Esse modelo cria o latifúndio, utiliza o trabalho escravo, explora a força do trabalho e transforma a terra em mercadoria. A implantação desse esquema de produção responde pelos conflitos agrários e também determinou, em grande medida, a sociedade alagoana.

Estamos nas últimas quatro décadas, em confronto aberto com esse sistema. Nossos acampamentos e assentamentos são espaços comunitários de produção diversificada, de alimentos sadios, um ensaio para uma vida livre. Temos consciência dos riscos que corremos pois podemos ter o mesmo “destino” das matas e dos índios. Mas prosseguimos nessa marcha, insistindo que a vocação da terra é produzir alimentos.

        Temos a responsabilidade de construir alianças no campo e na cidade para atravessar essa noite escura por que passa o país. É verdade que o governo anterior nada fez pela reforma agrária, que apoiou política e economicamente o modelo de produção que combatemos. Mas, como expressou a CPT nacional: “O governo interino de Michel Temer, formado por machos, brancos, empresários, latifundiários, escravocratas, patrimonialistas, racistas… inimigos históricos dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais, está empenhado em pôr fim às conquistas históricas fruto das nossas lutas e do sangue derramado por nossos povos”.  

      Acreditamos que o Espírito de Deus é presença e guia da nossa caminhada. Cultivamos a esperança. “Faz escuro, mas eu canto”. 
                                                                                                         

                                                                           Maceió, 20 de julho de 2016

Comissão Pastoral da Terra - CPT/Alagoas

terça-feira, 19 de julho de 2016

Emoção e homenagens marcam abertura da Assembleia Estadual da CPT

Zé Roberto, do MST, recebe prêmio Dom Helder Câmara e dedica a Joelson Melquíades e outros assassinados pelo latifúndio


A Assembleia Estadual da Comissão Pastoral da Terra teve início nesta segunda-feira, 18 de julho, no Auditório do Estádio Rei Pelé. Com o tema “Faz escuro, mas eu canto”, a atividade emocionou os presentes na abertura ao lembrar dos homens e das mulheres que tombaram na luta contra o latifúndio em Alagoas.

Os versos O sangue será uma semente. Justiça vamos conquistar. A história não falha, nós vamos ganhar, da música de Benedito Monteiro, foram entoados com força por dezenas de camponeses e camponesas em referências a Jaelson Melquíades, Edmilson da Silva e de José Feliciano, o Saúba.

O homenageado da cerimônia de abertura foi o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, José Roberto. Ele recebeu o prêmio Dom Helder Câmara pelo empenho na construção da unidade entre os movimentos sociais do campo na disputa pelas terras da massa falida da Usina Laginha.

“Esse ano que passou foi construída, de forma estratégia e rápida, uma aliança com os movimentos do campo no sentido de pautar a reforma agrária e dizer ‘olha, tem uma oportunidade aí, tem um grupo que faliu e tem uma imensidão de terra em disputa’. Como sabíamos que os grupos econômicos não iam querer dividir com os trabalhadores essa terra, era preciso uma grande aliança dos movimentos sociais. E esse papel destacado coube ao companheiro Zé Carlos”, disse Carlos Lima, coordenador da CPT durante a entrega do troféu.

O coordenador do Movimento Sem-Terra agradeceu dizendo: “Esse prêmio é dedicado à cada companheiro, a cada movimento que acreditou que é possível vencer João Lira, que é possível vencer o latifúndio”.



Ao lembrar sua trajetória de 28 anos de luta campesina, Zé não conteve a emoção ao falar de Joelson Melquíades, líder do MST assassinado em Atalaia - mesma região do atual conflito agrário. “O sangue dos companheiros que tombaram na luta, será vingado por cada conquista nossa, por cada família que conseguirmos assentar e dar uma vida digna”, assegurou José Roberto de forma bastante emocionada.


O coordenador do Movimento de Libertação dos Sem-Terra, Josival Oliveira, também presente à abertura, enfatizou a importância da organização popular para superar esse momento vivido no país. “Mesmo diante deste momento turbulento, nós não estamos derrotados. O que precisamos fazer é nos fortalecer todos os dias na luta contra quem nos oprime. Só o povo organizado consegue ter suas vitórias e essa atuação conjunta em Alagoas vai garantir as nossas vitórias”, disse Val.


