terça-feira, 19 de julho de 2016

Emoção e homenagens marcam abertura da Assembleia Estadual da CPT

Zé Roberto, do MST, recebe prêmio Dom Helder Câmara e dedica a Joelson Melquíades e outros assassinados pelo latifúndio


A Assembleia Estadual da Comissão Pastoral da Terra teve início nesta segunda-feira, 18 de julho, no Auditório do Estádio Rei Pelé. Com o tema “Faz escuro, mas eu canto”, a atividade emocionou os presentes na abertura ao lembrar dos homens e das mulheres que tombaram na luta contra o latifúndio em Alagoas.

Os versos O sangue será uma semente. Justiça vamos conquistar. A história não falha, nós vamos ganhar, da música de Benedito Monteiro, foram entoados com força por dezenas de camponeses e camponesas em referências a Jaelson Melquíades, Edmilson da Silva e de José Feliciano, o Saúba.

O homenageado da cerimônia de abertura foi o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, José Roberto. Ele recebeu o prêmio Dom Helder Câmara pelo empenho na construção da unidade entre os movimentos sociais do campo na disputa pelas terras da massa falida da Usina Laginha.

“Esse ano que passou foi construída, de forma estratégia e rápida, uma aliança com os movimentos do campo no sentido de pautar a reforma agrária e dizer ‘olha, tem uma oportunidade aí, tem um grupo que faliu e tem uma imensidão de terra em disputa’. Como sabíamos que os grupos econômicos não iam querer dividir com os trabalhadores essa terra, era preciso uma grande aliança dos movimentos sociais. E esse papel destacado coube ao companheiro Zé Carlos”, disse Carlos Lima, coordenador da CPT durante a entrega do troféu.

O coordenador do Movimento Sem-Terra agradeceu dizendo: “Esse prêmio é dedicado à cada companheiro, a cada movimento que acreditou que é possível vencer João Lira, que é possível vencer o latifúndio”.



Ao lembrar sua trajetória de 28 anos de luta campesina, Zé não conteve a emoção ao falar de Joelson Melquíades, líder do MST assassinado em Atalaia - mesma região do atual conflito agrário. “O sangue dos companheiros que tombaram na luta, será vingado por cada conquista nossa, por cada família que conseguirmos assentar e dar uma vida digna”, assegurou José Roberto de forma bastante emocionada.


O coordenador do Movimento de Libertação dos Sem-Terra, Josival Oliveira, também presente à abertura, enfatizou a importância da organização popular para superar esse momento vivido no país. “Mesmo diante deste momento turbulento, nós não estamos derrotados. O que precisamos fazer é nos fortalecer todos os dias na luta contra quem nos oprime. Só o povo organizado consegue ter suas vitórias e essa atuação conjunta em Alagoas vai garantir as nossas vitórias”, disse Val.


Por fim, o dirigente da CUT-Alagoas, Luiz Gomes, criticou as elites do país e defendeu a unidade para lutar contra o golpe e os ataques do Governo Temer. “A reforma agrária é uma luta que hoje tem um caráter revolucionário porque mexe com um setor que está profundamente ligar ao poder. E esse evento nos mostra que temos um desafio muito grande, de lutar contra o golpe e pela democracia também no campo. Pois, não tem democracia sem ter reforma agrária”, disse Luizinho.


A assembleia da CPT segue até a quarta-feira, com uma programação de debates sobre as históricas lutas por reforma agrária em Alagoas e a organização do trabalho pastoral.

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