terça-feira, 8 de agosto de 2017

Reunião fortalece e amplia construção da 30ª Romaria da Terra

Pastorais Sociais também iniciaram articulação para o Grito dos Excluídos(as)



A 30ª Romaria da Terra e das Águas, marcada para os dias 4 e 5 de novembro, na Serra da Barriga (União dos Palmares), avança a passos largos a cada reunião. Nesta terça-feira, 8 de agosto, novos grupos passaram a integrar a Comissão Organizadora da Romaria e somar forças para o sucesso da edição comemorativa de 30 anos.

Realizada na sede da Comissão Pastoral da Terra, a reunião contou com a presença do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), de membros das paróquias de União dos Palmares, de Agentes de Pastoral Negros (APNs), da Cáritas e da Pastoral da Criança.

Para Carlos Lima, coordenador da CPT/AL, a construção coletiva é o caminho para o êxito de uma Romaria que alimente a espiritualidade do caminhante, preserve a memória de luta do Quilombo dos Palmares, incentive a luta pela democratização do uso da terra e estimule a prática da justiça, da partilha e da solidariedade.

“Foi uma reunião importante onde trouxemos à participação mais seguimentos da Igreja e sedimentamos o caminho para construir uma Romaria bem participativa. Nesta reunião debatemos sobre a mobilização das comunidades e a produção do subsídio com textos e músicas para a Romaria. Ele deve ficar pronto até o final do mês e será um importante instrumento para mobilizar as comunidades”, disse Lima.

Durante a manhã desta terça-feira, houve oração, reflexões em grupo e debates sobre a preparação da atividade que deve reunir mais de 5 mil romeiros e romeiras na terra de luta e resistência, de Zumbi e Dandara. Uma das metas destacadas foi a de sensibilizar e articular a presença de padres, religiosas e pastorais de todo o Estado, assim como envolver as comunidades religiosas de Maceió. Além disso, foi evidenciada a mobilização da cidade de União dos Palmares, tanto a área rural quanto a urbana.

Momento de oração com os presentes

Como forma de garantir as finanças para a realização do evento, foi distribuído, aos representantes das pastorais e aos coordenadores da Pastoral da Terra, carnês para aquisição do kit da Romaria, que inclui camisa, chapéu de palha e sacola de tecido personalizada do evento. Esse kit tem o valor de R$ 50,00 e também pode ser adquirido na sede da CPT, na Cúria Metropolitana.

Como próximos passos, ficou combinado de realizar visitas às comunidades rurais e urbanas; usar as redes sociais com vídeos chamando para participar da Romaria; solicitar espaço na reunião do clero; articular as religiosas e religiosos; e enviar a carta do arcebispo convocando para Romaria as comunidades e paróquias.

De agenda, ficou marcado um encontro com representantes das comunidades rurais e urbanas de União dos Palmares, no dia 16 de agosto, às 8 horas, no Centro Paroquial da cidade, e a próxima reunião da comissão organizadora da Romaria para o dia 29 de agosto, as 9 horas, na sala da CPT.

Grito dos(as) Excluídos(as)

Com o tema “Vida em primeiro lugar!” e o lema: “Por direitos e democracia, a luta é todo dia”, a tradicional marcha do Grito dos(as) Excluídos(as) está confirmada para o dia 7 de setembro. Essa será a 23ª edição da manifestação reúne movimentos sociais e pastorais sociais para denunciar as injustiças e os males existentes no Brasil.

Em preparação para esta data que se aproxima, foi convocada uma primeira reunião do 23ª Grito dos Excluídos(as) em Alagoas para o dia 9 de agosto às 9 horas, na sede da CPT.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Feira Camponesa inicia amanhã no bairro do Pinheiro



A edição itinerante da Feira Camponesa chega ao bairro do Pinheiro nesta quinta-feira, 3 de agosto. Organizada pela Comissão Pastoral da Terra, o evento comercializa alimentos saudáveis ao lado da Igreja Menino Jesus de Praga, até ao meio-dia do sábado, 5.

Nesta versão itinerante participam 25 camponeses e camponesas que trazem, do litoral, sertão e região da mata, os melhores frutos da Reforma Agrária de Alagoas. Os alimentos disponíveis na feira são todos produzidos de maneira agroecológica, sem a utilização de agrotóxicos.

“Todos os produtos comercializados na Feira são alimentos fresquinhos e sem veneno. Podem ter a certeza que são da melhor qualidade e com preços justos, vendidos direto pelo produtor”, garantiu a agrônoma Heloísa Amaral, coordenadora da CPT.

A Feira funcionará das 6h às 19h e conta com o apoio da Paróquia Menino Jesus de Praga e do Iteral.

Serviço:

Feira Camponesa Itinerante
Dias: 3 a 5 de agosto de 2017
Local: Igreja Menino Jesus de Praga – Pinheiro

Horário: das 6h às 19 horas

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Litoral norte: lideranças camponesas debatem construção da 30ª Romaria da Terra

Feira solidária e hortas medicinais também são tema de reunião


Coordenadores de acampamentos e assentamentos da região do litoral de Alagoas se reuniram nesta quinta-feira, 13 de julho, em Porto de Pedras, com o objetivo de discutir a realização da 30ª Romaria da Terra, a Feira solidária e a implantação de hortas medicinais.

Os presentes definiram organizar uma grande caravana da região. Do litoral devem sair 5 ônibus com camponeses e religiosos. "A Romaria é parte da nossa luta, vamos participar com entusiasmo", disse a jovem assentada em Irmã Dorothy,  Jaqueline.

A 30ª Romaria ocorrerá nos dias 4 e 5 de novembro, na Serra da Barriga, e contará com a presença dos músicos Zé Vicente e Ze Pinto e do bispo presidente da CPT, dom Enemesio.

Sobre a Feira Solidária, prevista para os dia 24 a 26 de novembro, no Pinheiro, os camponeses e camponesas se comprometeram a arrecadar alimentos nos acampamentos e assentamentos para apoiar o evento que tem como objetivo  arrecadar fundos para construir a sede da CPT litoral.

"Vamos articular muita produção para construir o nosso canto, nosso lugar" afirmou Edmilson, assentado em Padre Alex.

