segunda-feira, 29 de maio de 2017

CPT anuncia sua 26ª Feira Camponesa para os dias 7 a 10 de junho



A tradicional Feira Camponesa, realizada anualmente no mês de junho, já tem data para acontecer. Entre os dias 7 a 10 de junho, a Comissão Pastoral da Terra transformará a Praça da Faculdade em um grande arraial de alimentos saudáveis e cultura do campo.

A 26ª edição da Feira Camponesa abrirá o período de festividades juninas e trará 90 camponeses e camponesas do sertão, zona da mata e litoral norte para comercializar os frutos da reforma agrária no coração de Maceió.

Além da rica diversidade de alimentos fresquinhos, vindos direto do campo para a mesa do maceioense, a feira trará casa de farinha, restaurante camponês e atrações noturnas, com shows de Pinóquio do Acordeon, Andréa Laís, Wagner Volpone, Irineu e Xameguinho.

A Feira também foi o lugar escolhido para o lançamento do livro “Semterra: luta e produção”. A publicação conjunta da CPT e do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), que tem sob tema de fundo o bicentenário de Alagoas, será apresentada ao público na noite da sexta-feira, 9 de junho, antes do sempre esperado bingo do carneiro.

Para a coordenadora da Pastoral da Terra, Heloísa Amaral, a feira é o espaço de apresentar à população os frutos da luta do homem e da mulher do campo. “A feira será uma grande festa da rica produção camponesa e da cultura do povo trabalhador que luta e resiste por um pedaço de terra para produzir vida e alimentar a cidade. E o melhor, tudo com baixos preços e fresquinho para o consumidor”, afirmou Heloísa.

A 26ª Feira Camponesa funcionará das 6h às 22 horas. Sua programação noturna terá início sempre às 19 horas. No sábado, 10 de junho, o evento encerra ao meio-dia.

Serviço:
26ª Feira Camponesa
Dia: 7 a 10 de junho de 2017
Horário: 6h às 22 horas (Exceto dia 10, que encerra às 12h)
Local: Praça Afrânio Jorge (Praça da Faculdade) – Prado

Programação Noturna
7 de junho (Quarta)
Andréa Laís, Show Numa Sala de Reboco
Wagner Volpone, Show Anarriê

8 de junho (quinta-feira)
Irineu
Xameguinho

9 de junho (sexta-feira)
Lançamento do Livro “Semterra: luta e produção”
Bingo do Carneiro
Pinóquio do Acordeon

Mais informações:
Heloísa Amaral – 99341.4025

terça-feira, 16 de maio de 2017

Encontro de Militantes reúne lideranças camponesas de Alagoas






A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas está realizando um encontro de formação para lideranças camponesas de Alagoas. O Encontro de Militantes começou nesta terça-feira (16) e segue até a quarta-feira (17 de maio), na Casa dos Irmãos Marista, na Barra de São Miguel.

O evento reúne 62 lideranças de assentamentos e acampamentos acompanhados pela Pastoral da Terra, no litoral, sertão e região da mata. Para Carlos Lima, coordenador da CPT, a atividade alimenta a fé e fortalece a luta por uma terra nova.

“Esse encontro é destinado aos militantes que defendem uma causa, um ideal de mundo novo. São dois dias dedicados a estudar e refletir sobre o evangelho e a nossa luta por uma sociedade nova e melhor”, afirmou Lima.

A programação do primeiro dia contou com a participação do Padre Manoel Henrique, da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Tabuleiro Novo. Ele contribuiu com o encontro a partir do tema “a luta pela terra a partir da leitura bíblica e teológica”.


Para o religioso, Deus não está apenas na Igreja está também na luta dos pobres por justiça. Seus ensinamentos são acima de tudo a defesa da vida em comunhão e do amor ao próximo. “Deus não escreveu mandamentos, ele escreveu ensinamentos. Seu decálogo significa dez palavras para uma vida em aliança, uma vida em sociedade e em comunidade”, explicou o Padre.


