segunda-feira, 27 de março de 2017

28ª Asssembleia Estadual da CPT tem início em Alagoas

Primeiro dia foi marcado por debates e reflexões acerca dos direitos dos camponeses




A 28ª Assembleia Estadual da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas teve início nesta segunda-feira, 27 de março, no Centro Catequético dos Irmãos Maristas, na Barra de São Miguel. São 80 camponeses e camponesas reunidos, até o dia 29, para debater a atuação da Pastoral da Terra e a luta por direitos para o homem e a mulher do campo.

Com o tema “Campesinato: cultivando e guardando a criação”, o encontro contou, já em seu primeiro dia, com celebrações, reflexões, homenagens, cânticos e muito debate sobre a realidade do país, em especial da situação dos camponeses e camponesas que lutam pela terra e por dignidade.


O indígena coordenador da CPT do Maranhão, Inaldo Gamella, convidado para assessorar a atividade, afirmou que o Brasil passa por tempos difíceis e a luta o único caminho capaz de romper as cercas e construir novos tempos.

“A gente tem que seguir nosso caminho, aquele que sempre seguimos, o caminho da luta. Esse é o caminho de nossos antepassados e é o caminho capaz de nos dar um futuro. Os tempos sempre foram difíceis para os camponeses, negros e indígenas e temos que seguir lutando”, afirmou Inaldo.

Refletindo sobre o tema da assembleia e o da campanha da fraternidade, Inaldo afirmou: “O bom-viver passa por a gente olhar a terra como espaço de encontro de gente com bichos, com a água, com a terra, com a natureza. Nosso modo de se relacionar com a terra não é vê-la como mercadoria ou de onde apenas tiramos nosso sustento. A gente pertence à terra e esse nosso pertencimento à terra faz a gente lutar por ela”, disse o coordenador da CPT/MA que entende a terra como um espaço de memoria, celebração, um lugar sagrado.

Homenagens

Durante a cerimônia de abertura, a Pastora da Terra prestou homenagem ao Acampamento Padre André, localizado em União dos Palmares. O acampamento erguido sobre as terras da falida Usina Laginha foi reconhecido como o destaque do ano de 2016. Os representantes do acampamento presentes na assembleia receberam um certificado conferido por sua determinação e persistência na luta.


Participação



Além do convidado do Maranhão, a mesa de abertura com a presença de Josival Oliveira, representante do Movimento Libertação dos Sem-Terra (MLST); Zé Roberto, representante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST); Zenus do Conselho Indigenista Missionário (CIMI); e Ângelo Máximo, da Cáritas Arquidiocesana de Maceió.

Já pela tarde, a assembleia contou com a presença da dirigente nacional do MST, Débora Nunes, facilitando o debate sobre a situação do país após o golpe parlamentar e as investidas do governo Temer contra os direitos dos trabalhadores, especialmente contra os povos do campo.


Mobilização



A assembleia estadual da CPT/Alagoas prossegue até a manhã desta quarta-feira, 29. Ainda nesse mesmo dia, os seus participantes do evento se juntam a outros 500 camponeses e camponesas dos assentamentos e acapamentos acompanhados pela Pastoral para iniciar um jornada de luta na capital alagoana. As reivindicações da mobilização são em defesa da reforma agrária, contra a reforma da previdência, por infraestrutura nos assentamentos, entre outras.


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