Quanto às hortas medicinais, serão implantadas nos assentamentos Jubileu 2000, Irmã Dorothy Stang, Margarida Alves, Quilombo dos Palmares. Esse projeto tem apoio da entidade italiana, Pachamama, e será coordenada pela engenheira agrônoma Heloisa Amaral.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Comunidade do Salvador Lyra recebe versão itinerante da Feira Camponesa



A Paróquia São Paulo Apóstolo está sediando a versão itinerante da Feira Camponesa. A comercialização de produtos saudáveis, frutos da reforma agrária, começou nesta quinta-feira, 6 de julho, e permanece até ao meio-dia do sábado (8), no Salvador Lyra.

Organizada pela Comissão Pastoral da Terra, a Feira reune 20 camponeses e camponesas do litoral e região da mata que produzem alimentos sem agrotóxicos. Um desses camponeses é Seu Edmilson do assentamento Margarida Alves, localizado em Maragogi. Ele trouxe banana, abacaxi, maracujá e coco verde.


Edmilson conta que utiliza seu lote, conquistado com anos de luta, para produzir alimentos e sustentar sua família. “Planto de tudo que a região dá, crio galinha e ovelha, e tenho tentado utilizar meu lote ao máximo para trabalhar. Enquanto Deus me der forças vou continuar cultivando a terra e tirando minha renda daí”, disse o camponês.


A Feira funciona das 6h às 19 horas no patio da Igreja São Pauo Apóstolo.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

“Realizar essa Feira Camponesa é uma ato de resistência”



Superando o atual cenário de paralisia da reforma agrária, de golpe aos direitos sociais, de violência no campo e da quantidade de chuvas dos últimos dias, a 26ª Feira Camponesa teve início na manhã desta quarta-feira, 7 de junho. Para os representantes dos movimentos sociais, sindicatos e organizações governamentais presentes no ato de abertura, a realização desta Feira representa um ato de resistência, que merece ser celebrado.

Dos 90 camponeses e camponesas previstos para esta edição, cerca de 60 conseguiram vencer as estradas enlamaçadas, as pontes destruídas e trazer o alimento cultivado com muito suor e luta. “No começo do ano, enfrentamos uma grande seca e depois vieram essas chuvas fortes. Muito da produção se perdeu. Além disso, as estradas estão terríveis, foi difícil o nosso povo chegar, mas conseguimos. Viemos cheios de esperança e alegria para compartilhar a vida, que está representada nos alimentos”, disse a agrônoma Heloísa Muniz, coordenadora da Comissão Pastorald a Terra (CPT), que conduziu a cerimônia de abertura.

O representante do Movimento de de Libertação dos Trabalhadores Sem-Terra (MLST), Josival Oliveira, enfatizou a Feira como um momento onde homens e mulheres apresentam à sociedade os frutos da luta por reforma agrária e por justiça social. “Não temos aqui apenas agricultores comercializando seus produtos e garantindo suas rendas. Temos aqui bravos guerreiros e agentes da transformação social, capazes de mudar esse país”, defendeu o líder do MLST.

Em todas as falas, estiveram presentes críticas ao Governo Federal. O presidente do Iteral, Jaime Silva, disse estar triste com a paralisia da Reforma Agrária. “Voltei de Brasília muito triste. Vi que a possibilidade de fazer a Reforma Agrária hoje não existe. Está suspensa a compra de terras com essa finalidade em todo o Brasil. Isso é um desestímulo para a gente que faz o Iteral. Espero que a gente consiga mudanças e mude logo. O país não pode continuar assim”, afirmou.

A política de Temer traz outras implicações para o campo. O aumento da violência é uma delas e foi denunciada por Carlos Lima, coordenador da CPT, em sua fala. “Pensamos que 2016 tivesse sido o pior ano da década em violência no campo. Mas, os número demonstram que 2017 será muito pior. Nunca se matou tanto no campo e isso está associado ao governo. A verdade é que Temer não tá nem aí para pobre, quer acabar com os nossos direitos e com nossas vidas, acabar com tudo que construímos a partir da luta”, disse Lima.

Os sindicatos e movimentos sociais do campo demonstraram que, apesar dos ataques, estão dispostos a lutar e derrotar o projeto de dominação dos ricos e banqueiros. Uma das prioridades e que a classe trabalhadora está unida para barrar são as reformas trabalhista e da previdência. José Roberto, representante do MST, conclamou a todos os presentes para essa luta.



“Golpearam a Reforma Agrária, os direitos dos trabalhadores do campo e querem dar um golpe fatal que é contra as leis trabalhistas e a previdência. Temos que seguir lutando, resistindo e construindo um projeto popular nesse país. Essa feira é uma demonstração de que é possível ter um projeto alternativo ao desse governo”, defendeu Zé Roberto.

Impasse com a Prefeitura

Um registro importante, assinalado pelo anfitrião do evento, foi a dificuldade criada pela Prefeitura de Maceió para a realização das feiras. Carlos Lima denunciou aos presentes a postura de funcionários do poder público municipal na tentativa de impedir que as famílias pudessem comercializar os alimentos.

“A Prefeitura coloca milhares de impasses para conceder a autorização de uso da praça. Quer que a gente peça licença até para o vaticano e pague taxas e mais taxas para usar uma praça que usamos há duas décadas. Quando ninguém queria a Praça da Faculdade, nós já estávamos aqui e, desde lá trás, já reivindicávamos uma revitalização. Essa é um dificuldade que colocam para todos os movimentos para ver se desistimos de que as feiras aconteçam. Não podemos tolerar mais isso. Ou a Prefeitura muda a sua postura ou os movimentos vão mostrar ao prefeito que essa praça é do povo, dos moradores e também dos feirantes que alimentam essa cidade”, exclamou Lima.

Presença



A abertura da 26ª Feira Camponesa foi bastante representativa, contou com a presença da presidenta da CUT, Rilda Alves, do presidente da FETAG, Genivaldo Olibeira, do coordenador do MST, Zé Roberto, do representante do MLST, Josival Oliveira, do coordenador do Movimento Via do Trabalho, Marrom Silva, do presidente do Iteral, Jaime Silva, do superintendente do INCRA, César Lira, do diretor do Sindicato dos Urbanitários, José Cícero da Silva (Sil), do tenente do Centro de Gerenciamento de Crises de Alagoas, Antônio Casado, além dos agentes da Pastoral da Terra e de representantes dos assentamentos e acampamentos acompanhados pela CPT.




terça-feira, 6 de junho de 2017

26ª Feira Camponesa inicia nesta quarta-feira, na Praça da Faculdade

Abertura oficial está marcada para às 8h30 com um café da manhã camponês




Abrindo o período de festividades juninas, a Comissão Pastoral da Terra realiza, de 7 a 10 de junho, a 26ª Feira Camponesa. Durante quatro dias, a Praça da Faculdade se tornará um grande arraial de cultura no campo e alimentos saudáveis. A celebração de abertura desta edição será realizada amanhã, às 8h30, com um café da manhã camponês partilhado entre feirantes, autoridades, parceiros da luta e a imprensa.