Os camponeses presentes, após um longo debate em grupos, mostraram que entenderam bem a mensagem do pároco. “Se eu preservo a vida, eu guardo os ensinamentos de Deus. Além disso, temos a obrigação de ensinar esses ensinamentos aos mais jovens. Nosso filhos precisam aprender nossas músicas e nossa luta para assim conseguirmos continuar a preservar a vida”, afirmou Maria Rita, do assentamento Dom Helder Câmara, Murici.


Ao final da relfexão, os camponeses e camponesas cantaram músicas de louvor e crença em um mundo novo. Ainda na programação do primeiro dia, foi exibido o documentário “Sertão Cerrado”, produzido pela CPT Nacional. O segundo dia será dedicado ao debate sobre luta pela terra em Alagoas. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Lançamento do Caderno de Conflitos clama pelo fim da violência no campo


A Comissão Pastoral da Terra lançou no dia 25 de abril, em Alagoas, o livro Conflitos no Campo Brasil 2016. O evento foi realizado em parceria com o Comitê de Mediação de Conflitos e Questões Agrárias e aconteceu durante sua reunião, realizada no Auditório do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral).

O chamado Caderno de Conflitos é uma publicação editada anualmente pela CPT e registra violências contra camponeses, indígenas e povos tradicionais. O livro compila números que demonstram que o ano de 2016 foi o mais violento para os povos que vivem no campo.

Para Claudemir Martins, professor do IFAL e autor de um dos artigos da publicação, “o livro, ao invés de ser uma alegria, é um livro de luto. É um registro de mortes, de conflitos e de violência. Por outro lado, é também um livro de utopia, de quem acredita na força dos povos do campo que continuam marchando e avançando no Brasil inteiro”.


Em sua palestra no lançamento do caderno de conflitos, Claudemir falou sobre o exorbitante número de 1.295 conflitos por terra e 172 conflitos por água. “A situação do país, com o fechamento do MDA e um governo ilegítimo, faz com que a gente tenha um aumento significativo dos números neste ano de 2016. Eles são muitos superiores e materializam aquilo que dizíamos sobre o golpe”, completou o professor.

Não bastasse a violência, os povos do campo ainda convivem com a dor da impunidade. O coordenador da CPT, o historiador Carlos Lima, analisando os casos de Alagoas, constatou uma realidade nacional. “Aqui em Alagoas, foram 23 vítimas fatais desde 1985 e, à exceção do companheiro Jaelson Melquiedes - que teve apenas o executor do crime preso-, ninguém foi condenado. Às vezes chegam até as pessoas, mas não se prende ninguém. Há uma convivência muito grande do poder público que permite tamanha impunidade”, afirmou Lima.

Outra dado comentado pelo coordenador da pastoral foi a resistência e luta dos povos do campo. De acordo com o levantamento da CPT Nacional, Alagoas teve 77 manifestações e mais de 20 mil pessoas envolvidas na luta, só ficando atrás da Bahia e do Pará.



“Vivemos em constante luta e isso se dá graças a unidade com os demais movimentos sociais do campo. Nossa capacidade de luta conseguiu criar um fórum agrário, nós somos um dos poucos estados que tem. Isso dá uma outra conotação para o tema, mas depende sempre quem tá lá. A criação de comitê de conflitos agrários é também fruto dessa luta. Mas isso só não resolve, porque o que resolve os conflitos no campo é a Reforma Agrária. Isso é importante para evitar novos massacres, como Eldorado dos Carajás”, prosseguiu o coordenador da CPT.

O padre Manuel Henrique, representante da Arquidiocese da Maceió, esteve presente no evento e rezou pelas vidas ceifadas em 2016. “Estamos reunidos perto da Semana Santa, dos acontecimentos que levaram Jesus à morte, e me parece que os poderosos ainda insistem em resolver os conflitos com morte e assassinatos. Hoje estamos rezando não apenas para velar nossos heróis, mas com a esperança de que um dia essa terra seja de vida e de esperança. Dom Romero já dizia se me matarem eu vou ressuscitar na vida do meu povo. Nossa reza de hoje é reza de esperança”.

