segunda-feira, 25 de julho de 2016

Carta da 27ª Assembleia Estadual da Pastoral da Terra de Alagoas

Somos uma família espalhada pelas regiões de Alagoas, pelo Nordeste e pelo país. Somos um povo que luta para construir um mundo melhor. Nossa luta, nosso sonho é fazer do campo um lugar bom para viver. O mundo que estamos construindo começa no acampamento ou no assentamento onde vivemos. Somos um sujeito coletivo e político em luta pela terra.

A terra continua sendo uma questão central para o País. Nesses 200 anos de Alagoas formal, ela é testemunha histórica das derrubadas das matas, do assassinato do povo indígena, da escravidão negra e da exploração dos canavieiros e canavieiras.

A oligarquia alagoana estruturou o seu sistema de produção alicerçado em terra de açúcar, em terra de algodão, em terra de gado. Esse modelo cria o latifúndio, utiliza o trabalho escravo, explora a força do trabalho e transforma a terra em mercadoria. A implantação desse esquema de produção responde pelos conflitos agrários e também determinou, em grande medida, a sociedade alagoana.

Estamos nas últimas quatro décadas, em confronto aberto com esse sistema. Nossos acampamentos e assentamentos são espaços comunitários de produção diversificada, de alimentos sadios, um ensaio para uma vida livre. Temos consciência dos riscos que corremos pois podemos ter o mesmo “destino” das matas e dos índios. Mas prosseguimos nessa marcha, insistindo que a vocação da terra é produzir alimentos.

        Temos a responsabilidade de construir alianças no campo e na cidade para atravessar essa noite escura por que passa o país. É verdade que o governo anterior nada fez pela reforma agrária, que apoiou política e economicamente o modelo de produção que combatemos. Mas, como expressou a CPT nacional: “O governo interino de Michel Temer, formado por machos, brancos, empresários, latifundiários, escravocratas, patrimonialistas, racistas… inimigos históricos dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais, está empenhado em pôr fim às conquistas históricas fruto das nossas lutas e do sangue derramado por nossos povos”.  

      Acreditamos que o Espírito de Deus é presença e guia da nossa caminhada. Cultivamos a esperança. “Faz escuro, mas eu canto”. 
                                                                                                         

                                                                           Maceió, 20 de julho de 2016

Comissão Pastoral da Terra - CPT/Alagoas

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