Cerca de 90 camponeses já estão confirmados e se deslocando de diversas regiões de Alagoas para trazer o melhor da produção camponesa para abastecer a mesa do maceioense. Além da banana, inhame, macaxeira, abóbora, galinha de capoeira, mel de abelha e outros tantos alimentoscultvados sem agrotóxicos, a feira também contará com uma casa de farinha e um restaurante camponês, servindo comida típicas do campo.

Durante as noites, a Feira realizará um animado arrastapé ao som de forrozeiros como Xameguinho, Irineu e Pinóquio do Acordeon e shows juninos de Andréa Laís, Wagner Valpone e Paulinho e Ilha. Todas as atrações são gratuitas e começam, sempre, a partir das 19 horas.

Para a coordenadora da CPT, a agrônoma Heloísa Amaral, a Feira Camponesa possibilitará aos trabalhadores da cidade sentir o clima do autêntico são joão camponês. “Não vai faltar festa na Praça da Faculdade. A nossa feira, por si só, já é uma grande celebração do trabalho e da produção do homem e da mulher do campo. Nessa época de São João, os camponeses ficam ainda mais animados para comercializar seus produtos”, disse.

Serviço:
26ª Feira Camponesa
Dia: 7 a 10 de junho de 2017
Horário: 6h às 22 horas (Exceto dia 10, que encerra às 12h)
Local: Praça Afrânio Jorge (Praça da Faculdade) – Prado

Programação Noturna
7 de junho (Quarta)
Andréa Laís, Show Numa Sala de Reboco
Wagner Volpone, Show Anarriê

8 de junho (quinta-feira)
Irineu
Xameguinho

9 de junho (sexta-feira)
Paulinho e Ilha
Bingo do Carneiro
Pinóquio do Acordeon

Mais informações:
Heloísa Amaral – 99341.4025

segunda-feira, 29 de maio de 2017

CPT anuncia sua 26ª Feira Camponesa para os dias 7 a 10 de junho



A tradicional Feira Camponesa, realizada anualmente no mês de junho, já tem data para acontecer. Entre os dias 7 a 10 de junho, a Comissão Pastoral da Terra transformará a Praça da Faculdade em um grande arraial de alimentos saudáveis e cultura do campo.

A 26ª edição da Feira Camponesa abrirá o período de festividades juninas e trará 90 camponeses e camponesas do sertão, zona da mata e litoral norte para comercializar os frutos da reforma agrária no coração de Maceió.

Além da rica diversidade de alimentos fresquinhos, vindos direto do campo para a mesa do maceioense, a feira trará casa de farinha, restaurante camponês e atrações noturnas, com shows de Pinóquio do Acordeon, Andréa Laís, Wagner Volpone, Irineu e Xameguinho.

A Feira também foi o lugar escolhido para o lançamento do livro “Semterra: luta e produção”. A publicação conjunta da CPT e do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), que tem sob tema de fundo o bicentenário de Alagoas, será apresentada ao público na noite da sexta-feira, 9 de junho, antes do sempre esperado bingo do carneiro.

Para a coordenadora da Pastoral da Terra, Heloísa Amaral, a feira é o espaço de apresentar à população os frutos da luta do homem e da mulher do campo. “A feira será uma grande festa da rica produção camponesa e da cultura do povo trabalhador que luta e resiste por um pedaço de terra para produzir vida e alimentar a cidade. E o melhor, tudo com baixos preços e fresquinho para o consumidor”, afirmou Heloísa.

A 26ª Feira Camponesa funcionará das 6h às 22 horas. Sua programação noturna terá início sempre às 19 horas. No sábado, 10 de junho, o evento encerra ao meio-dia.

Serviço:
26ª Feira Camponesa
Dia: 7 a 10 de junho de 2017
Horário: 6h às 22 horas (Exceto dia 10, que encerra às 12h)
Local: Praça Afrânio Jorge (Praça da Faculdade) – Prado

Programação Noturna
7 de junho (Quarta)
Andréa Laís, Show Numa Sala de Reboco
Wagner Volpone, Show Anarriê

8 de junho (quinta-feira)
Irineu
Xameguinho

9 de junho (sexta-feira)
Lançamento do Livro “Semterra: luta e produção”
Bingo do Carneiro
Pinóquio do Acordeon

Mais informações:
Heloísa Amaral – 99341.4025

terça-feira, 16 de maio de 2017

Encontro de Militantes reúne lideranças camponesas de Alagoas






A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas está realizando um encontro de formação para lideranças camponesas de Alagoas. O Encontro de Militantes começou nesta terça-feira (16) e segue até a quarta-feira (17 de maio), na Casa dos Irmãos Marista, na Barra de São Miguel.

O evento reúne 62 lideranças de assentamentos e acampamentos acompanhados pela Pastoral da Terra, no litoral, sertão e região da mata. Para Carlos Lima, coordenador da CPT, a atividade alimenta a fé e fortalece a luta por uma terra nova.

“Esse encontro é destinado aos militantes que defendem uma causa, um ideal de mundo novo. São dois dias dedicados a estudar e refletir sobre o evangelho e a nossa luta por uma sociedade nova e melhor”, afirmou Lima.

A programação do primeiro dia contou com a participação do Padre Manoel Henrique, da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Tabuleiro Novo. Ele contribuiu com o encontro a partir do tema “a luta pela terra a partir da leitura bíblica e teológica”.


Para o religioso, Deus não está apenas na Igreja está também na luta dos pobres por justiça. Seus ensinamentos são acima de tudo a defesa da vida em comunhão e do amor ao próximo. “Deus não escreveu mandamentos, ele escreveu ensinamentos. Seu decálogo significa dez palavras para uma vida em aliança, uma vida em sociedade e em comunidade”, explicou o Padre.