Fotos: Helciane Angélica/Iteral

CPT/AL manifesta solidariedade aos indígenas Gamela (MA)


A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas manifesta toda sua solidariedade ao povo Gamela, em luta pela retomada de seu território, e repudia veementemente a ação dos fazendeiros do Maranhão. Estes, fortalecidos pelo discurso de ódio aos indígenas do deputado federal Aluísio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA), atentaram contra a vida dos indígenas no dia 30 de abril.

A ação violenta dos latifundiários deixou 13  feridos e é uma agressão contra todos os brasileiros e seus povos originários. Aldeli Ribeiro Gamela, José Ribeiro Gamela e o agente da CPT do Maranhã, Inaldo Gamela, ainda estão internados em estado grave no hospital de São Luís.

O nível de crueldade dos jagunços foi tanta que não apenas atiraram contra os indígenas, mas acertam na cabeça, rosto, peito e coluna. Além disso, chegou decepar as mãos e cortas os joelhos de Aldeli.

A CPT/AL, que em sua última assembleia estadual teve a honra de receber o agente pastoral Inaldo Gamela, manifesta-se contra esse crime e lutará para que ele não fique impune.

Confira a Nota oficial sobre o caso da CPT do Maranhã:

Povo Gamela sofre ataque premeditado de fazendeiros contra suas vidas e lutas

A Comissão Pastoral da Terra Regional Maranhão (CPT-MA) vem a público denunciar mais um ato brutal de violência contra a vida dos povos da terra, que desta vez atinge os indígenas Gamela, organizado em seu território no Povoado de Bahias, município de Viana, Maranhão.


Na tarde deste domingo, 30 de abril, o povo Gamela sofreu um grave ataque contra suas vidas e sua luta em defesa de seu Território. Nesta ação, mais de 10 indígenas foram feridos, entre quais, três estão internados em estado grave em Hospital de São Luís. Aldeli Ribeiro Gamela foi atingido por um tiro na costela e um na coluna, e teve mãos decepadas e joelhos cortados. O irmão dele, José Ribeiro Gamela, levou um tiro no peito. O terceiro foi o indígena e agente da CPT/MA Inaldo Gamela, atingido com tiros na cabeça, no rosto e no ombro.

Essa violenta ação aconteceu quando os indígenas decidiram sair de uma área tradicional retomada, prevendo a violência iminente. Dezenas de pistoleiros armados com facões, armas de fogo, e pedaços de madeira atacaram os Gamela no momento em que deixavam o Território. Para se protegerem, muitas pessoas correram e se esconderam na mata.

Não mais suportando a violenta invasão ao seu Território, os indígenas intensificaram sua luta e decidiram por retomar seu Território sagrado. Todavia, em contrapartida, a empreitada criminosa dos que querem ver os indígenas extintos vem tomando força e ficando cada vez mais explícita. Denunciamos, neste contexto, que a ação criminosa e violenta ocorrida neste domingo foi planejada e articulada por fazendeiros e pistoleiros da região, que, através de um texto no Whatsapp, convocavam pessoas para o ataque contra os indígenas.

O governo do maranhão já havia sido avisado da situação conflituosa na região e do risco de acontecer um massacre, mas, ao que consta até o momento, nem a polícia havia sido deslocada até a área para tomar as medidas cabíveis. Indigna-nos os discursos de incitação ao ódio, racismo e a violência sistemática contra os povos indígenas, o que foi feito pelo deputado federal Aluisio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA) ao conceder entrevista em rádio local após a retomada feita pelos Gamela no dia 28.

Preocupa-nos ainda o alto índice de violência contra os povos e comunidade tradicionais do Maranhão. Atualmente, há cerca de 360 conflitos no campo no estado, destes, somente em 2016 foram registradas 196 ocorrências de violência contra os povos do campo. 13 pessoas foram assassinadas e 72 estão ameaçadas de morte.

Denunciamos mais esta violência e a iminência de novos ataques!

Exigimos do governo do estado que faça a segurança da comunidade indígena que segue ameaçada!

Exigimos o reconhecimento imediato do Território indígena Gamela!

Enquanto houver violência aos filhos e as filhas desta terra, não descansaremos. Seguimos lutando!


Comissão Pastoral da Terra do Maranhão (CPT-MA)

1º de maio de 2017.