Por fim, o dirigente da CUT-Alagoas, Luiz Gomes, criticou as elites do país e defendeu a unidade para lutar contra o golpe e os ataques do Governo Temer. “A reforma agrária é uma luta que hoje tem um caráter revolucionário porque mexe com um setor que está profundamente ligar ao poder. E esse evento nos mostra que temos um desafio muito grande, de lutar contra o golpe e pela democracia também no campo. Pois, não tem democracia sem ter reforma agrária”, disse Luizinho.


A assembleia da CPT segue até a quarta-feira, com uma programação de debates sobre as históricas lutas por reforma agrária em Alagoas e a organização do trabalho pastoral.

domingo, 17 de julho de 2016

27ª Assembleia Estadual da CPT começa segunda em Maceió


Entre os dias 18 a 20 de julho de 2016, a Comissão Pastoral da Terra traz à Maceió mais de 120 lideranças camponesas para a sua 27ª Assembleia Estadual.  Com o tema “faz escuro mais eu canto”, o evento ocorre nas dependências do Estádio Rei Pelé.

A abertura está marcada para às 14h da segunda-feira e deve contar com a presença de representantes de Pastorais da Igreja Católica, Sindicatos e Movimentos Sociais. Na ocasião, será entregue o Certificado ao Acampamento Destaque e o Prêmio Dom Helder – homenagem àqueles que no último ano tiveram notoriedade em sua contribuição à luta pela terra.   

A assembleia é realizada anualmente com representantes de 40 assentamento/acampamentos do litoral, sertão e região da mata para debater a organização da pastoral, a luta pela terra e planejar as atividades para o próximo período.

“O momento atual do país exige de nós compromisso com a causa dos empobrecidos. Se a reforma agrária já deixava a desejar em governos passados, agora há um verdadeiro desmonte do MDA e do INCRA com clara intenção de preservar o latifúndio e deter qualquer manifestação favorável a democratização do uso da terra”, afirmou Carlos Lima, coordenador da Comissão Pastoral da Terra.

No dia 20 de julho, os camponeses encerram o evento com a aprovação da Carta da 27ª Assembleia Estadual e iniciam uma série de mobilizações na capital em defesa da reforma agrária e da justiça social.

Acampamento Destaque

Todos os anos, os camponeses em luta pela terra recebem durante a realização da Assembleia o reconhecimento da CPT e de seus companheiros, através de um Certificado. Este ano, o Assentamento Padre Cícero (Água Branca) ganha o certificado destaque pelo trabalho coletivo realizado na área de resgate cultural e religioso. "Eles demonstraram um grande espírito de coletividade, realizando mutirões para recuperar a capela e outros espaços comuns do assentamento", enfatizou o coordenador da CPT.

Prêmio Dom Helder

Desde 2002, A CPT homenageia personalidades destacadas em defesa da luta no campo, através do Prêmio Dom Helder. Em 2016, o coordenador do MST, José Roberto, leva o Prêmio por seu trabalho de articulação e conquista da unidade dos movimentos sociais do campo para a luta em busca das terras da Usina Laginha.

Serviço
27ª Assembleia Estadual da CPT
Dias: 18 a 20 de julho de 2016
Local: Estádio Rei Pelé

Abertura: 18 de julho às 14h

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Feira Camponesa Itinerante chega amanhã ao Salvador Lyra




A Comissão Pastoral da Terra realiza a partir de amanhã, 14 de julho, mais uma edição itinerante da Feira Camponesa, desta vez, no pátio da Igreja São Paulo Apóstolo, no Salvador Lyra. A atividade traz à Maceió camponeses e camponesas de diversas regiões de Alagoas para comercializar alimentos saudáveis, sem agrotóxicos. 

Banana, laranja, mel, galinha, inhame, macaxeira são alguns dos produtos colocados à venda diretamente pelos agricultores. “Nossa Feira garante um alimento de qualidade e com preços populares, porque da produção à venda é feita diretamente pelo camponês, sem atravessadores”, afirmou Heloísa Amaral, agrônoma e coordenadora da CPT/AL.

Essa edição Itinerante da Feira conta com o apoio da Paróquia São Paulo Apóstolo e do ITERAL e funcionará das 6h às 19 horas, com a presença de cerca de 25 camponeses.

Serviço
Feira Camponesa Itinerante
Dias: 14 a 16 de julho
Local: Pátio da Igreja São Paulo Apóstolo - Salvador Lyra
Horário: 6h às 19h (sábado encerra às 12h)