Os camponeses presentes, após um longo debate em grupos, mostraram que entenderam bem a mensagem do pároco. “Se eu preservo a vida, eu guardo os ensinamentos de Deus. Além disso, temos a obrigação de ensinar esses ensinamentos aos mais jovens. Nosso filhos precisam aprender nossas músicas e nossa luta para assim conseguirmos continuar a preservar a vida”, afirmou Maria Rita, do assentamento Dom Helder Câmara, Murici.


Ao final da relfexão, os camponeses e camponesas cantaram músicas de louvor e crença em um mundo novo. Ainda na programação do primeiro dia, foi exibido o documentário “Sertão Cerrado”, produzido pela CPT Nacional. O segundo dia será dedicado ao debate sobre luta pela terra em Alagoas. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Lançamento do Caderno de Conflitos clama pelo fim da violência no campo


A Comissão Pastoral da Terra lançou no dia 25 de abril, em Alagoas, o livro Conflitos no Campo Brasil 2016. O evento foi realizado em parceria com o Comitê de Mediação de Conflitos e Questões Agrárias e aconteceu durante sua reunião, realizada no Auditório do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral).

O chamado Caderno de Conflitos é uma publicação editada anualmente pela CPT e registra violências contra camponeses, indígenas e povos tradicionais. O livro compila números que demonstram que o ano de 2016 foi o mais violento para os povos que vivem no campo.

Para Claudemir Martins, professor do IFAL e autor de um dos artigos da publicação, “o livro, ao invés de ser uma alegria, é um livro de luto. É um registro de mortes, de conflitos e de violência. Por outro lado, é também um livro de utopia, de quem acredita na força dos povos do campo que continuam marchando e avançando no Brasil inteiro”.


Em sua palestra no lançamento do caderno de conflitos, Claudemir falou sobre o exorbitante número de 1.295 conflitos por terra e 172 conflitos por água. “A situação do país, com o fechamento do MDA e um governo ilegítimo, faz com que a gente tenha um aumento significativo dos números neste ano de 2016. Eles são muitos superiores e materializam aquilo que dizíamos sobre o golpe”, completou o professor.

Não bastasse a violência, os povos do campo ainda convivem com a dor da impunidade. O coordenador da CPT, o historiador Carlos Lima, analisando os casos de Alagoas, constatou uma realidade nacional. “Aqui em Alagoas, foram 23 vítimas fatais desde 1985 e, à exceção do companheiro Jaelson Melquiedes - que teve apenas o executor do crime preso-, ninguém foi condenado. Às vezes chegam até as pessoas, mas não se prende ninguém. Há uma convivência muito grande do poder público que permite tamanha impunidade”, afirmou Lima.

Outra dado comentado pelo coordenador da pastoral foi a resistência e luta dos povos do campo. De acordo com o levantamento da CPT Nacional, Alagoas teve 77 manifestações e mais de 20 mil pessoas envolvidas na luta, só ficando atrás da Bahia e do Pará.



“Vivemos em constante luta e isso se dá graças a unidade com os demais movimentos sociais do campo. Nossa capacidade de luta conseguiu criar um fórum agrário, nós somos um dos poucos estados que tem. Isso dá uma outra conotação para o tema, mas depende sempre quem tá lá. A criação de comitê de conflitos agrários é também fruto dessa luta. Mas isso só não resolve, porque o que resolve os conflitos no campo é a Reforma Agrária. Isso é importante para evitar novos massacres, como Eldorado dos Carajás”, prosseguiu o coordenador da CPT.

O padre Manuel Henrique, representante da Arquidiocese da Maceió, esteve presente no evento e rezou pelas vidas ceifadas em 2016. “Estamos reunidos perto da Semana Santa, dos acontecimentos que levaram Jesus à morte, e me parece que os poderosos ainda insistem em resolver os conflitos com morte e assassinatos. Hoje estamos rezando não apenas para velar nossos heróis, mas com a esperança de que um dia essa terra seja de vida e de esperança. Dom Romero já dizia se me matarem eu vou ressuscitar na vida do meu povo. Nossa reza de hoje é reza de esperança”.

Fotos: Helciane Angélica/Iteral

CPT/AL manifesta solidariedade aos indígenas Gamela (MA)


A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas manifesta toda sua solidariedade ao povo Gamela, em luta pela retomada de seu território, e repudia veementemente a ação dos fazendeiros do Maranhão. Estes, fortalecidos pelo discurso de ódio aos indígenas do deputado federal Aluísio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA), atentaram contra a vida dos indígenas no dia 30 de abril.

A ação violenta dos latifundiários deixou 13  feridos e é uma agressão contra todos os brasileiros e seus povos originários. Aldeli Ribeiro Gamela, José Ribeiro Gamela e o agente da CPT do Maranhã, Inaldo Gamela, ainda estão internados em estado grave no hospital de São Luís.

O nível de crueldade dos jagunços foi tanta que não apenas atiraram contra os indígenas, mas acertam na cabeça, rosto, peito e coluna. Além disso, chegou decepar as mãos e cortas os joelhos de Aldeli.

A CPT/AL, que em sua última assembleia estadual teve a honra de receber o agente pastoral Inaldo Gamela, manifesta-se contra esse crime e lutará para que ele não fique impune.

Confira a Nota oficial sobre o caso da CPT do Maranhã:

Povo Gamela sofre ataque premeditado de fazendeiros contra suas vidas e lutas

A Comissão Pastoral da Terra Regional Maranhão (CPT-MA) vem a público denunciar mais um ato brutal de violência contra a vida dos povos da terra, que desta vez atinge os indígenas Gamela, organizado em seu território no Povoado de Bahias, município de Viana, Maranhão.


Na tarde deste domingo, 30 de abril, o povo Gamela sofreu um grave ataque contra suas vidas e sua luta em defesa de seu Território. Nesta ação, mais de 10 indígenas foram feridos, entre quais, três estão internados em estado grave em Hospital de São Luís. Aldeli Ribeiro Gamela foi atingido por um tiro na costela e um na coluna, e teve mãos decepadas e joelhos cortados. O irmão dele, José Ribeiro Gamela, levou um tiro no peito. O terceiro foi o indígena e agente da CPT/MA Inaldo Gamela, atingido com tiros na cabeça, no rosto e no ombro.

