quarta-feira, 7 de junho de 2017

“Realizar essa Feira Camponesa é uma ato de resistência”



Superando o atual cenário de paralisia da reforma agrária, de golpe aos direitos sociais, de violência no campo e da quantidade de chuvas dos últimos dias, a 26ª Feira Camponesa teve início na manhã desta quarta-feira, 7 de junho. Para os representantes dos movimentos sociais, sindicatos e organizações governamentais presentes no ato de abertura, a realização desta Feira representa um ato de resistência, que merece ser celebrado.

Dos 90 camponeses e camponesas previstos para esta edição, cerca de 60 conseguiram vencer as estradas enlamaçadas, as pontes destruídas e trazer o alimento cultivado com muito suor e luta. “No começo do ano, enfrentamos uma grande seca e depois vieram essas chuvas fortes. Muito da produção se perdeu. Além disso, as estradas estão terríveis, foi difícil o nosso povo chegar, mas conseguimos. Viemos cheios de esperança e alegria para compartilhar a vida, que está representada nos alimentos”, disse a agrônoma Heloísa Muniz, coordenadora da Comissão Pastorald a Terra (CPT), que conduziu a cerimônia de abertura.

O representante do Movimento de de Libertação dos Trabalhadores Sem-Terra (MLST), Josival Oliveira, enfatizou a Feira como um momento onde homens e mulheres apresentam à sociedade os frutos da luta por reforma agrária e por justiça social. “Não temos aqui apenas agricultores comercializando seus produtos e garantindo suas rendas. Temos aqui bravos guerreiros e agentes da transformação social, capazes de mudar esse país”, defendeu o líder do MLST.

Em todas as falas, estiveram presentes críticas ao Governo Federal. O presidente do Iteral, Jaime Silva, disse estar triste com a paralisia da Reforma Agrária. “Voltei de Brasília muito triste. Vi que a possibilidade de fazer a Reforma Agrária hoje não existe. Está suspensa a compra de terras com essa finalidade em todo o Brasil. Isso é um desestímulo para a gente que faz o Iteral. Espero que a gente consiga mudanças e mude logo. O país não pode continuar assim”, afirmou.

A política de Temer traz outras implicações para o campo. O aumento da violência é uma delas e foi denunciada por Carlos Lima, coordenador da CPT, em sua fala. “Pensamos que 2016 tivesse sido o pior ano da década em violência no campo. Mas, os número demonstram que 2017 será muito pior. Nunca se matou tanto no campo e isso está associado ao governo. A verdade é que Temer não tá nem aí para pobre, quer acabar com os nossos direitos e com nossas vidas, acabar com tudo que construímos a partir da luta”, disse Lima.

Os sindicatos e movimentos sociais do campo demonstraram que, apesar dos ataques, estão dispostos a lutar e derrotar o projeto de dominação dos ricos e banqueiros. Uma das prioridades e que a classe trabalhadora está unida para barrar são as reformas trabalhista e da previdência. José Roberto, representante do MST, conclamou a todos os presentes para essa luta.



“Golpearam a Reforma Agrária, os direitos dos trabalhadores do campo e querem dar um golpe fatal que é contra as leis trabalhistas e a previdência. Temos que seguir lutando, resistindo e construindo um projeto popular nesse país. Essa feira é uma demonstração de que é possível ter um projeto alternativo ao desse governo”, defendeu Zé Roberto.

Impasse com a Prefeitura

Um registro importante, assinalado pelo anfitrião do evento, foi a dificuldade criada pela Prefeitura de Maceió para a realização das feiras. Carlos Lima denunciou aos presentes a postura de funcionários do poder público municipal na tentativa de impedir que as famílias pudessem comercializar os alimentos.

“A Prefeitura coloca milhares de impasses para conceder a autorização de uso da praça. Quer que a gente peça licença até para o vaticano e pague taxas e mais taxas para usar uma praça que usamos há duas décadas. Quando ninguém queria a Praça da Faculdade, nós já estávamos aqui e, desde lá trás, já reivindicávamos uma revitalização. Essa é um dificuldade que colocam para todos os movimentos para ver se desistimos de que as feiras aconteçam. Não podemos tolerar mais isso. Ou a Prefeitura muda a sua postura ou os movimentos vão mostrar ao prefeito que essa praça é do povo, dos moradores e também dos feirantes que alimentam essa cidade”, exclamou Lima.

Presença



A abertura da 26ª Feira Camponesa foi bastante representativa, contou com a presença da presidenta da CUT, Rilda Alves, do presidente da FETAG, Genivaldo Olibeira, do coordenador do MST, Zé Roberto, do representante do MLST, Josival Oliveira, do coordenador do Movimento Via do Trabalho, Marrom Silva, do presidente do Iteral, Jaime Silva, do superintendente do INCRA, César Lira, do diretor do Sindicato dos Urbanitários, José Cícero da Silva (Sil), do tenente do Centro de Gerenciamento de Crises de Alagoas, Antônio Casado, além dos agentes da Pastoral da Terra e de representantes dos assentamentos e acampamentos acompanhados pela CPT.




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