Essa violenta ação aconteceu quando os indígenas decidiram sair de uma área tradicional retomada, prevendo a violência iminente. Dezenas de pistoleiros armados com facões, armas de fogo, e pedaços de madeira atacaram os Gamela no momento em que deixavam o Território. Para se protegerem, muitas pessoas correram e se esconderam na mata.

Não mais suportando a violenta invasão ao seu Território, os indígenas intensificaram sua luta e decidiram por retomar seu Território sagrado. Todavia, em contrapartida, a empreitada criminosa dos que querem ver os indígenas extintos vem tomando força e ficando cada vez mais explícita. Denunciamos, neste contexto, que a ação criminosa e violenta ocorrida neste domingo foi planejada e articulada por fazendeiros e pistoleiros da região, que, através de um texto no Whatsapp, convocavam pessoas para o ataque contra os indígenas.

O governo do maranhão já havia sido avisado da situação conflituosa na região e do risco de acontecer um massacre, mas, ao que consta até o momento, nem a polícia havia sido deslocada até a área para tomar as medidas cabíveis. Indigna-nos os discursos de incitação ao ódio, racismo e a violência sistemática contra os povos indígenas, o que foi feito pelo deputado federal Aluisio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA) ao conceder entrevista em rádio local após a retomada feita pelos Gamela no dia 28.

Preocupa-nos ainda o alto índice de violência contra os povos e comunidade tradicionais do Maranhão. Atualmente, há cerca de 360 conflitos no campo no estado, destes, somente em 2016 foram registradas 196 ocorrências de violência contra os povos do campo. 13 pessoas foram assassinadas e 72 estão ameaçadas de morte.

Denunciamos mais esta violência e a iminência de novos ataques!

Exigimos do governo do estado que faça a segurança da comunidade indígena que segue ameaçada!

Exigimos o reconhecimento imediato do Território indígena Gamela!

Enquanto houver violência aos filhos e as filhas desta terra, não descansaremos. Seguimos lutando!


Comissão Pastoral da Terra do Maranhão (CPT-MA)

1º de maio de 2017.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Caderno de Conflitos da CPT será lançado nesta quarta-feira, em Alagoas



1.295 conflitos por terra. 12.829 famílias despejadas pela polícia. 2.639 famílias expulsas da terra por jagunços. 172 conflitos pela água. 61 assassinatos. Esses e muitos outros números estão reunidos na publicação Conflitos no Campo. Em Alagoas, o lançamento oficial do chamado Caderno de Conflitos será realizado nesta quarta-feira, 26 de abril, às 14 horas, no Auditório do Instituto de Terras e Reforma Agrária (Iteral), na Avenida da Paz, nº 1200.

Os dados compilados anualmente pela Comissão Pastoral da Terra revelam o ano de 2016 como o mais violento para os povos do campo dos últimos 10 anos. Esses conflitos fizeram aumentar o número de assassinatos e agredidos. De 2015 para 2016, subiu em 206% o número de agredidos e em 22% o número de mortes. Sendo este o último, a maior marca dos últimos 25 anos, à exceção apenas de 2003.

A CPT, além de dar publicidade aos números de conflitos apresenta um conjunto de artigos capazes de analisar as suas causas. As 230 páginas do caderno de conflitos de 2016 possui tabelas com dados e textos sobre terra, água, trabalho,  violência contra a pessoa e manifestações.

Lançamento

Em Alagoas, a publicação anual da Comissão Pastoral da Terra será lançada no dia 26 de abril, às 14 horas, em um evento promovido em parceria entre a CPT e o Comitê de Mediação de Conflitos e Questões Agrárias, no auditório da ITERAL.

O lançamento contará com a presença do Padre Manoel Henrique, representando a Arquidiocese de Maceió, do historiador e coordenador da Pastoral da Terra em Alagoas, Carlos Lima e do professor do IFAL, Claudemir Martins, que é autor de um artigo da publicação chamado Crítica à transformação capitalista da água em mercadoria: águas para vida, não para a morte.

Serviço
Lançamento da publicação Conflitos no Campo Brasil 2016
Dia: 26 de abril de 2017
Horário: 14 horas
Local: Auditório do Iteral – Avenida da Paz, 1200 - Jaraguá

terça-feira, 18 de abril de 2017

Vigília encerra primeiro dia da Jornada Nacional em Defesa da Reforma Agrária




Cerca de 3 mil camponeses e camponesas ocuparam Maceió nesta segunda-feira, 17 de abril, em defesa da Reforma Agrária, contra a violência e por direitos no campo. Após uma grande marcha pelo Centro da cidade, foi realizada, durante toda a noite,  uma bonita vigília em frente ao Tribunal de Justiça de Alagoas em memória aos assassinados no massacre de Eldorado dos Carajás - PA.

A atividade faz parte da Jornada Nacional em Defesa da Reforma Agrária, realizada em 14 Estados e no Distrito Federal, a qual relembra os 19 trabalhadores rurais mortos pelo latifúndio no dia 17 de abril de 1996 e luta contra a paralisia na Reforma Agrária

Em Alagoas, a mobilização está sendo realizada conjuntamente pela na Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Movimento de Luta pela Terra (MLT), Movimento Unidos pela Terra (MUPT), Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), Terra Livre e Movimento Via do Trabalho (MVT).



Para Carlos Lima, coordenador da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas, a data é importante para fazer memória e tornar viva a história. “Essa é a vigília da memória, mas também é a vigília da esperança. A esperança que não morre nunca, porque se a esperança morrer morre o sonho dos pobres. Ter esperança não é ficar esperando, mas ela é justamente a força que nos move a seguir na luta”, afirmou Lima.

Diante do Tribunal de Justiça, foram lembradas as vítimas do latifúndio em Alagoas e no Brasil. Além dos 19 assassinados em Eldorados, a vigília homenageou os 12 alagoanos que tombaram na luta por Reforma Agrária, entre eles Edmilson Alves da Silva (2016), Jaelson Melquíades (2005), Luciano Alves (2003), José Elenilson (2000) e Chico do Sindicato (1995).


“Estamos em frente ao tribunal de injustiças. Desse prédio saem mais ordens de despejos do que punição aos latifundiários que concentram a terra e matam trabalhadores. Queremos o fim da violência no campo e, por isso, estamos nessa jornada lutando pela Reforma Agrária”, disse José Roberto, dirigente do MST.

Após o ato em frente ao TJ, os trabalhadores e as trabalhadoras rurais retornaram à Praça Sinimbu e encerraram a vigília com falas dos representantes do Fórum Alagoano em Defesa da Previdência, compostos por sindicatos, movimentos sociais e partidos de esquerda, que se somaram à luta.

Jornada de Lutas
Passeata foi realizada no Centro de Maceió. Foto: Gustavo Marinho

A mobilização dos movimentos sociais do campo teve início no domingo, quando os trabalhadores e trabalhadoras rurais montaram acampamento na Praça Sinimbu, no Centro de Maceió. Nesta segunda-feira, o movimento ocupou as ruas, marchou até o Palácio do Governo, onde protocolou reivindicações, e encerrou o dia com a vigília em frente ao Tribunal de Justiça. A Jornada de lutas segue nesta terça-feira (18), com uma intensa agenda de mobilizações na capital.  

Movimentos protocolam pauta no Governo de Alagoas. Foto: Marrom



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Jejum reafirma compromisso cristão com os pobres da terra


A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas realizou na sexta-feira que antecedeu a semana santa, dia 7 de abril, o 18º Jejum em solidariedade aos que passam fome e outras necessidades no mundo. A atividade reuniu religiosos e agentes pastorais durante todo o dia no prédio Walmap, sede do Incra. O ato de fé consiste em substituir o alimento orgânico pelo alimento espiritual, por cânticos e pela leitura bíblica.

Este ano, a atividade refletiu sobre o tema da campanha da fraternidade, cultivar e guardar a criação, a partir das palavras da Irmã Gelda da Congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus. Para ela, o papel do homem e da mulher é cultivar e guardar a obra de Deus.



“O jardim do Éden, quando foi criado por Deus, não tinha nenhuma planta, porque ainda não tinha chovido e não tinha o homem para cultivar. Então, o que está dito é que a presença do homem na terra não era para explorar, mas para cultivar e guardar a natureza. Hoje, está faltando homens e mulheres que façam crescer e guardar a natureza”, afirmou a Irmã Gelda.

“Não é esta aqui a natureza que eu quis./ Que tomba indefesa, perdendo a beleza./ Trazendo a tristeza, na terra que eu quis”. Embalados pela canção de Benedito Prado, a Construção do Plano, os presentes no jejum cantaram e pediram perdão a Deus, na esperança de construir um mundo novo.

O jejum da solidariedade contou ainda com reflexões conduzidas pela Irmã Cícera e pelo coordenador da Pastoral da Terra, Carlos Lima. Ao fim do dia, o pão foi repartido e compartilhado entre os presentes.





Confira a edição de abril de O Caminho da Roça

A Comissão Pastoral da Terra (CPT/AL) publicou no início do mês de abril uma nova edição de seu jornal, O Caminho da Roça.

O informativo, destinado a camponeses e camponesas, apresentou os resultados da 28ª Assembleia Estadual da CPT e da jornada de lutas, inciada logo após a assembleia.

O material tem o resumo de uma semana de intensas atividades, como ocupações prédios públicos e importantes reuniões para barrar os golpes contra a Reforma Agrária e os direitos sociais.

Clique aqui e confira O Caminho da Roça.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Amanhã: CPT realiza Jejum em solidariedade aos que passam fome


Pelo 18º ano consecutivo, a Comissão Pastoral da Terra realiza, nesta sexta-feira, 7 de abril, a partir das 8 horas, o Jejum em Solidariedade aos que passam fome e outras necessidades no mundo. Sob o tema cultivar e guardar a criação, agentes pastorais, camponeses e religiosos ficarão sem se alimentar no prédio do Incra, localizado no Edifício Walmap, na Rua do Livramento, Centro de Maceió.

Tradicionalmente realizada na sexta-feira que antecede a Semana Santa, a atividade se baseia na palavra bíblica de Isaías, que já antes de Cristo, falava sobre a importância da solidariedade e, ao mesmo tempo, defendia o Jejum em prol de quem passa fome e sofre com as injustiças. “O jejum que eu quero é este: acabar com as prisões injustas, desfazer as correntes do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e desfazer qualquer jugo” (Is 58,6).

Este ano, o Jejum da solidariedade lembra em seu tema a campanha da fraternidade da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Durante todo o dia, acotecem leitura bíblica, cântigos e reflexões coordenadas por católicos. A programação conta também com o pastor Marcos Monteiro da Igreja Batista do Pinheiro.


Confira a Programação

8h – Celebração inicial: O sentido do Jejum – Irmã Cícera Menezes (CPT)
9h – Cultivar e Guardar a Criação – Irmã Gelda (Sagrado Coração de Jesus)
12h – Somos chamados a cultivar e guardar a criação – Carlos Lima (CPT)
15h – Terra e Justiça – Pastor Marcos Monteiro (IBP)
17h30 – Celebração final: O pão que desce do céu (maná)

Serviço
Jejum da Solidariedade
Dia 7 de abril de 2017
Das 8h às 18h
Local: Incra, Edifício Walmap - Rua do Livramento, Centro



quinta-feira, 30 de março de 2017

Carta da 28ª Assembleia Estadual da CPT de Alagoas

Enquanto a gente acreditar no maior, não vamos pra lugar nenhum. Nós temos que fazer o maior acreditar no menor. Se não for assim estamos perdidos” (senhor José Maria, “Azarias”. Mora no acampamento Bota Velha, há 17 anos, em Murici-AL).


Somos filhas e filhos da luta. Esse é o nosso chão, o nosso caminho. Somos comunidades Camponesas que vivem em acampamentos e assentamentos no sertão, na mata e no litoral. Somos um povo lutador e resistente afetado por uma longa estiagem, as nossas roças e animais sofrem com a falta d’agua e nós sofremos junto. Mesmo assim insistimos em cultivar a esperança e os sonhos.

Enfrentamos uma ofensiva política/econômica contra os nossos direitos, que foram duramente conquistados. O governo e seus aliados querem impor uma Reforma na Previdência, o que retiraria qualquer perspectiva de aposentadoria. A intenção é elevar a idade mínima para 65 anos e para 49 anos o tempo de contribuição. Também deseja igualar a idade mínima entre homens e mulheres, ignorando a jornada dupla exercida pelas mulheres. Outro ataque, em forma de armadilha, é a proposta de emancipação dos assentamentos do INCRA, mais uma tentativa de iludir nossa gente com a entrega do título da terra às famílias que vivem em assentamento, para encobrir a irresponsabilidade em não cumprir com o dever de consolidar os assentamentos através da infraestrutura necessária. A verdadeira intenção é fazer com que essas terras conquistadas, que estavam nas mãos de camponesas e camponeses, voltem ao mercado. São tocaias montadas contra o povo trabalhador do campo e da cidade, para continuar a dar conforto e regalias aos mesmos que vivem a dominar.

Os tempos nunca foram fáceis. A conjuntura atual é, apenas, a revelação do processo histórico contra os empobrecidos e a natureza. A nossa existência, o nosso jeito de viver, nossas crenças, nossas roças, é a forma de confrontar o poder de mando e modo de produção da classe dominante.

Nós, filhos e filhas da luta, seguiremos na marcha da rebeldia, nas ruas e nas roças, preservando a nossa identidade. Guardando as sementes, cuidando da água. “Cultivando e Guardando a Criação”.

Barra de São Miguel, 27 a 29 de março de 2017.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Camponeses mantém ocupação no Incra

Negociações serão retomadas nesta quinta-feira (30), às 14h




Os camponeses e camponesas que ocupam o prédio do Incra contra o golpe na Reforma Agrária decidiram permanecer no local, mesmo após o primeiro contato com o novo superintendente do órgão, César Lira. As cerca de 500 pessoas passarão a noite no prédio de 13 andares localizado no Centro de Maceió e retomarão as negociações às 14h desta quinta-feira, 30 de março.

A gente veio para ser atendido e se não for atendido não vamos desocupar. Estamos cansado de vir à Maceió e ser enrolado. Se for preciso podemos trazer 100 kg de macaxeira para ficar e resistir. Só vamos sair com tudo resolvido, para a gente poder levar felicidade para nosso povo”, afirmou o acampado José Maria Azarias.

Seu Azarias há 15 anos luta por Reforma Agrária

A reivindicação de “seu Azarias” no INCRA é a Reforma Agrária. Além de sua família, outras 101 lutam há 15 anos pela posse da terra onde moram, no acampamento Bota-velha, em Murici. No mesmo município há acampamento com 17 anos de espera.

A ocupação do prédio do INCRA aconteceu por volta das 16h e antes do anoitecer o superintendente do órgão, César Lira (PSD), empossado na manhã desta quarta-feira (29), foi ao encontro dos camponeses e camponesas. Já em seu primeiro dia de trabalho como chefe do órgão que deveria servir para fazer a Reforma Agrária, o sobrinho de Benedito de Lira foi recepcionado com muitas palavras de ordem e pressão de homens e mulheres que lutam por melhores condições de vida no campo.

Aqui já vivemos com superintendentes de direita, de esquerda, e voltamos a viver com superintendente de direita. O tratamento é o mesmo, é um completo descompromisso com o povo pobre do campo. Estamos aqui porque o povo está cansado. Nós temos áreas de 17 anos esperando a reforma agrária, problemas com água, estrada. Uma tolisse que é desbloquear uma DAP o Incra não faz”, afirmou Carlos Lima, coordenador da Comissão Pastoral da Terra.

O novo superintendente do INCRA se colocou para discutir cada problema apresentado. Informou, desde já, que ainda está tomando pé da situação do órgão, que iria conversar com o antigo superintendente e com os servidores da casa e que não poderia se comprometer com as antigas promessas feitas por gestores passados.


César Lira se desresponsabilizou pelas gestões anteriores do INCRA

O que aconteceu, aconteceu. Vocês podem me cobrar daqui para frente. Minha vida é limpa e não respondo um processo. Não vai ser no Incra que vou sujar meu nome. Temos um quadro escasso, com técnicos para se aposentar, com dificuldades financeiras. Vou passar uma chuva aqui e espero tirar bons frutos dela”, disse César Lira em meio à manifestação, dentro de seu gabinete.

Uma reunião de trabalho para elencar os problemas de cada área rural e se comprometer com soluções ficou agendada para às 14h desta quinta-feira, 30 de março.




Camponeses ocupam o INCRA conta o golpe na Reforma Agrária

Mobilização começou nesta quarta e promete ocupar as ruas e prédios públicos até sexta, em Maceió 


Cerca de 500 camponeses e camponesas, organizados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT/AL), ocupam o prédio do INCRA, no Centro de Maceió,  para lutar em defesa da Reforma Agrária e da Previdência.

A mobilização acontece após a realização da assembleia estadual da CPT, que reuniu representantes de Assentamentos e Acampamentos da região da mata, litoral e sertão. As famílias estão na luta por direitos para o homem e a mulher do campo.

Os camponeses e camponesas permanecem até sexta em mobilização ocupando as ruas e prédios públicos para reivindicar justiça social. A marcha ocupou o prédio do INCRA por volta das 16h e aguarda a presença do novo superintendente. As famílias prometem passar a noite no local.




segunda-feira, 27 de março de 2017

28ª Asssembleia Estadual da CPT tem início em Alagoas

Primeiro dia foi marcado por debates e reflexões acerca dos direitos dos camponeses




A 28ª Assembleia Estadual da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas teve início nesta segunda-feira, 27 de março, no Centro Catequético dos Irmãos Maristas, na Barra de São Miguel. São 80 camponeses e camponesas reunidos, até o dia 29, para debater a atuação da Pastoral da Terra e a luta por direitos para o homem e a mulher do campo.

Com o tema “Campesinato: cultivando e guardando a criação”, o encontro contou, já em seu primeiro dia, com celebrações, reflexões, homenagens, cânticos e muito debate sobre a realidade do país, em especial da situação dos camponeses e camponesas que lutam pela terra e por dignidade.


O indígena coordenador da CPT do Maranhão, Inaldo Gamella, convidado para assessorar a atividade, afirmou que o Brasil passa por tempos difíceis e a luta o único caminho capaz de romper as cercas e construir novos tempos.

“A gente tem que seguir nosso caminho, aquele que sempre seguimos, o caminho da luta. Esse é o caminho de nossos antepassados e é o caminho capaz de nos dar um futuro. Os tempos sempre foram difíceis para os camponeses, negros e indígenas e temos que seguir lutando”, afirmou Inaldo.

Refletindo sobre o tema da assembleia e o da campanha da fraternidade, Inaldo afirmou: “O bom-viver passa por a gente olhar a terra como espaço de encontro de gente com bichos, com a água, com a terra, com a natureza. Nosso modo de se relacionar com a terra não é vê-la como mercadoria ou de onde apenas tiramos nosso sustento. A gente pertence à terra e esse nosso pertencimento à terra faz a gente lutar por ela”, disse o coordenador da CPT/MA que entende a terra como um espaço de memoria, celebração, um lugar sagrado.

Homenagens

Durante a cerimônia de abertura, a Pastora da Terra prestou homenagem ao Acampamento Padre André, localizado em União dos Palmares. O acampamento erguido sobre as terras da falida Usina Laginha foi reconhecido como o destaque do ano de 2016. Os representantes do acampamento presentes na assembleia receberam um certificado conferido por sua determinação e persistência na luta.


Participação



Além do convidado do Maranhão, a mesa de abertura com a presença de Josival Oliveira, representante do Movimento Libertação dos Sem-Terra (MLST); Zé Roberto, representante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST); Zenus do Conselho Indigenista Missionário (CIMI); e Ângelo Máximo, da Cáritas Arquidiocesana de Maceió.

Já pela tarde, a assembleia contou com a presença da dirigente nacional do MST, Débora Nunes, facilitando o debate sobre a situação do país após o golpe parlamentar e as investidas do governo Temer contra os direitos dos trabalhadores, especialmente contra os povos do campo.


Mobilização



A assembleia estadual da CPT/Alagoas prossegue até a manhã desta quarta-feira, 29. Ainda nesse mesmo dia, os seus participantes do evento se juntam a outros 500 camponeses e camponesas dos assentamentos e acapamentos acompanhados pela Pastoral para iniciar um jornada de luta na capital alagoana. As reivindicações da mobilização são em defesa da reforma agrária, contra a reforma da previdência, por infraestrutura nos assentamentos, entre outras.


quinta-feira, 23 de março de 2017

Encontros regionais mobilizam para Assembleia Estadual da CPT

Preparação reuniu 97 camponeses e camponesas em três regiões de Alagoas

Heloísa Amaral coordenando o encontro regional do litoral


Durante o mês de março, a Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT/AL) visitou as três regiões do estado para aprofundar o debate sobre reforma agrária e direitos sociais e mobilizar os camponeses e camponesas para a Assembleia Estadual da CPT, que inicia próxima segunda-feira, 27 de março. Ao todo, 87 camponeses e camponesas participaram dos encontros realizados no sertão, região da mata e litoral. 

O Encontro regional do Sertão foi realizado dias 9 e 10 de março, no assentamento Nossa Senhora Aparecida em Água Branca, com a participação de 28 pessoas; o da região da Mata aconteceu nos dias 13 e 14 de março, no assentamento Flor do Bosque, em Messias, com 30 presentes; e, no litoral norte de Alagoas, o encontro foi realizado dia 21 de março, no ginásio municipal da cidade de Porto de Pedras, com 29 participantes.

Encontro Regional do Sertão aconteceu no início de março


Para o coordenador da CPT/Alagoas, Carlos Lima, os encontros foram importantes para aprofundar o debate sobre a situação do país, os 200 anos de Alagoas e a luta camponesa. “Foi um momento importantíssimo, simbolizou um retorno da Pastoral às suas bases. Foi importante também pelas reflexões e os trabalhos em grupo construídos a partir da fala dos camponeses. Sem dúvida, foi fundamental para engrandecer a assembleia e permitir uma reflexão maior sobre as prioridades da CPT para 2017”, afirmou Lima.

Nos três encontros, o debate se iniciou em torno da situação do país após o golpe parlamentar. Os camponeses e camponesas ficaram assustados e revoltados com a Reforma da Previdência. Uma parte deles desconhecia quais as medidas estão sendo tomadas pelo governo. 

A coordenadora regional da CPT,   Heloísa Amaral, nos debates, fez o alerta da importância do povo ir às ruas. “O governo Temer tem buscado aprofundar as desigualdades sociais e retirar direitos historicamente conquistados. Atacar a aposentadoria dos trabalhadores e trabalhadoras é um crime, principalmente pelas mudanças que estão propondo para a mulher e o homem do campo. É necessário lutar para defender a previdência”, afirmou Heloísa. 

Outro tema em destaque, foi o bicentenário de Alagoas. Os participantes dos encontros se organizaram em grupos para refletir sobre perguntas como “que Alagoas nós temos?”, “quem somos nós e qual nossa importância nessa Alagoas?”, “quais os desafios, em nossa região, para a produção?” e “o que podemos fazer para superar esse desafio?”.


Encontro da Região da Mata foi realizado no For do Bosque

A socialização das discussões em grupos foi feita ainda nos encontros regionais e deverá ser realizada entre as regiões na assembleia estadual na próxima semana. Em setembro, o tema será aprofundado no Seminário sobre 200 anos de Alagoas. Esse será um momento de compartilhar as experiências de resistência de lutadores sociais em defesa de um estado mais justo e igualitário.

Por fim, os camponeses e camponesas inciaram uma discussão sobre a Romaria da Terra e das Águas, que este ano completa sua 30ª edição. Desde já, foi debatida a importância das regiões se organizarem e mobilizarem para participar da Romaria, nos dias 4 e 5 de novembro, na Serra da Barriga, em União dos Palmares. 

Assembleia
 
A 28ª Assembleia Estadual da CPT/Alagoas inicia na próxima segunda-feira, 27 de março de 2017. Realizada anualmente, a atividade avalia a atuação da pastoral no ano anterior e debate as prioridades para o ano vigente. Neste ano, os camponeses e camponesas anteciparam o início das discussões nos Encontro Regionais e se comprometeram a ainda mais com a preparação do evento que reunirá 115 representantes dos acampamentos e assentamentos acompanhados pela Pastoral.

Ao final da assembleia, a partir do dia 29, a CPT e as famílias camponesas realizarão uma mobilização em Maceió contra o golpe na reforma agrária e contra a reforma da previdência, além de políticas específicas para jovens e mulheres. A previsão é que mais 500 pessoas se juntem aos 115 presentes na Assembleia.